sábado, fevereiro 02, 2008

No Teu Olhar
























(Foto de: Josef Popper)


Vejo-te! Sinto as vibrações que percorrem o teu corpo. No teu olhar, desagua um rio chamado mundo… o teu mundo solitário, incompreendido, abandonado.
Sabes? Um dia… um dia vi, nesse mesmo olhar, um caminho secreto que nos levava ao casarão de madeira perto de um lago, onde sonhavas construir o teu lar feliz, lugar onde as crianças podiam brincar com a felicidade e a inocência entre o sol e a lua…
Sabes?... Sabes que sei que deixaste desfalecer esse sonho? Sim! Sei que sabes.
No teu olhar encontrei tantas mágoas, tantas incertezas, misturadas com fraquezas que se envolviam num frenesim apócrifo…
Talvez saibas, sim! Embora apenas mostres esse mundo real, foi no teu olhar que descobri uma pérola construída de esperança e força. Uma alavanca que te eleva nos momentos submissos contrariando os desejos alheios… Tu que nunca foste egoísta.
No teu olhar, vi a selva das decadências em paralelo com as fronteiras da lucidez!
Vi o sentimento profundo. Senti-te crescer…
Hoje é no teu olhar que desagua as impurezas do teu passado. É assim que libertas as tuas vozes caladas, num exercício de grandeza. Vives entre esse preâmbulo…
O teu crescimento aconteceu, mas consegues manter esse olhar infantil que questiona os porquês todos em teu redor…
No teu olhar vejo a chama que reacende para aquecer a magia de sonhar, vejo a alegria exposta na lucidez de seres mais que apenas um corpo!
E quando me olhas nos olhos, nesse momento único, nosso, revejo-me no passado… na criança feliz que existiu. Troco-te por uma mensagem de esperança e sigo… Sigo-te! Na ânsia de voltar a encontrar o que desejas no teu olhar…

sexta-feira, fevereiro 01, 2008

Já te disse hoje que gosto de ti?


















(Foto - You Are Not Alone de: Mehmet Ozour)

Um café! Acordou-me devagar, ainda não refeito de uma noite dormida à pressa. Dei os primeiros passos cruzando-me com pessoas conhecidas, que, alegremente, me davam um inusitado “Bom – Dia”. Respondi a todas com um gémeo cumprimento. Ficou-me a energia, revigorante, das pessoas com que me cruzei!
Meditei… antes nunca tinha pensado nesses pormenores, levava a vida a correr, num contra relógio contra o tempo, o meu tempo, em suma, contra mim.
Deixava passar os minutos, sem reparar neles, apenas reparava em algumas horas porque a sociedade me habituara aos horários preestabelecidos…
Não era eu! Não o verdadeiro eu…
Mas naquele dia, tudo seria diferente, mesmo que o meu exterior não o revelasse, mesmo que o meu rosto não o expressasse, era um dia diferente.
O dia da consciência! O dia que quebrava a barreira das oposições e conseguia entrar na essência do meu Ser, concedido pelos meus semelhantes que comigo conviviam diariamente.
Um café, mais um, para competir com tamanha alegria que sentia. Tinha-me revelado. Finalmente tinha entendido o sinal…o simples sinal de que podes ser tu mesmo se assim quiseres!
De alegria incontida, procurei-te, sim a ti que lês as minhas singelas palavras, a ti e a ele, e a ela, pela mensagem que não cheguei a mandar e pelo telefonema que pensei fazer, pelo e-mail que ficou por escrever, pelas várias possibilidades… mas acredita que te procurei, sei que sentiste essa energia e não ligaste, um arrepio, um vento suave ou um calor passageiro, era eu a tentar abrir a linha da nossa comunicação para te questionar, livre e abertamente, sem malícias ou secretos desejos, sem que fosse preciso uma resposta pronta e composta… e no tempo livre que gastei a viajar pelas pessoas, uma a uma, adornando as suas qualidades, deixei-me ficar aqui, sentado neste banco de jardim, etéreo, de lápis na mão a escrever no meu caderno dos desejos… vezes sem conta a frase repetida na minha mente…
Já?
Já te?
Já te disse?
Já te disse hoje?
Já te disse hoje que?
Já te disse hoje que gosto?
Já te disse hoje que gosto de?
Já te disse hoje que gosto de ti?
Já te disse hoje que gosto de ti? Já te disse hoje que gosto de ti? Já te disse hoje que gosto de ti?
E o meu pensamento, afectuoso, sussurrou ao teu ouvido…

quinta-feira, janeiro 31, 2008

palavras e mais palavras
















(Foto de Steve Boyer)


palavras e mais palavras
que oiço pelas vozes do mundo
entre as ferozes ideias empurradas
vejo-as expostas no painel da vida
leio-as nas palmas das mãos
dos vagabundos solitários
são palavras e mais palavras
que me fazem sonhar…
com a mudança
para que cada palavra
traga… alegria
empreste…magia
ofereça…paz!
palavras e mais palavras
que podem matar
mas que as usamos
como dádiva do amor…
separando-as da dor.

palavras e mais palavras
por um mundo melhor

terça-feira, janeiro 29, 2008

O Tempo



o tempo é…
condão dos inocentes
dos verdadeiros inesperados

o tempo é a justiça
para mim
para ti
para…todos!

segunda-feira, janeiro 28, 2008

Estranha Alegria Que Dás...

Deixas a noite cair
para desceres do teu berço dourado
deixas a escuridão envolver-te em fragrâncias
e despertas o teu falir
nessas palavras feitas de ânsias
escondidas no âmago imoderado.
Estranha alegria
que fazes sair
recôndita na prosa e na poesia
eloquente sem mentir.
Voltas ao ataque
procuras um destaque
estranha alegria que fazes sorrir.
E no momento
em que escreves a palavra plágio
fazes-me ser o evento.
Fazes o vento fugir
e de mim um Ás
estranha alegria que dás…

domingo, janeiro 27, 2008

Djinn

Para ti Djinn


não há barreiras erguidas no tempo, que não sejam derrubadas…
não há amores perdidos, que não sejam encontrados
não há vitórias sem que não seja preciso lutar
não há uma pausa… que não seja para continuar…
não existem probabilidades, existem realidades!

absorve as cores do teu arco-íris
para que possas pintar a tua vida de alegrias

contra todas as probabilidades... só TU podes decidir!

sábado, janeiro 26, 2008

Peça… de Teatro e da Vida!

Hall do Hotel Garden. Juan de fato azul-escuro e gravata azul-bebé, gabardina num braço e computador portátil na outra mão, entra no hotel, passa pelas flores situadas na sala de espera e leitura, e dirige-se à recepção para confirmar a sua reserva para aquela noite.
O ambiente é sereno. São poucas pessoas que estão por ali. A Juan não lhe passa despercebido a mulher que está no cadeirão da sala, mesmo à frente da recepção.
Sentada. Parece ser alta e esguia, cabelo preto e um olhar penetrante. Linda sem qualquer dúvida…para Juan ou para qualquer homem!
Há uma troca, observadora, de olhares. Há um primeiro momento, disfarçado, de aproximação.
Juan é bem recebido pelo gerente do hotel. Depois de confirmados os seus dados e de saber que essa noite iria ficar no quarto 304, dirige-se para um dos elevadores e sobe para o seu quarto. Antes de a porta do elevador fechar, outra troca de olhar acontece… há um segundo momento, assumido, de proximidade…

Restaurante do Hotel. 20 Horas. Juan desce para jantar. Entra no restaurante que está cheio de pessoas de perfil empresarial e é recebido pelo Chefe de Sala que o acompanha a uma mesa mais discreta e colocada estrategicamente, (de onde se pode observar a sala com maior capacidade) que estava reservada para si.
Juan como homem de negócios de enorme sucesso, está habituado pensar de forma rápida e sem oscilações, pelo que dá um olhar fugidio pelo menu e rapidamente decide. Pede o costume… Uma entrada de “Gambas á Gilho” e um “Bife á Chefe”.
Enquanto espera, lê o jornal de negócios e controla a sala de uma forma despercebida.
Há um momento que a sua atenção é “puxada” para a entrada… sem que perceba porquê, mas nem tem tempo para pensar, porque vê uma mulher vistosa a entrar sozinha… era ela novamente. Toda sala, inconscientemente, repara naquela esbelta mulher, que lida com essa situação com agrado, demonstrando estar habituada a ser o centro das atenções, em especial dos homens.
Depois de uma pequena conversa com o Chefe de Sala, é acompanhada por este, para a mesa mais próxima de Juan.
Ela. Enquanto escolhe o menu, troca algumas vezes o olhar com Juan, quase num desafio… pelo qual Juan não se deixa intimidar e assume uma postura de “garanhão”.
Escolhe e o empregado afasta-se. Ela deixa-se ficar imóvel, com ar pensativo e abandonado… o que seduz e intriga Juan.
Passam o jantar separados, mas, ligados em olhares e pensamentos.
No fim da refeição, ela levanta-se e dirige-se a mesa de Juan. Acedendo ao convite de intenções de ambos…

Bar do Hotel. Continuam juntos e conversam bastante. Tomam uns digestivos. O espaço é agradável e muito acolhedor, a música é serena, romântica como aquele momento começa a ser, que os seduz e proporciona uma solvência entre ambos.
Três horas depois sobem para o quarto de Juan. Trocam um primeiro beijo arrojado ainda no elevador.

Quarto 304. Assim que entram, com o fechar da porta, enroscam-se em apetitosos gestos de ternura e sofreguidão. Trocam beijos inflamados. Quase se despem. Juan já quase todo despido, pede um pouco de tempo para tomar um duche rápido. Estava decidido a tornar aquela noite mágica e inesquecível.
Ela, com uma maturidade estranha e poderosa aceitou e deixou-o partir.
Passaram apenas alguns minutos. Juan regressa entusiasmado e é confrontado com um pedido inesperado.
Ela, queria leva-lo para sua suíte. Argumentou que na sua suite existia uma piscina interior pelo que a noite seria mais generosa, mais inesquecível…
Juan concordou de imediato. Já estava num ponto de concordância com tudo o que ela sugerisse…

Suite presidencial. Ao entrar, Juan percorreu com o olhar cada pequeno espaço daquela suíte. Estava maravilhado. Sentia-se um verdadeiro “macho” pela sua grande conquista e um ilustre contemplado pelas energias da vida prestigiada…
Depressa retomou as essências daquele corpo divinal. Sentiu-se Rei. Sentiu que estava muito próximo do paraíso.
Foi uma noite de intenso e inesgotável prazer. Juan não deixará o crédito latino por mãos alheias. Os seus trinta e dois anos e a sua performance física também ajudaram.
Já madrugada, adormeceram, corpos enleados por baixo daquele lençol branco de cetim.

Novo dia. Juan acorda lentamente. A cama está quase vazia, ocupada apenas pelo seu corpo. A mulher que conhecera na noite anterior desaparecera. Com o olhar, percorre a suíte e repara num DVD à sua frente, branco e com letras garrafais pretas de um marcador próprio: JUAN 26/01/08.
Levanta-se confuso. Vai a janela para sentir o sol e para enquadrar-se com a realidade matinal. Sente um cheiro incomodativo do tabaco. Segue o cheiro na busca daquele corpo fantasia que animara a sua noite de segredos…e encontra um homem vestido de preto, barba por fazer, e de aspecto intimidador.
Este entrega-lhe um papel sem dizer uma única palavra. Juan, quase sem reacção, pensa múltiplas coisas… e sente o primeiro aperto no coração.
Lê:

ORÇAMENTO – JUAN

SUÍTE:………... 1.500 €
SERVIÇOS:…... 2.500 €
DVD……………5.000 €
EXTRAS:………1.000 €

TOTAL:……….10.000 €

(PRAZO DE PAGAMENTO IMEDIATO)

Juan levanta o olhar em direcção ao desconhecido, que continuava a fumar impávido. Finalmente percebera que aquela noite de luxúria, tinha sido premeditada. Uma noite filmada para um jogo de chantagem em que ele era a única vítima…

sexta-feira, janeiro 25, 2008

Projecto PÃO & POESIA




O meu Poema IRAQUE EM GUERRA foi seleccionado para participar no Projecto PÃO & POESIA


Edições Árvore dos Poemas e Mixpan Indústria e Comércio Ltda, convidam a todos para participarem no Projecto PÃO & POESIA.

