domingo, março 09, 2008

Desejo Secreto


(Foto de reencarnacion cristalero)


De coração desfeito das intempéries do amor, o vulto erguia-se de mais uma aventura perdida. Acabara de receber mais um duro golpe, vicissitudes, de quem perdera o norte e se guiava pelo vendaval dos actos espontâneos…
Três letras assombravam o seu pensamento – fim – era o seu constante tormento, porque o tempo mostrava os insucessos repetidos. Outrora esteve perto da felicidade mas o medo de assumir esse real sentimento assustara a condição, e a oportunidade viajara para outras paragens da vida de alguém.
O vulto era a noite! Ansiava voltar a sentir-se o sol de alguém como um desejo secreto.
O seu desejo secreto, concretizado, daria um sorriso constante e aberto. Daria um brilho aos seus olhos pungentes e extrairia do seu pensamento a afronta das palavras residentes.
Todas as noites…regressava ao sonho para vive-lo intensamente. A realidade não conseguia dar-lhe esperança, vontade ou uma pequena alegria que fosse!
Morria lentamente…perdendo as forças ocultas para realizar o desejo de ser simplesmente feliz.
Todas manhãs, ao acordar, imaginava que um vulto especial entraria na sua vida e que, de sorriso em sorriso, viajariam no mundo do amor e acabariam os seus dias, juntos, à beira de um lago, numa casa feita de momentos felizes e de grande cumplicidade.
Em silêncio esperou e os seus dias passaram lentamente por si!
Os seus olhos gritavam:
-“ Eu morro pela tua presença!”
As suas lágrimas denunciavam:
Fiquei… inverso… de… mim!
Os seus passos corriam para o abismo!
Fiquei…
Incompatível… (de)
Mim…




(Nunca tenhas medo de amar. De assumir o desejo, o teu íntimo desejo, porque a vida não pára e amanhã pode ser tarde…)

quinta-feira, março 06, 2008

Beijo Ausente


(Foto de: Tanni Thai)

Levito na ânsia do teu beijo!
Percorri as ausências dos espaços
ultrapassei as barreiras da inépcia
e formulei o meu desejo
bordado na acácia
dos meus pensamentos escassos.
Imaginei o momento
que tanto almejo
construído de muito sofrimento
e algum lampejo.
Sonho que se repete constantemente
que domina a minha mente
e acalentado me vejo.
Oh! Híbrido estar…
Oh! Imagem que se confunde
e me dá asas e me faz voar.
Levito na ânsia do teu beijo!
Espreito o caminho
que percorro sozinho.

sábado, março 01, 2008

Intuição


(Foto de: Saul Santos Diaz)


Como um sopro de vento senti na minha cara esse momento por acontecer, ou já acontecido, e no calor desse gesto de ninguém as palavras acordaram na minha mente…
E as frases descreveram-me a tua imagem e a minha imaginação moldou o teu corpo… Corpo fugaz de uma pessoa sem destino e que percorria um caminho de pedras e poeiras de outros passados em busca da sua identidade.
Criei no momento imaginado o meu desejo e vesti esse corpo de princesa, troquei o caminho por outro feito de terra batida por entre uma floresta densa e em que se via um lindo castelo lá bem ao fundo… Vês também?
Ouvi o chilrear dos pássaros felizes e deixei-me ficar a ver-te em direcção ao castelo.
Consegues… consegues ouvir os pássaros?
E, de repente, senti este cenário fugir-me da mente e o espaço cercado de uma nobre presença. Como se alguém estivesse dentro de mim a ler-me ou como se alguém estivesse a ler as frases que derramei no caminho da minha imaginação…
Algo me diz… se tu lês e sentes estas palavras… se vês o castelo e ouves os pássaros… Então menina mulher és tu a princesa! Será só na minha imaginação? Será só mera intuição?
Se o segredo morrer… só tu poderás dizer a verdade!
Mas, aconteça o que acontecer, as histórias nascerão sempre em busca desse momento.

sexta-feira, fevereiro 29, 2008

Palavras Ocas


(Foto de: Melik Tamas)


Palavras e mais palavras...
escondem o Amor
o desejo
e a dor

E no silêncio das palavras
os meus gritos são abafados
e os sentidos
os teus e os meus
são perdidos...

Palavras ocas…
fazem-nos o mundo!

quinta-feira, fevereiro 28, 2008

Amor Impossível


(Foto de: Julio Segura Carmona)

São lágrimas que solto por saber deste meu amor impossível. Lágrimas de alegria por saber que o amor é meu e que, apesar de impossível, estará sempre ao alcance do sonho e do desejo por cumprir…
E o mar com o seu sorriso de prata é meu aliado, meu amigo, para harmonizar os meus momentos de fim de tarde em que me encontro na areia da praia deserta e desejo nadar até ti. É através das ondas sorridentes que o mar me acalma, e me deixa inerte ao pensamento fugaz da loucura do acto por realizar… Volto sempre!
Sei que outro dia virá feito de ilusões e de argumentos, para que o mundo nos afaste, sei que o meu caminho é feito das peripécias loucas e dos trechos perdidos do meu recanto chamado realidade, e ainda assim penso em ti.
Tão longe que estás, e tão perto que te sinto, nessa magia do amor que construo como castelos de areia à beira-mar, num desafio, para que mandes uma onda maior e os destruas, chamando-me assim à minha dura realidade…
E a teimosia provoca-me, faz-me voltar em cada final de tarde para construir de novo os castelinhos de areia húmida. Essa mesma teimosia que vai de mão dada com a esperança, que assim aproveita para imaginar a tua chegada por entre as alegres ondas e, num pensamento secreto, chega a imaginar que vens naquela onda maior.
E se os castelos são de areia, os desejos são de vento, e o meu amor é bordado pelo sol que, ao longe, se despede e vai dormir. O mesmo sol que aquece esta relação inexequível.
Anos passaram e a fonte das minhas lágrimas nunca secou… A minha pele queimada do sal e do vento anunciou o meu desespero de uma vida solitária. Os cabelos brancos escondidos debaixo do boné de marujo são como sementes da minha preocupação por não saber de ti…
Nem por uma única vez apareceste!
E tanto que sonhei com esse momento. Estudei as palavras, e fiz frases para te oferecer…
Fiz planos… uma casa nessa praia deserta ou na ilha solitária do mediterrâneo.
E tu, sereia do meu imaginário, nunca vieste…

segunda-feira, fevereiro 25, 2008

Obrigado a todos



Quero agradecer-vos o carinho manifestado! Hoje fui “atacado” e que bem que soube, por palavras de carinho, mensagens, telefonemas, poemas, beijos e abraços. Espero que possa retribuir-vos diariamente com amizade e muita alegria.

Muito obrigado a todos.

Beijos & Abraços para vocês


O Aniversariante,

Paulo Afonso

25/02/2008

domingo, fevereiro 24, 2008

Corpos


(Foto de: Mg Lizi)

Ainda que o teu corpo esteja distante, do querer, sinto-lhe a fragrância que estimula e seduz em silêncio e assim provoca a ebulição do meu corpo em estado embrionário…
É o pensamento que se entrega ao desejo. E o desejo atroz deixa fugir os fluidos dessa forma demente.
Os corpos incandescentes já estão na mesma linha dessa vontade própria do momento.
Mágico é o momento que acontece e, num ritmo insaciável, o movimento assume a forma inexequível do tormento cercado da incerteza do cenário e de quem, por perto, possa assistir.
Já nada os trava. Esses corpos submissos aos desejos e nesse mar de prazer por acontecer e na geometria do acto sente-se o emparelhar das cadências seculares da vida.
Cai o pano. E os corpos suados de tanto trabalho conjunto regressam, para agradecerem essa pérola de prazer inusitado. As palmas prolongam-se, por longínquos minutos.
Curvados descansam num agradecimento sentido. Cumpriram a sua dança!
Outro dia e outra dança voltarão a acontecer…

sábado, fevereiro 23, 2008

Esqueço-me


(Foto de Floriana Barbu)


Mesmo sem sair de casa sinto o vento que percorre as ruas à minha procura. E aconchego-me um pouco mais nesta minha cama de sonhos nunca partilhados… Oiço a voz da chuva a chamar por mim num desafio de coragem e ainda assim o calor dos lençóis e das mantas da minha cama prendem-me propositadamente.
Estou entre o querer ir e o querer ficar!
Pergunto-me de que vale ir ao encontro dessas questões da natureza e, na mesma pergunta, embargo o meu desejo de ficar num espaço em que já não tenho tempo para sonhar…

Sinto-me em falta noutro local. Nesse momento de alguém que queira o apoio que posso oferecer ou que, simplesmente, só queira um dos meus sorrisos que esbanjo pela vida fora.

Mas teimoso, fecho os olhos, e numa reviravolta estratégica adormeço devagar…
Esqueci-me de tudo e de todos! Até de mim…

sexta-feira, fevereiro 22, 2008

Parabéns Cláudia


(Foto de Tamara Loncar-Agoli)

Hoje escrevo para ti! Para dar a palavra que mereces e que não mandei, que não a disse.
Hoje é o teu dia, em que esperas as tuas prendinhas que desejaste nos últimos meses em projectos de silêncio ou em que fugiu em algum murmúrio tímido, e que já esta semana sonhaste algumas vezes com essas prendas.
É hoje que buscas o mundo só para ti, envolvida nessas amenas primaveras.
Hoje! Tanta emoção aconteceu e o tempo correu tão depressa que quase não tiveste tempo para pensar nos que se esqueceram de ti!
Sabes, apesar de estares longe, em Évora, não me esqueci de ti, sabes que, apesar de não poder concretizar o teu simples pedido de hoje estar perto de ti, eu viajei no espaço aberto e apenas, por um segundo, estive contigo… Foi tão rápido que nem te apercebeste!
E quando a noite for para sonhar, antes de entrares nesse mundo fantástico vais pensar… Ele não veio…
Mas eu sei que não vais ficar triste porque embora tenhas dificuldades em entender, consegues aceitar e saberás que estás junto das pessoas que mais amas.
O mundo é mesmo assim… meio chato!
Muitas primaveras passarão e talvez um dia aceites a chatice deste mundo acelerado e distante. Por ora não importa. Nada importa, apenas o teu desejo de seres feliz.
Parabéns amiguinha pelos teus oito aninhos…

O teu gordo!
Beijinhos

domingo, fevereiro 17, 2008

Na fronteira...


