quarta-feira, abril 16, 2008

O Cão


(Foto de Scot Steele)


Volto mais alegre. O meu Dick orgulha-me. Ainda não vos tinha apresentado o meu guardador de rebanhos? Pois é… Chama-se Dick. E é um cão muito inteligente e de uma excelente postura atlética, com o calor o seu corpo brilha num destaque inequívoco do seu tom preto luzidio. Já me deu várias provas da sua coragem e da sua amizade. É verdadeiramente impressionante como sem falarmos nos entendemos na perfeição. Ele sabe quando estou melhor ou pior, e numa simples troca de olhares emprega a solidariedade que mais preciso. Sofre comigo. Expande a minha alegria como se fosse a sua e sem que nada peça ele está sempre responsável por todo o rebanho.
Hoje tomei consciência da sua verdadeira importância, por isso, regresso a casa mais alegre. A minha palavra de hoje é para ele. Obrigado Dick!

in “Diário de um Pastor”

terça-feira, abril 15, 2008

O Poema


(Foto de: Vladimir Lestrovoy)

Madruguei. E quando o sol nasceu, entre a sua luz e o meu sono, escrevi um poema.
Quase que o deitei fora, ora, o meu rebanho não o quis… e nesta solidão, da montanha inerte, quase que adormeci novamente. Não posso! É na noite que me deito…
Mas reafirmo:




“Tenho Sono…”


Tenho ausências de lucidez
entre desejos incontidos
entre uma sorte moribunda.
Tenho seriações flácidas…
que o meu estro esconde.
Tenho rotas de juvenis decorados
entre mares dum sabatismo ortodoxo…

Fujo das heresias
Apenas e só… tenho sono!


(Sigam o meu rasto…)


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Nota Informativa:
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Sobre os versos:

“Tenho rotas de juvenis decorados
entre mares dum sabatismo ortodoxo…”

Na liberdade poética do autor a frase “ Tenho rotas de juvenis decorados” pretende aludir uma analogia simples, cujo objectivo único é o de emprestar a ideia dos caminhos dos adolescentes que na sua condição própria conseguem sempre ou quase sempre elevar o pouco (em especial da vida) que conhecem.
E, na frase “entre mares dum sabatismo ortodoxo…” é intenção referir que, ainda assim, o que se suporta (ao que atrás expliquei) é conseguido por conhecimento rígido, imposto, e na junção de ambas frases, é pretendido abonar um pouco de uma confusão subtil, quiçá, provocada pelo sono que é a base do poema.

Obviamente que o autor corre o risco de errar, como corre o risco de fugir ao seu traçado poético, mas é esse o desafio implícito que faz quando opta por criar. A criação é isso mesmo. Afinal, o autor não pretende castrar o seu sentimento quando o passa para o concreto.

segunda-feira, abril 14, 2008

Dia Seguinte


(Foto de: Elena Tanasescu)


Voltei para ler as palavras que ontem escrevi. Vejo que crescem em mim…
Hoje sinto a alma dessas letras expostas, como ontem senti quando as escrevi. Não sei, se ao lerem conseguem sentir essas formas entreabertas que se misturam na página preenchida. Volto sempre para que me alimente das letras deixadas no chão da minha folha da vida.
E na essência da mulher que procuro, que quero desfrutar, deixo-lhe um gesto da minha presença.

Com flores deixo o meu beijo presente!

in “Diário de um Pastor”

domingo, abril 13, 2008

Diário de um Pastor


(foto de: Leonid Padrul)

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No meu pensamento florescem bonitas rimas em versos destemidos para brindar.
Ergo-te nas mentes e nos alpendres em que passo para desejar noites de fantasia e emoção. E entre palavras, ditas e desditas, semeio o meu trigo e passeio o gado que me governa.
Amanhã passarei outra vez para colher o que antes semeara e assim viverei até que as forças me deixem…
Não sei se algum dia as minhas palavras chegarão a algum lugar, ainda assim, brindo-te com a minha intenção.
Deixo cair um desejo embrulhado num apertado abraço!

in “Diário de um Pastor”

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terça-feira, abril 08, 2008

Dois Irmãos


(Foto de HUNG TON)

Decorria o ano de 2000 e as pessoas recompunham-se do susto do proclamado bum da mudança de século em que muitas vozes gritavam horrores que terminavam quase sempre em que o Mundo iria acabar…

Entre quimeras, (eram 12/13 de seu propósito), vivia Letapatim, homem de vastos recursos mentais que compensavam a sua falta de destreza física, provocada por um problema que nascera consigo, que já se tinha habituado a combater, ultrapassando-o com alguma mestria.

As suas fantasias, outrora misturadas com algumas visões iluminadas, passavam por ser uma pessoa com uma vida normal, se possível, completamente dedicadas as letras, e em especial a literatura.
Sonhara escrever um livro que fosse um best-seller e criava, dentro da sua cabeça, um mundo próprio.
Arranjara uns heterónimos para fluir as suas necessidades da escrita. Ele era o Litaipe numa escrita mais em contos, o Luspub na poesia e o Lokoisopot nas crónicas da vida real…

Escrevia sempre. Entre mundos, onde o seu se movia, criava personagens nas quais mandava, e onde fazia as suas justiças, organizava planos bem estruturados para exercitar a sua mente e assim vivia escondido no “bunker” da sua casa. Tudo era feito através da Internet. Movia-se muito bem nesse mundo, compensando assim as outras faltas…

Envolvido que estava na sua condição, por vezes, e de forma dissimulada, extrapolava a sua função e sentia-se um polícia da net, onde passeava dia e noite.

Numa dessas viagens, numa cidade distante, encontrou a casa de Tapeli. Visitava-o sempre que podia, para ler o que, quase diariamente, escrevia. Havia algo que o atrai-a. Também por ser um leitor compulsivo, viaja entre as cidades da net, tornando-o num passageiro do tempo.

Certo dia, na casa de Tapeli, deixou um presente envenenado. Não tinha gostado da cor das ameixas que Tapeli tinha pintado o seu quadro vanguardista. Sem que se identificasse, deixou a sua marca de revolta, não contra o quadro ou a escrita, mas contra o autor…

Voltava sempre aquela cidade, e em especial, àquela casa de gente de bem para relembrar a sua argúcia, infundamentada, mas que lhe dava um prazer absoluto comparado ao jogo em que apenas ele jogava e ganhava…

Foram meses nesta mestria! Sem que, do outro lado, houvesse reacção, até que, um dia, Tapeli reagiu, sem saber de quem se tratava. A paciência tinha-se acercado da fronteira dos limites…

Tapeli procurou a sensatez para que os seus passos não fossem em falso. Mais que tudo, queria entender o que levava alguém a agir daquela forma, aberrante e ilustrada… Queria pensar de igual forma…

Começara o verdadeiro jogo! Agora já não era um só jogador a fazer jogadas ao seu belo prazer. Havia ataques e contra-ataques estratégicos, cravadas por plenas manobras de diversão.

Jogava-se com total liberdade, excepto na demonstração da peça inicial, que, por alguma vez assumira a sua verdadeira identidade…

E o jogo foi longe demais! Foram usados todos os recursos para que o jogo finalizasse. Tapeli apostava tudo. Já era uma questão pessoal muito para além do jogo inicial.

Até que um dia a falha aconteceu.

Luspub, Litaipe e Lokoisopot foram descobertos num corpo só e muito exposto. Estava a caminho de outro país quando foi interceptado pela CIA (Camaradas Investigadores e Amigos) que, numa operação conjunta de longo tempo, vinham seguindo pistas.

Afinal, Litoskyps, seu verdadeiro nome de baptismo fora descoberto. Tinha em seu poder uma colecção de passaportes de vários países e várias identidades. Multifacetado. Era apanhado por causa de um jogo simples que insistia em prosseguir.

A sua detenção foi manchete internacional. Era a mesma pessoa que liderava uma enorme seita através da Internet. O Guru mais procurado de sempre!
Tinha, sobre sua alçada, imensos crentes espalhados pelo mundo. Estavam a premeditar um genocídio através da Internet para breve… seria dentro de dois dias…

A CIA foi premiada com a medalha de mérito pelos bons serviços prestados em prol da sociedade.

Krupslap, o mentor das investigações e amigo pessoal de Tapeli, foi também condecorado pelo estado.

Já decorria o julgamento quando outra bomba estoirou…

A verdadeira história de Litoskups, era difundida por toda a comunicação social internacional. Ainda recém-nascido tinha sido entregue a uma família de adopção com quem vivia actualmente. Nessas mesmas investigações, descobriram que os verdadeiros pais já haviam falecido, mas que, ainda vivo existia um irmão…

Litoskyps e Krupslap eram irmãos de sangue. Uma fuga de informação originara outra bomba…

Ouvido pela comunicação social, as únicas palavras de Krupslap, sobre essa mais recente bomba foram: “Se pudesse voltar atrás, teria trilhado o mesmo caminho!”

Krupslap reformou-se dois anos depois. E Litoskups, condenado a prisão perpétua, é hoje um colaborador especial da Polícia Federal para o crime organizado, em especial através da Internet.

segunda-feira, abril 07, 2008

Um Recado


(Foto de Chung Chan)

Só as estrelas me tocam
(escusas de tentar...)
Nas vagas do tempo que está para vir,
(ainda assim é preciso esperar...)
E na preciosidade das palavras secretas
(vejo o teu olhar escondido...)
Escondo-me e apago-me
(e também me escondo... fujo)
Sem mais gestos clandestinos
(nem desejos insurgidos)
E sem a avidez dos sentidos.
(desisto… de querer!)
O sal queima-me a pele
(de uma forma subtil)
E as letras a boca quente.
(alimentam-me o Ser.)
E lanço-me ao vazio vago da escuridão,
(na ânsia e na procura,)
Num sonho e num desejo,
(sem limitações do acessos)
Envoltos em liliáceas
(visto os pecados)
Com que me cubro
(e danço em fantasias)
E espero...
(melodias do acto)
Espero-te...
(achego…)

(Dueto com Vera Silva - numa brincadeira - "arranjada" pela Stone)

domingo, abril 06, 2008

por Xavier Zarco

Hoje venho divulgar as palavras de Xavier Zarco que em http://euxz.blogspot.com/ escreveu sobre a minha escrita.

Obrigado Camarada,
Um Abraço


“Escrevo-vos sobre Paulo Afonso. Conheci-o pessoalmente há escassos dias no Alvito como referi neste mesmo diário.

No entanto, já conhecia a sua escrita. Tal ocorreu quando me veio parar às mãos um original seu para que sobre este desse uma opinião.

Ler Paulo Afonso foi um desafio curioso, sobretudo porque nos confere a sensação de entrar num universo quase diria íntimo, próximo que está, para quem assim o ler nas entrelinhas, de um registro epistolográfico.