Em breve lançaremos o projecto PÃO & POESIA. Inicialmente, serão impressas 300.000 embalagens com poemas no verso das mesmas. Os clientes das padarias, participantes do projecto, além de levarem pães para o café da manhã, levarão de brinde - poemas. As pessoas, que desejarem participar do projecto, devem enviar seus poemas para pao.poesia@yahoo.com.br - um dos objectivos, é divulgar novos autores, que permutem connosco a liberação dos direitos de autor, pela divulgação de seus trabalhos. Aqueles gostam de incentivar a leitura, agradecemos desde já, se nos ajudarem na divulgação do projecto. Vamos literalmente tentar, uma injecção de poesia nas artérias da realidade. É isso aí...
Pão, para o corpo...
Poesia, para o espírito...
Pão, para o físico...
Poesia, para o invisível...
E o trem segue: alegre e apitando invencível...
Et´sceteramente...
E nóis na rabeira ou den´dEle - d´carona...
Vamo-Q-vamo... d´YAMAHA ou HONDA, no moto-perpétuo da vida
ou; não lamente nenhuma vez, não ter surfado nesta onda...
Neste: delicado-sincero-ofertório, dedicado à alma humana.



IRAQUE EM GUERRA

Inferno que ilude
Recebe e dá… a dor
Amanhecer cor de fogo
Querer… sem amor
Uma criança que foge
E brinca de soldado…

Embalados em miras
Miras em movimento

Gente que morre
Um vento sofrido
Ecos de almas a partirem
Rostos de pânico
Rituais de um mundo perdido
Amor atingido… que morre!

quarta-feira, janeiro 23, 2008

Alma Gémea

Aos poucos, o primeiro raio de sol, ilumina o quarto. Amanheceu e os raios de sol, ainda tímidos, entram pelas frechas da janela. Iluminam, timidamente o quarto.

Aquece-lhe os olhos ainda fechados, e ainda que sem abrir os olhos, ela sente-se iluminada, como se a sua alma acordasse feliz para a vida.

Mas não! Ainda dormem, corpos que parecem abandonados pela vida, estão algures, no mundo dos sonhos!

Abriu os olhos, olhou para o seu lado e lá estava ele…, num sono profundo, completamente indefeso, lindo…, e ela pensou…- acordei feliz! Obrigado meu Deus, por esta felicidade! É tão bom sentir o amor, sentir que somos queridos, desejados e protegidos! É a nossa alma gémea, aquele que nos completa, que nos deixa numa plena e completa paz, como se de uma alma apenas se tratasse!

Aos poucos ele começa a acordar e ela finge que ainda dorme…, então ele começa a acordá-la com beijos suaves, como se fossem um sussurro, um arrepio gostoso na pele... e ela move-se devagar, ele continua a beijá-la no pescoço, arrepios que lhe percorrem o corpo, mas continua sonolenta, ele começa a percorrer o corpo dela quase sem lhe tocar…, só a transmitir o calor das suas mãos…, ele move-se devagar como um acto de magia, move-se ao leve tocar das sua mãos, - mesmo a dormir… - Hum… ela está a ter prazer! Aos poucos ele chega-se mais para ela, que sente o seu cheiro, já impregnado de prazer…, começam a fazer amor num acto suave, sem pressas, até que as suas almas e os seus corpos explodem num géiser de prazer absoluto…!

Adormecem cansados, mas completos, felizes, como só os amantes apaixonados se sentem. Eles são amigos, casados, namorados, cúmplices um do outro.

Acordam com o sol quase a pôr-se… a noite próxima pintava o sol de uma cor laranja e o céu de um azul esplêndido, como se fosse um quadro.

Ele acorda-a e depressa se vestem, ela não sabia porquê… Porquê??

- Depressa! - Ele diz-lhe…, temos que ir a um sítio…, ela incrédula… – mas onde? Saem de carro, apressam-se…para um lugar qualquer.

Já na estrada, com algum tempo percorrido, ele pára e diz-lhe que tem que fechar os olhos…, mas porquê? Pergunta ela…

- Não confias em mim? Tens que fechar os olhos!
Ela fecha-os, confiando nele como sempre fez.

Ela sente o carro a parar … e ele diz-lhe… – já podes abrir os olhos!

Ela abre-os devagar e o que vê…, meu Deus…, as lágrimas caem-lhe pelo rosto, não de tristeza, mas de tanta beleza.


Á sua frente vê uma praia linda, um caminho por entre palmeiras, ao fundo archotes a iluminar um sitio à beira-mar, velas em redor, um manto sobre o qual havia um manjar digno de princesas… meu Deus, um mar lindo, um pôr-do-sol magnifico! Era um piquenique à beira-mar… um sitio paradisíaco…

Ela nem queria acreditar, uniram-se mais uma vez, num acto de amor como nunca tinham alcançado.

Felizes a olharem o mar, enquanto o sol se escondia, ela ainda pensou… murmurando para os seus desejos: - Estarei a sonhar? Será que tudo não passou de um sonho a dois?

Sonho ou realidade? Deixo à vossa imaginação!


(Será este o melhor presente para oferecer á nossa Alma Gémea?)

domingo, janeiro 20, 2008

Regresso

Estou cansado!
Farto das melancolias da vida. Das iras de quem me combate no labor dos meus dias…
Estou faminto!
Das musas dos sonhos perdidos e em que as recuperações são jogos eruditos. Dos jogos tradicionais que esvoaçam na memória. Das alegrias sentidas sem que percebesse a sua poderosa sensação e em que nunca imaginava o quanto iria sentir…
Estou neste lugar do Mundo, perdido, à espera de ser removido com a consciência de que outrora era desprovido.
Hoje! Quero voltar à minha infância e por lá permanecer por tempo interminável…

Estou cansado! Mas ainda encontro forças para viajar…

sábado, janeiro 19, 2008

Pasmos da Passagem…

Com quatro madeiros
fiz a minha jangada
atados com fitas de esperança
para atravessar o rio dos herdeiros
que na vida encontraram a herança
tão própria e desejada.
Fiz a viagem
entre os últimos e os primeiros
focado na miragem
de poder ser… talvez um dos pioneiros.
Lutei
perdi e ganhei
com rebeldes verdadeiros.
E da minha própria experiência
quis ousar beber o sumo
achado e conquistado por excelência.
Iludam-se os matreiros
neste meu corpo ansioso
ficaram as cicatrizes de um idoso.

quarta-feira, janeiro 16, 2008

Sentimento

Hirto é o desejo
como a flor
ou como a dor
que não tem fim.
Bela é a sensação
quando adorna o coração
de jeitos e de fantasias
sentidas assim
num mistério fosco
desse traje de pérola marfim.

E a lua sorri
nesse cúmplice movimento
pela noite escondido.
E o amor sente-se perdido
encolhe-se assustado
fica calado
na espera do acontecimento.
E o ensejo
do teu beijo
alteia o concreto sentimento.

terça-feira, janeiro 15, 2008

Revoltada

Revoltada. Ela estava revoltada e caminhava junto ao rio. Os seus movimentos eram internos e esboçados na personagem do maestro. Nem reparava em si. A verdade é que nem em si nem nos outros, de tão envolvida das razões da sua vida.

A distância que já percorrera era imensa, distraída, tinha andado muitos quilómetros sempre em frente. Envolvia-se entre os seus problemas e na busca das soluções.

Indecisa. Confusa. Numa luta ardilosa pelo seu estado equilibrado, deixava-se perder…fugia do mundo e de si!

O cansaço chegava lentamente, as suas forças diminuíam como se fossem uma tortura e dominavam o seu corpo inebriado de jovem mulher. Sentia o vento forte no seu rosto ainda que os seus olhos fossem ofuscados pelo sol.

Parou em lugar nenhum, perdida das realidades e das necessidades, perdida do espaço onde estava, o qual desconhecia. Sentiu a areia macia fazer de cama e extasiada, sentiu uma estranha transformação que associou à queda que deu, rápida e concisa.

Nem o tempo saberá dizer, quanto tempo passou. O corpo acordou atacado por uma onda mais rebelde. As mãos percorreram o rosto e detectaram uma tímida penugem, desceram ao peito, liso, sentido uma companhia peluda.

Acordou… homem!

Escondeu o passado e seguiu o seu caminho. Jamais voltaria a desperdiçar um minuto da sua nova vida.

domingo, janeiro 13, 2008

Porque é que nós existimos?

Se a ceara cresce em união
e o tempo sorri
pergunto-te a ti
porque é que nós existimos?
Seja qual for a resposta
aceito a aposta
que nunca tal saberás
porque por vezes mentimos
ávidos…
das respostas fugirmos.

Enganados do espaço
ritmados lunáticos
estamos famintos de viver.
Sem noção estamos a crescer
laicos
prosaicos
para que possamos provir.
Porque razão?
Existimos…magna ilusão
somos o verbo… destruir!

sábado, janeiro 12, 2008

A Palavra

Deixo as palavras. Assim sem mais… numa despedida inesperada e por isso talvez repentina.
Das palavras sobram os escudos com os quais me defendi. Outras vezes, das palavras se soltaram armas poderosas com as quais feri para não morrer…mas nunca quis matar!
Que resta agora? Não mais que um passado vivido e apagado.
Os castelos que construí estão habitados pela minha imagem segredada na minha ausência, as barreiras quebradas agora que não sou encontrada.
Os fundamentos são a terra que cobre o meu corpo, inerte, neste emblema escuro com que me escudo. Do silêncio solto energias invisíveis para os que amo, quero que nunca duvidem desse meu sabor. O sabor sentido com o corpo todo. A tempo inteiro. Mesmo que eu solte uma lágrima, de despedida, nada moverá a minha condição.
As palavras continuarão. Sem mim, mas continuarão.
Talvez o mundo tenha outro valor. Talvez a vida seja melhor. É no poder das palavras que gostava que encontrassem essa forma de amar.
Hoje fui de viagem à boleia do destino, fui em nome da mulher que ousei ser, para lá do Júpiter (que nem sei muito bem de qual parte, positiva – negativa) sem mais.
Ninguém saberá se voltarei, transformada de cavaleiro das touradas da vida ou de mero embaixador da paz apetecida e tão distante.
Se voltar, serei o expoente dos limites positivos ou o negrume dos incansáveis destabilizadores do universo. Se voltar, serei qualquer coisa que não consegui ser.
Resta-me a palavra. A mesma com a qual nasci, a que esteve juntinha a mim enquanto cresci e que agora se separa por quanto já não a precisar…
Deixo-a… como me deixo aqui, levada em prantos de não a ter explorado até aos confins do maior imaginário que existiu dentro de mim…
Parti!