Foto de Ben Goossens


A chuva não pára lá fora. Faz de mim um prisioneiro aqui dentro desta casa de pedra, perdida, entre os campos cultivados. E é da janela que espreito a vontade de fugir desta prisão do sentimento em que a tristeza se apodera das minhas fragilidades para abarcar os meus pensamentos e seduzir a minha vontade própria ainda por se definir!
Nasci para este dia abandonado aos meus propósitos e, de tão só estar, fiquei estático a olhar para esse acontecimento que nem sei o que aconteceu mais…
Estou entre a ilusão e a vida, separado apenas por esta janela que chora por fora e sofre por dentro, porque assim sou e na casa fria há um silêncio cúmplice da tristeza que não parte.
Passam minutos, talvez horas e nada acontece. Nada se mexe. Ninguém se ouve. Apenas o bater da chuva, compassado, faz a melodia deste meu novo dia. A mesma melodia que ritma os meus pensamentos de tortura crescidos de tamanha tristeza…
E é o relógio de sala que me traz a realidade, quando as suas fortes badaladas do meio-dia soam ao despertar para a minha mente abstraída, adormecida.
Corro para a lareira na ânsia de que me ceda o calor que tanto preciso. Arde a ténue esperança da tristeza e as paredes parecem quer sorrir. A janela embaciada parece corar e já não chora.
Começo a acreditar que posso mudar. Que o meu dia e a minha vida podem melhorar. Revisito a janela de perto para poder espreitar o outro meu mundo e descubro um raio solar tímido quase a pedir licença para se aproximar. Crescem as minhas recônditas esperanças em ser um sorridente deste mundo maravilha que ombreia com a outra parte maléfica cheia de oprimidos da desgraça e de corpos que esperam o seu tempo…
Cresço no espaço de um sorriso mais que no tempo da minha incerteza e o desejo pede-me uma melodia… criteriosamente escolho-a: Lara Fabian – Je T´Aime.
Sigo a letra para poder sentir-me como um tolo que estava a ser, e como um soldado que fui, ao combater este meu estado de alma.
E no refrão canto também…Eu te amo! Eu te amo!
A casa grita, é a campainha que toca… Não espero ninguém e o tempo não traz mais que um sol que ilumina a minha aldeia.
Vou à porta, abro-a em par com a esperança redobrada e vejo-te sorrir… A ti, mulher!
Vieste ao meu mundo real da minha aldeia, saindo da minha ilusão, para me abraçares para seres a minha eterna mulher. Renasci neste dia, acompanhado pelos meus desejos mais profundos e pelos secretos devaneios que fiquei extasiado e desejei que a vida nunca acabasse…

sábado, fevereiro 16, 2008

A Menina do Bosque


Foto de Guillermo Morgana


Certo dia alguém quis passear à procura de uma aventura destemida. Resultado. Havia uma menina perdida num bosque. E a noite apareceu de surpresa e a menina arrefeceu, sentiu-se só e abandonada à sua sorte. Pensou em culpar alguém, olhou em redor e não viu ninguém. Irritada. Culpou ninguém. E o tempo foi passando e assim ajudando-a pensar até que chegou perto de si… própria.
- Quem és tu menina perdida?
Foi a voz da sua natureza a suplicar-lhe uma resposta coerente e ela depressa respondeu:
- Sou a menina valor que desconhecia e perdida encontrei a minha noção. E agora só quero regressar ao meu lar…
Adormeceu triste e cheia de frio.
O sol acordou-a, olhou pela janela e reviu essa majestosa brisa… olhou em redor estava no seu quarto.
E ela gritou:
Bom dia!


(…A continuação está em aberto! Seja você mesmo a finalizar…)

quinta-feira, fevereiro 14, 2008

São Valentim


Foto de James Oley


Hoje o dia é a minha cara. Está estampado um sorriso atrevido de quem quer surpreender… Os olhos estão atentos e vestem aquele brilhante que só os amantes conseguem vestir.
O rosto rodeia-se de um terno corado inocente que procura passar quase despercebido aos olhos dos transeuntes das avenidas da nossa aldeia.
Mas é o corpo que guarda a ambição de quer ser assim todo ano e num esforço dos meros mortais entrega-se de uma forma invisível em cada dia que passa. Só hoje o rosto brilha… E ainda assim consegue esconder a parte que resta do corpo!
Se assim quiserem… esta cara será dos namorados sem idade, sem tempo e no perpétuo acontecimento exibirão os seus coloridos sentimentos na magia do espaço em que diariamente voam… hoje o dia é teu, meu e de todos!

terça-feira, fevereiro 12, 2008

Ilha do Amor


Foto de Scott Hoffman

(Este texto é um dueto com Vera Silva a pedido de STONE)



Escrevo-te! Para que saibas o que nunca tive a coragem de dizer, olhos nos olhos, pela simplicidade de não aceitar o teu olhar, fosse ele qual fosse…
Sim! É o medo que me norteia! Estou amparada na pessoa que não age para não ferir ou que se deixa ir ao sabor do vento mesmo que, por isso, me obrigue qualquer consequência.
Não sei se alguma vez irás ler estas linhas em que me deleito como que numa cena de amor, e é no teu peito que imagino a frase erudita que busco na minha cabeça, estremecida, mas que ainda consegue fabricar alguns tímidos desejos… Quero-te!
Nem imaginas o que penso escrever enquanto percorro o teu árduo corpo, sim árduo, porque o imagino entre a resistência e a loucura… a um passo, apenas, de ser só meu.
Oh! Loucura. É como me chamo, é como me sinto, quando quero gritar-te… Eu Amo-te! Oh, mágica imaginação que transforma essa sensação em lágrimas constantes… Já te disse aqui que é o medo que me norteia. Mas não há medo que chegue que me impeça de sonhar!
E na coragem emprestada vou imaginar que estas frases chegaram ao seu destino e que quis o tempo trazer-me a resposta. Quero ler-te assim:


“Meu amor... trouxe-me o vento os suspiros do teu desejo e as palavras que sempre ambicionei ouvir e agora posso tê-las. Soube desde o primeiro instante que tu eras o meu destino e descobri, na carícia do teu olhar, que minha alma te pertence há muito.
Sonho com um gesto teu desde o primeiro momento e aguardei, na ânsia, por uma palavra tua, que tardou em chegar. Por mais incrédulo o meu sentir, nunca consegui matar a esperança que julguei vã, e hoje, meu amor... Hoje!... Hoje tornaste o meu mundo mais feliz, porque sinto agora que estás no meu universo.
Aguardo-te na nossa praia, onde já misturei com o mar as lágrimas de saudade ao pôr-do-sol.”


Oh! Ternura. Doce brisa que afaga a minha imaginação… Oh! Loucura dos dias que passo entre o mar e a areia a olhar o teu rosto imaginado, o teu corpo esculpido no querer da minha imensidão feita de um rochedo perdido…
Tu nunca chegaste! E a tua resposta foi criada pela minha loucura, isenta de qualquer realidade. Morri na nossa praia. E o corpo perdeu-se nas areias da imprecisão.
Tu nunca chegaste… mas as ondas visitaram-me sempre, e foram elas que alimentaram a minha esperança, o meu desejo e a minha vida, perdida… nesta ilha do amor…

domingo, fevereiro 10, 2008

Campo de girassóis



Foto: Sunflowers - Ocean
De: Andreas Babik


Vejo ao longe o sorriso dos girassóis que parecem que esperar que os visite. Seus olhos cor de amêndoa doce e alegre transmitem a doçura dos iluminados inquietos, suspensos do mundo inerte e falível…

E o vento sopra palavras de incentivo e de loucura. Eles abanam numa dança de uma coreografia ensaiada e cintilam criando um quadro de perfeita harmonia. Vistos do céu fazem ondas de reciprocidade quase sem noção… de quem as vê, de quem as sente.

E o sonho nasce. Depois de adormecermos num recanto de relva verde, fixados no azul do céu e na espera do desejo paixão de marasmo conquistado nos vultos de pedra e cinza diluída no espaço emergido.

Este é o nosso segredo. Esta é a nossa forma de conseguirmos sobreviver aos dias perdidos na vida que dizem ser a nossa e em que nunca a conseguimos encontrar, para que a possamos projectar nas planícies dos génios e das flores.

O tempo passa. E a noite visita-nos. Já renovados percorremos o caminho inverso e regressamos à normalidade. Aparente. Trazemos o sorriso, emprestado, do girassol amigo no pensamento, trazemos o amarelo brilhante, contagiante, na alma que fomenta o nascer de mais um dia. O Sol irmão desse girassol simbólico também sorri e pisca-nos o olho guardando o segredo partilhado na véspera.

Podes chamar-me maluco. Podes pensar que sou incauto. Mas o meu desejo é encontrar esse caminho que me leve, de novo e em segredo, ao majestoso campo de girassóis para que em silêncio ame as cores da natureza e assim encontre a terapia para purificar os sentidos, perdidos, do meu acreditar…

Já sabes. De mãos dadas poderemos partilhar o nosso segredo. Podemos sorrir. E, no momento oportuno podemos fugir, embora que temporariamente, nunca deixaremos as nossas viagens, cúmplices, aos terrenos da noção e as terras da emoção.

Basta que tu o queiras!

Espero por ti!

Quero seguir o nosso caminho na busca da nossa identidade…

sábado, fevereiro 09, 2008

Não Sei...


Foto - Lost in reflection
De: Josephine Chervinska


Não Sei…

Sabes que não sei
porque desabrocham estas lágrimas de solidão,
sabes que nem nunca pensei sequer
porque amo esta infinidade
feita de desejo e prenhe d’emoção?

Isolo-me das mágoas, do silêncio inédito,
que esconde o mistério dito
e abraça a lenda do meu sofrer,
neste receio maior de te perder.

Não sei sequer do destino frutuoso
nem o meu estado
- talvez de carente amistoso -,
não sei…
da minha alma,
não sei…
do meu passado a sentir…
e não sabendo …
me sinta assim amado!

terça-feira, fevereiro 05, 2008

Viagem


(Foto de Mariana Cano - Blue)

Anjo. É por ti que procuro porque é a ti que quero encontrar… porque me fazes falta, preciso encontrar-te para te trazer para a minha vida, para poder soltar olhares de alegria misturados nos meus sorrisos de felicidade.
Já percorri o céu na boleia que as nuvens me deram, perdi-me nesse azul imenso coberto de sedução e de maravilha. Andei esquecido no branco algodão genuíno desse transporte numa busca crédula e não consegui encontrar-te…
Já andei pela selva inóspita tatuada de crenças e de mágicas aspirações no risco sublime de me perder e não voltar a encontrar-me para conseguir descobrir-te… sem sucesso. E nunca desisti… de ti!
Cruzei sete mares como um pirata que busca um tesouro e nas tempestuosas ondas desejei ser um pássaro para voltar ao céu… não para desistir de ti, mas para poder olhar outra vez o universo e para poder despertar os meus sentimentos de eterno desejado para que pudesses ouvir-me, ver-me ou apenas sentires…
Eu sei… que quando tu chegares me farás sorrir e eu apenas te direi amo-te… eu sei!
Eu sei… que só tu me farás crescer e que por ti viajarei aos limites do meu esforço desmesurado para conseguir fazer-te sorrir… eu sei!
E embora o tempo me fuja por esse caminho de terra batida, por muito que o vento sopre contra o meu corpo afastando-me do meu destino, ninguém conseguirá afastar o meu desejo fomentado estendido no meu consciente e aberto na criatividade do meu sonho…porque para mim já existes!
E numa repetida noite de frio ando sozinho a procura do meu agasalho. Sem medos da escuridão e sem limites para andar até que me perco nas ruas da ilusão onde me confundo e acredito na esperança até que o dia volte a nascer… para que a luz desse dia ilumine o meu caminho de regresso a casa para acordar desse sonho repetido.
E o tempo não pára. Das viagens que fiz por esse mundo de realidade e da fantasia soube sempre voltar ao meu lugar de pessoa emocionada e efémera…
Até que um dia o meu horizonte espelhava uma viagem cénica em que era acompanhado por ilustres amigos desse reino de pedra e guerra. A última viagem…
As lágrimas chamaram por mim e a esperança acenou-me de longe… os pássaros cantaram num uníssono um som de despedida e um sorriso de criança passou por mim num repentino movimento…
E o meu pensamento ditou as últimas palavras, sábias, do tormento das minhas viagens!
Sempre soube que a vida era uma viagem. Sempre soube que nunca encontraria o meu anjo desejado, mas o grande segredo era que teria que acreditar e fazer a viagem, espalhando alegria e escondendo o medo… oferecendo a magia da verdadeira amizade.
A verdadeira viagem foi a vida… pelos anjos que encontrei!
A minha última lágrima caída… foi de alegria e de consciência como foram os caminhos por onde andei… sem nunca desistir…de ti!

sábado, fevereiro 02, 2008

No Teu Olhar
























(Foto de: Josef Popper)


Vejo-te! Sinto as vibrações que percorrem o teu corpo. No teu olhar, desagua um rio chamado mundo… o teu mundo solitário, incompreendido, abandonado.
Sabes? Um dia… um dia vi, nesse mesmo olhar, um caminho secreto que nos levava ao casarão de madeira perto de um lago, onde sonhavas construir o teu lar feliz, lugar onde as crianças podiam brincar com a felicidade e a inocência entre o sol e a lua…
Sabes?... Sabes que sei que deixaste desfalecer esse sonho? Sim! Sei que sabes.
No teu olhar encontrei tantas mágoas, tantas incertezas, misturadas com fraquezas que se envolviam num frenesim apócrifo…
Talvez saibas, sim! Embora apenas mostres esse mundo real, foi no teu olhar que descobri uma pérola construída de esperança e força. Uma alavanca que te eleva nos momentos submissos contrariando os desejos alheios… Tu que nunca foste egoísta.
No teu olhar, vi a selva das decadências em paralelo com as fronteiras da lucidez!
Vi o sentimento profundo. Senti-te crescer…
Hoje é no teu olhar que desagua as impurezas do teu passado. É assim que libertas as tuas vozes caladas, num exercício de grandeza. Vives entre esse preâmbulo…
O teu crescimento aconteceu, mas consegues manter esse olhar infantil que questiona os porquês todos em teu redor…
No teu olhar vejo a chama que reacende para aquecer a magia de sonhar, vejo a alegria exposta na lucidez de seres mais que apenas um corpo!
E quando me olhas nos olhos, nesse momento único, nosso, revejo-me no passado… na criança feliz que existiu. Troco-te por uma mensagem de esperança e sigo… Sigo-te! Na ânsia de voltar a encontrar o que desejas no teu olhar…

sexta-feira, fevereiro 01, 2008

Já te disse hoje que gosto de ti?


