Textos curtos e serenos, verdadeiras missivas. Prosa poética bem urdida, com leveza de linguagem que nos transporta para os mais díspares cenários.

Assim, recolhi cada poema, como se estes repousassem no bojo de uma garrafa sobre o areal. Por eles, decifro a distância como se aí, em cada um desses quadros, de facto estivesse.

Em suma: a concisão aliada à capacidade de sugestão, farão deste escritor uma boa descoberta a quem dele desejar se acercar.”

sexta-feira, abril 04, 2008

sou palhaço assumido…


(Foto de: Vezon Thierry)

Querelas levaram-me ao paraíso… e lá senti-me efémero.
Então perguntei ao meu umbigo: - Que procuro eu?
Sem que conheça a resposta – sentíreis-me idiota – O Ser das ideias em prol dos ideais…

No passado fui um palhaço do circo da vida…

quarta-feira, abril 02, 2008

perdido no espaço


(Foto de Vladimir Lestrovoy)

Hoje nada tenho para partilhar - sobra-me um silêncio - dos olhares e das luzes solitárias das noites frias…
Hoje não quero alegrias nem tristezas… nem me quero a mim!
Se me virem por aqui - ou por aí - mandem-me para casa.
Mais tarde quando estiver em mim saberei agradecer-vos…

segunda-feira, março 31, 2008

Janelas do Coração


(Foto de: Miguel Angel de Arriba Cuadrado)


Da casa em ruínas, abandonada pelas correntes de um presente em que fugimos do campo, talvez pela fuga ao trabalho na terra, ainda recordo os espaços que cresceram em mim e que assim me ajudaram a crescer…
Os soalhos de madeira que rangia quando nos escondíamos nas brincadeiras de crianças e as janelas que, na inocência, saltava à procura das aventuras destemidas do amor. Sim! As maiores loucuras eram pedidas pelo coração…
Recordo esses momentos com uma angústia destemida, ao olhar para aquela casa à espera dos seus últimos dias. A velhice que o tempo não escondeu também trouxe esta realidade tão dura como a que me distanciou da minha infância.
Também me sinto um velhote que alimenta a alma com recordações fortes e coloridas, cheias de momentos alegres e mágicos… Hoje, em cada recordação, abro uma janela do meu coração.
A nossa casa era feita de pedra e cimento por fora, mas por dentro, era forrada a madeira que dava um calor e um ar campestre, num ambiente leve e de constante ternura.
O carinho das assoalhadas, cada uma com a sua responsabilidade, era patente de uma forma natural. Recordo-me que gostava em particular da sala da biblioteca. Talvez por ver o meu pai sempre por lá depois do jantar, sentado no seu cadeirão de leitura, de perna cruzada, com o seu cachimbo na boca e um livro ao colo. Fascinava-me. Fascinava-me vê-lo, e desejava secretamente, que, em adulto, tivesse a minha própria casa com um escritório assim, secretária de madeira trabalhada e um candeeiro de sentinela junto da poltrona. Sempre acompanhado pelas lombadas dos inúmeros livros que pareciam olhar-me e chamar por mim…
Recordo o pátio em terra batida onde jogávamos á bola e assim justificávamos o ralhar da nossa mãe porque, no fim de cada dia, a roupa estava pejada de poeira.
Da cozinha tenho guardado o esconderijo dos bolos que, secretamente, abastecia o meu desejo para preencher o bocadinho que a gulosice arranjava, pois os lanches eram fartos em outros comeres, mas o meu instinto de predador queria doces…
E no meu quarto, lugar das minhas descobertas, carpia os amores não correspondidos e alimentava os sonhos que aqueciam a minha alma. Escrevia bilhetes de esperança que não conseguia entregar. Fazia o meu teatro da vida para que estivesse preparado para num encontro do destino pudesse declamar poemas de conquista à menina dos meus desejos e assim, numa jura de amor, firmássemos um contrato vitalício de união.
Tenho saudades das árvores de frutos, colhidos sem critério, apenas ao sabor de um gosto de quem queria comer uma fruta vistosa e apetecida. Lembro-me que a manga era a minha eleita. Por acaso também era a maior árvore do quintal.
Agora tudo é efémero. Dura apenas o tempo em que abro cada janela do meu coração.
Saber-me feliz nesse passado bem preenchido é a maior força que recebo para entrar pela porta do meu destino.
Hoje já não tenho esse casarão, nem as forças da juventude rebelde! Mas as janelas do meu coração estão abertas… e por elas, deixo-me fugir… em novas loucuras do meu querer!
O que me falta em tempo e em força, é-me compensado pelo conhecimento… do Amor!
Continuo a ver-me sorrir, envolto, na felicidade da vida…

domingo, março 30, 2008

Vagabundo das Palavras


(Foto De: José Pereira-Zito)

Vagabundo! Como que fosse feito de um mundo de aventuras, parti em busca da vida boémia das palavras, não que fosse uma vida descuidada, mas no sentido de poder dar algum alimento à minha alma, numa viagem desejada ao nosso querido Alentejo.
Na rota de dois eventos literários, a oportunidade de desfrutar de duas terras prometidas de um vasto paraíso interior, ou escondido, designado Alentejo.
O corpo, fatigado do trabalho árduo de transportar essa mesma alma, foi nutrido à chegada pelas carnes da região que foram superiormente acompanhadas por umas migas de espargos. Já a alma, essa exigente rebelde, pedia muito mais, para se saciar… qual pedido interpelado? Se nem tão pouco foi necessário qualquer tempo para que os sorrisos aquecessem a minha paz interior. E assim as palavras estiveram sempre presentes! Palavras elevadas de pura magia…
Perpetuadas nos livros, acompanhantes inseparáveis, ou nas bocas dos declamadores, elas foram uma fonte inesgotável de uma pureza incontida que sabiamente alimentava as almas. A minha, e quiçá a de todos os presentes.
Aventureiro! Dessa nobreza de ricos episódios de sapiência em que fui brindado, e em que a paisagem serena nos brindava, eis que o tempo nos fugia e a alegria incontida se deixava seduzir. Vi amigos da palavra, encontrei camaradas de estrada e fortes mentores que o meu estado vadio desejava numa procura inconsciente.
Vi palestras conseguidas e preciosas obras que trouxe comigo. Senti-me! Senti-me feliz de o meu crer, na junção do meu outro querer, estarem alinhados no mesmo sentido.
Senti o valor de quem tanto dá. Senti a sua paixão, e, entre tanto sentir, senti esse desígnio dos fidalgos que, humildemente, percorrem os espaços por preencher numa missão consciente e necessária.
Entre o que vi, e o que senti, fui moldando o vagabundo em mim, transformando-o num menino de olhos brilhantes a porta do seu paraíso. De uma alegria imensa que gerava sorrisos alargados e cândidos.
E no tanto que recebi, com essa inaudita riqueza do acto, de dar sem pedir, essa clarividência do ser, com que fui brindado, fui consciencializando-me que essa magnitude é, e será, o meu alimento e a minha roupa com que me apronto nesta longa caminhada.
E só lamento que não consiga transmitir esse meu longo sentir, que no recanto da minha intimidade uma lágrima de alegria simboliza!
Que um dia, nem seja só por uma vez, num momento singular que seja, possa retribuir!

Um vagabundo perpetuamente grato…

sábado, março 29, 2008

Eventos Literários



É hoje! A viagem vai começar. Uma viagem que vai ao encontro da poesia e da alegria, dos amigos e das maravilhas da região. Entre um passeio apetecido, gastronomias e tertúlias, a vida que tanto gosto acontece…
O Alentejo espera-me e eu quero-o.
Até já!

quarta-feira, março 26, 2008

Carta a P.G.


(Foto de Julie Groulx)

Bom dia!

Hoje dedico-te as minhas primeiras palavras! São singelas e fui angaria-las ao meu sentido emocional, para que as possa dar com a emoção que mereces.
São bordadas a ouro, um ouro lúcido e transparente. Estão também recheadas com a magia de uma amizade por solidificar. Quase de uma forma prematura, elas saem com fluência e trazem no rosto um ar casto e sensato. São como a tua imagem!
Deixo-te assim a minha prenda, esse sorriso que constróis, ainda que tímido mas sincero. Pois é! Esse teu sorriso é a minha humilde prenda. Fazer-te sorrir é uma prenda partilhada e que se oferece mutuamente.
Acrescento-lhe o desejo de poder dar-to todos dias, e que, com o passar dos anos possa, de uma forma presente, oferecer-to sempre.
Por ora, a palavra mágica e justificada, Parabéns!

Um beijo sol que denomina a estrela que há em ti!

FELIZ ANIVERSÁRIO

Paulo Afonso
26 - 03 - 2008

segunda-feira, março 24, 2008

Dia 29 Março 08 - Alvito E Viana Do Alentejo

A edium editores desloca-se este fim de semana ao Alentejo para apresentação de 2 livros de poesia em 2 sessões.
Os livros, da autoria dos n/comuns amigos, são: "O Livro do Regresso" de Xavier Zarco, Prémio de Poesia Raúl de Carvalho 2005 e "Da Humana Condição" do poeta alentejano José-Augusto de Carvalho.
As sessões, ambas no sábado, dia 29, serão em Alvito, 16.30 horas na Biblioteca Municipal Luís de Camões, autarquia que instituiu o Prémio Raúl de Carvalho e, pelas 21.00 do mesmo dia, em Viana do Alentejo (Salão da Junta de Freguesia) local onde nasceu e reside o poeta José-Augusto de Carvalho.
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Sobre “O Livro do Regresso” do poeta conimbricense, Xavier Zarco