Cassandra

sexta-feira, janeiro 11, 2008

La Palabra

Dejo las palabras. Así sin más… en una despedida inesperada y por ello quizás repentina.
De las palabras sobran los escudos con los cuales me defendí. Otras veces, de las palabras se soltaron armas poderosas con las cuales herí para no morir…pero nunca quiso matar!
¿Qué resta ahora? No más que un planchado vivido y borrado.
Los castillos que construí están habitados por mi imagen segredada en mi ausencia, las barreras rotas ahora que no soy encontrada.
Los fundamentos son la tierra que cubre mi cuerpo, inerte, en este emblema oscuro con que me escudo. Del silencio suelto energías invisibles para los que amo, quiero que nunca duden de ese mi sabor. El sabor sentido con el cuerpo todo. A tiempo entero. Mismo yo suelte una lágrima, de despedida, nada moverá mi condición.
Las palabras continuarán. Sin mí, pero continuarán.
Quizás el mundo tenga otro valor. Quizás la vida sea mejor. Es en el poder de las palabras que gustaba que encontrasen esa forma de amar.
Hoy fui de viaje a la boleia del destino, fui en nombre de la mujer que osé ser, para allá del Júpiter (que ni sé muy bien de cuál parte, positiva – negativa) sin más.
Nadie sabrá, se volveré, transformada de jinete de las corridas de toros de la vida o de mero embajador de la paz apetecida y tan distante.
volverse, seré el exponente de los límites positivos o el negrume de los incansáveis destabilizadores del universo. volverse, seré cualquier cosa que no conseguid ser.
Me resta la palabra. La misma con la cual nací, la que estuvo juntinha la mí mientras crecí y que ahora se separa por cuanto ya no a precisar…
Dejo-la… como me dejo aquí, llevada en llantos de no a tener explotado hasta a los confines del mayor imaginario que existió dentro de mí…
Partí!

Cassandra

quarta-feira, janeiro 09, 2008

Só Mais Esta Noite!

Sinto-te envolta na névoa dos sentidos. Sinto as cordas que amarram o teu desejo e que ferem o teu corpo emergente dessa tortura inacabada.
Vejo os teus sonhos, de esperança e de liberdade, a fugirem da tua cama no silêncio da noite escondida e fria. Vejo o teu corpo, ardente, que repousa, desgastado, das batalhas evocadas contra ao vento… um vento que sopra de todas direcções!
Sinto o teu acordar… vejo esse sorriso por acontecer. Uma palavra pensada que nunca vais dizer e no espaço de um passo, deixas cair um bom dia…
Revigorada! Avanças para esse novo dia.
Nunca saberás que a noite foi tumultuosa, nem sentirás o esforço empregue nessa missão enjeitada de laços de desejo… é segredo.
Só as paredes sabem, pintadas de um neutro sabor e nunca dirão as viagens que aconteceram… nunca, por outras cores que as pintes serão sempre mudas.
E o cansaço trai-te, empurra-te para mais uma noite longa. As paredes abrem-me um espaço para entrar em segredo. Fico só mais esta noite!

segunda-feira, janeiro 07, 2008

“Um Passeio De Amigos” - Conto

Verão! De um ano qualquer. Um ano que já vai longe. Em que quatro amigos combinaram dar um passeio naquele fim-de-semana prolongado.
Como grandes amigos que eram, não tiveram grande dificuldade em escolher o destino do seu necessário passeio, dado que, normalmente, estavam de acordo e como os gostos eram comuns quase tudo era fácil…
Uma boa janta, seguida de uma boa tertúlia sobre a escrita era, só por si, um forte e óbvio motivo para estarem juntos, quiçá, por vontade própria, para sempre!
Cada um tinha jeitos próprios para o seu tipo de escrita, Tico era o mestre dos contos, já a Teca, mulher madura pelas experiências da vida era mais vocacionada para a prosa poética.
Depois existia a Tesiana de quem saíam maravilhosos poemas de esperança, fruto da sua tenra idade.
A Tina, que pouco escrevia, era a leitora obrigatória de todos, a crítica e a que encorajava todos a não pararem de escrever, movida pela sua insaciável necessidade de ler e pelo seu grande apreço pelos bons amigos.
Aquela viagem já estava programada há muito, repetia-se sempre que o calendário abria a possibilidade de mais uma ponte. Porque todos trabalhavam, tinham que aproveitar estas benesses que, ao longo do ano, apareciam. Mudavam apenas o destino uma vez que gostavam de conhecer sítios novos, do Minho ao Algarve, porque para o estrangeiro nunca tinham ido em conjunto. Mas se juntassem as viagens de cada um, teriam um bom curriculum conjunto, Espanha – Itália – Suíça – Alemanha – Macau – Moçambique – Canadá – Polónia e Luxemburgo eram destinos já conhecidos.
Mas aquela viagem seria ao interior de Portugal, a uma terra desconhecida de nome Belmonte, uma vila portuguesa no Distrito de Castelo Branco, região Centro, com poucos habitantes. Tinham reservado uma casa de turismo rural.
Os dias eram preenchidos pelas visitas aos monumentos em redor, pela história de uma povoação escondida e com identidade própria. Intervalados apenas pelas grandes refeições degustadas entre palavras, e com o tempo escondido porque ali não havia pressas…
As noites eram mágicas. Apenas os quatro. Preenchidos de bens comestíveis, pois os petiscos não faltavam, devidamente acompanhados por magistrais bebidas escolhidas com todo o critério.
Houve uma noite que o desafio foi diferente. Decidiram fazer uma peça de teatro. Como eram apenas quatro, decidiram que cada um representaria sozinho tendo como plateia os outros três.
Foi uma primeira noite de risos constantes, as horas caíram tatuadas por gargalhadas sobrepostas e a magia aconteceu no meio de tanta alegria.
Naqueles momentos não tiveram noção de nada. Sabiam que eram felizes e que a vida lhes sorria. E era suficiente. Não perceberam que tinham sido os pioneiros de uma nova fonte de humor, de um teatro diferenciado. Ainda actuaram muitos anos para escolas, de uma forma gratuita, por mero amor à causa…
Hoje todos conhecem essa vertente. A Stand-up comedy é universal….

domingo, janeiro 06, 2008

Eternidade

Há uma música. Oiço-a de fundo.
Soa-me uma voz celestial
perpétua
longe do mundo
a voz… talvez tua
distingue-se do banal.
Nuvens que passam
num gesto profundo
verdades que deslassam
num pequeno segundo.
Não há vida
que não fique perdida
que não acabe no mundo.
Deixo-vos poemas
relíquias de um pobre
de diversos temas.
Deixo-vos o meu amor profundo
junto da minha verdade
...não existe a eternidade.

sábado, janeiro 05, 2008

Caminhos Sentidos

Declamei aos demónios
poemas de amor.
Ancorei em sinónimos
para que sentissem a minha dor.
Devassos riam…
ignorando o meu desejo
fugiam,
do nobre lampejo.
Sem que pudessem acreditar
nessa armada
das palavras que nunca sucumbem
e que me fazem sonhar
tentei o consentimento aliado.
Declamei versos e prosas
clemências da minha emoção
trouxe as mais belas rosas
do jardim do meu coração
nunca expostas
para agradecer a sua paixão.

sexta-feira, janeiro 04, 2008

Beijo Absoluto…

Campos verdes. Desenhados por uma arte imaculada, que por ser tão dedicada surte o efeito, eleito, quando olhada de ângulo genuíno…
Mensagem ligeira. Sem que se saiba o seu destinatário, abunda por entre os silvestres moribundos do sentido enigmático ali exposto sem qualquer resguardo as intempéries da vida.
Conexão tão próxima e tão distante. Tão nomeada e desconhecida…
Prospera a aura da felicidade, num campo que de invisível é ilimitado e que tem um aroma de chocolate, derretido, quente e frio, que nos atrai inconscientemente.
Cidade do nunca. Momento de ninguém. Flor que já nasceu nesse canteiro do mundo, onde o vento levanta o pólen nessa mega missão do além.
Que deserto! Onde ver alguém é um manifesto e prosaico acto de ilusão, nasce do chão que outrora foi pisado, a alegria de alguém… nasce para que possa simplesmente morrer!
Campos castanhos. Cansados de esperar… enfados dos nadas constantes, emergem no grito, tumultuário, de quem deixa a esperança cair dos braços enfraquecidos…
Se tivesses, acreditado… se deixasses o teu limo moldar a tua vontade, fortalecendo-a, com a vontade dos vencedores, dos bárbaros lutadores…se…

Nunca vieste!

Bastava acreditares que estaria aqui…
Bastava vires… ao meu encontro e sem medo de agir, esperava-te…um beijo absoluto!

Quem impede o beijo do chocolate derretido, quente e frio, nessa flor sonhadora?

Seria o nosso beijo absoluto… o início do nosso mundo em que sempre acreditaste, seria o povoar das terras pisadas pelo amor, a inocência das infâncias abundantes e um novo paraíso, estendido por essa planície brava!

Tudo seria diferente, com esse nosso beijo absoluto que ficou por acontecer…

Ficou perdido. De luto. O beijo absoluto!

quarta-feira, janeiro 02, 2008

Poemas Declamados

Poesia de Paulo Afonso Voz de Luís Gaspar

Grato, ao Luís Gaspar, pela amabilidade e pela generosidade de emprestar a sua magnífica voz para divulgar a minha poesia.
É assim, para mim, uma excelente forma de começar este ano de 2008. Quero partilhar este momento especial com todos os frequentadores deste blog, dedicando a todos este momento pelo grande apoio que sempre aqui recebi.
Obrigado a todos.
Um excelente ano de 2008.
Paulo Afonso

Link: (aqui ao lado direito em cima)
http://www.estudioraposa.com/
Lugar aos Outros 77

terça-feira, janeiro 01, 2008

Amor

Terna é a flor
que serena floresce
sorri e a dor
desconhece.
É Amor
e não parece
é uma chama
no meu jardim
é a imagem de quem ama
a crescer sem fim.


Terna é a flor de Amor… silenciada
vive sem ser anunciada!

segunda-feira, dezembro 31, 2007

Carta de Ninguém

Sou eu que vos escrevo, Ninguém. Não me conhecem pois já não estou entre vós. Aos que comigo conviveram e a quem ainda amo, perdão, mas não me reconhecerão.

O que me faz sentir não acabou! Percorri a vida de humano em paralelo com as falhas e os erros e nas virtudes que almejei conquistar muitas não as consegui. Subi as noites na escalada dos frios solitários que intimidavam o meu querer.

Enquanto existi, soube amar e reconheço que fui amado, embora por vezes não o demonstrasse.

Agora que estou deste lado, o lado que desconhecem e que sobre o qual não me posso alongar, vejo, com outra percepção, as coisas infundadas da vida, como as materiais que tanta importância lhes dão, um pouco como lhes dei enquanto aí estive.

De nada adianta. Quando o fim da estrada chega ficam todos perdidos. Só nos restam os amores imperfeitos que, de abandonados nos desagregam dos seus corpos e da sua própria alma. Resta-nos os poucos amores-perfeitos, que, de tão poucos serem, são fáceis de reencontra-los.

É então que a mudança acontece. Física. Voltamos ao mundo transformados de uma qualquer espécie na esperança de um acesso. Mas é como uma cilícia, não nos reconhecem e nada podemos dizer porque não temos voz. Os nossos gestos são ignorados ou até interpretados de forma austera. Matam-nos de medo!
Voltamos (somos muitos por aqui, mas nem todos querem ou podem voltar) repetidas vezes, sob disfarce, vestindo outras peles e o melhor que recebemos é um desprezo monumental. Estamos tão próximos, mas tão distantes no Universo em que nada acontece.

Vemos alguma saudade partir, vemos o quanto as pessoas mudaram sem se aperceberem. Damos uma mão de ajuda sem que a sintam e nunca conseguimos dizer, ou fazer, o que em vida ficou por acontecer…

Seja Gato ou Cão, Pássaro ou outro animal qualquer nunca o saberão, mas estarei sempre por aqui para vos acompanhar até ao dia em que vos tenha que receber!