(Foto - You Are Not Alone de: Mehmet Ozour)

Um café! Acordou-me devagar, ainda não refeito de uma noite dormida à pressa. Dei os primeiros passos cruzando-me com pessoas conhecidas, que, alegremente, me davam um inusitado “Bom – Dia”. Respondi a todas com um gémeo cumprimento. Ficou-me a energia, revigorante, das pessoas com que me cruzei!
Meditei… antes nunca tinha pensado nesses pormenores, levava a vida a correr, num contra relógio contra o tempo, o meu tempo, em suma, contra mim.
Deixava passar os minutos, sem reparar neles, apenas reparava em algumas horas porque a sociedade me habituara aos horários preestabelecidos…
Não era eu! Não o verdadeiro eu…
Mas naquele dia, tudo seria diferente, mesmo que o meu exterior não o revelasse, mesmo que o meu rosto não o expressasse, era um dia diferente.
O dia da consciência! O dia que quebrava a barreira das oposições e conseguia entrar na essência do meu Ser, concedido pelos meus semelhantes que comigo conviviam diariamente.
Um café, mais um, para competir com tamanha alegria que sentia. Tinha-me revelado. Finalmente tinha entendido o sinal…o simples sinal de que podes ser tu mesmo se assim quiseres!
De alegria incontida, procurei-te, sim a ti que lês as minhas singelas palavras, a ti e a ele, e a ela, pela mensagem que não cheguei a mandar e pelo telefonema que pensei fazer, pelo e-mail que ficou por escrever, pelas várias possibilidades… mas acredita que te procurei, sei que sentiste essa energia e não ligaste, um arrepio, um vento suave ou um calor passageiro, era eu a tentar abrir a linha da nossa comunicação para te questionar, livre e abertamente, sem malícias ou secretos desejos, sem que fosse preciso uma resposta pronta e composta… e no tempo livre que gastei a viajar pelas pessoas, uma a uma, adornando as suas qualidades, deixei-me ficar aqui, sentado neste banco de jardim, etéreo, de lápis na mão a escrever no meu caderno dos desejos… vezes sem conta a frase repetida na minha mente…
Já?
Já te?
Já te disse?
Já te disse hoje?
Já te disse hoje que?
Já te disse hoje que gosto?
Já te disse hoje que gosto de?
Já te disse hoje que gosto de ti?
Já te disse hoje que gosto de ti? Já te disse hoje que gosto de ti? Já te disse hoje que gosto de ti?
E o meu pensamento, afectuoso, sussurrou ao teu ouvido…

quinta-feira, janeiro 31, 2008

palavras e mais palavras
















(Foto de Steve Boyer)


palavras e mais palavras
que oiço pelas vozes do mundo
entre as ferozes ideias empurradas
vejo-as expostas no painel da vida
leio-as nas palmas das mãos
dos vagabundos solitários
são palavras e mais palavras
que me fazem sonhar…
com a mudança
para que cada palavra
traga… alegria
empreste…magia
ofereça…paz!
palavras e mais palavras
que podem matar
mas que as usamos
como dádiva do amor…
separando-as da dor.

palavras e mais palavras
por um mundo melhor

terça-feira, janeiro 29, 2008

O Tempo



o tempo é…
condão dos inocentes
dos verdadeiros inesperados

o tempo é a justiça
para mim
para ti
para…todos!

segunda-feira, janeiro 28, 2008

Estranha Alegria Que Dás...

Deixas a noite cair
para desceres do teu berço dourado
deixas a escuridão envolver-te em fragrâncias
e despertas o teu falir
nessas palavras feitas de ânsias
escondidas no âmago imoderado.
Estranha alegria
que fazes sair
recôndita na prosa e na poesia
eloquente sem mentir.
Voltas ao ataque
procuras um destaque
estranha alegria que fazes sorrir.
E no momento
em que escreves a palavra plágio
fazes-me ser o evento.
Fazes o vento fugir
e de mim um Ás
estranha alegria que dás…

domingo, janeiro 27, 2008

Djinn

Para ti Djinn


não há barreiras erguidas no tempo, que não sejam derrubadas…
não há amores perdidos, que não sejam encontrados
não há vitórias sem que não seja preciso lutar
não há uma pausa… que não seja para continuar…
não existem probabilidades, existem realidades!

absorve as cores do teu arco-íris
para que possas pintar a tua vida de alegrias

contra todas as probabilidades... só TU podes decidir!

sábado, janeiro 26, 2008

Peça… de Teatro e da Vida!

Hall do Hotel Garden. Juan de fato azul-escuro e gravata azul-bebé, gabardina num braço e computador portátil na outra mão, entra no hotel, passa pelas flores situadas na sala de espera e leitura, e dirige-se à recepção para confirmar a sua reserva para aquela noite.
O ambiente é sereno. São poucas pessoas que estão por ali. A Juan não lhe passa despercebido a mulher que está no cadeirão da sala, mesmo à frente da recepção.
Sentada. Parece ser alta e esguia, cabelo preto e um olhar penetrante. Linda sem qualquer dúvida…para Juan ou para qualquer homem!
Há uma troca, observadora, de olhares. Há um primeiro momento, disfarçado, de aproximação.
Juan é bem recebido pelo gerente do hotel. Depois de confirmados os seus dados e de saber que essa noite iria ficar no quarto 304, dirige-se para um dos elevadores e sobe para o seu quarto. Antes de a porta do elevador fechar, outra troca de olhar acontece… há um segundo momento, assumido, de proximidade…

Restaurante do Hotel. 20 Horas. Juan desce para jantar. Entra no restaurante que está cheio de pessoas de perfil empresarial e é recebido pelo Chefe de Sala que o acompanha a uma mesa mais discreta e colocada estrategicamente, (de onde se pode observar a sala com maior capacidade) que estava reservada para si.
Juan como homem de negócios de enorme sucesso, está habituado pensar de forma rápida e sem oscilações, pelo que dá um olhar fugidio pelo menu e rapidamente decide. Pede o costume… Uma entrada de “Gambas á Gilho” e um “Bife á Chefe”.
Enquanto espera, lê o jornal de negócios e controla a sala de uma forma despercebida.
Há um momento que a sua atenção é “puxada” para a entrada… sem que perceba porquê, mas nem tem tempo para pensar, porque vê uma mulher vistosa a entrar sozinha… era ela novamente. Toda sala, inconscientemente, repara naquela esbelta mulher, que lida com essa situação com agrado, demonstrando estar habituada a ser o centro das atenções, em especial dos homens.
Depois de uma pequena conversa com o Chefe de Sala, é acompanhada por este, para a mesa mais próxima de Juan.
Ela. Enquanto escolhe o menu, troca algumas vezes o olhar com Juan, quase num desafio… pelo qual Juan não se deixa intimidar e assume uma postura de “garanhão”.
Escolhe e o empregado afasta-se. Ela deixa-se ficar imóvel, com ar pensativo e abandonado… o que seduz e intriga Juan.
Passam o jantar separados, mas, ligados em olhares e pensamentos.
No fim da refeição, ela levanta-se e dirige-se a mesa de Juan. Acedendo ao convite de intenções de ambos…

Bar do Hotel. Continuam juntos e conversam bastante. Tomam uns digestivos. O espaço é agradável e muito acolhedor, a música é serena, romântica como aquele momento começa a ser, que os seduz e proporciona uma solvência entre ambos.
Três horas depois sobem para o quarto de Juan. Trocam um primeiro beijo arrojado ainda no elevador.

Quarto 304. Assim que entram, com o fechar da porta, enroscam-se em apetitosos gestos de ternura e sofreguidão. Trocam beijos inflamados. Quase se despem. Juan já quase todo despido, pede um pouco de tempo para tomar um duche rápido. Estava decidido a tornar aquela noite mágica e inesquecível.
Ela, com uma maturidade estranha e poderosa aceitou e deixou-o partir.
Passaram apenas alguns minutos. Juan regressa entusiasmado e é confrontado com um pedido inesperado.
Ela, queria leva-lo para sua suíte. Argumentou que na sua suite existia uma piscina interior pelo que a noite seria mais generosa, mais inesquecível…
Juan concordou de imediato. Já estava num ponto de concordância com tudo o que ela sugerisse…

Suite presidencial. Ao entrar, Juan percorreu com o olhar cada pequeno espaço daquela suíte. Estava maravilhado. Sentia-se um verdadeiro “macho” pela sua grande conquista e um ilustre contemplado pelas energias da vida prestigiada…
Depressa retomou as essências daquele corpo divinal. Sentiu-se Rei. Sentiu que estava muito próximo do paraíso.
Foi uma noite de intenso e inesgotável prazer. Juan não deixará o crédito latino por mãos alheias. Os seus trinta e dois anos e a sua performance física também ajudaram.
Já madrugada, adormeceram, corpos enleados por baixo daquele lençol branco de cetim.

Novo dia. Juan acorda lentamente. A cama está quase vazia, ocupada apenas pelo seu corpo. A mulher que conhecera na noite anterior desaparecera. Com o olhar, percorre a suíte e repara num DVD à sua frente, branco e com letras garrafais pretas de um marcador próprio: JUAN 26/01/08.
Levanta-se confuso. Vai a janela para sentir o sol e para enquadrar-se com a realidade matinal. Sente um cheiro incomodativo do tabaco. Segue o cheiro na busca daquele corpo fantasia que animara a sua noite de segredos…e encontra um homem vestido de preto, barba por fazer, e de aspecto intimidador.
Este entrega-lhe um papel sem dizer uma única palavra. Juan, quase sem reacção, pensa múltiplas coisas… e sente o primeiro aperto no coração.
Lê:

ORÇAMENTO – JUAN

SUÍTE:………... 1.500 €
SERVIÇOS:…... 2.500 €
DVD……………5.000 €
EXTRAS:………1.000 €

TOTAL:……….10.000 €

(PRAZO DE PAGAMENTO IMEDIATO)

Juan levanta o olhar em direcção ao desconhecido, que continuava a fumar impávido. Finalmente percebera que aquela noite de luxúria, tinha sido premeditada. Uma noite filmada para um jogo de chantagem em que ele era a única vítima…

sexta-feira, janeiro 25, 2008

Projecto PÃO & POESIA




O meu Poema IRAQUE EM GUERRA foi seleccionado para participar no Projecto PÃO & POESIA


Edições Árvore dos Poemas e Mixpan Indústria e Comércio Ltda, convidam a todos para participarem no Projecto PÃO & POESIA.