Depois do lançamento em 2007 do premiado “Variações sobre tema de Vítor Matos e Sá – Invenção de Eros” a edium editores lança agora “O Livro do Regresso” de Xavier Zarco, obra também galardoada, desta feita com o Prémio de Poesia Raul de Carvalho, instituído pela Câmara Municipal de Alvito.
Aliás a colaboração deste poeta conimbricense com a edium editores tem sido intensa e frutuosa: participação na 1.ª Antologia Poética “Amante das Leituras” 2007, a referida edição de “Variações sobre tema de Vítor Matos e Sá – Invenção de Eros”, prefácios de obras dos poetas Andityas Soares de Moura, Ana Maria Costa e Paulo Themudo. No prelo, a edição de “Nove ciclos para um poema”, Prémio Lusofonia 2007, da Câmara Municipal de Bragança.
O fulgurante trajecto literário de Xavier Zarco conta com uma vasta lista de obras publicadas: O livro dos murmúrios (1998), No rumor das águas (2001), Acordes de azul (2002), Palavras no vento (2003), In memoriam de John Lee Hooker (2003), Ordálio (2004), Hino de Santa Clara (2005), O guardador das águas (2005), O ciclo do viandante (2005), O fogo A cinza (2005), Stanley Williams (2006), À beira do silêncio (2006), Monte maior sobre o Mondego (2006), Afluentes do poema (2006), Trinta mais uma odes (2007), Divertimento poético (2007), Variações sobre tema de Vítor Matos e Sá: Invenção de Eros (2007) e Poemas com rosto (2007).
A Xavier Zarco foram ainda atribuídas as seguintes distinções: Prémio de Poesia Vítor Matos e Sá - 2004, organizado pelo Conselho Científico da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, ao título O guardador das águas; Menção honrosa (poesia) no Prémio Literário Afonso Duarte – 2004, realizado pela Câmara Municipal de Montemor-o-Velho, a Monte maior sobre o Mondego; Vencedor do Concurso para a letra do Hino da Freguesia de Santa Clara, efectuado pela Junta de Freguesia de Santa Clara, em 2004, com Hino de Santa Clara; Prémio de Poesia do Concurso Literário Manuel Maria Barbosa du Bocage - 2005, promovido pela LASA - Liga dos Amigos de Setúbal e Azeitão, a O fogo A cinza; Prémio de Poesia Raúl de Carvalho - 2005, levado a efeito pela Câmara Municipal do Alvito, a O livro do regresso (agora editado); Prémio de Poesia Vítor Matos e Sá - 2007, do Conselho Científico da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, a Variações sobre tema de Vítor Matos e Sá: Invenção de Eros; Prémio Literário da Lusofonia - 2007, da Câmara Municipal de Bragança, a Nove ciclos para um poema (no prelo da edium editores para edição em Junho 2008); Menção Honrosa (Poesia) no 1.º Concurso de Conto e Poesia da CGTP-IN – 2007, a 25 Cravos de Abril (título ainda inédito).

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Sobre o “Da Humana Condição” do poeta alentejano José-Augusto de Carvalho.

José Augusto de Carvalho nasceu em Viana do Alentejo a 20 de Julho de 1937, onde reside.
O autor, com seis obras já publicadas apresenta-nos este título revertido e inspirado da obra de André Malraux “A Condição Humana”; José Augusto de Carvalho recupera os paradigmas da evolução humana, e discorre sobre a moralidade, a política o conflito num registo quase sempre na 1.ª pessoa, um incarnado resistente, desagrilhoadas as correntes que se soltam em palavras que se ordenam em destinos.
Xavier Zarco na nota breve de abertura sublinha a propósito:
“José-Augusto de Carvalho apresenta-nos, em todo o seu esplendor, a humana condição, que quantas vezes fazemos de conta não ver, mas que existe e invade, enquanto jantamos e lançamos comentários que, amanhã, poucos deles restarão na nossa memória, porque a vida é feita no desespero de cumprir a hora, exagerando, ou talvez não, de cumprir o segundo.
Este tomo não deve, não pode passar indiferente. É Poesia no seu esplendor porque habita ao nosso lado e não devemos, não podemos manter o olhar cerrado. Isto, claro, se desejarmos, de facto, um mundo melhor. Se não for para nós, que seja para aqueles que nós gerámos”.

Obras de José-Augusto de Carvalho já publicadas:

“arestas vivas”, 1980
“sortilégio”, 1986
“tempos do verbo”, 1990
“vivo e desnudo”, 1996
“Nós Poesioa…”, com Lizete Abrahão, 2002
“A instante nudez”, 2005

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Se puder, não falte.

domingo, março 23, 2008

Escritor


(Foto de Mikel Arrizabalaga)

Alguém me perguntou se era Escritor. Surpreso, perguntei-me o que era isso de ser Escritor. Nunca antes tinha pensado nesse título nem tão pouco me sentia vestido na sua pele. Escrevo, de facto. Mas escrever é ser Escritor? Apenas escrevo o que os meus sentimentos ditam e gosto de partilhar essa emoção. E nas palavras faço as digressões ao meu imaginário e misturo as imagens que colhi pela vida fora. Algumas… guardo-as com amor, pela simplicidade, pela forma como surgiram. Outras aparecem-me do nada e permanecem até que as escreva, para depois fugirem de mim.
Quanta necessidade, ou quanto vício, que aperta o meu sóbrio desejo e me impulsiona ao acto.
São momentos de uma insanidade perfeita, em que consigo atingir a felicidade total, desenhada pelas palavras que chamo. Nesse estado sou o Rei dessa monarquia das letras. Ninguém mais existe nesse habitat natural das plenitudes…
Oh! Quanta loucura é explanada na frase exposta! Quanta magia é ali deixada à espera que alguém leia e colha essa essência, entre cheiros de maresias, entre sabores doces ou em imagens recônditas…
Faço um mundo de pormenores sentidos, e sinto cada momento como meu. E ainda assim, não sei ser Escritor porque, em cada frase triste, há uma lágrima derramada e em cada alegria um sorriso perdido no pensamento.
E o meu lamento acompanha o meu sonho, de, talvez um dia, poder ser Escritor.
Enquanto esse dia não chegar, e talvez nunca chegue, vou vivendo esta paixão de escrever o meu alento, enquanto aos poucos vou morrendo.
Tirem-me tudo de mim. Mas deixem-me a liberdade de escrever até ao fim!
Talvez, depois de partir, consiga ser um Escritor… por ora, alguém me perguntou se era Escritor e ainda não sei o que responder!



PS: Dedicado ao Poeta e Amigo Xavier Zarco
http://euxz.blogspot.com/

sábado, março 22, 2008

A Escola da Margarida


(Foto de Ian Cameron)

Na escola da Margarida há espaços lindos para os meninos e as meninas brincarem, e as salas de aulas são grandes.
Os professores são os amigos crescidos que se preocupam e que ensinam coisas importantes para a vida futura.
Todos os dias as amizades florescem na Escola da Margarida.
Todos os dias as crianças estão felizes e assim aprendem a conhecer o mundo.
A Escola da Margarida é tão bonita porque tem crianças lindas e espertas que ajudam a simplicidade das coisas boas da vida.
E os outros meninos, das outras escolas, querem conhecer a Margarida, a menina que tem uma escola tão boa e especial.

Talvez um dia a Margarida vos mostre a sua escolinha ou vos escreva a contar o que lá acontece…


PS: Este texto foi dedicado e oferecido a Margarida que tem 6 anos

sexta-feira, março 21, 2008

Boa Páscoa!

Que todos estejam em harmonia. Que cada um seja um símbolo de Amor na ternura dos seus actos e na elevação dos seus próprios pensamentos.

Que todos desejem um mundo melhor, sem que o egoísmo aceda e mesmo que a tentação abunde, que não consiga erguer-se em prol dos infundados.

Um gesto de amizade e bom senso para todos os que visitam esta casa que é vossa. Sois Vós a origem da minha alegria. Para todos o meu desejo de uma Santa Páscoa.

Obrigado por serem presentes

segunda-feira, março 17, 2008

Um segundo para pensar…


(Foto de Kadir Barcin)


Saí de casa para poder usufruir da natureza. Dirigi-me, solitariamente, para a praia deserta, naquele dia de Outono. Precisava de um segundo para pensar. Um segundo em plena harmonia, sem ser incomodado, só eu e o mar… o meu melhor conselheiro!
Sentia que a minha vida estava prestes a mudar. Cabia-me escolher se para melhor ou para pior, embora só o tempo pudesse confirmar o positivo ou negativo…
Em cada onda, colocava de uma forma imaginária, um desejo, e quando a onda rebentava na praia imaginava esse desfecho e isso ajudava-me a decidir. E o tempo alongou-se. Já sabia que assim seria, afinal um segundo tinha sido para tomar a decisão de ali estar.
De segundo em segundo, de minuto em minuto, compreendi que a vida era feita de decisões, algumas encobertas pelo nosso inconsciente, mas sempre eram meras decisões. Outras apertavam o nosso pensamento e faziam notar a sua presença ambígua e por vezes mordaz.
Mas ali estava seguro. O mar deixava-me confiante e pronto para decidir a minha vida.
E, nesse momento, tomei a decisão mais importante da minha vida…
Decidi ser feliz e para isso acontecer passaria a dar sem pedir, e sem esperar algo em troca. E a primeira coisa que dei… foi o meu sorriso!

De sorriso em sorriso a vida foi acontecendo. Dava sem nada esperar e logo recebia outros sorrisos em resposta, e gostei dessa boa nova. E o resto foi fácil…depois transportei o exemplo do sorriso para tudo o que compunha a minha forma de ser e de estar… e sabes qual foi o resultado?

É fácil de imaginar se olhares bem para mim! Um sorriso espera sempre por ti!

sábado, março 15, 2008

Festa de Aniversário

Fevereiro estava a terminar. E na última semana constava o dia de anos de Pjar um amigo virtual das noites mágicas da escrita nesse espaço de ninguém ou de todos, designado por Internet.

Estella, mulher de impulsos e desejos fortes, depressa gerou entre a comunidade uma estratégia definida para atacar esse dia já próximo, seria ao bater da meia-noite, uma festa surpresa para Pjar.

S
eus cúmplices, participantes na festa, estava de acordo com a estratégia e dispostos a ser uma parte activa nesse evento.

T
odos os pormenores foram avaliados, ou quase todos, medidos mais pela emoção do acto do que pela importância da festa.
Surpresa seria sempre a palavra-chave. Obviamente que todos sabiam da importância desse momento para Pjar, pois todos, sem excepção, já tinham plena experiência de viver esse dia especial, pois que aniversariante era e seria uma condição anual de cada um.

Assim, o empenho e a presença, seriam uma realidade entre todos!




D
epressa o momento chegou! Nessa noite, nas suas casas, todos estavam na Internet presos ao módulo de comunicação.

Entusiasmados pela festa surpresa, vestidos na pele do mais astuto caçador, esperavam o momento para “caçar” a presa fácil e indefesa…



A meia-noite apareceu! Todos saíram das suas tocas e mostram-se num campo aberto dispostos a disparar palavras em forma de parabéns.

N
o entanto, os olhares cruzaram-se entre todos e o espanto, naturalmente, sobressaiu …
Imaginaram tudo menos aquele cenário. Afinal faltava a “vítima” que iria ser caçada…

Verificaram os processos e reviram a estratégia. A esperança num atraso instalou-se forçadamente.

E
não desistiram, antes acreditaram que a presa em poucos minutos iria passear nesse bosque imaginário e seria surpreendida.

R
epararam nos minutos que fugiam sem parar, e, por esta vez, sentiram que o tempo corria mais depressa. Nítida sensação descontrole do momento…Sabiam o risco que corriam, mas ainda não acreditavam que algo pudesse ter corrido fora do planeado.