Aproveitem a vida, a vossa vida, ao máximo, enquanto puderem, entendam essa regra porque depois de nada valerá…

Não voltarei a dar um sinal, portanto, não voltarei a escrever…


Ninguém
31/12/07

domingo, dezembro 30, 2007

Mundo Inquieto

O mundo está inquieto. A informação abunda e isso preocupa-nos mais, porque as noticias que constantemente chegam são terríveis. O erro, a guerra, o vírus, e a loucura são apenas alguns exemplos que nos levam ao medo porque todos os exemplos estão implicitamente ligados ao subconsciente que nos encaminha para o perigo que se chama morte…
Afinal não é disso que todos fugimos e que ninguém conseguirá escapar?
Fizemos a viragem de século com festa e muita alegria, entramos numa nova era num novo século que se dizia muito melhor e o que vamos encontrando?
Guerras, armadilhas e outros dissabores.
O mundo está inquieto. E nós deixamo-nos levar pela onda fácil que nos leva de arrasto, num mundo onde tudo acontece numa velocidade tresloucada.
No fim, tarde demais percebemos os erros que cometemos no impulso da vida e descobrimos que há valores aos quais nunca demos qualquer relevo embora nos façam tanta falta… Saúde e Paz!
E neste ano que se aproxima, posso desejar-vos isso, Saúde e Paz, certo de que será uma boa meta a atingir e na esperança que todos a possamos valorizar…

quarta-feira, dezembro 26, 2007

Para Ti Rosa Maria

É Natal!

É a hora da ceia. Os teus familiares estão na mesa, na tua mesa preenchida de comidas tradicionais que a época exige.

Tu! Com o teu rosto feliz, sentes a magia de cada momento como ninguém, sentes o amor de cada Ser que se entrega com a sua presença.

E ainda assim… tens espaço e tempo para pensares nos amigos, para desejares que venham até ali, nem que seja em pensamento num pequeno momento…

E como que por magia, é esse o convite que recebo trazido pelas ondas da amizade e do pensamento num caminho feito de barreiras sempre ultrapassadas.

E eu não resisto. Vou em voo sereno e aproveito para parar por tantas casas em que também desejei estar sem que alguém me visse…

E os sorrisos felizes das crianças deixaram-me enlaçado no sublime mundo da alegria e da inocência. Cheguei a parar no tempo…

Cheguei atrasado... pois perdi-me por esses caminhos, mas nunca desisti de chegar.
Agora que cá estou deixo-te a minha singela prenda:

Uma caixinha pequena que quando aberta, liberta a mais envolvente alegria e enorme amizade!

Toma!
Segura-a... é tua por direito.

E antes de partir deixarei um beijo de saudade.

Voltarei ano após ano ou sempre que precisares... sempre que quiseres!

Beijo afectuoso de Feliz Natal

Boas festas! Para ti amiga e para todos os teus!

terça-feira, dezembro 25, 2007

Pai Natal

Neste Natal queria ser o Pai Natal. Queria assim poder deambular por entre os desejos e pelas preocupações dos seres terrestres para poder oferecer réstias de magia que vos pudesse encaminhar para o pleno sentido alongando-o pelos restantes dias de cada vida.

Seria a minha singela prenda de Natal. Não teria preço nem seria preciso agradecer, simplesmente aconteceria sem que soubessem de quem ou porquê…

Saberiam apenas que tinha sido quando o Pai Natal passou por as vossas vidas e sem haver um porquê… entenderiam que seria melhor aceitar tão generoso presente sem questionar o quer que fosse.

Podíamos dividir o ano em diferentes fases para podermos usufruir de tamanha dádiva, sendo que a maior parte seria atribuída as crianças e nós… seríamos também.

E o mundo seria tão bonito! Porque as pessoas viveriam de sorrisos, de carinhos e de boa vontade numa entreajuda natural… seríamos uno!

Queria ser… Pai Natal!

(… e se isso nunca acontecer, deixem-me apenas ser vosso amigo, será sempre a vossa prenda que trago comigo!)


24/12/2007
PauloAfonso

segunda-feira, dezembro 24, 2007

Boas Festas!

Boas Festas!

Para todos que visitam este espaço, vai o meu sincero agradecimento, pela ajuda que tem dado durante o ano todo.
Vocês são preciosos!

Feliz Natal

E que o ano de 2008 vos traga muita:

Saúde
Alegria
Paz
Amizade
Amor

São os sinceros desejos deste vosso amigo

Paulo Afonso

domingo, dezembro 23, 2007

Noite

O sol raiou
a brisa apareceu
o espírito amainou
e o milagre aconteceu…

A escuridão
cobriu a cidade
uma luz de verdade
iluminou a razão!

Descobri quem sou
no espaço teu…
meu corpo
cheio de estrelas
vestiu-se de solidão.
Sou a alegria
que te embala
e adormece…

É no teu sonho
que estou
calma e serena!
Sou!
A tua noite
que te aquece…

sexta-feira, dezembro 21, 2007

Renovei-me para voltar…

Fechei-me no quarto! Sentia-me impróprio para estar junto de alguém. De outros planetas surgiam íntimos sinais sonoros na minha cabeça como um chamamento…
Apaguei a luz para poder sentir-me, para sentir que era o Eu que ali estava destroçado e sem identidade, pois não acreditava no corpo que vestia a presença.

Andei horas perdido. Cometi algumas loucuras em prol do desejo escondido e assim contido. Libertei-me de preconceitos e de protocolos sociais e o meu Eu rebelde espalhou-se por aquele quarto.
Se a luz nascesse naquele momento, encontraria um quarto dizimado e algo que pairava em círculos ondulantes…

Perdi a noção do tempo e das viagens que fiz aos subúrbios do meu Ser. Perdi a reminiscência desses passos…
Lentamente senti-me regressar. Lembro-me de os meus olhos procurarem o interruptor para a minha intenção dar luz ao novo ou renovado Eu.

Acendi a luz! Senti-me leve. Os sinais sonoros que por muito intimistas soaram-me a aplausos…
Abri a porta do quarto. Abri a porta do mundo. Senti-me voltar, num regresso aprovado.

Ainda sussurrei… quem és tu afinal?

quinta-feira, dezembro 20, 2007

Desejo... (Continuação)

Mão salvadora da mensagem, sem que escreva a dor do meu sentir… consegue criar na panóplia das cores o quadro mais expressivo que o olhar, distraído, absorve na correnteza da cor e que assim transforma a ideia.

Este quadro da noite, expresso na galeria da neblina não é mais que o desafio de algum personagem criado entre rótulos de imaginação, na liberdade da expressão.

Outrora, poemas deitados na penumbra do sonho. Hoje pinturas guerreiras do misticismo exacto são realidades absorvidas.

Sublime exposição do pintor que no quadro abstracto consegue captar as mentes que passam e enquadra-las em movimentos estereotipados…

…esse quadro chamado Desejo é hoje uma verdade chamada… realização!

terça-feira, dezembro 18, 2007

Por Ti!

Canto a verdade e ninguém quer ouvir a letra, dizem apenas que a música é boa. Declamo o sentimento e ninguém o sente, dizem apenas que o poema é forte.
Sorrio… e não respondem!
Não sou cantor nem declamar sei, nem sei se essas conjunções importam, queria apenas acordar em cada manhã ciente da vontade e da razão da vida, queria somente comunicar contigo para afastar os meus defeitos escondidos na perpétua solidão… afastando assim, os teus e na gincana da lamurias da vida, levar-te a ancorar a um bom porto.
Se o meu sorriso, conseguisse ser o elo de ligação, a ponte, entre a nossa sentença e a nossa distância…talvez nem preciso fosse a minha voz distorcida nessa música improvisada, talvez o poema acontecesse naturalmente sem ser declamado…
Tudo. Tudo faria para tentar desenhar-te um sorriso nesse rosto de chuva, trazendo-o lentamente para uma primavera apetecida em coligações colegiais traçando planos de um verão desejado e nunca conseguido.
Canto… declamo… por esse momento que tanto precisas e que tanto desejo, pois já antes o sonho se comprometera enfeitando as minhas noites com esboços de natural felicidade e assim aprendi a sorrir, pela noite, na esperança de poder ensinar-te em pleno dia de sol, num acto apreciado e desejado em comunhão…

Se esse dia acontecer… o sorriso será a nossa bandeira, não te preocupes, porque existirão amigos que cantem o hino da alegria e declamem a mensagem da esperança!

E … a vida acontecerá!

segunda-feira, dezembro 17, 2007

Mar

Mistério amor recôndito. Mar… essa pequena palavra expressa com leviandade, quase sem noção da sua força, da sua potência exposta na nossa vida.

Casa da natura, com ondas de viagens oceânicas onde a vida acontece nos silêncios da cumplicidade dos seus habitantes diversos…

Magia… das dispersas fontes de inspiração dos azuis sobrepostos. Cores desenhadas.

Areias… que sustentam um mundo escondido em segredos protegidos e proibidos.

Respeito…que as alternâncias impõem. Que as intempéries provocam…

Deste lado, em terra firme, sempre que posso vou visitar-te para acalentar a minha saudade, para sentir a tua mensagem…

Depois, depois volto as aventuras do quotidiano mais preparado e com maior capacidade para entender a vida, sempre pronto para voltar para perto de ti!

Difícil de entender… difícil de explicar esta nossa relação desconhecida…

domingo, dezembro 16, 2007

O Desejo...

Não encontro as palavras! Não sei porque se escondem, de mim ou dos que as procuram. Porque fogem entre os intervalos do sonho ou da pureza da ilusão, não sei porque se trocam, se promovem entre jogos de mistério e sedução…

Não encontro as ideias! Não as tenho comigo, nem as vejo sentadas numa primeira fila em aplauso constante. Não as sinto! Nem as minto com pequenas fórmulas de vento que empurre o pensamento…

Perdoem-me! Perdoem-nos!

Por esta capa de visionário suportada pelo desejo íntimo que suporta o misticismo de um pequeno leque de essências e perpétuas aguarelas pintadas numa noite de valquírias sedentas…

Perdão!

Pelo desejo… meu, deixado na vossa mão!

quinta-feira, dezembro 13, 2007

É Tarde. Tarde Demais!

Acordei. Num estrondo que a minha vida deu. Aconteceu. Acordei e aconteceu! Não! Aconteceu e acordei… e nada posso fazer.

Deitei-me. Deitaram-me. Numa cama estranha. Estranho era o sentido do que via e nada sentia. Estranho deitado. Bolas! O estranho era Eu!

Olhei. Olharam-me. Eram poucos, muito poucos. Procurei os olhos e o olhar perdeu-se. Procurei os sorrisos. Encontrei lágrimas… muitas lágrimas!

Gritei! Eh! Eh! Mas o silêncio foi superior. Quis sentir a dor… mas não a encontrei. Quis. Mas não consegui… Quis! É tarde. Tarde demais!

quarta-feira, dezembro 12, 2007

Solidão II

Anoitece. O Sol… fugiu-me com uma despedida tímida. Ainda contemplei as cores que vestia nessa viagem do adeus. Essa relação cor de fogo que partilhamos como nossa, extinguiu-se no silêncio dos sentimentos. Amanhã voltarás! Vou deixar-me ficar, nesta praia deserta, à espera que uma onda qualquer me traga noticias tuas. Talvez um dia… voltes numa canoa de alegria e assim afastes a solidão de mim…

terça-feira, dezembro 11, 2007

Amizade

A vida desenha-nos caminhos para andarmos de bem com ela, a razão ensina-nos os actos que devemos ter e a emoção leva-nos ao sonho…
E tudo isso é viver! Tudo isso… é a vida feita com razão nos actos vestidos de emoção em que se constrói, fundamenta, a ilustração da melhor amizade.

sábado, dezembro 08, 2007

Errar é Humano…

Hoje mascarrei-me no embuste do disfarce de uma personagem emprestada. Passei um carvão perdido pela face inocente e deixei-a abandonada á sua sorte. Abandonada e triste, com a alma destruída de jeitos repentinos e impróprios…

Esta cara, sujeita de personalidade própria não pediu nada e não lhe foi questionado o seu querer. Ninguém gosta destas coisas imprevisíveis e instáveis…

Se ao menos, tivesse avisado a minha cara para a guerra, sempre sairia um sorriso espontâneo de recusa e de alerta para o engano que se poderia evitar…

Hoje errei, ao pensar que mandava no meu corpo. Ao agir sem perguntar a sua opinião!

