sexta-feira, maio 16, 2008

Tu


(Foto de: Juan Carlos Rivera)


O dia começa com o acordar
desperto-me em ti
e ainda nem te vi
mas deixo-me ir.
Um manancial de ideias
percorre as aldeias
do meu mundo
na procura do teu sentir
escondido e distante
mas presente no meu fluir.

As guerras são as notícias
que a voz da rádio relata
é a nossa sociedade.
Mas só procuro a minha verdade
aquela que me mata
quando a ausência é a faca
que sangra na minha dor.
Quero-te… num beijo do nosso olhar
quero-te… entre o Sol e o luar
Tu! Musa do meu amor.

quinta-feira, maio 15, 2008

O Percurso Dum Sonho


(Foto de tamtam tamtam)

Foi a tristeza que me trouxe até aqui. E a distância desenhou um caminho, imaginário, para que o sonho pudesse ser realizado…
As letras, companheiras de luta, harmonizaram-se no objectivo da senda e a luz deu-nos a visibilidade para que, em uníssono, pudéssemos unir os nossos desejos.
Quero ser música, entoar uma canção, que seja o hino do amor, daquele amor impossível e que, na junção do arco-íris entre cada cor, consiga amealhar cada oportunidade, ou cada vontade para que a realidade seja glorificada.
São teclas de um piano solitário, que mexem em movimentos estruturados, a emoção do espaço quando brotam sons de elevação que nos fazem voar aos píncaros dos desejos timidamente escondidos no nosso segredo nunca partilhado…
As cordas do violino, em sintonia com as teclas do piano, também vociferam a sua presença, quase intemporal, e, nessa conjugação deixam o meu corpo inerte pregado ao chão, e de olhos fechados sinto a alma sair do corpo para gladiar-se pelo concerto recebido.
Estamos a viajar pelo soberbo, música corpo e mente, numa união fortificada e sentida na mais genuína forma sensorial.
E é nessa viagem que coisas inominadas acontecem, que perdendo a timidez, se vão transformando, dando expressão ao subtil momento…
Ganham contornos identificados pelas imagens do nosso conhecimento, acontecem por imaginação ou desejo, mas estão dentro do nosso âmago mais escondido ou nunca assumido. Confundem-se com sonhos, ou até com pensamentos em estado indefinido, mas é o poder da música que nos transporta e nada nos pede… Oferece-nos o momento.
De ouvidos preparados, fecho os olhos, iniciando a viagem ao mundo invisível do som… e abro o meu coração para receber a dádiva do teu querer, sinto-te em sintonia, junto do meu abrigo, onde, escondido, consigo, viver cada momento… e basta-me assim…
Enquanto a tristeza não se transformar em alegria, enquanto a distância não diminuir e o objectivo permanecer revigorado em cada amanhecer, sei que o mundo pode ser a transformação do meu acreditar e é nessa conjuntura que, nos corpos em que me transformo, espero um dia acordar. Numa manhã de sol com uma música, outrora nosso hino e contigo ao meu lado. E o passado será um sonho acabado, bordado pelo presente em que a vida começa, a nossa deslumbrante e almejada vida…

quarta-feira, maio 14, 2008

Rio de Sal



A edium editores tem o prazer de anunciar a edição da segunda obra do poeta Luís Ferreira, "Rio de Sal", cuja apresentação terá lugar na Biblioteca Pública do Barreiro, no próximo dia 17 de Maio pelas 17.00 horas.
Sobre a obra escreve Xavier Zarco prefaciador e apresentador da obra:
"Um registo poético impetuoso, porque mesurado por um olhar grávido de espanto, tocado pelas mãos onde brota o poder de criar, erguido por palavras essenciais.
Rio de Sal é um livro, uma teia poética, que, mais do que para ser lido e meditado, é para ser lido e sentido".

terça-feira, maio 13, 2008

Gula


(Foto de: Marina Cano)



Gasto os meus gestos adornados
em rituais
sóbrios e aclamados
sempre iguais…
Meus alimentos amados
parceiros demais
saciam-me o momento
em que me envolvo arduamente
e, sem o meu lamento
volto conscientemente.