Em breve lançaremos o projecto PÃO & POESIA. Inicialmente, serão impressas 300.000 embalagens com poemas no verso das mesmas. Os clientes das padarias, participantes do projecto, além de levarem pães para o café da manhã, levarão de brinde - poemas. As pessoas, que desejarem participar do projecto, devem enviar seus poemas para pao.poesia@yahoo.com.br - um dos objectivos, é divulgar novos autores, que permutem connosco a liberação dos direitos de autor, pela divulgação de seus trabalhos. Aqueles gostam de incentivar a leitura, agradecemos desde já, se nos ajudarem na divulgação do projecto. Vamos literalmente tentar, uma injecção de poesia nas artérias da realidade. É isso aí...
Pão, para o corpo...
Poesia, para o espírito...
Pão, para o físico...
Poesia, para o invisível...
E o trem segue: alegre e apitando invencível...
Et´sceteramente...
E nóis na rabeira ou den´dEle - d´carona...
Vamo-Q-vamo... d´YAMAHA ou HONDA, no moto-perpétuo da vida
ou; não lamente nenhuma vez, não ter surfado nesta onda...
Neste: delicado-sincero-ofertório, dedicado à alma humana.



IRAQUE EM GUERRA

Inferno que ilude
Recebe e dá… a dor
Amanhecer cor de fogo
Querer… sem amor
Uma criança que foge
E brinca de soldado…

Embalados em miras
Miras em movimento

Gente que morre
Um vento sofrido
Ecos de almas a partirem
Rostos de pânico
Rituais de um mundo perdido
Amor atingido… que morre!

quarta-feira, janeiro 23, 2008

Alma Gémea

Aos poucos, o primeiro raio de sol, ilumina o quarto. Amanheceu e os raios de sol, ainda tímidos, entram pelas frechas da janela. Iluminam, timidamente o quarto.

Aquece-lhe os olhos ainda fechados, e ainda que sem abrir os olhos, ela sente-se iluminada, como se a sua alma acordasse feliz para a vida.

Mas não! Ainda dormem, corpos que parecem abandonados pela vida, estão algures, no mundo dos sonhos!

Abriu os olhos, olhou para o seu lado e lá estava ele…, num sono profundo, completamente indefeso, lindo…, e ela pensou…- acordei feliz! Obrigado meu Deus, por esta felicidade! É tão bom sentir o amor, sentir que somos queridos, desejados e protegidos! É a nossa alma gémea, aquele que nos completa, que nos deixa numa plena e completa paz, como se de uma alma apenas se tratasse!

Aos poucos ele começa a acordar e ela finge que ainda dorme…, então ele começa a acordá-la com beijos suaves, como se fossem um sussurro, um arrepio gostoso na pele... e ela move-se devagar, ele continua a beijá-la no pescoço, arrepios que lhe percorrem o corpo, mas continua sonolenta, ele começa a percorrer o corpo dela quase sem lhe tocar…, só a transmitir o calor das suas mãos…, ele move-se devagar como um acto de magia, move-se ao leve tocar das sua mãos, - mesmo a dormir… - Hum… ela está a ter prazer! Aos poucos ele chega-se mais para ela, que sente o seu cheiro, já impregnado de prazer…, começam a fazer amor num acto suave, sem pressas, até que as suas almas e os seus corpos explodem num géiser de prazer absoluto…!

Adormecem cansados, mas completos, felizes, como só os amantes apaixonados se sentem. Eles são amigos, casados, namorados, cúmplices um do outro.

Acordam com o sol quase a pôr-se… a noite próxima pintava o sol de uma cor laranja e o céu de um azul esplêndido, como se fosse um quadro.

Ele acorda-a e depressa se vestem, ela não sabia porquê… Porquê??

- Depressa! - Ele diz-lhe…, temos que ir a um sítio…, ela incrédula… – mas onde? Saem de carro, apressam-se…para um lugar qualquer.

Já na estrada, com algum tempo percorrido, ele pára e diz-lhe que tem que fechar os olhos…, mas porquê? Pergunta ela…

- Não confias em mim? Tens que fechar os olhos!
Ela fecha-os, confiando nele como sempre fez.

Ela sente o carro a parar … e ele diz-lhe… – já podes abrir os olhos!

Ela abre-os devagar e o que vê…, meu Deus…, as lágrimas caem-lhe pelo rosto, não de tristeza, mas de tanta beleza.


Á sua frente vê uma praia linda, um caminho por entre palmeiras, ao fundo archotes a iluminar um sitio à beira-mar, velas em redor, um manto sobre o qual havia um manjar digno de princesas… meu Deus, um mar lindo, um pôr-do-sol magnifico! Era um piquenique à beira-mar… um sitio paradisíaco…

Ela nem queria acreditar, uniram-se mais uma vez, num acto de amor como nunca tinham alcançado.

Felizes a olharem o mar, enquanto o sol se escondia, ela ainda pensou… murmurando para os seus desejos: - Estarei a sonhar? Será que tudo não passou de um sonho a dois?

Sonho ou realidade? Deixo à vossa imaginação!


(Será este o melhor presente para oferecer á nossa Alma Gémea?)

domingo, janeiro 20, 2008

Regresso

Estou cansado!
Farto das melancolias da vida. Das iras de quem me combate no labor dos meus dias…
Estou faminto!
Das musas dos sonhos perdidos e em que as recuperações são jogos eruditos. Dos jogos tradicionais que esvoaçam na memória. Das alegrias sentidas sem que percebesse a sua poderosa sensação e em que nunca imaginava o quanto iria sentir…
Estou neste lugar do Mundo, perdido, à espera de ser removido com a consciência de que outrora era desprovido.
Hoje! Quero voltar à minha infância e por lá permanecer por tempo interminável…

Estou cansado! Mas ainda encontro forças para viajar…

sábado, janeiro 19, 2008

Pasmos da Passagem…

Com quatro madeiros
fiz a minha jangada
atados com fitas de esperança
para atravessar o rio dos herdeiros
que na vida encontraram a herança
tão própria e desejada.
Fiz a viagem
entre os últimos e os primeiros
focado na miragem
de poder ser… talvez um dos pioneiros.
Lutei
perdi e ganhei
com rebeldes verdadeiros.
E da minha própria experiência
quis ousar beber o sumo
achado e conquistado por excelência.
Iludam-se os matreiros
neste meu corpo ansioso
ficaram as cicatrizes de um idoso.

quarta-feira, janeiro 16, 2008

Sentimento

Hirto é o desejo
como a flor
ou como a dor
que não tem fim.
Bela é a sensação
quando adorna o coração
de jeitos e de fantasias
sentidas assim
num mistério fosco
desse traje de pérola marfim.

E a lua sorri
nesse cúmplice movimento
pela noite escondido.
E o amor sente-se perdido
encolhe-se assustado
fica calado
na espera do acontecimento.
E o ensejo
do teu beijo
alteia o concreto sentimento.

terça-feira, janeiro 15, 2008

Revoltada

Revoltada. Ela estava revoltada e caminhava junto ao rio. Os seus movimentos eram internos e esboçados na personagem do maestro. Nem reparava em si. A verdade é que nem em si nem nos outros, de tão envolvida das razões da sua vida.

A distância que já percorrera era imensa, distraída, tinha andado muitos quilómetros sempre em frente. Envolvia-se entre os seus problemas e na busca das soluções.

Indecisa. Confusa. Numa luta ardilosa pelo seu estado equilibrado, deixava-se perder…fugia do mundo e de si!

O cansaço chegava lentamente, as suas forças diminuíam como se fossem uma tortura e dominavam o seu corpo inebriado de jovem mulher. Sentia o vento forte no seu rosto ainda que os seus olhos fossem ofuscados pelo sol.

Parou em lugar nenhum, perdida das realidades e das necessidades, perdida do espaço onde estava, o qual desconhecia. Sentiu a areia macia fazer de cama e extasiada, sentiu uma estranha transformação que associou à queda que deu, rápida e concisa.

Nem o tempo saberá dizer, quanto tempo passou. O corpo acordou atacado por uma onda mais rebelde. As mãos percorreram o rosto e detectaram uma tímida penugem, desceram ao peito, liso, sentido uma companhia peluda.

Acordou… homem!

Escondeu o passado e seguiu o seu caminho. Jamais voltaria a desperdiçar um minuto da sua nova vida.

domingo, janeiro 13, 2008

Porque é que nós existimos?

Se a ceara cresce em união
e o tempo sorri
pergunto-te a ti
porque é que nós existimos?
Seja qual for a resposta
aceito a aposta
que nunca tal saberás
porque por vezes mentimos
ávidos…
das respostas fugirmos.

Enganados do espaço
ritmados lunáticos
estamos famintos de viver.
Sem noção estamos a crescer
laicos
prosaicos
para que possamos provir.
Porque razão?
Existimos…magna ilusão
somos o verbo… destruir!

sábado, janeiro 12, 2008

A Palavra

Deixo as palavras. Assim sem mais… numa despedida inesperada e por isso talvez repentina.
Das palavras sobram os escudos com os quais me defendi. Outras vezes, das palavras se soltaram armas poderosas com as quais feri para não morrer…mas nunca quis matar!
Que resta agora? Não mais que um passado vivido e apagado.
Os castelos que construí estão habitados pela minha imagem segredada na minha ausência, as barreiras quebradas agora que não sou encontrada.
Os fundamentos são a terra que cobre o meu corpo, inerte, neste emblema escuro com que me escudo. Do silêncio solto energias invisíveis para os que amo, quero que nunca duvidem desse meu sabor. O sabor sentido com o corpo todo. A tempo inteiro. Mesmo que eu solte uma lágrima, de despedida, nada moverá a minha condição.
As palavras continuarão. Sem mim, mas continuarão.
Talvez o mundo tenha outro valor. Talvez a vida seja melhor. É no poder das palavras que gostava que encontrassem essa forma de amar.
Hoje fui de viagem à boleia do destino, fui em nome da mulher que ousei ser, para lá do Júpiter (que nem sei muito bem de qual parte, positiva – negativa) sem mais.
Ninguém saberá se voltarei, transformada de cavaleiro das touradas da vida ou de mero embaixador da paz apetecida e tão distante.
Se voltar, serei o expoente dos limites positivos ou o negrume dos incansáveis destabilizadores do universo. Se voltar, serei qualquer coisa que não consegui ser.
Resta-me a palavra. A mesma com a qual nasci, a que esteve juntinha a mim enquanto cresci e que agora se separa por quanto já não a precisar…
Deixo-a… como me deixo aqui, levada em prantos de não a ter explorado até aos confins do maior imaginário que existiu dentro de mim…
Parti!