São tantas as vezes que erro e tão poucas as que percebo…

(Valeu-me hoje ter reconhecido o erro, assim aumentei a esperança de amanhã poder errar menos, ser melhor…)

terça-feira, dezembro 04, 2007

Lua Nua…


Noite escura
na terra de ninguém
onde os caminhos se escondem…
Noite de outrem
que sempre dura
na viagem de alguém…

Um rio calmo
em silêncio infatigável
visto do alto
pela lua grande
é terno
e acariciado
num caminho feito
para que possas passar…

Vejo o teu desenho
estampado no rosto desse rio
iluminado,
vejo esse corpo
que chega devagar…

Vejo o preto da noite
e o branco do teu amor!

Resta-nos a cor
rosa…
roubada no canteiro
da nossa dor!

domingo, dezembro 02, 2007

Domingo

Tocam os sinos na igreja
é domingo…
As pessoas passam
cobertas das suas melhores vestes
caminham no espaço comum
em silêncio…
Todas vão á missa
que mais parece uma procissão
é domingo…
E o momento,
é de limpar as almas
carpir as mágoas
e lavar as essências…
da semana que passou
ou da que virá?

É domingo…
tocam os sinos
como um chamariz
não perguntam
e ninguém diz…

Na igreja todos se vêem
todos se conhecem
e tudo isso basta!

É domingo na igreja…
… da minha aldeia!

sábado, dezembro 01, 2007

A Vida!

Essa mescla de sentidos
nobres
de ilusões e sonhos
feita das ondas
que acabam num praia
deserta…
A vida!
Essa alegria arco-íris
fugidia
esse saltimbanco
inquieto
que nos dá a emoção.
Grita-nos,
os caminhos
mostra-nos
as etapas
e nós…
ordeiros
seguimo-la!

A vida…
Somos nós!

quinta-feira, novembro 29, 2007

A Arte da Polémica...

Se queres ser lido… não concebas a arte mas antes a polémica!
Se queres ser compreendido… não alimentes a polémica mas antes a arte!

Paulo Afonso 29/11/2007

quinta-feira, novembro 22, 2007

Descobre-te…

Cruzo as palavras… em sequências apetecidas para que o efeito seja mais perceptível, amontoo-as em forma de pirâmide como se fossem uma arma com a qual defendo o meu castelo de ilusões, concebo o projecto da ideias para que possa vestir cada palavra e para que cada frase possa ser adornada por múltiplos efeitos com o desejo comum de faze-las felizes, para que brinquem umas com as outras, estejam onde tiverem… letra após letra, como velhas amigas de sempre!
Mas existem vezes em que a vontade é de esconder as palavras ou expô-las mascaradas para que confundam os olhos que as espreitem…como se de um jogo se tratasse!
A vida é mesmo assim, uma mensagem que sai de um jogo… e a vantagem é ganha por quem consegue perceber o jogo e os predestinados são aqueles que depressa entendem a mensagem de cada jogo… de cada vida.
Devemos aproveitar os momentos, com a mesma energia e o mesmo rigor, saborear cada instante com uma vontade indubitável, quem sabe se os poderemos repetir?
Devemos escrever sempre que o desejo pedir, quem sabe se poderemos enviar cada mensagem?
Com a magia das palavras e a simplicidade de cada partilha podemos jogar, brincar com cada letra, na construção de cada momento que não se repete, com a consciência do que somos… (11918818121322189128 – 2312 – 722141112). Descobre-te nos números! Descobre-nos… com as palavras faz o jogo contigo através dos números… para que possas dizer cada letra, construindo cada palavra para que consigas a frase!
Como na vida… é uma questão de oportunidade e de rapidez de resposta…

Depois pinta as letras, cada letra de uma cor mais luzidia… acrescenta flores em cada palavra circundando-a como de jardins se tratassem e na frase feita deixa suspensa no trapézio do circo da vida, á espera que os aplausos recomecem… dia após dia!

sábado, novembro 17, 2007

…O Meu Mundo das Palavras!

Quando me sento á secretária para escrever, entro no meu mundo secreto, local por construir e por definir os caminhos do desejo.

É nesse mundo, por realizar, que dou asas á imaginação para satisfazer os sonhos das personagens que habitam dentro de mim…

Sendo o meu mundo, tenho o poder de decidir o que quero que aconteça ou que esteja bem presente, porque é um mundo feito das palavras escolhidas, ditas ou por dizer sejam pensadas ou apenas sejam simples palavras sentidas!

É nesse marasmo das palavras que escolho a capa da revista com a trágica notícia da morte da personagem, da situação ou da emoção.

Ou invento o mágico que pode ser bailarino consagrado, que pode nem ser nada mas que tem a acção certa no momento oportuno e que com o seu acto singelo oferece a felicidade a alguém que ame e assim proporciona uma viagem conjunta ao outro mundo também imaginável para a grande maioria das pessoas reais…

Posso trazer os amigos, posso criar novas amizades ou namorar, posso amar-te e deixar que me ames da forma que quiseres, onde quer que estejamos… não há barreiras nem distâncias que impeçam os desejos!

Entro e saio desse meu mundo as vezes que quero, sem pedir ou sem aviso prévio… e ao expor esse mundo abro a minha porta aos que me visitam num tempo sem limites para que possam ficar ou para que possam voltar sempre que quiserem.

Deixo-me nas palavras…
Entrego-me ao sabor de quem as lê, num segredo cúmplice entre ambos que guarda o nosso tempo já consumido desta vida que acontece a cada instante.

Mundo fantasia sustentado por pequenas facções da realidade de ninguém é uma simples herança, propriedade do culto ou um simples jogo de vida… é o meu mundo, o das palavras, dos sentimentos e das ilusões, sendo meu quero que seja teu também…

terça-feira, novembro 13, 2007

O Astro

Desci do autocarro na paragem das avenidas perdidas e perdido estava eu, ali, envolto nos trapézios das personagens esquecidas, também elas perdidas das histórias por escrever ou já escritas e ainda por contar, tal como aquele lugar que desconhecia.
Esquecido do motivo que justificava a minha presença naquele espaço interminável, foi o discernimento a empurrar-me para um passeio de estudo dos movimentos enraizados…
Sem cansaço aparente…parei para pensar no caminho de regresso e nem sequer consegui recordar como ali tinha chegado… olhei para o relógio do tempo e percebi que tinham passado anos, anos de luz, sem o brilho que tanto esperava!
Sentei-me num banco feito de mármore, creio que de um banco se tratava, para perceber o que acontecia… primeiro, o pensamento desconfiou de quem era eu!
Depois, a conclusão foi lúcida e fugaz, como a passagem pela vida o tinha sido, o astro que nunca o foi, neste mar de pretendentes efémeros…
Ainda hoje, ninguém sabe se algum dia dali o corpo sairá ou se por lá continuará, á espera do momento de glória que tanto seduziu a vida daquele pretenso astro do mundo ilusório e momentâneo…

sexta-feira, novembro 09, 2007

Quero-te...

Estejas onde estiveres, nesse mundo fantasia, quero-te nas profundezas do amor e nas intimidades do acto consumado, para que saibas que a paixão é um mero caminho para a consolidação dos corpos extasiados pela magna noção da épica condição do Ser.
Quero-te… despida de preconceitos na magia do luar que abrilhanta a nossa condição de dois amantes da vertente lunática do mundo que gira em movimentos iguais, e nós, em gestos ritmados fugimos a esse mundo em viagens lunares como dois… elementos da terra prometida. Procuramos, em segredo, construir o nosso próprio…paraíso.
Quero-te… sedenta de palavras, as que embalo para oferecer-te como uma flor ou como um castelo para que possas viver nesse mundo principesco das maratonas da fantasia.
Ainda que o tempo, esse marasmo que se apodera das nossas horas perdidas nos afaste dos nossos desejos, nos invada com barreiras reais que a vida nos faz nascer, ainda que os atropelos possam protelar a nossa conquista feita de persistência, ainda assim, quero-te… enquanto souber que poderás existir escondida num corpo qualquer, enquanto sentir que também me queres, Musa vestida de amor, despida pela carícia cor do sol, serás o meu luar das minhas noites de solidão, enquanto o nosso caminho não se cruzar na utopia do segredo em sequencias mágicas que adornam o nosso querer.
Quero-te … Musa vestida de poetisa nesse corpo de mulher!

quarta-feira, novembro 07, 2007

O Amanhã



Navego no rio cor de fogo
sinto-te…
nessa árdua ausência
e o pôr-do-sol
foge-me… das mãos
como este dia enigmático.
Navego só…
com a solidão das águas moribundas

por ora,
sinto-me assim

preso nos desejos
no seio das inépcias

o que tiver que acontecer…
só o amanhã dirá!

segunda-feira, novembro 05, 2007

O Convite!

Sussurraste-me ao ouvido… um convite tímido!
- Querias que escrevesse sobre a poesia! …pode ser?

Senti-me constrangido e quis dar-te algo perceptível…

Abri as escarpas da nossa vida para proporcionar ao momento, sustentado por um amplo desejo, a possibilidade de que ambos palmilhássemos o mesmo caminho em direcção ao reino da poesia.
Fomos em alegre cavaqueira que nem nos apercebemos da distância que caminhamos, tão longínqua, em que cada vez mais nos afastávamos da nossa realidade, que assim nos enquadrava noutro mundo sem medo e por isso, sem a consciência do acontecimento.
Subimos aos píncaros na calada das horas e nem sentimos a emoção de cada minuto na passagem pelo anseio em que as ideias se cruzavam com os subtis segundos do tempo, devasso, na conquista da aventura das palavras e na sapiência dos sentidos.
Tu e Eu! Dois aventureiros em melancolia, provocada pela solidão de quem atravessa dois mundos paralelos e díspares…
Porque quiseste passear entre dois fogos factuais e de espaços permeáveis á reticência humana?
Nem tão-pouco poderíamos mudar o curso das águas, caudais ou marés, para que nos transportassem para o outro nosso lado, o do mundo real.
Chegamos ao reino da poesia, uma tribo de pessoas diferentes e iguais (como os dois mundos) receberam-nos de braços abertos. Em primeiro lugar estava o pai da poesia, membro mais velho do clã, rodeado por inúmeros aprendizes de poesia.
Sussurrei-lhe ao ouvido… um pedido acanhado!
- Queria que escrevesses sobre a poesia! …pode ser?

De olhos fitados na minha companheira, ele entendeu a minha missão, e num gesto inesperado no levantar do braço de mão estendida, originou o aparecimento de alguém com um lápis e um pequeno papel. Ergueu a cabeça de olhos fechados, num movimento lento, baixou a cabeça e projectou os olhos naquele pedaço de papel, escreveu, dobrou o manuscrito e entregou-me num agarrar de mãos…
Foi a vez dele sussurrar-me ao ouvido… um pedido!
- Vai… e leva-a pelo caminho da felicidade…
Agradeci com um sorriso e peguei na mão da minha companheira, num gesto copiado, pronto para uma viagem eterna.

Ainda antes de regressarmos ao “nosso” mundo, paramos na sombra da árvore da compreensão num descanso retemperador e ambos lemos o papel… que definia a poesia ou a forma de a construir, onde se podia ler:


Olha em redor…
Sente e fecha os olhos!
Esmera-te na procura das cores
agarra os teus pincéis (da vida)
e pinta
os
as
tudo o que sentiste
mesmo que a dor… persista
ou a emoção desista
pinta
e oferece ao mundo…

Liberta-te!