É de prazer
que encho o meu Ser!

segunda-feira, maio 12, 2008

Âmago


(Foto de: Art Hale)

Em mim navega o ócio
desta vida livre e por viver.
Procuro o meu ofício
para por inteiro poder ser.
Sinto-me caudal
dessa forma feita de ilusão
sinto-me feudal
desta sociedade feita de prisão.
Acorrentado aos dias que vejo partir
derramo as lágrimas do tempo
de um tempo perdido
na mão vazia de quem quis construir
um mundo criativo… lido.
Afundo-me no desespero
da despedida
do que tenho e não quero
nessa miragem da partida
tão fugaz que nem a espero
hoje. É o dia da minha despedida.

domingo, maio 11, 2008

Noticias do fim-de-semana

Começou na sexta-feira, dia 09 de Maio, com a maravilhosa viagem até a bonita cidade de Évora. Estive na Escola, cujo blogue, De Mãos Dadas, podem ver.
Deixo uma mensagem:
Um forte agradecimento pela recepção que tive, pela tarde maravilhosa proporcionada.
Estar entre docentes tão dedicadas e entre alunos desta idade é das experiências mais fabulosas que um Ser Humano pode ter.
Não podia, deixar de realçar, o excelente trabalho que se faz nesta escola, que pode e deve ser, um grande e bonito exemplo para tantas outras escolas deste nosso Portugal.
Parabéns a todos.

Espero voltar para poder retribuir o que tanto trouxe dessa escola…

As crianças, a todas, umas palavrinhas para vocês: Vocês são especiais e encheram-me o coração de alegria. Obrigado.


http://escolaheroischafariz.blogspot.com/
(ou Clique no título)

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No sábado, estive no evento, Encontro de Olhares, organizado por amigos da escrita e em que foi lido o meu texto, “Alma Gémea”.
Foi uma boa oportunidade para rever amigos, que a distância insiste em afastar mas que nunca consegue.
Houve muita poesia, música, dança corporal e um coro para uma tarde muito bem passada.

Obrigado a todos que participaram e a Câmara Municipal da Amadora

http://encontro-encontrodeolhares.blogspot.com/

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Domingo, a boa nova. Pela mão do generoso Senhor Luís Gaspar, locutor consagrado, quis colocar-me no “Um mundo de poesia” no seu audioblogue – Estúdio Raposa e Truca, na parte das “Palavras d´Ouro” junto com as maiores referências da literatura portuguesa e alguma mundial, honra que me deixou muito orgulhoso.

Obrigado


http://www.truca.pt/ouro.html

sexta-feira, maio 09, 2008

Escola 1.º Ciclo Heróis do Ultramar em Évora




Hoje, terei o prazer, de visitar a Escola Heróis do Ultramar em Évora.
Sendo uma escola de 1.º Ciclo, será para mim, uma alegria enorme e de grande aprendizagem. Estas crianças são o nosso futuro!

Obrigado pelo convite!

Quem quiser e se puder, que não falte...

quarta-feira, maio 07, 2008

Encontro de Olhares

É no próximo sábado, dia 10/05/2008



Se puderem não faltem!

"Queridos amigos e poetas,

Tenho a honra de convidar todos os amigos e poetas, desta minha casa, para o evento “Encontro de Olhares” – (Poesia, Dança de Expressão Corporal, Música ao vivo e especial participação do Coral Clave de Sol) – a ter lugar no próximo dia 10 de Maio, pelas 16 Horas, no Auditório da Câmara Municipal da Amadora.

Participantes:

- Dionísio Dinis
- Ilda Oliveira
- Manuela Fonseca
- Ana Dias

Autores participantes:

• Luís Ferreira
• Rosa Maria Anselmo
• Conceição Bernardino
• Paulo Afonso
• Pedra Filosofal
• Vera Silva
• Vanda Paz
• António Paiva
• Mel de Carvalho

Câmara Municipal da Amadora – Av. Movimento das Forças Armadas (junto à estação de comboios)"

Jinhos
Nela


terça-feira, maio 06, 2008

Sentimentos


(Foto de: Sue Anne Joe)

De ciclo em ciclo
Viajo anónimo
Acorrentado e livre
Preso á emoção
Não sei quem sou,
Não sei aonde estou,
Nem sei se fico ou vou,
Á procura da razão.

Busco... e fujo
Para encontrar a causa da decadência
Num firme (com) passo
Ergo cada evidência
Lutando contra o meu próprio cansaço.