Cassandra

sexta-feira, janeiro 11, 2008

La Palabra

Dejo las palabras. Así sin más… en una despedida inesperada y por ello quizás repentina.
De las palabras sobran los escudos con los cuales me defendí. Otras veces, de las palabras se soltaron armas poderosas con las cuales herí para no morir…pero nunca quiso matar!
¿Qué resta ahora? No más que un planchado vivido y borrado.
Los castillos que construí están habitados por mi imagen segredada en mi ausencia, las barreras rotas ahora que no soy encontrada.
Los fundamentos son la tierra que cubre mi cuerpo, inerte, en este emblema oscuro con que me escudo. Del silencio suelto energías invisibles para los que amo, quiero que nunca duden de ese mi sabor. El sabor sentido con el cuerpo todo. A tiempo entero. Mismo yo suelte una lágrima, de despedida, nada moverá mi condición.
Las palabras continuarán. Sin mí, pero continuarán.
Quizás el mundo tenga otro valor. Quizás la vida sea mejor. Es en el poder de las palabras que gustaba que encontrasen esa forma de amar.
Hoy fui de viaje a la boleia del destino, fui en nombre de la mujer que osé ser, para allá del Júpiter (que ni sé muy bien de cuál parte, positiva – negativa) sin más.
Nadie sabrá, se volveré, transformada de jinete de las corridas de toros de la vida o de mero embajador de la paz apetecida y tan distante.
volverse, seré el exponente de los límites positivos o el negrume de los incansáveis destabilizadores del universo. volverse, seré cualquier cosa que no conseguid ser.
Me resta la palabra. La misma con la cual nací, la que estuvo juntinha la mí mientras crecí y que ahora se separa por cuanto ya no a precisar…
Dejo-la… como me dejo aquí, llevada en llantos de no a tener explotado hasta a los confines del mayor imaginario que existió dentro de mí…
Partí!

Cassandra

quarta-feira, janeiro 09, 2008

Só Mais Esta Noite!

Sinto-te envolta na névoa dos sentidos. Sinto as cordas que amarram o teu desejo e que ferem o teu corpo emergente dessa tortura inacabada.
Vejo os teus sonhos, de esperança e de liberdade, a fugirem da tua cama no silêncio da noite escondida e fria. Vejo o teu corpo, ardente, que repousa, desgastado, das batalhas evocadas contra ao vento… um vento que sopra de todas direcções!
Sinto o teu acordar… vejo esse sorriso por acontecer. Uma palavra pensada que nunca vais dizer e no espaço de um passo, deixas cair um bom dia…
Revigorada! Avanças para esse novo dia.
Nunca saberás que a noite foi tumultuosa, nem sentirás o esforço empregue nessa missão enjeitada de laços de desejo… é segredo.
Só as paredes sabem, pintadas de um neutro sabor e nunca dirão as viagens que aconteceram… nunca, por outras cores que as pintes serão sempre mudas.
E o cansaço trai-te, empurra-te para mais uma noite longa. As paredes abrem-me um espaço para entrar em segredo. Fico só mais esta noite!

segunda-feira, janeiro 07, 2008

“Um Passeio De Amigos” - Conto

Verão! De um ano qualquer. Um ano que já vai longe. Em que quatro amigos combinaram dar um passeio naquele fim-de-semana prolongado.
Como grandes amigos que eram, não tiveram grande dificuldade em escolher o destino do seu necessário passeio, dado que, normalmente, estavam de acordo e como os gostos eram comuns quase tudo era fácil…
Uma boa janta, seguida de uma boa tertúlia sobre a escrita era, só por si, um forte e óbvio motivo para estarem juntos, quiçá, por vontade própria, para sempre!
Cada um tinha jeitos próprios para o seu tipo de escrita, Tico era o mestre dos contos, já a Teca, mulher madura pelas experiências da vida era mais vocacionada para a prosa poética.
Depois existia a Tesiana de quem saíam maravilhosos poemas de esperança, fruto da sua tenra idade.
A Tina, que pouco escrevia, era a leitora obrigatória de todos, a crítica e a que encorajava todos a não pararem de escrever, movida pela sua insaciável necessidade de ler e pelo seu grande apreço pelos bons amigos.
Aquela viagem já estava programada há muito, repetia-se sempre que o calendário abria a possibilidade de mais uma ponte. Porque todos trabalhavam, tinham que aproveitar estas benesses que, ao longo do ano, apareciam. Mudavam apenas o destino uma vez que gostavam de conhecer sítios novos, do Minho ao Algarve, porque para o estrangeiro nunca tinham ido em conjunto. Mas se juntassem as viagens de cada um, teriam um bom curriculum conjunto, Espanha – Itália – Suíça – Alemanha – Macau – Moçambique – Canadá – Polónia e Luxemburgo eram destinos já conhecidos.
Mas aquela viagem seria ao interior de Portugal, a uma terra desconhecida de nome Belmonte, uma vila portuguesa no Distrito de Castelo Branco, região Centro, com poucos habitantes. Tinham reservado uma casa de turismo rural.
Os dias eram preenchidos pelas visitas aos monumentos em redor, pela história de uma povoação escondida e com identidade própria. Intervalados apenas pelas grandes refeições degustadas entre palavras, e com o tempo escondido porque ali não havia pressas…
As noites eram mágicas. Apenas os quatro. Preenchidos de bens comestíveis, pois os petiscos não faltavam, devidamente acompanhados por magistrais bebidas escolhidas com todo o critério.
Houve uma noite que o desafio foi diferente. Decidiram fazer uma peça de teatro. Como eram apenas quatro, decidiram que cada um representaria sozinho tendo como plateia os outros três.
Foi uma primeira noite de risos constantes, as horas caíram tatuadas por gargalhadas sobrepostas e a magia aconteceu no meio de tanta alegria.
Naqueles momentos não tiveram noção de nada. Sabiam que eram felizes e que a vida lhes sorria. E era suficiente. Não perceberam que tinham sido os pioneiros de uma nova fonte de humor, de um teatro diferenciado. Ainda actuaram muitos anos para escolas, de uma forma gratuita, por mero amor à causa…
Hoje todos conhecem essa vertente. A Stand-up comedy é universal….

domingo, janeiro 06, 2008

Eternidade

Há uma música. Oiço-a de fundo.
Soa-me uma voz celestial
perpétua
longe do mundo
a voz… talvez tua
distingue-se do banal.
Nuvens que passam
num gesto profundo
verdades que deslassam
num pequeno segundo.
Não há vida
que não fique perdida
que não acabe no mundo.
Deixo-vos poemas
relíquias de um pobre
de diversos temas.
Deixo-vos o meu amor profundo
junto da minha verdade
...não existe a eternidade.

sábado, janeiro 05, 2008

Caminhos Sentidos

Declamei aos demónios
poemas de amor.
Ancorei em sinónimos
para que sentissem a minha dor.
Devassos riam…
ignorando o meu desejo
fugiam,
do nobre lampejo.
Sem que pudessem acreditar
nessa armada
das palavras que nunca sucumbem
e que me fazem sonhar
tentei o consentimento aliado.
Declamei versos e prosas
clemências da minha emoção
trouxe as mais belas rosas
do jardim do meu coração
nunca expostas
para agradecer a sua paixão.

sexta-feira, janeiro 04, 2008

Beijo Absoluto…

Campos verdes. Desenhados por uma arte imaculada, que por ser tão dedicada surte o efeito, eleito, quando olhada de ângulo genuíno…
Mensagem ligeira. Sem que se saiba o seu destinatário, abunda por entre os silvestres moribundos do sentido enigmático ali exposto sem qualquer resguardo as intempéries da vida.
Conexão tão próxima e tão distante. Tão nomeada e desconhecida…
Prospera a aura da felicidade, num campo que de invisível é ilimitado e que tem um aroma de chocolate, derretido, quente e frio, que nos atrai inconscientemente.
Cidade do nunca. Momento de ninguém. Flor que já nasceu nesse canteiro do mundo, onde o vento levanta o pólen nessa mega missão do além.
Que deserto! Onde ver alguém é um manifesto e prosaico acto de ilusão, nasce do chão que outrora foi pisado, a alegria de alguém… nasce para que possa simplesmente morrer!
Campos castanhos. Cansados de esperar… enfados dos nadas constantes, emergem no grito, tumultuário, de quem deixa a esperança cair dos braços enfraquecidos…
Se tivesses, acreditado… se deixasses o teu limo moldar a tua vontade, fortalecendo-a, com a vontade dos vencedores, dos bárbaros lutadores…se…

Nunca vieste!

Bastava acreditares que estaria aqui…
Bastava vires… ao meu encontro e sem medo de agir, esperava-te…um beijo absoluto!

Quem impede o beijo do chocolate derretido, quente e frio, nessa flor sonhadora?

Seria o nosso beijo absoluto… o início do nosso mundo em que sempre acreditaste, seria o povoar das terras pisadas pelo amor, a inocência das infâncias abundantes e um novo paraíso, estendido por essa planície brava!

Tudo seria diferente, com esse nosso beijo absoluto que ficou por acontecer…

Ficou perdido. De luto. O beijo absoluto!

quarta-feira, janeiro 02, 2008

Poemas Declamados

Poesia de Paulo Afonso Voz de Luís Gaspar

Grato, ao Luís Gaspar, pela amabilidade e pela generosidade de emprestar a sua magnífica voz para divulgar a minha poesia.
É assim, para mim, uma excelente forma de começar este ano de 2008. Quero partilhar este momento especial com todos os frequentadores deste blog, dedicando a todos este momento pelo grande apoio que sempre aqui recebi.
Obrigado a todos.
Um excelente ano de 2008.
Paulo Afonso

Link: (aqui ao lado direito em cima)
http://www.estudioraposa.com/
Lugar aos Outros 77

terça-feira, janeiro 01, 2008

Amor

Terna é a flor
que serena floresce
sorri e a dor
desconhece.
É Amor
e não parece
é uma chama
no meu jardim
é a imagem de quem ama
a crescer sem fim.


Terna é a flor de Amor… silenciada
vive sem ser anunciada!

segunda-feira, dezembro 31, 2007

Carta de Ninguém

Sou eu que vos escrevo, Ninguém. Não me conhecem pois já não estou entre vós. Aos que comigo conviveram e a quem ainda amo, perdão, mas não me reconhecerão.

O que me faz sentir não acabou! Percorri a vida de humano em paralelo com as falhas e os erros e nas virtudes que almejei conquistar muitas não as consegui. Subi as noites na escalada dos frios solitários que intimidavam o meu querer.

Enquanto existi, soube amar e reconheço que fui amado, embora por vezes não o demonstrasse.

Agora que estou deste lado, o lado que desconhecem e que sobre o qual não me posso alongar, vejo, com outra percepção, as coisas infundadas da vida, como as materiais que tanta importância lhes dão, um pouco como lhes dei enquanto aí estive.

De nada adianta. Quando o fim da estrada chega ficam todos perdidos. Só nos restam os amores imperfeitos que, de abandonados nos desagregam dos seus corpos e da sua própria alma. Resta-nos os poucos amores-perfeitos, que, de tão poucos serem, são fáceis de reencontra-los.

É então que a mudança acontece. Física. Voltamos ao mundo transformados de uma qualquer espécie na esperança de um acesso. Mas é como uma cilícia, não nos reconhecem e nada podemos dizer porque não temos voz. Os nossos gestos são ignorados ou até interpretados de forma austera. Matam-nos de medo!
Voltamos (somos muitos por aqui, mas nem todos querem ou podem voltar) repetidas vezes, sob disfarce, vestindo outras peles e o melhor que recebemos é um desprezo monumental. Estamos tão próximos, mas tão distantes no Universo em que nada acontece.

Vemos alguma saudade partir, vemos o quanto as pessoas mudaram sem se aperceberem. Damos uma mão de ajuda sem que a sintam e nunca conseguimos dizer, ou fazer, o que em vida ficou por acontecer…

Seja Gato ou Cão, Pássaro ou outro animal qualquer nunca o saberão, mas estarei sempre por aqui para vos acompanhar até ao dia em que vos tenha que receber!