S
em que o tempo se alongasse mais, a festa iniciou-se sem o aniversariante.

Afinal todos estavam à espera, todos estavam e nada tinha acontecido, como o dia apenas tinha começado foram deixando mensagens de parabéns expostas na casa virtual da cultura, passagem diária quase obrigatória de todos, inclusive por Pjar.

R
ecorriam assim à parte dois da estratégia antecipadamente delineada.

Impressionados pela inesperada ausência, depressa se recompuseram e avançaram como se nada de anormal ou fora do contexto estudado, se tivesse passado…

O dito dia decorreu em plena festa virtual, juntando imensos amigos e sem que o aniversariante conseguisse escapar. Todos em dedicação ao Pjar e nos mais próximos ficou o segredo guardado a sete chaves daquela meia-noite mistério em que nada falhou…

segunda-feira, março 10, 2008

Entrevista de Paulo Afonso no Luso - Poemas


O destaque de Luso-Poemas para o mês de Março é o Paulo Afonso. Não por ser administrador do Luso (de facto, por sê-lo esteve para não ser o escolhido), não por ser amigo de ninguém em particular mas por ser amigo de todos de forma desinteressada e fácil.

Sem querermos cair no elogio fácil, devemos dizer que o Paulo Afonso é, indiscutivelmente, uma figura incontornável deste sítio, tanto pela sua escrita como pela sua postura correcta e conciliadora. Se tivéssemos que sublinhar as suas maiores qualidades, essas seriam, garantidamente, o voluntarismo, a correcção e a grande capacidade para ouvir/ler. Estas qualidades humanas aparecem fortemente imprimidas na sua escrita.
Quem lê o Paulo Afonso, atesta facilmente esta verdade.

Nesta entrevista introduz-se uma nova nuance. A partir de agora, para além dos elementos usuais em cada entrevista, passará a haver um entrevistador Luso ou Lusa convidado. O primeiro nessa qualidade é uma primeira. A Rosa Maria.

Ficamos, então, com uma pequena biografia do Paulo e com a conversa que tivemos com ele.

Auto-biografia

Paulo Jorge Afonso Ramos nasceu na Maternidade Alfredo da Costa em Lisboa, ao vigésimo quinto dia de Fevereiro decorria ano de 1966. Viveu em Alcântara até aos 3 anos, altura em que foi viver para África. A sua infância foi passada em Moçambique. Voltou para Portugal e viveu nos Olivais Sul onde começou a sua viagem pela escrita aos 10 anos de idade.
Só no ano de 2001 (Maio) começou a publicar poesia através da Editora Minerva, onde participou na Antologia de Poesia e Prosa Poética Portuguesa Contemporânea – “Poiesis” Volume V.
Participou ainda neste projecto “Poiesis” nos Volumes VII – (Maio 2002) e no Volume VIII – (Dezembro 2002).
Mas foi no ano de 2006 que concretizou o seu grande sonho, ao ver o nascimento do seu primeiro livro de poesia, editado pela Edições Ecopy com o nome de “Vinte e Cinco Minutos de Fantasia”. Este livro reflecte o seu olhar pelo amor, pelos sentimentos e pelas pessoas em forma de poesia.

Escreve com assiduidade no seu blog http://poesiadepauloafonso.blogspot.com/


Entrevista

Rosa Maria - Olá Paulo. Não queria começar a falar do poeta. Queria saber do Paulo enquanto Homem romântico, sensível e sonhador que parece transparecer na tua poesia.
Paulo Afonso - Bem, não sendo Poeta, acho-me um pouco romântico e muito sensível. Sonhador sou demais, talvez por ser do signo peixes. Mas gosto do que sou. Pois sinto-me de bem com a vida.

Vanda - Ainda te lembras da 1ª vez que escreveste? Como foi?
Paulo - Tinha pouco mais de 10 anos. Tímido e inseguro e com necessidade de desabafar encontrei no papel a forma ideal de o fazer, depois escondia o que escrevia como se de um tesouro se tratasse. Mas por pura timidez …

Vera Silva - Nasceste para a poesia muito criança ainda e, descobriste, pelo que vemos nas tuas publicações no Luso-Poemas, a prosa muito mais tarde. Como aconteceu essa descoberta e em qual delas te sentes mais à vontade?
Paulo - De facto sempre escrevi poesia. Tinha um medo enorme de escrever de outra forma. Só no ano passado e no Luso–poemas comecei a arriscar a prosa em pequenos textos. Os incentivos foram chegando e comecei a escrever mais vezes. Hoje, por incrível que pareça, sinto-me mais à vontade na prosa e, esse facto, devo-o ao Luso e aos Lusos que amavelmente comentam os meus textos…

TrabisDeMentia - Olá Paulo, o Luso tem um efeito relaxante mesmo. Mas também é verdade que ele te tem dado algumas dores de cabeça. Como te sentes no papel de administrador. É tão relaxante como ler poesia?
Paulo - Ufa! Uma verdadeira surpresa. Imenso trabalho de bastidores e muita preocupação misturadas com muita vontade de fazer coisas boas em prol de todos. Agora também tenho imensas saudades dos tempos em que apenas lia e debitava textos sem qualquer noção da vida de administrador e sem preocupações. Hoje dou muito valor a esses tempos pois já conheço os dois lados…

Trabis - Por falar em lados, foste o primeiro Luso-poeta que eu tive o prazer de apertar a mão! Também noto que apareces em todas as fotos de encontros literários. A vida é um prazer, não é?
Paulo - Todos os momentos são feitos de grande prazer. E alguns com grande orgulho. Conhecer as pessoas pessoalmente, reforça a união. No teu caso foi um grande prazer também. Poder estar com a pessoa que vive atrás do ecrã é magnífico.

Valdevinoxis - Tu és por natureza uma pessoa conciliadora, uma pessoa que tende a querer mediar situações. Já por várias vezes o vimos aqui no Luso. O que te parece que gera os desentendimentos ou melhor, o que achas que impulsiona algumas pessoas a terem relações difíceis com a harmonia? Como é que se gere isto?
Paulo - Uma pergunta difícil. Mas vou tentar ser objectivo. O problema é, de facto, sermos muitos e todos diferentes. Uns mais que outros, precisam de apoio, incentivo ou uma palavra de amizade. São as relações sociais do ser humano. Gerir é complicado e não sei se conseguirei, mas já aprendi muito com os Lusos e creio que a maior virtude é tentarmos entrar na pele do outro para perceber as razões, convicções etc. Nunca é fácil…

Rosa - Diz-me Paulo, o que significa verdadeiramente o Luso-Poemas para ti? Quais são no teu ponto de vista as suas virtudes e defeitos, de uma forma concreta.
Paulo - O Luso–poemas é uma segunda casa para mim e sinto os Lusos como uma família. As virtudes são muitas, pela variedade de estilos ou por ser um site diferente de todos outros desta área. Defeitos? Alguns. O facto de não termos alguma capacidade de gerir as diversas formas de opinião (critica geral) e de não conseguirmos expandir mais para outras culturas, nomeadamente a africana onde existem grandes poetas. Mas iremos conseguir com o tempo e a ajuda de todos Lusos.

Vera - A poesia é muito mal tratada e pouco divulgada. Se tivesses o poder de alterar isso, como o farias?
Paulo - Atacaria as bases. Mudaria a política da educação. Mudaria o apoio à cultura e criava outras opções de publicação, que permitissem termos mais acessos à leitura com, obviamente, baixos custos. Se pudesse, a poesia seria posta em outras condições, mais de acordo com os poetas da nossa história…

Trabis - E que dizes tu, Paulo, da história que os nossos poetas escrevem a cada dia? Achas comparável à dos nossos antepassados?
Paulo - De certa forma sim. Se pudermos modificar os métodos e actualizarmos os efeitos. Claro que sim. Mas o tempo o dirá quando um de nós merecer o justo destaque social e na literatura, pois no Luso-poemas há de facto grandes valores. Aposto fortemente em alguns nomes…

Vera - Que relação existe entre Paulo Afonso e as personagens que estão dentro dele?
Paulo - De cumplicidade. Tenho uma frase minha em que digo: “Escrevo…para libertar as personagens que não consigo Ser”. Em cada frase, em cada texto sai um pouco de cada personagem que habita dentro de mim. Por vezes confundo-me entre as personagens e o homem real do dia a dia que também existe e com muitos defeitos…

Val - Paulo, o que dizes é que tu és mais uma personagem, que te recrias na escrita? Se assim é, não tens medo de uma exposição demasiada, de neste processo de "mixagem", perderes a identidade? O facto de seres o autor não te deveria obrigar a um distanciamento em vez da colagem de que falas?
Paulo - Há uma liberdade criativa, por vezes inconsciente mas em que tenho necessidade que assim seja. Sem qualquer medo, assumo que por vezes não me reconheço no que faço através da escrita, mesmo que corra o risco de perder a identidade, faço-o na mesma. Quando escrevo, perco o medo, a vergonha e a conduta social. Criar é poder voar sem asas é ir e voltar sem preocupações com o ego ou com outra envolvente subsequente. Nessa altura o Eu pouco me importa. Simplesmente escrevo!

Rosa - Agora questiono o Poeta. Tens um texto (em prosa poética) com o título "Viagem". Que "Viagens" ainda queres realizar?
Paulo - Quero descobrir a viagem ao paraíso e por lá ficar os últimos tempos da minha vida. Estamos uma vida inteira a aprender. Como digo nesse texto: “A verdadeira viagem foi a vida… pelos anjos que encontrei” Esse tesouro é a minha maior riqueza, a fonte do meu sorriso diário e a esperança em conseguir viajar sempre. Viajar? Sempre, quer seja pessoalmente (adoro) ou através da escrita. O que importa é mesmo viajar...

Vera - O que mais te inspira quando escreves? Como chegas a um tema, como vives o processo criativo?
Paulo - Confesso que tenho uma forma pouco comum. Primeiro porque tenho o hábito, muito antigo, de pedir um título e só depois escrevo. É assim que chego ao tema. Vivo o processo criativo com grande emoção e prazer. Inspiro-me no momento ou na música e as coisas acontecem naturalmente. Fluem de dentro de mim em liberdade que por vezes nem tenho a consciência do resultado final.

Trabis - Tenho um título bom para ti: "Paulo". Conseguirás escrever esse poema? Agora? Em breves linhas? Deixa o tema fluir!
Paulo -

Um mistério recôndito
que o tempo vê passar
ele é o dito
que quer falar.

Espevito
sabe amar
quer viver em sociedade
em alegria constante
em liberdade
em cada instante.

Ele é um menino
que cresce em cada hino!