Tenho restos da minha angústia
E então sei quem sou...

Não que o meu rosto, sorria
Nem que seja ilusão
São poucos os momentos
Que exprimo os sentimentos
Espalhados aos ventos
No caminho da minha noção.

Vim da adolescência
Passei por sentimentos peculiares
De tão tradicional família pertencer
Dizem-me “vais vencer”.
Não venço nem sou vencido
Porque não estou a competir
Nesta vida, imperceptível
Onde se é lembrado e esquecido
Numa nostalgia profunda
Que constantemente está a chegar e a ir
Coberto de um aroma pomposo.

Não tenho arte
Mas tenho instinto
Não tenho medo
Mas tenho amor
Não tenho fama
Nem tenho drama
Mas tenho dor.

Preciso de um abraço
Porque ele é o laço
Que nos une
E que nos resume.

Não tenho estratégia
Nem sou a porta de qualquer tragédia
Quero ser a noção...
Que separa da mentira,
A verdade
Numa perspectiva da realidade
Na construção da felicidade
Quero ser desta sociedade
Ser... Em qualquer ocasião.


In “Vinte e Cinco Minutos de Fantasia”

segunda-feira, maio 05, 2008

Viagem

Tão só,
Na solidão do acto
E eu não parto
Para parte incerta, de facto.
Tão só,
Na solidão do que me resta
Em que nada me presta
E na parte do facto
Existe a parte
Que de incerta
Tem a solidão do acto
Parto...
De facto,
Tão só.

In “Vinte e Cinco Minutos de Fantasia”

domingo, maio 04, 2008

Cansado


(Foto de: Nour Eddine El Choumari)

Acordei cansado. Desta vida inusitada! As viagens diárias à montanha com o meu rebanho. A labuta, que se repete e que cansa…
E a escrita que ocupa os meus vazios quando tanto preciso deles. Vou parar!
Algo ficará para trás. Um dia até eu ficarei…
Tudo tem um fim, e o meu, quem sabe, se não é assim?
Por ora, importa parar, para poder repensar esta vida e dar-lhe um verdadeiro sentido.
Até já!


in “Diário de um Pastor”

sábado, maio 03, 2008

A Realidade


(Foto de: Ceslovas Cesnakevicius)

Medito. É assim que inicio o trajecto que me há-de levar até a ti. Voo nos pensamentos do passado que se misturam com os do futuro e se transformam num sedento alicerce debaixo dos meus pés… Um pequeno passo de cada vez, lentamente, muito lentamente e o meu corpo já percorre o universo sem que os olhos o sigam.
Sei que me esperas, de sorriso largo e de olhos brilhantes. Temos tanto por conversar tanto para dar que o espaço parece curto e o tempo indomável…
Talvez nem consiga soletrar uma única palavra quando na tua presença estiver, mas nem tão pouco me importarei, porque sei que o meu olhar falará por mim. Sei que nesse encontro, mesmo que nada digas, o teu olhar será o fruto que alimentará a minha alma e que fará o meu corpo regressar pelo mesmo caminho, só que mais conformado!
Nada é eterno! Nem eu, nem tu… essa realidade que tanto demoramos a entender e assim desperdiçamos o nosso momento e o nosso tempo, esse mesmo indomável que presencia todos os pequenos nadas esbanjados por luxuosos pretensos seres…
Sou protegido. Num mistério laico para o qual não encontro explicação mas que me proporciona essa altivez do magistério encontro, onde sou embrenhado por profundas luzes contidas de uma pureza altiva que perpetuam o âmago do meu incenso existencial.
É nesse estado que me sinto apto para voltar à realidade, os dias que me restam para que cumpra a minha missão, após a qual seguirei cumprindo-me…
Outros passos, outras realidades, acompanharão o tempo que continuará indomável!