Aproveitem a vida, a vossa vida, ao máximo, enquanto puderem, entendam essa regra porque depois de nada valerá…

Não voltarei a dar um sinal, portanto, não voltarei a escrever…


Ninguém
31/12/07

domingo, dezembro 30, 2007

Mundo Inquieto

O mundo está inquieto. A informação abunda e isso preocupa-nos mais, porque as noticias que constantemente chegam são terríveis. O erro, a guerra, o vírus, e a loucura são apenas alguns exemplos que nos levam ao medo porque todos os exemplos estão implicitamente ligados ao subconsciente que nos encaminha para o perigo que se chama morte…
Afinal não é disso que todos fugimos e que ninguém conseguirá escapar?
Fizemos a viragem de século com festa e muita alegria, entramos numa nova era num novo século que se dizia muito melhor e o que vamos encontrando?
Guerras, armadilhas e outros dissabores.
O mundo está inquieto. E nós deixamo-nos levar pela onda fácil que nos leva de arrasto, num mundo onde tudo acontece numa velocidade tresloucada.
No fim, tarde demais percebemos os erros que cometemos no impulso da vida e descobrimos que há valores aos quais nunca demos qualquer relevo embora nos façam tanta falta… Saúde e Paz!
E neste ano que se aproxima, posso desejar-vos isso, Saúde e Paz, certo de que será uma boa meta a atingir e na esperança que todos a possamos valorizar…

quarta-feira, dezembro 26, 2007

Para Ti Rosa Maria

É Natal!

É a hora da ceia. Os teus familiares estão na mesa, na tua mesa preenchida de comidas tradicionais que a época exige.

Tu! Com o teu rosto feliz, sentes a magia de cada momento como ninguém, sentes o amor de cada Ser que se entrega com a sua presença.

E ainda assim… tens espaço e tempo para pensares nos amigos, para desejares que venham até ali, nem que seja em pensamento num pequeno momento…

E como que por magia, é esse o convite que recebo trazido pelas ondas da amizade e do pensamento num caminho feito de barreiras sempre ultrapassadas.

E eu não resisto. Vou em voo sereno e aproveito para parar por tantas casas em que também desejei estar sem que alguém me visse…

E os sorrisos felizes das crianças deixaram-me enlaçado no sublime mundo da alegria e da inocência. Cheguei a parar no tempo…

Cheguei atrasado... pois perdi-me por esses caminhos, mas nunca desisti de chegar.
Agora que cá estou deixo-te a minha singela prenda:

Uma caixinha pequena que quando aberta, liberta a mais envolvente alegria e enorme amizade!

Toma!
Segura-a... é tua por direito.

E antes de partir deixarei um beijo de saudade.

Voltarei ano após ano ou sempre que precisares... sempre que quiseres!

Beijo afectuoso de Feliz Natal

Boas festas! Para ti amiga e para todos os teus!

terça-feira, dezembro 25, 2007

Pai Natal

Neste Natal queria ser o Pai Natal. Queria assim poder deambular por entre os desejos e pelas preocupações dos seres terrestres para poder oferecer réstias de magia que vos pudesse encaminhar para o pleno sentido alongando-o pelos restantes dias de cada vida.

Seria a minha singela prenda de Natal. Não teria preço nem seria preciso agradecer, simplesmente aconteceria sem que soubessem de quem ou porquê…

Saberiam apenas que tinha sido quando o Pai Natal passou por as vossas vidas e sem haver um porquê… entenderiam que seria melhor aceitar tão generoso presente sem questionar o quer que fosse.

Podíamos dividir o ano em diferentes fases para podermos usufruir de tamanha dádiva, sendo que a maior parte seria atribuída as crianças e nós… seríamos também.

E o mundo seria tão bonito! Porque as pessoas viveriam de sorrisos, de carinhos e de boa vontade numa entreajuda natural… seríamos uno!

Queria ser… Pai Natal!

(… e se isso nunca acontecer, deixem-me apenas ser vosso amigo, será sempre a vossa prenda que trago comigo!)


24/12/2007
PauloAfonso

segunda-feira, dezembro 24, 2007

Boas Festas!

Boas Festas!

Para todos que visitam este espaço, vai o meu sincero agradecimento, pela ajuda que tem dado durante o ano todo.
Vocês são preciosos!

Feliz Natal

E que o ano de 2008 vos traga muita:

Saúde
Alegria
Paz
Amizade
Amor

São os sinceros desejos deste vosso amigo

Paulo Afonso

domingo, dezembro 23, 2007

Noite

O sol raiou
a brisa apareceu
o espírito amainou
e o milagre aconteceu…

A escuridão
cobriu a cidade
uma luz de verdade
iluminou a razão!

Descobri quem sou
no espaço teu…
meu corpo
cheio de estrelas
vestiu-se de solidão.
Sou a alegria
que te embala
e adormece…

É no teu sonho
que estou
calma e serena!
Sou!
A tua noite
que te aquece…

sexta-feira, dezembro 21, 2007

Renovei-me para voltar…

Fechei-me no quarto! Sentia-me impróprio para estar junto de alguém. De outros planetas surgiam íntimos sinais sonoros na minha cabeça como um chamamento…
Apaguei a luz para poder sentir-me, para sentir que era o Eu que ali estava destroçado e sem identidade, pois não acreditava no corpo que vestia a presença.

Andei horas perdido. Cometi algumas loucuras em prol do desejo escondido e assim contido. Libertei-me de preconceitos e de protocolos sociais e o meu Eu rebelde espalhou-se por aquele quarto.
Se a luz nascesse naquele momento, encontraria um quarto dizimado e algo que pairava em círculos ondulantes…

Perdi a noção do tempo e das viagens que fiz aos subúrbios do meu Ser. Perdi a reminiscência desses passos…
Lentamente senti-me regressar. Lembro-me de os meus olhos procurarem o interruptor para a minha intenção dar luz ao novo ou renovado Eu.

Acendi a luz! Senti-me leve. Os sinais sonoros que por muito intimistas soaram-me a aplausos…
Abri a porta do quarto. Abri a porta do mundo. Senti-me voltar, num regresso aprovado.

Ainda sussurrei… quem és tu afinal?

quinta-feira, dezembro 20, 2007

Desejo... (Continuação)

Mão salvadora da mensagem, sem que escreva a dor do meu sentir… consegue criar na panóplia das cores o quadro mais expressivo que o olhar, distraído, absorve na correnteza da cor e que assim transforma a ideia.

Este quadro da noite, expresso na galeria da neblina não é mais que o desafio de algum personagem criado entre rótulos de imaginação, na liberdade da expressão.

Outrora, poemas deitados na penumbra do sonho. Hoje pinturas guerreiras do misticismo exacto são realidades absorvidas.

Sublime exposição do pintor que no quadro abstracto consegue captar as mentes que passam e enquadra-las em movimentos estereotipados…

…esse quadro chamado Desejo é hoje uma verdade chamada… realização!

terça-feira, dezembro 18, 2007

Por Ti!

Canto a verdade e ninguém quer ouvir a letra, dizem apenas que a música é boa. Declamo o sentimento e ninguém o sente, dizem apenas que o poema é forte.
Sorrio… e não respondem!
Não sou cantor nem declamar sei, nem sei se essas conjunções importam, queria apenas acordar em cada manhã ciente da vontade e da razão da vida, queria somente comunicar contigo para afastar os meus defeitos escondidos na perpétua solidão… afastando assim, os teus e na gincana da lamurias da vida, levar-te a ancorar a um bom porto.
Se o meu sorriso, conseguisse ser o elo de ligação, a ponte, entre a nossa sentença e a nossa distância…talvez nem preciso fosse a minha voz distorcida nessa música improvisada, talvez o poema acontecesse naturalmente sem ser declamado…
Tudo. Tudo faria para tentar desenhar-te um sorriso nesse rosto de chuva, trazendo-o lentamente para uma primavera apetecida em coligações colegiais traçando planos de um verão desejado e nunca conseguido.
Canto… declamo… por esse momento que tanto precisas e que tanto desejo, pois já antes o sonho se comprometera enfeitando as minhas noites com esboços de natural felicidade e assim aprendi a sorrir, pela noite, na esperança de poder ensinar-te em pleno dia de sol, num acto apreciado e desejado em comunhão…

Se esse dia acontecer… o sorriso será a nossa bandeira, não te preocupes, porque existirão amigos que cantem o hino da alegria e declamem a mensagem da esperança!

E … a vida acontecerá!

segunda-feira, dezembro 17, 2007

Mar

Mistério amor recôndito. Mar… essa pequena palavra expressa com leviandade, quase sem noção da sua força, da sua potência exposta na nossa vida.

Casa da natura, com ondas de viagens oceânicas onde a vida acontece nos silêncios da cumplicidade dos seus habitantes diversos…

Magia… das dispersas fontes de inspiração dos azuis sobrepostos. Cores desenhadas.

Areias… que sustentam um mundo escondido em segredos protegidos e proibidos.

Respeito…que as alternâncias impõem. Que as intempéries provocam…

Deste lado, em terra firme, sempre que posso vou visitar-te para acalentar a minha saudade, para sentir a tua mensagem…

Depois, depois volto as aventuras do quotidiano mais preparado e com maior capacidade para entender a vida, sempre pronto para voltar para perto de ti!

Difícil de entender… difícil de explicar esta nossa relação desconhecida…

domingo, dezembro 16, 2007

O Desejo...

Não encontro as palavras! Não sei porque se escondem, de mim ou dos que as procuram. Porque fogem entre os intervalos do sonho ou da pureza da ilusão, não sei porque se trocam, se promovem entre jogos de mistério e sedução…

Não encontro as ideias! Não as tenho comigo, nem as vejo sentadas numa primeira fila em aplauso constante. Não as sinto! Nem as minto com pequenas fórmulas de vento que empurre o pensamento…

Perdoem-me! Perdoem-nos!

Por esta capa de visionário suportada pelo desejo íntimo que suporta o misticismo de um pequeno leque de essências e perpétuas aguarelas pintadas numa noite de valquírias sedentas…

Perdão!

Pelo desejo… meu, deixado na vossa mão!

quinta-feira, dezembro 13, 2007

É Tarde. Tarde Demais!

Acordei. Num estrondo que a minha vida deu. Aconteceu. Acordei e aconteceu! Não! Aconteceu e acordei… e nada posso fazer.

Deitei-me. Deitaram-me. Numa cama estranha. Estranho era o sentido do que via e nada sentia. Estranho deitado. Bolas! O estranho era Eu!

Olhei. Olharam-me. Eram poucos, muito poucos. Procurei os olhos e o olhar perdeu-se. Procurei os sorrisos. Encontrei lágrimas… muitas lágrimas!

Gritei! Eh! Eh! Mas o silêncio foi superior. Quis sentir a dor… mas não a encontrei. Quis. Mas não consegui… Quis! É tarde. Tarde demais!

quarta-feira, dezembro 12, 2007

Solidão II

Anoitece. O Sol… fugiu-me com uma despedida tímida. Ainda contemplei as cores que vestia nessa viagem do adeus. Essa relação cor de fogo que partilhamos como nossa, extinguiu-se no silêncio dos sentimentos. Amanhã voltarás! Vou deixar-me ficar, nesta praia deserta, à espera que uma onda qualquer me traga noticias tuas. Talvez um dia… voltes numa canoa de alegria e assim afastes a solidão de mim…

terça-feira, dezembro 11, 2007

Amizade

A vida desenha-nos caminhos para andarmos de bem com ela, a razão ensina-nos os actos que devemos ter e a emoção leva-nos ao sonho…
E tudo isso é viver! Tudo isso… é a vida feita com razão nos actos vestidos de emoção em que se constrói, fundamenta, a ilustração da melhor amizade.

sábado, dezembro 08, 2007

Errar é Humano…

Hoje mascarrei-me no embuste do disfarce de uma personagem emprestada. Passei um carvão perdido pela face inocente e deixei-a abandonada á sua sorte. Abandonada e triste, com a alma destruída de jeitos repentinos e impróprios…

Esta cara, sujeita de personalidade própria não pediu nada e não lhe foi questionado o seu querer. Ninguém gosta destas coisas imprevisíveis e instáveis…

Se ao menos, tivesse avisado a minha cara para a guerra, sempre sairia um sorriso espontâneo de recusa e de alerta para o engano que se poderia evitar…

Hoje errei, ao pensar que mandava no meu corpo. Ao agir sem perguntar a sua opinião!