Desde esse dia, dois corpos unidos viveram uma única vida… a do amor!
Desde então, uma felicidade constante ornamenta os nossos dias…

sexta-feira, novembro 02, 2007

Para Ti Poetisa

Os teus olhos de paz conseguem ler-me nas frases escondidas, conseguem auferir a veracidade de cada sentimento meu exposto ao vento e ao abandono de um qualquer comentário mais abstracto…
São os olhos da esperança que buscam o alimento para aquecer a alma em cada noite fria e solitária, são a arma que combate o presente… numa luta desmesurada por um amanhã quente e radioso. (São os teus ou os meus!) O teu corpo não cede…
Olhos! Encontram-se com os meus no céu azul, olhos que se fixam, no verde esperança da montanha que conseguiremos ultrapassar na caminhada para o paraíso. O teu corpo pede… (Será teu ou o meu?)
Mas é o teu sorriso que me guia, o seu brilho ilumina-me o caminho que palmilho no silêncio de cada noite na esperança de encontrar o teu rosto ansioso do momento.
Cada palavra é uma ponte que nos une. Cada desejo é uma força que nos fortifica.
Cada nascer do sol é aproximação do nosso objectivo, que está cada vez mais perto…
Um dia, depois dos caminhos ventosos e de ultrapassar os Alpes invernosos, de passar as planícies primaveris, irei encontrar-te numa tarde de um Outono distraído imerso numa singela tristeza vestida de saudade e eu apareço para abraçar-te…
E é nesse pôr-do-sol em que estaremos á porta do nosso destino, com um sorriso cúmplice, que deixaremos entrar mais uma noite diferente de todas as outras… será a nossa noite perfeita!
Espera-me! Poetisa do meu mundo fantasia…

quarta-feira, outubro 31, 2007

31 De Outubro de um ano qualquer…

É hoje que mais um ano passa… e já foram tantos que desisti de os contar. Estou cansado, abatido pelo tempo das controvérsias, pelas vicissitudes de uma vida vivida no limite da aventura e da ilusão…
Estou farto de viver suprimido do meu mundo, de viver escondido ou de fazer parte das noites desertas em que todos se ausentam nas viagens dos sonhos explorados.
Monólogos de tristeza, de alegrias fingidas ou de reflexões ponderadas mas que carecem de uma sustentação real e imparcial.
Não existe ninguém que possa ajudar-me! Estou farto de gritar… com os meus pedidos de ajuda, estou cansado de gemer de dor por não conseguir chegar a lado algum… se é que de dor posso falar.
Já não tenho o prazer de entrar nos corpos e assumir as suas identidades, de tantas vezes o ter feito… nada, mas nada mesmo me dá o alimento que possa sustentar a minha loucura neste mundo estéril… mesmo que troque os sentidos, nada, sustenta a carência estéril neste mundo louco e nem tão pouco, o posso dizer.
31 De Outubro de um ano qualquer perdido no século passado… morri! (Acho que morri ou então nasci, já nem sei de tão confuso estar.)
Sei que me tornei no fantasma esquecido, órfão de sucessos e de magias das noites longas ou dos dias apetecidos…
Tenho saudades! Se é que posso dize-lo, se é que um fantasma nutre qualquer espécie de sentimento…
Recordo as brincadeiras, os amigos que visito sem que eles saibam (embora poucos, muito poucos o sintam e não o assumam), recordo os amores, as viagens ao universo das fábulas do Ser ou os tempos que a memória guarda fixamente…
Ainda hoje, anos depois, sinto a vontade de voltar ao mundo real, mesmo que impedido do meu Eu, da minha Alma.
Mesmo que a memória apague o ano quero voltar para lembrar o dia que fechou a minha passagem pela terra, mesmo que recorra a outro corpo para escrever, pois só assim consigo mostrar-me num todo ou parte de mim, ponderado nesta mensagem sem destino predefinido.
Perdoem-me os incautos e os incrédulos por esta manifestação, para eles anuncio-me na data de 31 de Outubro de 1929, data da minha morte… podeis ver-me como o 6.º Presidente da República de Portugal cujo nome como sabeis é de António José de Almeida.
Mas se no ano me enganei, se na morte confiei por erro e ou por troca o fiz, (insisto, já não sei de tão confuso estar) vos direi que se neste dia nasci, então fugirei para o ano de 1902 e assumirei o perfil de Carlos Drummond de Andrade nascido em (Itabira) Minas Gerais no Brasil, Poeta por opção, e assim justifico a minha presença e desejo numa escrita feita de conto…
Seja como for, mais um ano passa e estou exausto, das histórias polémicas inventadas e das oportunidades por acontecer, para que seja reposta toda a verdade, a verdade roubada que não tive em vida e que por falta dela paguei e a verdade ludibriada depois da minha morte!
Voltei para vos dizer que agora já nada me interessa, já nada interfere porque agora sou apenas mais uma estátua algures despercebida.
Perdoem-me! Voltar aqui e assim…


Lisboa, 31 De Outubro de 2007

segunda-feira, outubro 29, 2007

Voltei…

Já percorri o caminho da solidão, todo, numa maratona sofrida. Já adormeci os meus ímpetos mais vorazes e acalmei a imaturidade do meu Ser…
Curei-me das doenças sociais, obriguei-me a olhar-me, a viver e a conviver com os meus defeitos!

Senti saudades do calor das amizades e das esperanças dos poemas feitos pela emoção da criança que existe dentro de nós, senti na ausência a distância deste mundo…

E no tempo de solidão restou-me um tempo escondido para viajar incógnito na fantasia de um marinheiro corajoso ou na pele de outro mensageiro eficaz na busca das palavras e dos sentimentos que elas nos trazem, pois são elas que nos fazem sorrir ou chorar, são elas que nos matam a esperança ou nos adormecem o desejo…

Voltei… á procura do meu prazer! Um beijo teu, um poema meu, ou um espaço por preencher… pela necessidade do ego solitário, ou da razão na paixão da vida transmitida pelas vibrações num elo do nosso desejo…

Acordei e quero que acordes comigo (se algum dia adormeceste…). Trouxe a noite de um Outono triste e só, que na mudança da hora parecia uma solução, parecia que encurtava os dias que nos separavam…

O meu sorriso (que não vês, mas imaginas) é construído por desejos deste pequeno momento em que volto á vida, em que o meu corpo se exprime em movimentos alegres… é agora que volto a ser completo, entre as palavras e os sentimentos…

Voltei! Em cada palavra estarei a olhar-te, em cada frase estarei submissamente escondido á espera que entendas o seu propósito e numa poesia qualquer irei mostrar-me mais ou numa disfarçada prosa poética gritarei as sensações da minha tímida alma. Voltei para ser simplesmente teu! Teu… e de todos!

domingo, outubro 28, 2007

Dono do Mundo

Procurei o dono do mundo
queria saber quem manda
na alegria
na emoção contida
na razão
na ilusão de cada dia…
Queria conhecer
tão poderoso
que comanda a vida
que decide entre o sim e o não…
E os caminhos que percorri
levaram-me
(a pergunta)
trouxeram-me
(a resposta)
na simplicidade das coisas
descobri…
O dono do mundo
é o coração
mas quem manda aqui
é o pensamento
que compõe o querer
de cada um…

Em cada coração
em cada pensamento
entre muitos, corpos
há um dono do mundo…

(do seu mundo…)

sexta-feira, outubro 26, 2007

Procura

Dá-me a tua mão
voa comigo
deixemo-nos planar
por baixo do céu estrelado
por cima da prata do mar
dá-me a tua mão
e encontra comigo
a palavra que procuras

os sentimentos profundos
na eleição de cada momento
mão amiga…
corpo faminto…
no gesto que invento
no rosto dos nossos mundos!

Procura…

Que a vida está dentro de ti!




Dueto com a minha amiga Vanda Paz em 23/10/2007

Obrigado Vanda, um beijo para ti.

quinta-feira, outubro 25, 2007

Noite de Lua Cheia!

Hoje vesti-me de Lua!
E de intensa luz no topo do mundo olhei para o planeta, na procura do meu lugar junto de ti! A noite escura escondeu-me algumas estradas de outras aventuras, mas a minha determinação era encontrar-te onde quer que estivesses a dormir num sono tranquilo. Percorri os infinitos lugares, passei por terras ainda por descobrir, cidades de betão, por montanhas, vales e rios de maresias.
A noite sedutora teve-me nos seus braços de capim, embalando-me a carência do meu querer em movimentos de emoção. Congratulando-se de sensações existenciais e no silêncio cúmplice trocamos desejos por realizar, numa parceria de uma dimensão universal. Em conjunto, enamoramos a vida até ao infinito. Não demos tempo ao tempo que passou, que nos fugiu entre a tua solidão de noite e a minha luz de lua. A noite em consciência afastou-se lentamente numa despedida suave, num até depois… a lua, veste minha, foi perdendo as roupas com que me vestia, perdendo assim a candura e a clarividência do meu momento. Na intimidade do silêncio fui-me transformando num corpo adormecido que acordou ao teu lado naquele quarto fechado.
Vou guardar-te segredo! Farpela de lua e abrigo da noite…

quarta-feira, outubro 24, 2007

Uma Palavra!

Uma mente sã e aberta procura na sua essência a sua própria razão de viver em cada minuto a magia mais escondida e bela, que de tão bela ser consegue iludir a sua presença.


É na afinidade do intelecto que me chamas em gritos de vácuo, num conceito da procura ou do querer. Estás só. Em teu redor existe uma imensidão de movimentos tumultuosos que te abraçam e despedaçam a liberdade de dares o teu perfume sabático…
As folhas da tua alma murmuram a palavra Outono quando se despem deixando a tua imaginação nua. Buscas o conforto num abrigo afoito na cadência do teu ego e assim, só assim és tu!


Buscas a palavra mágica que adorna o teu simples estar, apenas porque existes… sapiente, guardas a palavra que queres, entendes o seu significado em cada fragmento em cada vertente intelectual ou sentimental.


Podes reunir as energias de um todo e numa chama branda deixares-te estar nessa cabana de jejum inexequível que nada acontecerá sem queres… pensa em ti!


No âmago do teu Ser, sente a fluidez… respira e solta a palavra, apenas uma palavra!

segunda-feira, outubro 22, 2007

Pirata do Mundo

Estou ancorado ao porto
de abrigo demente
sou um barco pirata
de créditos efémeros
em que trago
tripulantes da espada
perdida…
Pompeio bandeiras do nunca
em esmeradas lacunas
sou um sonho perseguido
sou um acto por cumprir…
Envolvo-me nas marés
percorrendo um mundo imaginário
de lés a lés
entre as mazelas do sempre
e as apatias da solidão negada
sou um pirata
discordante
disfarçado…
Aguardo o assalto ao tempo
o momento oportuno
de resgatar ao mundo…

Meu tesouro profundo!

Sou o abrigo pirata
o barco demente
vestido de pomposa
anormalidade…

Sou o pirata do mundo!

domingo, outubro 21, 2007

Paulo Afonso & Manuela Fonseca


















Olho em redor,
vejo melodias…
Vejo histórias
sinto a dor!
Vejo nos teus dias
o mar…
A ânsia do querer
vejo o teu lutar
o interior do teu Ser
perdoa-me! Vejo o teu amor.

Essência da tua pessoa
da tua amizade
por seres como és… Assim!

A voz que soa…
A melodia da verdade
uma amiga para mim!

20/10/07 por Paulo Afonso


Encontros outonais
São como histórias de fiar
Olhares cúmplices
Arredondam
As árvores de ficar
Que sombreadas
Oferecem o bem-estar
Com o destino traçado

Quatro corpos
Identidades opostas
Reúnem troncos centenários
Encostados ao azul
De um Tejo
Que te observa
Que nos abençoa
E que nunca nos separa
No maior mundo
De todos os mundos

- A Amizade!