(E a realidade será sempre os olhos da existência…)

sexta-feira, maio 02, 2008

Caminho


(Foto de: Don Paulson)

Caminho! É a palavra solta que vagueia pela minha mente, num acto de liberdade. Entre árvores, espectadoras, que, nas bermas da vida, aplaudem em silêncio na passagem para o imaginário… que chamo de caminho…
Confundo-me entre o espaço fixo que os teus olhos protegem e o libertar, imóvel, do sentido da estrada que reproduz essa mesma imagem, que já vagueia nas nossas mentes, quando, num nada, saltitou entre os nossos pensamentos.
Já não estou só! Já não sou um! Estamos ligados pelo mesmo elo que, omisso aos olhos dos próximos, se enobrece na pálida noção do passeio… transportando-se num ritual.
E, num raio de maresia vinda do céu, vem a tentação atroz, que traz quimeras vestidas de sonhos e, é nesse momento que um de nós acorda, rejeitando assim o futuro que outrem quer impor. Assim, a lucidez dá forma à liberdade que encontro no caminho… que iniciei!
Agora liberto, exorcizado, encontro e aceito o significado dessa palavra – caminho – ao vento libertino…
Volto a ser eu e a sorrir!

quinta-feira, maio 01, 2008

Acredita


(Foto de: Wim Ipenburg)

Dá um abraço no valor do teu querer e sorri…
Depois espera que o gesto se transforme para que o possas saborear!

quarta-feira, abril 30, 2008

Poeta e contadora de estórias encantam alunos

Para comemorar o Dia Mundial do Livro e dos Direitos de Autor, a Escola EB 2,3 Aristides de Sousa Mendes, na Póvoa de Santa Iria, organizou uma sessão de leitura que contou com a participação do poeta local Paulo Afonso e com a contadora de estórias Ilda Oliveira. Na presença de diversos alunos do horário nocturno, e com as portas abertas também aos pais e professores, durante cerca de 90 minutos, as várias gerações esqueceram as suas diferenças e deliciaram-se com diversos poemas e contos que cativaram desde cedo a audiência. Foram utilizados diversos meios para não tornar esta acção numa aula ou palestra, por isso, durante a leitura foi utilizada uma banda sonora apropriada e também a componente informática através da projecção de uma apresentação multimédia.
Depois de terminar, Ilda Oliveira, em declarações ao NM, salientou a importância destas iniciativas: “Tenho participado em numerosas iniciativas e é para mim um desafio quando encontro pessoas que pensam que a poesia ou a leitura são uma «seca». Enquanto falo vejo-os com atenção e no fim vêm dar-me os parabéns”, explicou.
Paulo Afonso, que está prestes a lançar o seu segundo livro, elogiou a ideia que os professores tiveram para assinalar aquele dia: “É muito importante aliciar as novas gerações para a leitura e eu tentei a aproximação quando lhes disse que também fui um «grande maluco»”, concluiu.
No final, entre organizadores e participantes, o balanço foi muito positivo e a sensação de dever cumprido ficava patente nas várias conversas entre os alunos e a contadora de estórias.

PS:Foi retirado do site: www.noticiasdamanha.net - (basta clicar no título)
Poeta e contadora de estórias encantam alunos por: António Murteira da Silva (texto e foto)

terça-feira, abril 29, 2008

I º Encontro Luso-Poemas


(Museu Do Vinho e da Vinha - Anadia)

26 de Abril de 2008


O Prefácio de um dia...


Agora que estou distante, uma lágrima tonta, foge do meu segredo e deixa-se diluir nas profundezas do espaço abstracto…
Tu que me lês… perguntas a ti mesmo, pela tristeza que embala este texto, numa aflição desconhecida e simultaneamente curiosa, e eu, adivinhando essa carência, aproximo-me do teu ouvido, sem que o teu olhar me toque e baixinho digo-te: - Não é tristeza! É alegria…
E assim, contemplo o dia que passou, que encheu a minha vida de gestos maravilhados e no abraço das palavras, todos, sem excepção embarcamos na viagem de união, que em silêncio selamos o nosso propósito, quando trocamos os olhares de cada universo…

António Paiva
Carolina
Cleo
Flávio Silver
Fly
Freudnãomorreu
João Vasco
José Torres
Laura Gil
Luís F.
Margarete
Pedra Filosofal
Rosa Maria
Tália
Trabis
ValdevinoXis

Resta-me o silêncio que as palavras não contemplam e em que as imagens não sentem, para que na meditação do meu momento, possa sentir-vos novamente, entre sorrisos…

Para os presentes uma pequena frase de emoção:

- O homem da palavra
- Trouxe no coração as crianças
- Um sorriso tímido mas constante
- Uma viola no saco e música no ar
- Aquele abraço prometido
- A voz surpresa
- Uma viola em acção
- O dom da comunicação
- A timidez da coragem
- A amizade na presença
- O olhar redentor
- O riso libertino
- A presença que faz a Dama
- Generosidade na grandeza de Ser
- O Pai silencioso
- O amigo de sempre

Que no próximo encontro, as presenças cresçam vertiginosamente, para que atinjam um número nunca imaginado.