Val - No decorrer desta entrevista mantiveste uma postura que, podemos dizer, é politicamente correcta. Também nos apercebemos que não é uma máscara mas sim uma filosofia de vida. Quero que descoles um pouco dessa linha e que nos digas o que mais te desagrada no Luso. Qual o tipo de intervenção que não gostas mesmo? Quais são os pontos sobre os quais tomavas medidas drásticas? Que medidas?
Paulo - Não é fácil desviarmo-nos da nossa linha mas, nunca recuso um bom desafio. O que mais desagrada no Luso é a postura de alguns Lusos, que a criticam sem noção das realidades e só para aparecerem. As manobras de imposição, maioritariamente dissimuladas. Não pactuo com posturas provocatórias ou de “politica do umbigo”, ou seja, manifestamente egoístas.
Não gosto mesmo do tipo de intervenções “BOMBA” no fórum. Sem critério ou sem bases, só porque estão na corrente e deixam-se levar. E digo-o com o devido respeito por todos, obviamente. Nessas alturas tomaria medidas drásticas. Que medidas? Colocava-os como a outra parte, a parte de quem tem que resolver e em simultâneo agradar a todos para ver se conseguiam entender o quão é difícil gerir e fácil criticar. Só assim alguém poderia ter consciência poética para agir
Depois trocava opiniões com os visados e certamente melhorávamos todos. O Luso–poemas incluído.

Rosa - Para terminar não poderia deixar de te pedir uma mensagem para todos os Luso-Poetas. Que palavras nos ofereces Paulo?
Paulo - Uma mensagem de gratidão sincera. Porque todos Lusos (mesmo que não saibam) têm uma grande influência na minha vida e em especial no que escrevo. Porque desde que estou no Luso cresci como homem e na escrita. Criei um canal de amizades verdadeiras. Sinto que todos podemos crescer em conjunto, sem limites e com respeito pela personalidade de cada um. Que todos sejamos capazes de fazer um esforço em prol da poesia. Do Luso–Poemas. E que em Abril façam mais um esforço para estarem no 1º Encontro da Luso. Mostrem-se. Sorriam e a vida melhorará. Por favor, ACREDITEM!

domingo, março 09, 2008

Desejo Secreto


(Foto de reencarnacion cristalero)


De coração desfeito das intempéries do amor, o vulto erguia-se de mais uma aventura perdida. Acabara de receber mais um duro golpe, vicissitudes, de quem perdera o norte e se guiava pelo vendaval dos actos espontâneos…
Três letras assombravam o seu pensamento – fim – era o seu constante tormento, porque o tempo mostrava os insucessos repetidos. Outrora esteve perto da felicidade mas o medo de assumir esse real sentimento assustara a condição, e a oportunidade viajara para outras paragens da vida de alguém.
O vulto era a noite! Ansiava voltar a sentir-se o sol de alguém como um desejo secreto.
O seu desejo secreto, concretizado, daria um sorriso constante e aberto. Daria um brilho aos seus olhos pungentes e extrairia do seu pensamento a afronta das palavras residentes.
Todas as noites…regressava ao sonho para vive-lo intensamente. A realidade não conseguia dar-lhe esperança, vontade ou uma pequena alegria que fosse!
Morria lentamente…perdendo as forças ocultas para realizar o desejo de ser simplesmente feliz.
Todas manhãs, ao acordar, imaginava que um vulto especial entraria na sua vida e que, de sorriso em sorriso, viajariam no mundo do amor e acabariam os seus dias, juntos, à beira de um lago, numa casa feita de momentos felizes e de grande cumplicidade.
Em silêncio esperou e os seus dias passaram lentamente por si!
Os seus olhos gritavam:
-“ Eu morro pela tua presença!”
As suas lágrimas denunciavam:
Fiquei… inverso… de… mim!
Os seus passos corriam para o abismo!
Fiquei…
Incompatível… (de)
Mim…




(Nunca tenhas medo de amar. De assumir o desejo, o teu íntimo desejo, porque a vida não pára e amanhã pode ser tarde…)

quinta-feira, março 06, 2008

Beijo Ausente


(Foto de: Tanni Thai)

Levito na ânsia do teu beijo!
Percorri as ausências dos espaços
ultrapassei as barreiras da inépcia
e formulei o meu desejo
bordado na acácia
dos meus pensamentos escassos.
Imaginei o momento
que tanto almejo
construído de muito sofrimento
e algum lampejo.
Sonho que se repete constantemente
que domina a minha mente
e acalentado me vejo.
Oh! Híbrido estar…
Oh! Imagem que se confunde
e me dá asas e me faz voar.
Levito na ânsia do teu beijo!
Espreito o caminho
que percorro sozinho.

sábado, março 01, 2008

Intuição


(Foto de: Saul Santos Diaz)


Como um sopro de vento senti na minha cara esse momento por acontecer, ou já acontecido, e no calor desse gesto de ninguém as palavras acordaram na minha mente…
E as frases descreveram-me a tua imagem e a minha imaginação moldou o teu corpo… Corpo fugaz de uma pessoa sem destino e que percorria um caminho de pedras e poeiras de outros passados em busca da sua identidade.
Criei no momento imaginado o meu desejo e vesti esse corpo de princesa, troquei o caminho por outro feito de terra batida por entre uma floresta densa e em que se via um lindo castelo lá bem ao fundo… Vês também?
Ouvi o chilrear dos pássaros felizes e deixei-me ficar a ver-te em direcção ao castelo.
Consegues… consegues ouvir os pássaros?
E, de repente, senti este cenário fugir-me da mente e o espaço cercado de uma nobre presença. Como se alguém estivesse dentro de mim a ler-me ou como se alguém estivesse a ler as frases que derramei no caminho da minha imaginação…
Algo me diz… se tu lês e sentes estas palavras… se vês o castelo e ouves os pássaros… Então menina mulher és tu a princesa! Será só na minha imaginação? Será só mera intuição?
Se o segredo morrer… só tu poderás dizer a verdade!
Mas, aconteça o que acontecer, as histórias nascerão sempre em busca desse momento.

sexta-feira, fevereiro 29, 2008

Palavras Ocas


(Foto de: Melik Tamas)


Palavras e mais palavras...
escondem o Amor
o desejo
e a dor

E no silêncio das palavras
os meus gritos são abafados
e os sentidos
os teus e os meus
são perdidos...

Palavras ocas…
fazem-nos o mundo!

quinta-feira, fevereiro 28, 2008

Amor Impossível


(Foto de: Julio Segura Carmona)

São lágrimas que solto por saber deste meu amor impossível. Lágrimas de alegria por saber que o amor é meu e que, apesar de impossível, estará sempre ao alcance do sonho e do desejo por cumprir…
E o mar com o seu sorriso de prata é meu aliado, meu amigo, para harmonizar os meus momentos de fim de tarde em que me encontro na areia da praia deserta e desejo nadar até ti. É através das ondas sorridentes que o mar me acalma, e me deixa inerte ao pensamento fugaz da loucura do acto por realizar… Volto sempre!
Sei que outro dia virá feito de ilusões e de argumentos, para que o mundo nos afaste, sei que o meu caminho é feito das peripécias loucas e dos trechos perdidos do meu recanto chamado realidade, e ainda assim penso em ti.
Tão longe que estás, e tão perto que te sinto, nessa magia do amor que construo como castelos de areia à beira-mar, num desafio, para que mandes uma onda maior e os destruas, chamando-me assim à minha dura realidade…
E a teimosia provoca-me, faz-me voltar em cada final de tarde para construir de novo os castelinhos de areia húmida. Essa mesma teimosia que vai de mão dada com a esperança, que assim aproveita para imaginar a tua chegada por entre as alegres ondas e, num pensamento secreto, chega a imaginar que vens naquela onda maior.
E se os castelos são de areia, os desejos são de vento, e o meu amor é bordado pelo sol que, ao longe, se despede e vai dormir. O mesmo sol que aquece esta relação inexequível.
Anos passaram e a fonte das minhas lágrimas nunca secou… A minha pele queimada do sal e do vento anunciou o meu desespero de uma vida solitária. Os cabelos brancos escondidos debaixo do boné de marujo são como sementes da minha preocupação por não saber de ti…
Nem por uma única vez apareceste!
E tanto que sonhei com esse momento. Estudei as palavras, e fiz frases para te oferecer…
Fiz planos… uma casa nessa praia deserta ou na ilha solitária do mediterrâneo.
E tu, sereia do meu imaginário, nunca vieste…

segunda-feira, fevereiro 25, 2008

Obrigado a todos



Quero agradecer-vos o carinho manifestado! Hoje fui “atacado” e que bem que soube, por palavras de carinho, mensagens, telefonemas, poemas, beijos e abraços. Espero que possa retribuir-vos diariamente com amizade e muita alegria.

Muito obrigado a todos.

Beijos & Abraços para vocês


O Aniversariante,

Paulo Afonso

25/02/2008

domingo, fevereiro 24, 2008

Corpos


(Foto de: Mg Lizi)

Ainda que o teu corpo esteja distante, do querer, sinto-lhe a fragrância que estimula e seduz em silêncio e assim provoca a ebulição do meu corpo em estado embrionário…
É o pensamento que se entrega ao desejo. E o desejo atroz deixa fugir os fluidos dessa forma demente.
Os corpos incandescentes já estão na mesma linha dessa vontade própria do momento.
Mágico é o momento que acontece e, num ritmo insaciável, o movimento assume a forma inexequível do tormento cercado da incerteza do cenário e de quem, por perto, possa assistir.
Já nada os trava. Esses corpos submissos aos desejos e nesse mar de prazer por acontecer e na geometria do acto sente-se o emparelhar das cadências seculares da vida.
Cai o pano. E os corpos suados de tanto trabalho conjunto regressam, para agradecerem essa pérola de prazer inusitado. As palmas prolongam-se, por longínquos minutos.
Curvados descansam num agradecimento sentido. Cumpriram a sua dança!
Outro dia e outra dança voltarão a acontecer…

sábado, fevereiro 23, 2008

Esqueço-me


(Foto de Floriana Barbu)


Mesmo sem sair de casa sinto o vento que percorre as ruas à minha procura. E aconchego-me um pouco mais nesta minha cama de sonhos nunca partilhados… Oiço a voz da chuva a chamar por mim num desafio de coragem e ainda assim o calor dos lençóis e das mantas da minha cama prendem-me propositadamente.
Estou entre o querer ir e o querer ficar!
Pergunto-me de que vale ir ao encontro dessas questões da natureza e, na mesma pergunta, embargo o meu desejo de ficar num espaço em que já não tenho tempo para sonhar…

Sinto-me em falta noutro local. Nesse momento de alguém que queira o apoio que posso oferecer ou que, simplesmente, só queira um dos meus sorrisos que esbanjo pela vida fora.