20/10/07 por Manuela Fonseca

quinta-feira, outubro 18, 2007

Libertino

Vejo estrelas…
num pequeno horizonte
vejo os gestos,
as malícias
e os desejos…
serão elas…
estrelas do monte
fingidas de carícias
em busca do teu prazer?

Beijos…
Sorrisos…

Crenças que não existem
na epopeia do sentido
do segredo em que vivem
no passo perdido…

E existem assim,
numa montra artificial
num consumismo banal
Perdão! Mas, não são para mim.

Beijos envoltos na brisa
da solidão…
provocam sorrisos
de ilusão!

Vejo estrelas…

Afeiçoada imaginação!

(Fazem viver a alucinação…
fazem crescer a profissão!)

domingo, outubro 14, 2007

Parente pobre

Sou o parente pobre da sociedade e isso basta-me!
Não tenho bens que façam emergir desconfianças
ou que provoquem disputas
não tenho nada que ultrapasse a simplicidade
de um pobre da sociedade!
Ergo-me de essências
e de pequenos desejos invisíveis
apagados pelas ganâncias do Ser.

Circundado por um mítico fingir
na aparência das coisas…
das cidades de aventura
dos sabedores da razão
e das realidades escondidas
em que me deixo
aos sabores das malícias indeferidas.
Sou o parente pobre
das extemporâneas razões sociais
e das guerras silenciosas.

Vou passando…
meio esfarrapado
meio contundido
de sorriso esboçado
meio perdido
e ainda assim vou amando…

Resta-me pouco!

Aos que me olham
resta-me ser pobre e louco…

(Sendo vosso parente)

não conseguem perceber
a pobreza das suas próprias almas…

sexta-feira, outubro 12, 2007

Trilhos

Sozinho…
Caminho pela estrada da busca
do conhecimento
na procura da razão
da razão do momento
de existir…
da pobreza…
da doença…
da fome…
da guerra…
que não consigo aceitar
não consigo compreender.
E os caminhos cruzam-se
baralham-me…
endoidecem-me…
escondem-me a força
o poder de mudar.
Sozinho…
Sou um nada
por aqui
ou por qualquer caminho!

quarta-feira, outubro 10, 2007

Pura Loucura

Peguei nas chaves do carro sem pensar no meu destino. Tinha a ávida necessidade de guiar, por ser algo que realmente me dava prazer e por ter um efeito calmante em mim.
O dia tinha sido delicado. Há dias assim, em que tudo é o que não queremos, em que tudo acontece em cascata… afundando-nos também.
Já no carro e ao som da música erudita deixei o meu pensamento vaguear em desejos banais e por projectos simplesmente normais, tal não era o meu estado de espírito. Pobre coitado! A minha esperança erguia-se com a noite, o luar seria um bom conselheiro e uma praia deserta talvez me devolvesse a sensatez de começar um novo dia, pronto para as intempéries da vida e predisposto a começar tudo com a energia de um novato aprendiz de feiticeiro.
Percorri a distancia que me separava entre a realidade e a loucura, entrei sem pedir, sem ser visto e acomodei-me no primeiro lugar fantasia que encontrei vago.
A loucura é um lugar comum para muitos, mas para mim, incipiente nestas andanças era uma experiência tímida e fugaz, sem malícia e sem pudor…
Finalmente sentia-me livre, totalmente livre, só possível em plena loucura. Depressa apagará o recente passado e imaginava-me no paraíso, construído assim á pressa e sem os detalhes que a vida real exige, coisas só possíveis em activa recuperação da mente e do corpo. Afastará a agonia, primeira medida após entrar na loucura e depressa tinha passado para a segunda fase, a da idealização do nosso espaço inconsciente e benévolo, que nos arrasta para a realização moral e nos recupera para e da realidade diária. Mente e corpo. Na loucura as coisas corriam-me bem… ufa em algum lugar e a qualquer momento tinha que ser, bolas!
O pior foi no dia seguinte, as pessoas quando me viam tentavam adivinhar a minha noite, pelas olheiras, disparavam hipóteses redondas de curiosidade, uns apostavam numa noite de discoteca e uns copos valentes, outros numa noite dormida á pressa e os mais incrédulos numa noite nas urgências de um hospital qualquer.
O meu sorriso saído da minha alegria natural baralhava-os, por ser um contraste com esse aspecto cansado de quem sofre as incongruências da vida.
Todos ansiavam por uma resposta. E eu, não podia falar-lhes daquele sítio chamado loucura, ninguém iria acreditar, passaria por louco…
Recuperado de mau dia, prontamente a minha imaginação engendrou um cenário… uma longa noite de lua cheia, numa praia quase deserta, eu e a minha sereia, com as ondas a marcarem o compasso de uma historia de amor…
Grande maluco! Grande loucura!
Foi o que consegui arrecadar desses inusitados curiosos que comigo labutam diariamente. Pois é! Pois é… Grande e pura loucura!

segunda-feira, outubro 08, 2007

Traição

O pensamento foi tenaz…
o olhar fugaz
procurou uma vitima vulnerável
uma química de outro sentimento…

um atroz chamamento…

nessa linguagem corporal
de anuncio de jornal
de salto alto da rua…
de qualquer coisa que não fosse tua!

Um dia na tua vida…
não faz mal… tens essa mulher nua
tens esse momento de prazer
nessa colecção
tens a tua traição…

já não és igual.

sábado, outubro 06, 2007

A Velhice

Parei á porta do destino, por tantas ruas que andei e com tantas pessoas me cruzei em gestos impensados e com palavras agridoces, que nem dei pelo tempo passar…
Sempre acreditei que um dia, longínquo dia, eu te encontraria. Sempre te vi como um destino para lá de Marte e nem sequer questionei a minha loucura…
Oh! Louco de emoção, por estar á tua porta, por estar contigo, num tempo quase parado e em que me sobra quase tudo… apenas falta-me a agilidade do meu corpo torneado de outros tempos…
Nem sei se foi o destino que se cruzou com a minha velhice ou se foi ao contrário, nem sei se posso almejar o futuro.
Hoje interiorizei a tua imagem de sapiência e de cautela disfarçada, agarrei o teu silêncio na bravura desse espaço suave… hoje comecei um novo ciclo.
Agora, deixa-me desfrutar os momentos. Deixa-me mesmo que não queiras…

sexta-feira, outubro 05, 2007

Apresento-me…



Sou um conjunto de letras
com que escrevo a minha emoção
sou um sorriso constante
numa alegria que ofereço
sou o rapaz brincalhão
e o homem instante
sou forte
e fraco…
sou a lágrima que foge
na solidão
sou a verdade
a mentira
a liberdade
e a ira
sou o amigo
o actor
e a dor de não estar contigo.
Sou tudo
o que me resta
sou o teu abrigo
feito de escombros…

Encolhe os teus ombros
e aceita-me
entre ilusões e defeitos
que o amanhã
ninguém saberá…

Apresento-me,
sou o momento
o pirata
o conde
o palhaço
o mistério
o jogador
sou um dia
ou uma noite
sou a mente vadia…

Apresento-me… aqui e assim!

quinta-feira, outubro 04, 2007

Escrevo-te...

Escrevo-te,
a palavra sorriso
descrevo-te,
os lábios carnudos
e os dentes que espreitam…
Escrevo-te,
a palavra riso
descrevo-te,
uns lábios carnudos
e uns dentes corajosos
que se mostram escancarados
Escrevo-te
a palavra alegria
descrevo-te
uns olhos brilhantes
num rosto jovial
onde sobressaem…
as palavras sorriso,
riso…
Escrevo-te,
a palavra mundo
descrevo-te…

segunda-feira, outubro 01, 2007

Tertúlia do Eu!



É rodeado de pessoas que gosto de estar, numa oratória temática influente em que cada oponente pode ser o seu verdadeiro Eu!
Num espaço que avalia, emitindo uma opinião por vezes silenciosa, tão silenciosa que se aconchega no meu ego negativo e produz verdadeiras barreiras de luz, em que me obrigo a entrar…
E em contrapartida, vão aparecendo as outras opiniões, visíveis que batem no reflexo do meu desejo e em que provocam uma embriaguez temporária ao meu ego positivo. Deixo o tempo passar, pois só ele pode trazer-me de volta á realidade!
De qualquer modo, gosto do que me rodeia. Adoro ultrapassar os horizontes e quebrar as barreiras dos medos, gosto de coleccionar segredos e ainda me sobra o desejo em que fujo para o espaço de ninguém para poder inventar. Invento o escritor que finge o sentimento de cada tema, de cada palavra, invento a sedutora que faz de cada momento um teste a si própria, invento o actor que tenta representar o texto que o escritor imaginou… invento sem qualquer sintoma de fadiga, sem qualquer dor de sacrifício.
Amo cada tertúlia, como quem ama as pessoas que o rodeiam mesmo que sejam apenas e só meros personagens de uma pequena história ainda em construção.
Amo o prazer que tenho no gozo que me dá em ser simplesmente Eu!
Obrigo-me a confessar, nas muitas tertúlias que faço com os meus personagens imaginários do meu querer… como um sedento louco, numa verdadeira assembleia em que antecipadamente vejo o seu final.
Só assim consigo iludir as minhas sequelas sociais entrando pela porta dos sonhos e percorrendo os caminhos da alegria, e tudo isto, pode estar por detrás de um conjunto de palavras, soltas da razão e agregadas a um simples sorriso. Que hei-de fazer de mim?
Se o meu dom é sorrir e a minha sorte é ser feliz…

domingo, setembro 30, 2007

29/09/2007 – Amadora




29/09/2007 – Amadora

Almoço, Tertúlia de Poesia e Lançamento do Livro da Manuela

As Poetisas:

Cleo, Mel, Manuela, Rosa, Tália e Vera

Os Poetas:

Sailing, Paulo, D. Dinis

Um dia inesquecível com este pessoal de 5 estrelas

Resta-me… o tempo!

Ficaram tantas palavras
por dizer…
tantos gestos
por fazer…
agora que o tempo foge
agora que a distancia aumenta
o meu sorriso
esbate neste espaço circunscrito…

Já sabia,
que o tempo nos fugia
e que a tertúlia
um fim teria…

Resta-me um rio
onde posso mergulhar
no mundo do silêncio
resta-me a chuva
como uma lágrima
de quem chora…
resta-me a ponte
que nos separa
e nos junta.

Resta-me…
a palavra com que luto
e me defendo
restam-me…
as madrugadas
com que me invento
renovado,
na esperança
na ilusão
de ler
de escrever
as palavras que moldam
o meu
o teu
e o querer de alguém
instalado no coração
do tempo…

Já sabia,
que o tempo nos fugia…

sábado, setembro 29, 2007

Sem Uma Despedida…

Tenho cinco minutos do tempo que resta, tenho uma caneta em que a tinta lhe falha e falta-me a força, ainda assim, num último fôlego tenho uma voz rouca que procura por ti…em vão!
Ainda me faltam tantas palavras em tantas melodias para cantar ao teu ouvido, num cúmplice segredo…
E tu? Que sempre desejaste esse momento, sem nunca o pedires, sem que os teus olhos escondessem esse desejo em que um dia neles o li… e nunca tive a coragem de assumir essa interpretação como a correcta, como a real…
Agora é tarde demais… porque te perdi! Agora é tarde demais, essencialmente porque me perdi…
Nem o tempo soube gerir, para oferecer a minha despedida!

quarta-feira, setembro 26, 2007

Descanso Na Tua Poesia

Deitei-me
sobre um poema teu.
Senti as palavras de amor
no meu corpo nu.
Cobri-me...
Com uma manta feita
de versos teus… retalhados.

Senti o frio…dos soalhos.
Aqueci-me naquela frase eleita.
Cobri-me…
de rosas azuis
decorando o meu imaginário
sentindo todo o esplendor.