São tantas as vezes que erro e tão poucas as que percebo…

(Valeu-me hoje ter reconhecido o erro, assim aumentei a esperança de amanhã poder errar menos, ser melhor…)

terça-feira, dezembro 04, 2007

Lua Nua…


Noite escura
na terra de ninguém
onde os caminhos se escondem…
Noite de outrem
que sempre dura
na viagem de alguém…

Um rio calmo
em silêncio infatigável
visto do alto
pela lua grande
é terno
e acariciado
num caminho feito
para que possas passar…

Vejo o teu desenho
estampado no rosto desse rio
iluminado,
vejo esse corpo
que chega devagar…

Vejo o preto da noite
e o branco do teu amor!

Resta-nos a cor
rosa…
roubada no canteiro
da nossa dor!

domingo, dezembro 02, 2007

Domingo

Tocam os sinos na igreja
é domingo…
As pessoas passam
cobertas das suas melhores vestes
caminham no espaço comum
em silêncio…
Todas vão á missa
que mais parece uma procissão
é domingo…
E o momento,
é de limpar as almas
carpir as mágoas
e lavar as essências…
da semana que passou
ou da que virá?

É domingo…
tocam os sinos
como um chamariz
não perguntam
e ninguém diz…

Na igreja todos se vêem
todos se conhecem
e tudo isso basta!

É domingo na igreja…
… da minha aldeia!

sábado, dezembro 01, 2007

A Vida!

Essa mescla de sentidos
nobres
de ilusões e sonhos
feita das ondas
que acabam num praia
deserta…
A vida!
Essa alegria arco-íris
fugidia
esse saltimbanco
inquieto
que nos dá a emoção.
Grita-nos,
os caminhos
mostra-nos
as etapas
e nós…
ordeiros
seguimo-la!

A vida…
Somos nós!

quinta-feira, novembro 29, 2007

A Arte da Polémica...

Se queres ser lido… não concebas a arte mas antes a polémica!
Se queres ser compreendido… não alimentes a polémica mas antes a arte!

Paulo Afonso 29/11/2007

quinta-feira, novembro 22, 2007

Descobre-te…

Cruzo as palavras… em sequências apetecidas para que o efeito seja mais perceptível, amontoo-as em forma de pirâmide como se fossem uma arma com a qual defendo o meu castelo de ilusões, concebo o projecto da ideias para que possa vestir cada palavra e para que cada frase possa ser adornada por múltiplos efeitos com o desejo comum de faze-las felizes, para que brinquem umas com as outras, estejam onde tiverem… letra após letra, como velhas amigas de sempre!
Mas existem vezes em que a vontade é de esconder as palavras ou expô-las mascaradas para que confundam os olhos que as espreitem…como se de um jogo se tratasse!
A vida é mesmo assim, uma mensagem que sai de um jogo… e a vantagem é ganha por quem consegue perceber o jogo e os predestinados são aqueles que depressa entendem a mensagem de cada jogo… de cada vida.
Devemos aproveitar os momentos, com a mesma energia e o mesmo rigor, saborear cada instante com uma vontade indubitável, quem sabe se os poderemos repetir?
Devemos escrever sempre que o desejo pedir, quem sabe se poderemos enviar cada mensagem?
Com a magia das palavras e a simplicidade de cada partilha podemos jogar, brincar com cada letra, na construção de cada momento que não se repete, com a consciência do que somos… (11918818121322189128 – 2312 – 722141112). Descobre-te nos números! Descobre-nos… com as palavras faz o jogo contigo através dos números… para que possas dizer cada letra, construindo cada palavra para que consigas a frase!
Como na vida… é uma questão de oportunidade e de rapidez de resposta…

Depois pinta as letras, cada letra de uma cor mais luzidia… acrescenta flores em cada palavra circundando-a como de jardins se tratassem e na frase feita deixa suspensa no trapézio do circo da vida, á espera que os aplausos recomecem… dia após dia!

sábado, novembro 17, 2007

…O Meu Mundo das Palavras!

Quando me sento á secretária para escrever, entro no meu mundo secreto, local por construir e por definir os caminhos do desejo.

É nesse mundo, por realizar, que dou asas á imaginação para satisfazer os sonhos das personagens que habitam dentro de mim…

Sendo o meu mundo, tenho o poder de decidir o que quero que aconteça ou que esteja bem presente, porque é um mundo feito das palavras escolhidas, ditas ou por dizer sejam pensadas ou apenas sejam simples palavras sentidas!

É nesse marasmo das palavras que escolho a capa da revista com a trágica notícia da morte da personagem, da situação ou da emoção.

Ou invento o mágico que pode ser bailarino consagrado, que pode nem ser nada mas que tem a acção certa no momento oportuno e que com o seu acto singelo oferece a felicidade a alguém que ame e assim proporciona uma viagem conjunta ao outro mundo também imaginável para a grande maioria das pessoas reais…

Posso trazer os amigos, posso criar novas amizades ou namorar, posso amar-te e deixar que me ames da forma que quiseres, onde quer que estejamos… não há barreiras nem distâncias que impeçam os desejos!

Entro e saio desse meu mundo as vezes que quero, sem pedir ou sem aviso prévio… e ao expor esse mundo abro a minha porta aos que me visitam num tempo sem limites para que possam ficar ou para que possam voltar sempre que quiserem.

Deixo-me nas palavras…
Entrego-me ao sabor de quem as lê, num segredo cúmplice entre ambos que guarda o nosso tempo já consumido desta vida que acontece a cada instante.

Mundo fantasia sustentado por pequenas facções da realidade de ninguém é uma simples herança, propriedade do culto ou um simples jogo de vida… é o meu mundo, o das palavras, dos sentimentos e das ilusões, sendo meu quero que seja teu também…

terça-feira, novembro 13, 2007

O Astro

Desci do autocarro na paragem das avenidas perdidas e perdido estava eu, ali, envolto nos trapézios das personagens esquecidas, também elas perdidas das histórias por escrever ou já escritas e ainda por contar, tal como aquele lugar que desconhecia.
Esquecido do motivo que justificava a minha presença naquele espaço interminável, foi o discernimento a empurrar-me para um passeio de estudo dos movimentos enraizados…
Sem cansaço aparente…parei para pensar no caminho de regresso e nem sequer consegui recordar como ali tinha chegado… olhei para o relógio do tempo e percebi que tinham passado anos, anos de luz, sem o brilho que tanto esperava!
Sentei-me num banco feito de mármore, creio que de um banco se tratava, para perceber o que acontecia… primeiro, o pensamento desconfiou de quem era eu!
Depois, a conclusão foi lúcida e fugaz, como a passagem pela vida o tinha sido, o astro que nunca o foi, neste mar de pretendentes efémeros…
Ainda hoje, ninguém sabe se algum dia dali o corpo sairá ou se por lá continuará, á espera do momento de glória que tanto seduziu a vida daquele pretenso astro do mundo ilusório e momentâneo…

sexta-feira, novembro 09, 2007

Quero-te...

Estejas onde estiveres, nesse mundo fantasia, quero-te nas profundezas do amor e nas intimidades do acto consumado, para que saibas que a paixão é um mero caminho para a consolidação dos corpos extasiados pela magna noção da épica condição do Ser.
Quero-te… despida de preconceitos na magia do luar que abrilhanta a nossa condição de dois amantes da vertente lunática do mundo que gira em movimentos iguais, e nós, em gestos ritmados fugimos a esse mundo em viagens lunares como dois… elementos da terra prometida. Procuramos, em segredo, construir o nosso próprio…paraíso.
Quero-te… sedenta de palavras, as que embalo para oferecer-te como uma flor ou como um castelo para que possas viver nesse mundo principesco das maratonas da fantasia.
Ainda que o tempo, esse marasmo que se apodera das nossas horas perdidas nos afaste dos nossos desejos, nos invada com barreiras reais que a vida nos faz nascer, ainda que os atropelos possam protelar a nossa conquista feita de persistência, ainda assim, quero-te… enquanto souber que poderás existir escondida num corpo qualquer, enquanto sentir que também me queres, Musa vestida de amor, despida pela carícia cor do sol, serás o meu luar das minhas noites de solidão, enquanto o nosso caminho não se cruzar na utopia do segredo em sequencias mágicas que adornam o nosso querer.
Quero-te … Musa vestida de poetisa nesse corpo de mulher!

quarta-feira, novembro 07, 2007

O Amanhã



Navego no rio cor de fogo
sinto-te…
nessa árdua ausência
e o pôr-do-sol
foge-me… das mãos
como este dia enigmático.
Navego só…
com a solidão das águas moribundas

por ora,
sinto-me assim

preso nos desejos
no seio das inépcias

o que tiver que acontecer…
só o amanhã dirá!

segunda-feira, novembro 05, 2007

O Convite!

Sussurraste-me ao ouvido… um convite tímido!
- Querias que escrevesse sobre a poesia! …pode ser?

Senti-me constrangido e quis dar-te algo perceptível…

Abri as escarpas da nossa vida para proporcionar ao momento, sustentado por um amplo desejo, a possibilidade de que ambos palmilhássemos o mesmo caminho em direcção ao reino da poesia.
Fomos em alegre cavaqueira que nem nos apercebemos da distância que caminhamos, tão longínqua, em que cada vez mais nos afastávamos da nossa realidade, que assim nos enquadrava noutro mundo sem medo e por isso, sem a consciência do acontecimento.
Subimos aos píncaros na calada das horas e nem sentimos a emoção de cada minuto na passagem pelo anseio em que as ideias se cruzavam com os subtis segundos do tempo, devasso, na conquista da aventura das palavras e na sapiência dos sentidos.
Tu e Eu! Dois aventureiros em melancolia, provocada pela solidão de quem atravessa dois mundos paralelos e díspares…
Porque quiseste passear entre dois fogos factuais e de espaços permeáveis á reticência humana?
Nem tão-pouco poderíamos mudar o curso das águas, caudais ou marés, para que nos transportassem para o outro nosso lado, o do mundo real.
Chegamos ao reino da poesia, uma tribo de pessoas diferentes e iguais (como os dois mundos) receberam-nos de braços abertos. Em primeiro lugar estava o pai da poesia, membro mais velho do clã, rodeado por inúmeros aprendizes de poesia.
Sussurrei-lhe ao ouvido… um pedido acanhado!
- Queria que escrevesses sobre a poesia! …pode ser?

De olhos fitados na minha companheira, ele entendeu a minha missão, e num gesto inesperado no levantar do braço de mão estendida, originou o aparecimento de alguém com um lápis e um pequeno papel. Ergueu a cabeça de olhos fechados, num movimento lento, baixou a cabeça e projectou os olhos naquele pedaço de papel, escreveu, dobrou o manuscrito e entregou-me num agarrar de mãos…
Foi a vez dele sussurrar-me ao ouvido… um pedido!
- Vai… e leva-a pelo caminho da felicidade…
Agradeci com um sorriso e peguei na mão da minha companheira, num gesto copiado, pronto para uma viagem eterna.

Ainda antes de regressarmos ao “nosso” mundo, paramos na sombra da árvore da compreensão num descanso retemperador e ambos lemos o papel… que definia a poesia ou a forma de a construir, onde se podia ler:


Olha em redor…
Sente e fecha os olhos!
Esmera-te na procura das cores
agarra os teus pincéis (da vida)
e pinta
os
as
tudo o que sentiste
mesmo que a dor… persista
ou a emoção desista
pinta
e oferece ao mundo…

Liberta-te!


