quinta-feira, junho 15, 2006

Procurei Para Encontrar

Só! Caminhava
Pela noite fria...

Como se fosse a primeira vez
Na desoberta de cada espaço
Numa escuridão camuflada
Cercada de um silêncio cúmplice
Caminhava,
Deixando para trás
Ruas, travessas e pracetas
Como quem deixa um passado
Sem noção do tempo.

Caminhava...

Reflectindo
Numa retrospectiva da vida
Analisando os diferentes momentos
Que compõem o destino

Pela noite fria...

Fumando um belo charuto
Exercia o direito de ser feliz
De sentir-me a mim próprio
Longe de tudo, longe de nada

Só!

Caminhava pela noite
Que de fria
Tinha apenas a tua ausência
Era essa descoberta...
Só! Caminhava pela noite fria...


Eduardo Montepuez


Lisboa, 20 de Abril de 2002


(Publicado em Maio de 2002)

QUERO!...

Entender é...
O fumo branco da chaminé
Desenhado no espaço circunscrito

Eliminando os que quero
Os
As
Todos.



Eduardo Montepuez
(Publicado em Maio de 2002)

Há Coisas!

À Elmano de Souto


Há coisas
Que o vento não consegue levar
Há coisas,
Que a escuridão não consegue esconder
Há... sem explicação
Que (quase) ninguém pode prever
Coisas, talvez sem razão
Que aparecem no ar
Sem ninguém as ver
Há coisas,
Que estão a acontecer
Em que é preciso meditar
Responder...
Há e são coisas
Que o mundo não consegue acabar.

E nós,
Nós vivemos nesse mundo
Do lado bom dessas coisas!!!

______

Peniche, 23 de Setembro de 1999


(Publicado em Novembro de 2001)

Sociedade Feminina

O céu é todo teu
Podes voar, livremente
Se queres ser ave.
O mar é só teu
Podes nadar, apaixonadamente
Se queres ser peixe.
A vida é toda tua, porque existes
Mas tens que ser inteligente
Se queres ser pessoa.

Mas, se voares não podes
Nadar não queres
E inteligente não és
Então...
Bem então,
Serás sempre e apenas
Mais uma... mulher.

(Publicado em Maio de 2001)

Espaço de Divulgação da Poesia

Espaço de Divulgação da Poesia de Paulo Afonso
Onde pode criar, comentar, recomendar e enviar as suas mensagens.

Errado É Não Entender

Tudo na vida é questionável
Tudo mas, o mesmo é em vão
Se desaproveitado... apreendemos
Com os erros que cometemos e então...
Poderemos apreender com os erros que os outros
Cometem. Errado é não entender,
Fugir das verdades, escondendo realidades
Construir castelos moribundos como forma
De protecção do medo e do nada, ter que
Sem saber o porquê, sem necessidade de ser assim.
Duvidar é normal se não temos confiança,
Na nossa pessoa, se precisarmos de esclarecimentos.
Errado é não entender, como chegamos a onde estamos
E não encontrarmos uma saída dum labirinto gigante
Feito pelas nossas próprias mãos.
Na vida tudo é fútil
Se não tivermos tenuidade
Com o que nos rodeia.
Errado é não entender
Um passado sofrido, de conquista
De lágrimas e alegrias.
Errado é não entender
O que "não" se quer entender.

Eduardo Montepuez

(Publicado em Maio de 2002)

O Partido do Sonho

O Partido do Sonho


O mundo inteiro
Observa sereno
Sou do partido do sonho
Que transforma o nevoeiro
Na visão do pleno.
Sou do mundo emergente
Onde todos decidem o destino
Sou do partido do sonho
Onde há boa gente
Gente com um hino
A construir o futuro
Gente de trabalho duro.
Sou do partido do sonho
Mas, se querem vencer-me
Têm que comprar-me
Não vos pertenço acordado,
Não transformo-me nem desfaço-me
A procura de vencer,
Dentro de ideais egrégios
E dentro da sociedade coibida
Sou do partido do sonho
Até acordar.


(Publicado em Maio de 2001)

(Dedico-o ao meu Pai)

CIDADE

Cidade

O que sinto por Lisboa
É tão somente gratidão
Por todos tipos de vida, é vida boa
Envolver-me, poder ser, na multidão.

O contentamento que os meus olhos querem
São alimento...
Para todos verem
Para todos terem
São alento...

Espíritos vagueando
A sofrerem

Esta Lisboa, os vai aguentando.


(Publicado em Maio de 2001)