Mas teimoso, fecho os olhos, e numa reviravolta estratégica adormeço devagar…
Esqueci-me de tudo e de todos! Até de mim…

sexta-feira, fevereiro 22, 2008

Parabéns Cláudia


(Foto de Tamara Loncar-Agoli)

Hoje escrevo para ti! Para dar a palavra que mereces e que não mandei, que não a disse.
Hoje é o teu dia, em que esperas as tuas prendinhas que desejaste nos últimos meses em projectos de silêncio ou em que fugiu em algum murmúrio tímido, e que já esta semana sonhaste algumas vezes com essas prendas.
É hoje que buscas o mundo só para ti, envolvida nessas amenas primaveras.
Hoje! Tanta emoção aconteceu e o tempo correu tão depressa que quase não tiveste tempo para pensar nos que se esqueceram de ti!
Sabes, apesar de estares longe, em Évora, não me esqueci de ti, sabes que, apesar de não poder concretizar o teu simples pedido de hoje estar perto de ti, eu viajei no espaço aberto e apenas, por um segundo, estive contigo… Foi tão rápido que nem te apercebeste!
E quando a noite for para sonhar, antes de entrares nesse mundo fantástico vais pensar… Ele não veio…
Mas eu sei que não vais ficar triste porque embora tenhas dificuldades em entender, consegues aceitar e saberás que estás junto das pessoas que mais amas.
O mundo é mesmo assim… meio chato!
Muitas primaveras passarão e talvez um dia aceites a chatice deste mundo acelerado e distante. Por ora não importa. Nada importa, apenas o teu desejo de seres feliz.
Parabéns amiguinha pelos teus oito aninhos…

O teu gordo!
Beijinhos

domingo, fevereiro 17, 2008

Na fronteira...


Foto de Ben Goossens


A chuva não pára lá fora. Faz de mim um prisioneiro aqui dentro desta casa de pedra, perdida, entre os campos cultivados. E é da janela que espreito a vontade de fugir desta prisão do sentimento em que a tristeza se apodera das minhas fragilidades para abarcar os meus pensamentos e seduzir a minha vontade própria ainda por se definir!
Nasci para este dia abandonado aos meus propósitos e, de tão só estar, fiquei estático a olhar para esse acontecimento que nem sei o que aconteceu mais…
Estou entre a ilusão e a vida, separado apenas por esta janela que chora por fora e sofre por dentro, porque assim sou e na casa fria há um silêncio cúmplice da tristeza que não parte.
Passam minutos, talvez horas e nada acontece. Nada se mexe. Ninguém se ouve. Apenas o bater da chuva, compassado, faz a melodia deste meu novo dia. A mesma melodia que ritma os meus pensamentos de tortura crescidos de tamanha tristeza…
E é o relógio de sala que me traz a realidade, quando as suas fortes badaladas do meio-dia soam ao despertar para a minha mente abstraída, adormecida.
Corro para a lareira na ânsia de que me ceda o calor que tanto preciso. Arde a ténue esperança da tristeza e as paredes parecem quer sorrir. A janela embaciada parece corar e já não chora.
Começo a acreditar que posso mudar. Que o meu dia e a minha vida podem melhorar. Revisito a janela de perto para poder espreitar o outro meu mundo e descubro um raio solar tímido quase a pedir licença para se aproximar. Crescem as minhas recônditas esperanças em ser um sorridente deste mundo maravilha que ombreia com a outra parte maléfica cheia de oprimidos da desgraça e de corpos que esperam o seu tempo…
Cresço no espaço de um sorriso mais que no tempo da minha incerteza e o desejo pede-me uma melodia… criteriosamente escolho-a: Lara Fabian – Je T´Aime.
Sigo a letra para poder sentir-me como um tolo que estava a ser, e como um soldado que fui, ao combater este meu estado de alma.
E no refrão canto também…Eu te amo! Eu te amo!
A casa grita, é a campainha que toca… Não espero ninguém e o tempo não traz mais que um sol que ilumina a minha aldeia.
Vou à porta, abro-a em par com a esperança redobrada e vejo-te sorrir… A ti, mulher!
Vieste ao meu mundo real da minha aldeia, saindo da minha ilusão, para me abraçares para seres a minha eterna mulher. Renasci neste dia, acompanhado pelos meus desejos mais profundos e pelos secretos devaneios que fiquei extasiado e desejei que a vida nunca acabasse…

sábado, fevereiro 16, 2008

A Menina do Bosque


Foto de Guillermo Morgana


Certo dia alguém quis passear à procura de uma aventura destemida. Resultado. Havia uma menina perdida num bosque. E a noite apareceu de surpresa e a menina arrefeceu, sentiu-se só e abandonada à sua sorte. Pensou em culpar alguém, olhou em redor e não viu ninguém. Irritada. Culpou ninguém. E o tempo foi passando e assim ajudando-a pensar até que chegou perto de si… própria.
- Quem és tu menina perdida?
Foi a voz da sua natureza a suplicar-lhe uma resposta coerente e ela depressa respondeu:
- Sou a menina valor que desconhecia e perdida encontrei a minha noção. E agora só quero regressar ao meu lar…
Adormeceu triste e cheia de frio.
O sol acordou-a, olhou pela janela e reviu essa majestosa brisa… olhou em redor estava no seu quarto.
E ela gritou:
Bom dia!


(…A continuação está em aberto! Seja você mesmo a finalizar…)

quinta-feira, fevereiro 14, 2008

São Valentim


Foto de James Oley


Hoje o dia é a minha cara. Está estampado um sorriso atrevido de quem quer surpreender… Os olhos estão atentos e vestem aquele brilhante que só os amantes conseguem vestir.
O rosto rodeia-se de um terno corado inocente que procura passar quase despercebido aos olhos dos transeuntes das avenidas da nossa aldeia.
Mas é o corpo que guarda a ambição de quer ser assim todo ano e num esforço dos meros mortais entrega-se de uma forma invisível em cada dia que passa. Só hoje o rosto brilha… E ainda assim consegue esconder a parte que resta do corpo!
Se assim quiserem… esta cara será dos namorados sem idade, sem tempo e no perpétuo acontecimento exibirão os seus coloridos sentimentos na magia do espaço em que diariamente voam… hoje o dia é teu, meu e de todos!

terça-feira, fevereiro 12, 2008

Ilha do Amor


Foto de Scott Hoffman

(Este texto é um dueto com Vera Silva a pedido de STONE)



Escrevo-te! Para que saibas o que nunca tive a coragem de dizer, olhos nos olhos, pela simplicidade de não aceitar o teu olhar, fosse ele qual fosse…
Sim! É o medo que me norteia! Estou amparada na pessoa que não age para não ferir ou que se deixa ir ao sabor do vento mesmo que, por isso, me obrigue qualquer consequência.
Não sei se alguma vez irás ler estas linhas em que me deleito como que numa cena de amor, e é no teu peito que imagino a frase erudita que busco na minha cabeça, estremecida, mas que ainda consegue fabricar alguns tímidos desejos… Quero-te!
Nem imaginas o que penso escrever enquanto percorro o teu árduo corpo, sim árduo, porque o imagino entre a resistência e a loucura… a um passo, apenas, de ser só meu.
Oh! Loucura. É como me chamo, é como me sinto, quando quero gritar-te… Eu Amo-te! Oh, mágica imaginação que transforma essa sensação em lágrimas constantes… Já te disse aqui que é o medo que me norteia. Mas não há medo que chegue que me impeça de sonhar!
E na coragem emprestada vou imaginar que estas frases chegaram ao seu destino e que quis o tempo trazer-me a resposta. Quero ler-te assim:


“Meu amor... trouxe-me o vento os suspiros do teu desejo e as palavras que sempre ambicionei ouvir e agora posso tê-las. Soube desde o primeiro instante que tu eras o meu destino e descobri, na carícia do teu olhar, que minha alma te pertence há muito.
Sonho com um gesto teu desde o primeiro momento e aguardei, na ânsia, por uma palavra tua, que tardou em chegar. Por mais incrédulo o meu sentir, nunca consegui matar a esperança que julguei vã, e hoje, meu amor... Hoje!... Hoje tornaste o meu mundo mais feliz, porque sinto agora que estás no meu universo.
Aguardo-te na nossa praia, onde já misturei com o mar as lágrimas de saudade ao pôr-do-sol.”


Oh! Ternura. Doce brisa que afaga a minha imaginação… Oh! Loucura dos dias que passo entre o mar e a areia a olhar o teu rosto imaginado, o teu corpo esculpido no querer da minha imensidão feita de um rochedo perdido…
Tu nunca chegaste! E a tua resposta foi criada pela minha loucura, isenta de qualquer realidade. Morri na nossa praia. E o corpo perdeu-se nas areias da imprecisão.
Tu nunca chegaste… mas as ondas visitaram-me sempre, e foram elas que alimentaram a minha esperança, o meu desejo e a minha vida, perdida… nesta ilha do amor…

domingo, fevereiro 10, 2008

Campo de girassóis



Foto: Sunflowers - Ocean
De: Andreas Babik


Vejo ao longe o sorriso dos girassóis que parecem que esperar que os visite. Seus olhos cor de amêndoa doce e alegre transmitem a doçura dos iluminados inquietos, suspensos do mundo inerte e falível…

E o vento sopra palavras de incentivo e de loucura. Eles abanam numa dança de uma coreografia ensaiada e cintilam criando um quadro de perfeita harmonia. Vistos do céu fazem ondas de reciprocidade quase sem noção… de quem as vê, de quem as sente.

E o sonho nasce. Depois de adormecermos num recanto de relva verde, fixados no azul do céu e na espera do desejo paixão de marasmo conquistado nos vultos de pedra e cinza diluída no espaço emergido.

Este é o nosso segredo. Esta é a nossa forma de conseguirmos sobreviver aos dias perdidos na vida que dizem ser a nossa e em que nunca a conseguimos encontrar, para que a possamos projectar nas planícies dos génios e das flores.

O tempo passa. E a noite visita-nos. Já renovados percorremos o caminho inverso e regressamos à normalidade. Aparente. Trazemos o sorriso, emprestado, do girassol amigo no pensamento, trazemos o amarelo brilhante, contagiante, na alma que fomenta o nascer de mais um dia. O Sol irmão desse girassol simbólico também sorri e pisca-nos o olho guardando o segredo partilhado na véspera.

Podes chamar-me maluco. Podes pensar que sou incauto. Mas o meu desejo é encontrar esse caminho que me leve, de novo e em segredo, ao majestoso campo de girassóis para que em silêncio ame as cores da natureza e assim encontre a terapia para purificar os sentidos, perdidos, do meu acreditar…

Já sabes. De mãos dadas poderemos partilhar o nosso segredo. Podemos sorrir. E, no momento oportuno podemos fugir, embora que temporariamente, nunca deixaremos as nossas viagens, cúmplices, aos terrenos da noção e as terras da emoção.