Desde esse dia, dois corpos unidos viveram uma única vida… a do amor!
Desde então, uma felicidade constante ornamenta os nossos dias…

sexta-feira, novembro 02, 2007

Para Ti Poetisa

Os teus olhos de paz conseguem ler-me nas frases escondidas, conseguem auferir a veracidade de cada sentimento meu exposto ao vento e ao abandono de um qualquer comentário mais abstracto…
São os olhos da esperança que buscam o alimento para aquecer a alma em cada noite fria e solitária, são a arma que combate o presente… numa luta desmesurada por um amanhã quente e radioso. (São os teus ou os meus!) O teu corpo não cede…
Olhos! Encontram-se com os meus no céu azul, olhos que se fixam, no verde esperança da montanha que conseguiremos ultrapassar na caminhada para o paraíso. O teu corpo pede… (Será teu ou o meu?)
Mas é o teu sorriso que me guia, o seu brilho ilumina-me o caminho que palmilho no silêncio de cada noite na esperança de encontrar o teu rosto ansioso do momento.
Cada palavra é uma ponte que nos une. Cada desejo é uma força que nos fortifica.
Cada nascer do sol é aproximação do nosso objectivo, que está cada vez mais perto…
Um dia, depois dos caminhos ventosos e de ultrapassar os Alpes invernosos, de passar as planícies primaveris, irei encontrar-te numa tarde de um Outono distraído imerso numa singela tristeza vestida de saudade e eu apareço para abraçar-te…
E é nesse pôr-do-sol em que estaremos á porta do nosso destino, com um sorriso cúmplice, que deixaremos entrar mais uma noite diferente de todas as outras… será a nossa noite perfeita!
Espera-me! Poetisa do meu mundo fantasia…

quarta-feira, outubro 31, 2007

31 De Outubro de um ano qualquer…

É hoje que mais um ano passa… e já foram tantos que desisti de os contar. Estou cansado, abatido pelo tempo das controvérsias, pelas vicissitudes de uma vida vivida no limite da aventura e da ilusão…
Estou farto de viver suprimido do meu mundo, de viver escondido ou de fazer parte das noites desertas em que todos se ausentam nas viagens dos sonhos explorados.
Monólogos de tristeza, de alegrias fingidas ou de reflexões ponderadas mas que carecem de uma sustentação real e imparcial.
Não existe ninguém que possa ajudar-me! Estou farto de gritar… com os meus pedidos de ajuda, estou cansado de gemer de dor por não conseguir chegar a lado algum… se é que de dor posso falar.
Já não tenho o prazer de entrar nos corpos e assumir as suas identidades, de tantas vezes o ter feito… nada, mas nada mesmo me dá o alimento que possa sustentar a minha loucura neste mundo estéril… mesmo que troque os sentidos, nada, sustenta a carência estéril neste mundo louco e nem tão pouco, o posso dizer.
31 De Outubro de um ano qualquer perdido no século passado… morri! (Acho que morri ou então nasci, já nem sei de tão confuso estar.)
Sei que me tornei no fantasma esquecido, órfão de sucessos e de magias das noites longas ou dos dias apetecidos…
Tenho saudades! Se é que posso dize-lo, se é que um fantasma nutre qualquer espécie de sentimento…
Recordo as brincadeiras, os amigos que visito sem que eles saibam (embora poucos, muito poucos o sintam e não o assumam), recordo os amores, as viagens ao universo das fábulas do Ser ou os tempos que a memória guarda fixamente…
Ainda hoje, anos depois, sinto a vontade de voltar ao mundo real, mesmo que impedido do meu Eu, da minha Alma.
Mesmo que a memória apague o ano quero voltar para lembrar o dia que fechou a minha passagem pela terra, mesmo que recorra a outro corpo para escrever, pois só assim consigo mostrar-me num todo ou parte de mim, ponderado nesta mensagem sem destino predefinido.
Perdoem-me os incautos e os incrédulos por esta manifestação, para eles anuncio-me na data de 31 de Outubro de 1929, data da minha morte… podeis ver-me como o 6.º Presidente da República de Portugal cujo nome como sabeis é de António José de Almeida.
Mas se no ano me enganei, se na morte confiei por erro e ou por troca o fiz, (insisto, já não sei de tão confuso estar) vos direi que se neste dia nasci, então fugirei para o ano de 1902 e assumirei o perfil de Carlos Drummond de Andrade nascido em (Itabira) Minas Gerais no Brasil, Poeta por opção, e assim justifico a minha presença e desejo numa escrita feita de conto…
Seja como for, mais um ano passa e estou exausto, das histórias polémicas inventadas e das oportunidades por acontecer, para que seja reposta toda a verdade, a verdade roubada que não tive em vida e que por falta dela paguei e a verdade ludibriada depois da minha morte!
Voltei para vos dizer que agora já nada me interessa, já nada interfere porque agora sou apenas mais uma estátua algures despercebida.
Perdoem-me! Voltar aqui e assim…


Lisboa, 31 De Outubro de 2007

segunda-feira, outubro 29, 2007

Voltei…

Já percorri o caminho da solidão, todo, numa maratona sofrida. Já adormeci os meus ímpetos mais vorazes e acalmei a imaturidade do meu Ser…
Curei-me das doenças sociais, obriguei-me a olhar-me, a viver e a conviver com os meus defeitos!

Senti saudades do calor das amizades e das esperanças dos poemas feitos pela emoção da criança que existe dentro de nós, senti na ausência a distância deste mundo…

E no tempo de solidão restou-me um tempo escondido para viajar incógnito na fantasia de um marinheiro corajoso ou na pele de outro mensageiro eficaz na busca das palavras e dos sentimentos que elas nos trazem, pois são elas que nos fazem sorrir ou chorar, são elas que nos matam a esperança ou nos adormecem o desejo…

Voltei… á procura do meu prazer! Um beijo teu, um poema meu, ou um espaço por preencher… pela necessidade do ego solitário, ou da razão na paixão da vida transmitida pelas vibrações num elo do nosso desejo…

Acordei e quero que acordes comigo (se algum dia adormeceste…). Trouxe a noite de um Outono triste e só, que na mudança da hora parecia uma solução, parecia que encurtava os dias que nos separavam…

O meu sorriso (que não vês, mas imaginas) é construído por desejos deste pequeno momento em que volto á vida, em que o meu corpo se exprime em movimentos alegres… é agora que volto a ser completo, entre as palavras e os sentimentos…

Voltei! Em cada palavra estarei a olhar-te, em cada frase estarei submissamente escondido á espera que entendas o seu propósito e numa poesia qualquer irei mostrar-me mais ou numa disfarçada prosa poética gritarei as sensações da minha tímida alma. Voltei para ser simplesmente teu! Teu… e de todos!

domingo, outubro 28, 2007

Dono do Mundo

Procurei o dono do mundo
queria saber quem manda
na alegria
na emoção contida
na razão
na ilusão de cada dia…
Queria conhecer
tão poderoso
que comanda a vida
que decide entre o sim e o não…
E os caminhos que percorri
levaram-me
(a pergunta)
trouxeram-me
(a resposta)
na simplicidade das coisas
descobri…
O dono do mundo
é o coração
mas quem manda aqui
é o pensamento
que compõe o querer
de cada um…

Em cada coração
em cada pensamento
entre muitos, corpos
há um dono do mundo…

(do seu mundo…)

sexta-feira, outubro 26, 2007

Procura

Dá-me a tua mão
voa comigo
deixemo-nos planar
por baixo do céu estrelado
por cima da prata do mar
dá-me a tua mão
e encontra comigo
a palavra que procuras

os sentimentos profundos
na eleição de cada momento
mão amiga…
corpo faminto…
no gesto que invento
no rosto dos nossos mundos!

Procura…

Que a vida está dentro de ti!




Dueto com a minha amiga Vanda Paz em 23/10/2007

Obrigado Vanda, um beijo para ti.

quinta-feira, outubro 25, 2007

Noite de Lua Cheia!

Hoje vesti-me de Lua!
E de intensa luz no topo do mundo olhei para o planeta, na procura do meu lugar junto de ti! A noite escura escondeu-me algumas estradas de outras aventuras, mas a minha determinação era encontrar-te onde quer que estivesses a dormir num sono tranquilo. Percorri os infinitos lugares, passei por terras ainda por descobrir, cidades de betão, por montanhas, vales e rios de maresias.
A noite sedutora teve-me nos seus braços de capim, embalando-me a carência do meu querer em movimentos de emoção. Congratulando-se de sensações existenciais e no silêncio cúmplice trocamos desejos por realizar, numa parceria de uma dimensão universal. Em conjunto, enamoramos a vida até ao infinito. Não demos tempo ao tempo que passou, que nos fugiu entre a tua solidão de noite e a minha luz de lua. A noite em consciência afastou-se lentamente numa despedida suave, num até depois… a lua, veste minha, foi perdendo as roupas com que me vestia, perdendo assim a candura e a clarividência do meu momento. Na intimidade do silêncio fui-me transformando num corpo adormecido que acordou ao teu lado naquele quarto fechado.
Vou guardar-te segredo! Farpela de lua e abrigo da noite…

quarta-feira, outubro 24, 2007

Uma Palavra!

Uma mente sã e aberta procura na sua essência a sua própria razão de viver em cada minuto a magia mais escondida e bela, que de tão bela ser consegue iludir a sua presença.


É na afinidade do intelecto que me chamas em gritos de vácuo, num conceito da procura ou do querer. Estás só. Em teu redor existe uma imensidão de movimentos tumultuosos que te abraçam e despedaçam a liberdade de dares o teu perfume sabático…
As folhas da tua alma murmuram a palavra Outono quando se despem deixando a tua imaginação nua. Buscas o conforto num abrigo afoito na cadência do teu ego e assim, só assim és tu!


Buscas a palavra mágica que adorna o teu simples estar, apenas porque existes… sapiente, guardas a palavra que queres, entendes o seu significado em cada fragmento em cada vertente intelectual ou sentimental.


Podes reunir as energias de um todo e numa chama branda deixares-te estar nessa cabana de jejum inexequível que nada acontecerá sem queres… pensa em ti!


No âmago do teu Ser, sente a fluidez… respira e solta a palavra, apenas uma palavra!

segunda-feira, outubro 22, 2007

Pirata do Mundo

Estou ancorado ao porto
de abrigo demente
sou um barco pirata
de créditos efémeros
em que trago
tripulantes da espada
perdida…
Pompeio bandeiras do nunca
em esmeradas lacunas
sou um sonho perseguido
sou um acto por cumprir…
Envolvo-me nas marés
percorrendo um mundo imaginário
de lés a lés
entre as mazelas do sempre
e as apatias da solidão negada
sou um pirata
discordante
disfarçado…
Aguardo o assalto ao tempo
o momento oportuno
de resgatar ao mundo…

Meu tesouro profundo!

Sou o abrigo pirata
o barco demente
vestido de pomposa
anormalidade…

Sou o pirata do mundo!

domingo, outubro 21, 2007

Paulo Afonso & Manuela Fonseca


















Olho em redor,
vejo melodias…
Vejo histórias
sinto a dor!
Vejo nos teus dias
o mar…
A ânsia do querer
vejo o teu lutar
o interior do teu Ser
perdoa-me! Vejo o teu amor.

Essência da tua pessoa
da tua amizade
por seres como és… Assim!

A voz que soa…
A melodia da verdade
uma amiga para mim!

20/10/07 por Paulo Afonso


Encontros outonais
São como histórias de fiar
Olhares cúmplices
Arredondam
As árvores de ficar
Que sombreadas
Oferecem o bem-estar
Com o destino traçado

Quatro corpos
Identidades opostas
Reúnem troncos centenários
Encostados ao azul
De um Tejo
Que te observa
Que nos abençoa
E que nunca nos separa
No maior mundo
De todos os mundos

- A Amizade!



20/10/07 por Manuela Fonseca