Um poema,
entre muitos da tua poesia
adormeceu-me em magia…

Cobri-me…
E descansei na tua poesia…


Tália & PauloAfonso

segunda-feira, setembro 24, 2007

Poema

Se um dia encontrar um Poeta hei-de perguntar-lhe porque afinal os Poetas existem…
Arrisco-me a ouvir como resposta uma simples frase; - “Existimos para lembrar o mundo imperfeito que existe o outro lado...”
Se isso acontecer, vou ficar a pensar em que parte desse mundo ele se referirá…

Poema…

Solta letra a letra
esgrimindo o seu sofrer
gritará a sua dor
em cada frase estendida…

num mundo de letras
como armas de uma guerra perdida
resta-lhe um olhar de amor
e o sonho do seu querer…

ouve o silêncio na multidão
vê a magia de um nada
sente… o intimo de um pouco
e, ama cada momento sem esperar…

veste a batina da inocência
da ilusão…
viaja entre a parede e a espada
habitante escondido… louco
a querer tudo mudar.

Vê a flor no céu
escreve o poema no mar
levanta o véu
de um paraíso a acabar…

sábado, setembro 22, 2007

Frases e Pensamentos de Paulo Afonso

Amizade!

É o bem mais precioso que conseguimos conquistar…

(nunca me perdoarei pelas poucas que perdi…)

sexta-feira, setembro 21, 2007

A Noite Em Que Te Perdi…

Entro em casa e procuro por ti… onde estás? Não encontro nenhum passo teu, nem tão pouco a esperança do teu perfume entre o quarto das noites mágicas e a sala das longas conversas… nada, não há vestígio da tua recente passagem.
Atrofio! Um milhão de cenas passeiam pela minha cabeça desprotegida, imagino os piores cenários e desespero um pouco mais… uma lágrima escapa.
Fico estático como uma tela de cinema e o filme passa lentamente, recordando passagens de uma vida á dois.
Penso no tanto que tinha para dar e que por uma ou outra razão ou por falta dela não te dei, penso nas oportunidades perdidas, desperdiçadas por mim, em que podia dizer-te uma palavra de incentivo, de elogio, uma apenas que fosse no momento certo… e outra lágrima cai.
Tento recompor-me e na minha cabeça a consciência grita-me, é tarde demais!
Paro no presente para enquadrar-me com a realidade presente e isso destrói-me por dentro, imagino o futuro próximo e isso não me acalma… a tua ausência mostra-me todo o valor que na tua presença nunca reconheci…
Um beijo de bom dia traz-me á realidade, tem ainda o dom de me afastar desse pesadelo e dessa noite mal dormida. Acordo alegre e feliz, tão feliz que estranhas… podes perguntar as vezes que quiseres que nunca vou contar-te que nessa noite te perdi, nunca vou contar como me senti, apenas justifico essa felicidade por estar tão perto de ti!
Bom dia para ti também!

quarta-feira, setembro 19, 2007

Tu!...Vida

Vida…

Queria usar as palavras
…apenas algumas
e nem sei o significado delas…
queria enviar uma mensagem
com frases feitas por mim
e nem as sei eleger
queria tanta coisa…
que me levariam a tanto lado
e acabaria em ti!

Só vês o meu rosto
e os meus olhos brilham
sinto-te…
e o meu sorriso fica gigante
fazendo o meu coração
bater descompassadamente…

Usaria as palavras,
se soubesse dizer-te
se,
as palavras…
falassem por mim!

Gosto de ti!

terça-feira, setembro 18, 2007

Vento Renovador

Hoje
subi ao cimo de um monte
e esperei que o vento
levasse todos os meus sentimentos
Logrei o alto do meu Ser
abrindo um baú desprotegido
gritei-te vento – renovador
dei-te o meu consentimento
leva toda a minha dor
leva todo o meu sentido
leva todo o meu tormento.
O vento
deixou-me assim
de alma vazia de tudo
… e eu já não sou quem conheceste…
Transformei-me em fonte
de lucidez empolgante
num crescimento sustentado
de avaros defeitos
e imensos sorrisos.
Enchendo a alma
com o aroma das flores
com as cores do arco-íris
com a embriaguez de vinho generoso
com os suspiros dos amores.
Bebi a paixão pela raiz
usurpei á solidão
o direito que me ergue
sou novamente feliz!





Tália e PauloAfonso – 27/08/2007

segunda-feira, setembro 17, 2007

Palhaço Perdido…









Sou a vitima
de mim mesmo
das minhas acções
das minhas palavras…
sou eu… o que sofre
por fazer ou ter
as acções mais infundadas
por escrever ou dizer
as palavras inacabadas…

Sofro e choro em silêncio!

Sou um construtor em grande escala
de um mundo que não existe
sou um sonhador em erosão
dos momentos impossíveis
sou a pessoa
que se veste de culpa
e se despe da realidade
sou o monstro mentira
sou o palhaço verdade
sou a ira
sou a lágrima
sou o sorriso
sou o destino perdido…
que nunca será encontrado!

Vivo e morro tão solitário!

Vitima da sociedade
prisioneiro dos sentimentos
sou o que não pareço
um sentido
uma emoção
sou a ilusão
um palhaço perdido
sou a luz
do meu coração…

Sou o palhaço solitário que vive perdido…
Escondido…

sábado, setembro 15, 2007

A Minha Sorte!

Subi a montanha numa escala sofrida para chegar ao cume e ver o pôr-do-sol, mas ele não esperou por mim…cheguei em plena noite de luar, observei serenamente o luar, reuni todas as forças, ergui-me, prometi compensar-me esperando pelo nascer do sol, esperei tão cansado que adormeci.
Acordei em pleno dia de sol… e não o vi nascer!
Que podes pensar de mim? Não sei… apenas sei que tudo tentei e que voltarei a tentar, sei que um dia acontecerá, talvez quando menos esperar e talvez até esteja em boa companhia, sei que ainda assim sou um homem de sorte com muitos motivos para sorrir:
Escalei a montanha até ao fim, dormi como um anjo, recebi um dia de sol e ainda te tenho a ti para leres os que escrevi.
Sou um homem de muita sorte!
Porque aprendi a apreciar alguns grandes momentos que acontecem na minha vida sem exigir o alcance de todos…

sexta-feira, setembro 14, 2007

Canção de Amor




Em segredo,
canto só para ti
escondendo a minha timidez
embrulhando-a nesta trémula voz
apenas sou destemido
quando escrevo…
aquela nossa canção de amor
em que possa escolher a palavras
que quero dizer-te…
que quero que oiças…
elas surgem devagarinho
com as ondas desse mar
gigante…como o meu amor!

Canto em segredo
onde te chamo
sol do meu olhar
onde em silêncio te amo
e desfruto esse meu desejar…

Escondo a canção
sem fim…
guardo-a no coração
bem dentro de mim…

quinta-feira, setembro 13, 2007

A Porta do Rio!


No ímpeto do rio descontrolo-me e afundo. Entro num outro mundo, de silêncio, de acalmia que tanto seduz, pela magia do inesperado…
O corpo molhado não pede calor, limita-se a deslizar pela corrente sem fim. Os olhos, bem abertos, apreciam a vida que os outros seres têm.
Braços e pernas não exercem qualquer movimento, nem de luta, nem de fuga. Inertes deixam-se ir…
Um dia voltarei ao paraíso para acabar o sonho do meu desejo. Para concluir as pequenas coisas que deixei inacabadas e para poder amar a vida que inconscientemente deixei fugir sem um pleno desfrutar.
Passei a porta que nos divide e assim separa, encontro-me do outro lado onde tudo é novidade. Não consegui iludir esse destino tragicamente marcado.
Por ora, limito-me a assumir que tragicamente morri…

quarta-feira, setembro 12, 2007

Uno





Alma…
Que desperta a sua sede
e se solta do seu refúgio
para beber da nascente do meu Ser!

Encerra os sentidos
em cada gole cristalino
saciando…
os desejos de ambos!

Tu!
e… Eu!

Juntos até ao limite do Universo.

segunda-feira, setembro 10, 2007

Um tal…Dia!

O dia acordou triste e chorou, as suas lágrimas molharam os transeuntes do mundo que fugiram para um abrigo próximo só com a preocupação de se protegerem.
Ninguém questionou, porque o dia acordou triste e chorou…
O dia solitário conseguiu erguer um pequeno sorriso e abrilhantou a vida dos transeuntes que depressa saíram dos seus abrigos com mais energia e alegria.
E ninguém agradeceu aquele bonito sorriso…
O dia morreu!
Enchendo de luto o mundo e ninguém percebeu que o dia tinha dado tanto sem pedir um pouco…
Ainda assim, o dia renasceu com mais força, voltou a morrer… a renascer e a morrer sem que ninguém desse conta…

domingo, setembro 09, 2007

Virtual

O silêncio ensurdecedor
do teu corpo…
ágil que voa quando por mim passa

(ilusão visual do meu imaginário)

O olhar inocente
do teu rosto…
abstracto, lúdico e repentino

(desejo do meu sonho)

O gesto melancólico
da tua alma…
denúncia do teu querer

(duvida da minha realidade)

Os cabelos que voam
sem que o vento os procurem

(inconsciente…meu?)

O sorriso escondido
submisso ou perdido

(ânsia da procura)

O flagelo…de estares só
mais só do que possas gritar…

(fronteira da realidade)

São as grades do teu imaginário!

sábado, setembro 08, 2007

Brinde









Um cálice…
Que abarca o licor
ergue-se num ápice
que entorna a dor…

Um gesto… que se liberta
que eleva a emoção
é o momento que desperta
e chama a sua razão.

Alteio o meu ego
em rota de reverência
é no cálice em que pego
que bebo a tua essência…

Num gesto eloquente
bebemos em alegria
um trago mais quente
num especial…dia!

Bebemos…a magia
com a nossa gente…

Brindamos á Poesia!

quinta-feira, setembro 06, 2007

Luciano Pavarotti


A voz era o seu poder e o seu encontro com o mundo. Mas no corpo possante escondia o seu maior talento, um coração generoso que preenchia a razão de existir. Recordaremos o talento sem esquecermos a grandeza do Ser!
Todos agradecemos a nobre passagem por esta Terra, chamada Vida!
Adeus Amigo…

BAÚ

Com nostalgia
E olhos molhados
Recordo os tempos de felicidade.
Tempos...sem qualquer preocupação
Que quando olhava para o mundo adulto
E faltava-me a sua compreensão
Era o querer esticar os dias
Porque a brincadeira
Nunca devia acabar
Era o aproveitar cada minuto
Esbanjando todos os segundos.
Hoje, são as saudades que apertam
É a impotência de voltar
Ao tempo, que gostava.
É aprisionar,
A criança que vive dentro de mim
É a luta constante, em vigia-la
Queria ser uma criança grande
Soltar-me de dentro do adulto
E brincar todo o tempo
Mas, apenas posso compreender
A palavra nostalgia
E o seu efeito
Esconder os olhos molhados
E dar algumas fugidas
Ao baú da minha memória
Que se chama, Infância.


Lisboa, 02 de Julho de 2002

In “Vinte e Cinco Minutos de Fantasia” Paulo Afonso

terça-feira, setembro 04, 2007

Dança


Desnudei
o peito faminto
conquistei nova vontade de sorrir
e deixei-me cair nesse soalho brilhante…
Bamboleei o corpo
em movimentos esguios
e perfeitos!
Imaginei…
Escrevi…
Interpretei…
a coreografia do sentimento
numa dança envolvente.

A melodia acústica
e melosa
deixou vaguear o meu desejo
alojando-me
no mundo do poder
e eu amei…

Desnudei
as personagens do meu Ser
que tantas vestes albergavam
e fiquei só…

Desnudado dancei!