Basta que tu o queiras!

Espero por ti!

Quero seguir o nosso caminho na busca da nossa identidade…

sábado, fevereiro 09, 2008

Não Sei...


Foto - Lost in reflection
De: Josephine Chervinska


Não Sei…

Sabes que não sei
porque desabrocham estas lágrimas de solidão,
sabes que nem nunca pensei sequer
porque amo esta infinidade
feita de desejo e prenhe d’emoção?

Isolo-me das mágoas, do silêncio inédito,
que esconde o mistério dito
e abraça a lenda do meu sofrer,
neste receio maior de te perder.

Não sei sequer do destino frutuoso
nem o meu estado
- talvez de carente amistoso -,
não sei…
da minha alma,
não sei…
do meu passado a sentir…
e não sabendo …
me sinta assim amado!

terça-feira, fevereiro 05, 2008

Viagem


(Foto de Mariana Cano - Blue)

Anjo. É por ti que procuro porque é a ti que quero encontrar… porque me fazes falta, preciso encontrar-te para te trazer para a minha vida, para poder soltar olhares de alegria misturados nos meus sorrisos de felicidade.
Já percorri o céu na boleia que as nuvens me deram, perdi-me nesse azul imenso coberto de sedução e de maravilha. Andei esquecido no branco algodão genuíno desse transporte numa busca crédula e não consegui encontrar-te…
Já andei pela selva inóspita tatuada de crenças e de mágicas aspirações no risco sublime de me perder e não voltar a encontrar-me para conseguir descobrir-te… sem sucesso. E nunca desisti… de ti!
Cruzei sete mares como um pirata que busca um tesouro e nas tempestuosas ondas desejei ser um pássaro para voltar ao céu… não para desistir de ti, mas para poder olhar outra vez o universo e para poder despertar os meus sentimentos de eterno desejado para que pudesses ouvir-me, ver-me ou apenas sentires…
Eu sei… que quando tu chegares me farás sorrir e eu apenas te direi amo-te… eu sei!
Eu sei… que só tu me farás crescer e que por ti viajarei aos limites do meu esforço desmesurado para conseguir fazer-te sorrir… eu sei!
E embora o tempo me fuja por esse caminho de terra batida, por muito que o vento sopre contra o meu corpo afastando-me do meu destino, ninguém conseguirá afastar o meu desejo fomentado estendido no meu consciente e aberto na criatividade do meu sonho…porque para mim já existes!
E numa repetida noite de frio ando sozinho a procura do meu agasalho. Sem medos da escuridão e sem limites para andar até que me perco nas ruas da ilusão onde me confundo e acredito na esperança até que o dia volte a nascer… para que a luz desse dia ilumine o meu caminho de regresso a casa para acordar desse sonho repetido.
E o tempo não pára. Das viagens que fiz por esse mundo de realidade e da fantasia soube sempre voltar ao meu lugar de pessoa emocionada e efémera…
Até que um dia o meu horizonte espelhava uma viagem cénica em que era acompanhado por ilustres amigos desse reino de pedra e guerra. A última viagem…
As lágrimas chamaram por mim e a esperança acenou-me de longe… os pássaros cantaram num uníssono um som de despedida e um sorriso de criança passou por mim num repentino movimento…
E o meu pensamento ditou as últimas palavras, sábias, do tormento das minhas viagens!
Sempre soube que a vida era uma viagem. Sempre soube que nunca encontraria o meu anjo desejado, mas o grande segredo era que teria que acreditar e fazer a viagem, espalhando alegria e escondendo o medo… oferecendo a magia da verdadeira amizade.
A verdadeira viagem foi a vida… pelos anjos que encontrei!
A minha última lágrima caída… foi de alegria e de consciência como foram os caminhos por onde andei… sem nunca desistir…de ti!

sábado, fevereiro 02, 2008

No Teu Olhar
























(Foto de: Josef Popper)


Vejo-te! Sinto as vibrações que percorrem o teu corpo. No teu olhar, desagua um rio chamado mundo… o teu mundo solitário, incompreendido, abandonado.
Sabes? Um dia… um dia vi, nesse mesmo olhar, um caminho secreto que nos levava ao casarão de madeira perto de um lago, onde sonhavas construir o teu lar feliz, lugar onde as crianças podiam brincar com a felicidade e a inocência entre o sol e a lua…
Sabes?... Sabes que sei que deixaste desfalecer esse sonho? Sim! Sei que sabes.
No teu olhar encontrei tantas mágoas, tantas incertezas, misturadas com fraquezas que se envolviam num frenesim apócrifo…
Talvez saibas, sim! Embora apenas mostres esse mundo real, foi no teu olhar que descobri uma pérola construída de esperança e força. Uma alavanca que te eleva nos momentos submissos contrariando os desejos alheios… Tu que nunca foste egoísta.
No teu olhar, vi a selva das decadências em paralelo com as fronteiras da lucidez!
Vi o sentimento profundo. Senti-te crescer…
Hoje é no teu olhar que desagua as impurezas do teu passado. É assim que libertas as tuas vozes caladas, num exercício de grandeza. Vives entre esse preâmbulo…
O teu crescimento aconteceu, mas consegues manter esse olhar infantil que questiona os porquês todos em teu redor…
No teu olhar vejo a chama que reacende para aquecer a magia de sonhar, vejo a alegria exposta na lucidez de seres mais que apenas um corpo!
E quando me olhas nos olhos, nesse momento único, nosso, revejo-me no passado… na criança feliz que existiu. Troco-te por uma mensagem de esperança e sigo… Sigo-te! Na ânsia de voltar a encontrar o que desejas no teu olhar…

sexta-feira, fevereiro 01, 2008

Já te disse hoje que gosto de ti?


















(Foto - You Are Not Alone de: Mehmet Ozour)

Um café! Acordou-me devagar, ainda não refeito de uma noite dormida à pressa. Dei os primeiros passos cruzando-me com pessoas conhecidas, que, alegremente, me davam um inusitado “Bom – Dia”. Respondi a todas com um gémeo cumprimento. Ficou-me a energia, revigorante, das pessoas com que me cruzei!
Meditei… antes nunca tinha pensado nesses pormenores, levava a vida a correr, num contra relógio contra o tempo, o meu tempo, em suma, contra mim.
Deixava passar os minutos, sem reparar neles, apenas reparava em algumas horas porque a sociedade me habituara aos horários preestabelecidos…
Não era eu! Não o verdadeiro eu…
Mas naquele dia, tudo seria diferente, mesmo que o meu exterior não o revelasse, mesmo que o meu rosto não o expressasse, era um dia diferente.
O dia da consciência! O dia que quebrava a barreira das oposições e conseguia entrar na essência do meu Ser, concedido pelos meus semelhantes que comigo conviviam diariamente.
Um café, mais um, para competir com tamanha alegria que sentia. Tinha-me revelado. Finalmente tinha entendido o sinal…o simples sinal de que podes ser tu mesmo se assim quiseres!
De alegria incontida, procurei-te, sim a ti que lês as minhas singelas palavras, a ti e a ele, e a ela, pela mensagem que não cheguei a mandar e pelo telefonema que pensei fazer, pelo e-mail que ficou por escrever, pelas várias possibilidades… mas acredita que te procurei, sei que sentiste essa energia e não ligaste, um arrepio, um vento suave ou um calor passageiro, era eu a tentar abrir a linha da nossa comunicação para te questionar, livre e abertamente, sem malícias ou secretos desejos, sem que fosse preciso uma resposta pronta e composta… e no tempo livre que gastei a viajar pelas pessoas, uma a uma, adornando as suas qualidades, deixei-me ficar aqui, sentado neste banco de jardim, etéreo, de lápis na mão a escrever no meu caderno dos desejos… vezes sem conta a frase repetida na minha mente…
Já?
Já te?
Já te disse?
Já te disse hoje?
Já te disse hoje que?
Já te disse hoje que gosto?
Já te disse hoje que gosto de?
Já te disse hoje que gosto de ti?
Já te disse hoje que gosto de ti? Já te disse hoje que gosto de ti? Já te disse hoje que gosto de ti?
E o meu pensamento, afectuoso, sussurrou ao teu ouvido…

quinta-feira, janeiro 31, 2008

palavras e mais palavras
















(Foto de Steve Boyer)


palavras e mais palavras
que oiço pelas vozes do mundo
entre as ferozes ideias empurradas
vejo-as expostas no painel da vida
leio-as nas palmas das mãos
dos vagabundos solitários
são palavras e mais palavras
que me fazem sonhar…
com a mudança
para que cada palavra
traga… alegria
empreste…magia
ofereça…paz!
palavras e mais palavras
que podem matar
mas que as usamos
como dádiva do amor…
separando-as da dor.

palavras e mais palavras
por um mundo melhor

terça-feira, janeiro 29, 2008

O Tempo



o tempo é…
condão dos inocentes
dos verdadeiros inesperados

o tempo é a justiça
para mim
para ti
para…todos!

segunda-feira, janeiro 28, 2008

Estranha Alegria Que Dás...

Deixas a noite cair
para desceres do teu berço dourado
deixas a escuridão envolver-te em fragrâncias
e despertas o teu falir
nessas palavras feitas de ânsias
escondidas no âmago imoderado.
Estranha alegria
que fazes sair
recôndita na prosa e na poesia
eloquente sem mentir.
Voltas ao ataque
procuras um destaque
estranha alegria que fazes sorrir.
E no momento
em que escreves a palavra plágio
fazes-me ser o evento.
Fazes o vento fugir
e de mim um Ás
estranha alegria que dás…

domingo, janeiro 27, 2008

Djinn

Para ti Djinn


não há barreiras erguidas no tempo, que não sejam derrubadas…
não há amores perdidos, que não sejam encontrados
não há vitórias sem que não seja preciso lutar
não há uma pausa… que não seja para continuar…
não existem probabilidades, existem realidades!

absorve as cores do teu arco-íris
para que possas pintar a tua vida de alegrias

contra todas as probabilidades... só TU podes decidir!

sábado, janeiro 26, 2008

Peça… de Teatro e da Vida!

Hall do Hotel Garden. Juan de fato azul-escuro e gravata azul-bebé, gabardina num braço e computador portátil na outra mão, entra no hotel, passa pelas flores situadas na sala de espera e leitura, e dirige-se à recepção para confirmar a sua reserva para aquela noite.
O ambiente é sereno. São poucas pessoas que estão por ali. A Juan não lhe passa despercebido a mulher que está no cadeirão da sala, mesmo à frente da recepção.
Sentada. Parece ser alta e esguia, cabelo preto e um olhar penetrante. Linda sem qualquer dúvida…para Juan ou para qualquer homem!
Há uma troca, observadora, de olhares. Há um primeiro momento, disfarçado, de aproximação.
Juan é bem recebido pelo gerente do hotel. Depois de confirmados os seus dados e de saber que essa noite iria ficar no quarto 304, dirige-se para um dos elevadores e sobe para o seu quarto. Antes de a porta do elevador fechar, outra troca de olhar acontece… há um segundo momento, assumido, de proximidade…

Restaurante do Hotel. 20 Horas. Juan desce para jantar. Entra no restaurante que está cheio de pessoas de perfil empresarial e é recebido pelo Chefe de Sala que o acompanha a uma mesa mais discreta e colocada estrategicamente, (de onde se pode observar a sala com maior capacidade) que estava reservada para si.
Juan como homem de negócios de enorme sucesso, está habituado pensar de forma rápida e sem oscilações, pelo que dá um olhar fugidio pelo menu e rapidamente decide. Pede o costume… Uma entrada de “Gambas á Gilho” e um “Bife á Chefe”.
Enquanto espera, lê o jornal de negócios e controla a sala de uma forma despercebida.
Há um momento que a sua atenção é “puxada” para a entrada… sem que perceba porquê, mas nem tem tempo para pensar, porque vê uma mulher vistosa a entrar sozinha… era ela novamente. Toda sala, inconscientemente, repara naquela esbelta mulher, que lida com essa situação com agrado, demonstrando estar habituada a ser o centro das atenções, em especial dos homens.
Depois de uma pequena conversa com o Chefe de Sala, é acompanhada por este, para a mesa mais próxima de Juan.
Ela. Enquanto escolhe o menu, troca algumas vezes o olhar com Juan, quase num desafio… pelo qual Juan não se deixa intimidar e assume uma postura de “garanhão”.
Escolhe e o empregado afasta-se. Ela deixa-se ficar imóvel, com ar pensativo e abandonado… o que seduz e intriga Juan.
Passam o jantar separados, mas, ligados em olhares e pensamentos.
No fim da refeição, ela levanta-se e dirige-se a mesa de Juan. Acedendo ao convite de intenções de ambos…

Bar do Hotel. Continuam juntos e conversam bastante. Tomam uns digestivos. O espaço é agradável e muito acolhedor, a música é serena, romântica como aquele momento começa a ser, que os seduz e proporciona uma solvência entre ambos.
Três horas depois sobem para o quarto de Juan. Trocam um primeiro beijo arrojado ainda no elevador.

Quarto 304. Assim que entram, com o fechar da porta, enroscam-se em apetitosos gestos de ternura e sofreguidão. Trocam beijos inflamados. Quase se despem. Juan já quase todo despido, pede um pouco de tempo para tomar um duche rápido. Estava decidido a tornar aquela noite mágica e inesquecível.
Ela, com uma maturidade estranha e poderosa aceitou e deixou-o partir.
Passaram apenas alguns minutos. Juan regressa entusiasmado e é confrontado com um pedido inesperado.
Ela, queria leva-lo para sua suíte. Argumentou que na sua suite existia uma piscina interior pelo que a noite seria mais generosa, mais inesquecível…
Juan concordou de imediato. Já estava num ponto de concordância com tudo o que ela sugerisse…

Suite presidencial. Ao entrar, Juan percorreu com o olhar cada pequeno espaço daquela suíte. Estava maravilhado. Sentia-se um verdadeiro “macho” pela sua grande conquista e um ilustre contemplado pelas energias da vida prestigiada…
Depressa retomou as essências daquele corpo divinal. Sentiu-se Rei. Sentiu que estava muito próximo do paraíso.
Foi uma noite de intenso e inesgotável prazer. Juan não deixará o crédito latino por mãos alheias. Os seus trinta e dois anos e a sua performance física também ajudaram.
Já madrugada, adormeceram, corpos enleados por baixo daquele lençol branco de cetim.

Novo dia. Juan acorda lentamente. A cama está quase vazia, ocupada apenas pelo seu corpo. A mulher que conhecera na noite anterior desaparecera. Com o olhar, percorre a suíte e repara num DVD à sua frente, branco e com letras garrafais pretas de um marcador próprio: JUAN 26/01/08.
Levanta-se confuso. Vai a janela para sentir o sol e para enquadrar-se com a realidade matinal. Sente um cheiro incomodativo do tabaco. Segue o cheiro na busca daquele corpo fantasia que animara a sua noite de segredos…e encontra um homem vestido de preto, barba por fazer, e de aspecto intimidador.
Este entrega-lhe um papel sem dizer uma única palavra. Juan, quase sem reacção, pensa múltiplas coisas… e sente o primeiro aperto no coração.
Lê:

ORÇAMENTO – JUAN

SUÍTE:………... 1.500 €
SERVIÇOS:…... 2.500 €
DVD……………5.000 €
EXTRAS:………1.000 €

TOTAL:……….10.000 €

(PRAZO DE PAGAMENTO IMEDIATO)

Juan levanta o olhar em direcção ao desconhecido, que continuava a fumar impávido. Finalmente percebera que aquela noite de luxúria, tinha sido premeditada. Uma noite filmada para um jogo de chantagem em que ele era a única vítima…

sexta-feira, janeiro 25, 2008

Projecto PÃO & POESIA




O meu Poema IRAQUE EM GUERRA foi seleccionado para participar no Projecto PÃO & POESIA


Edições Árvore dos Poemas e Mixpan Indústria e Comércio Ltda, convidam a todos para participarem no Projecto PÃO & POESIA.

Em breve lançaremos o projecto PÃO & POESIA. Inicialmente, serão impressas 300.000 embalagens com poemas no verso das mesmas. Os clientes das padarias, participantes do projecto, além de levarem pães para o café da manhã, levarão de brinde - poemas. As pessoas, que desejarem participar do projecto, devem enviar seus poemas para pao.poesia@yahoo.com.br - um dos objectivos, é divulgar novos autores, que permutem connosco a liberação dos direitos de autor, pela divulgação de seus trabalhos. Aqueles gostam de incentivar a leitura, agradecemos desde já, se nos ajudarem na divulgação do projecto. Vamos literalmente tentar, uma injecção de poesia nas artérias da realidade. É isso aí...
Pão, para o corpo...
Poesia, para o espírito...
Pão, para o físico...
Poesia, para o invisível...
E o trem segue: alegre e apitando invencível...
Et´sceteramente...
E nóis na rabeira ou den´dEle - d´carona...
Vamo-Q-vamo... d´YAMAHA ou HONDA, no moto-perpétuo da vida
ou; não lamente nenhuma vez, não ter surfado nesta onda...
Neste: delicado-sincero-ofertório, dedicado à alma humana.



IRAQUE EM GUERRA

Inferno que ilude
Recebe e dá… a dor
Amanhecer cor de fogo
Querer… sem amor
Uma criança que foge
E brinca de soldado…

Embalados em miras
Miras em movimento

Gente que morre
Um vento sofrido
Ecos de almas a partirem
Rostos de pânico
Rituais de um mundo perdido
Amor atingido… que morre!

quarta-feira, janeiro 23, 2008

Alma Gémea

Aos poucos, o primeiro raio de sol, ilumina o quarto. Amanheceu e os raios de sol, ainda tímidos, entram pelas frechas da janela. Iluminam, timidamente o quarto.

Aquece-lhe os olhos ainda fechados, e ainda que sem abrir os olhos, ela sente-se iluminada, como se a sua alma acordasse feliz para a vida.

Mas não! Ainda dormem, corpos que parecem abandonados pela vida, estão algures, no mundo dos sonhos!

Abriu os olhos, olhou para o seu lado e lá estava ele…, num sono profundo, completamente indefeso, lindo…, e ela pensou…- acordei feliz! Obrigado meu Deus, por esta felicidade! É tão bom sentir o amor, sentir que somos queridos, desejados e protegidos! É a nossa alma gémea, aquele que nos completa, que nos deixa numa plena e completa paz, como se de uma alma apenas se tratasse!

Aos poucos ele começa a acordar e ela finge que ainda dorme…, então ele começa a acordá-la com beijos suaves, como se fossem um sussurro, um arrepio gostoso na pele... e ela move-se devagar, ele continua a beijá-la no pescoço, arrepios que lhe percorrem o corpo, mas continua sonolenta, ele começa a percorrer o corpo dela quase sem lhe tocar…, só a transmitir o calor das suas mãos…, ele move-se devagar como um acto de magia, move-se ao leve tocar das sua mãos, - mesmo a dormir… - Hum… ela está a ter prazer! Aos poucos ele chega-se mais para ela, que sente o seu cheiro, já impregnado de prazer…, começam a fazer amor num acto suave, sem pressas, até que as suas almas e os seus corpos explodem num géiser de prazer absoluto…!

Adormecem cansados, mas completos, felizes, como só os amantes apaixonados se sentem. Eles são amigos, casados, namorados, cúmplices um do outro.

Acordam com o sol quase a pôr-se… a noite próxima pintava o sol de uma cor laranja e o céu de um azul esplêndido, como se fosse um quadro.

Ele acorda-a e depressa se vestem, ela não sabia porquê… Porquê??

- Depressa! - Ele diz-lhe…, temos que ir a um sítio…, ela incrédula… – mas onde? Saem de carro, apressam-se…para um lugar qualquer.

Já na estrada, com algum tempo percorrido, ele pára e diz-lhe que tem que fechar os olhos…, mas porquê? Pergunta ela…

- Não confias em mim? Tens que fechar os olhos!
Ela fecha-os, confiando nele como sempre fez.

Ela sente o carro a parar … e ele diz-lhe… – já podes abrir os olhos!

Ela abre-os devagar e o que vê…, meu Deus…, as lágrimas caem-lhe pelo rosto, não de tristeza, mas de tanta beleza.


Á sua frente vê uma praia linda, um caminho por entre palmeiras, ao fundo archotes a iluminar um sitio à beira-mar, velas em redor, um manto sobre o qual havia um manjar digno de princesas… meu Deus, um mar lindo, um pôr-do-sol magnifico! Era um piquenique à beira-mar… um sitio paradisíaco…

Ela nem queria acreditar, uniram-se mais uma vez, num acto de amor como nunca tinham alcançado.

Felizes a olharem o mar, enquanto o sol se escondia, ela ainda pensou… murmurando para os seus desejos: - Estarei a sonhar? Será que tudo não passou de um sonho a dois?

Sonho ou realidade? Deixo à vossa imaginação!


(Será este o melhor presente para oferecer á nossa Alma Gémea?)