Beijos e Abraços

segunda-feira, abril 28, 2008

Saudade


(Foto de: Bogdan Gavrus)


Tenho saudade do tempo ido, que o tempo levou, nessa viagem da vida.
Tenho algo, que chamo de saudade, e que guardo no meu íntimo mais paradisíaco.
Tenho como o momento, em que quero parar, o tempo para ficar eternamente junto dele…
Tenho saudade. Tenho tempo. E juntos tão separados existem dentro de mim…
Tenho saudade do que tive e já não posso ter, essa magistral, infância…
Tenho saudade… do meu tempo de menino.
Tenho e não tenho! É esse o sentimento que chamo… Saudade!

quinta-feira, abril 24, 2008

Transmutar


(Foto de: Andrey Vahrushew)

Abro o meu sorriso para anunciar que cheguei. Para que possam sentir a minha presença. Transmuto-me para partilhar convosco a minha emoção e a mensagem colhida nas paragens que fiz neste percurso de vida. Cheguei até aqui, junto de vós, para que juntos, pudéssemos viajar nesta magna sensação dos sentidos…
Vejam-me nascer, talvez como uma flor indefesa, e ainda assim, reparem que sorrio sem medo de ser feliz. Estou nos campos verdes da natureza, onde as cores pintam as alegrias, e a harmonia está visível entre o silêncio da noite e o calor dos dias…
Vejam-me crescer, talvez como uma ave observadora, que voa sobre vós em círculos e que está pronta para poisar suavemente no vosso ombro, para, em segredo e bem juntinho ao vosso ouvido, deixar poucas e simples palavras… Não tenham medo de tentar porque a felicidade depende apenas de cada um…
Essa é a minha nobre missão, emprestar-vos a imaginação que vos conduz ao mais ínfimo lugar dentro de vós e, nessa consciência sabática, deixar-vos a conclusão que cada pedaço do corpo e da alma é uno…
Vejam-me partir, entre as imagens e as vidas que consegui ser e em que imagino que me viram, quando me transmutei em várias formas, escolhidas por cada um de vós, em que, embora díspares, todas fizeram sentido, todas tinham o mesmo rumo, a mesma mensagem… viram como é possível que, embora todos diferentes, podemos ser iguais?
É hoje que vos digo, que, depois deste nosso encontro, já nada será igual. Partilhei o que tinha para partilhar e em cada coração aberto entrei e deixei por lá um pouco de amor, como uma semente que o tempo verá crescer, que, com o tempo, será parte desse corpo que vive neste mundo aceso… Agora sim, posso partir, porque semeei bem dentro de cada um de vós o melhor que nos faz viver a sorrir…
Regresso ao meu estado, numa última transmutação, para também poder aproveitar o que aprendi nesta viagem conjunta que convosco tive o prazer de realizar.
De sorriso expandido sigo o meu caminho porque sei que vocês estão aptos para seguir o vosso. Olho uma última vez para trás e num aceno separo-me de vós… pensarão que foi um adeus, mas não, o meu aceno incontido foi, e será sempre, de um profundo agradecimento. A todos os que comigo se encontraram nesta partilha de vida o meu eterno obrigado.

quarta-feira, abril 23, 2008

Escola EB 2, 3 Aristides de Sousa Mendes na Póvoa de Santa Iria

Hoje, 23/04/2008 a partir das 20 horas, estarei presente e tenho o prazer de contar com a participação da minha Colega Ilda Oliveira, num evento sobre a escrita (poesia em especial) na Escola (Agrupamento de Escolas) EB 2,3 Aristides de Sousa Mendes na Avenida Dom Vicente Afonso Valente – (em frente aos Bombeiros Voluntários) na Póvoa de Santa Iria.

Deixo aqui o convite. Quem puder e quiser que apareça.

Obrigado

segunda-feira, abril 21, 2008

Espero-te…


(Foto de: Elena Orlova)


Espero-te… ao pôr-do-sol para que juntos possamos ver a despedida do calor das nossas vidas, agora que o destino nos transformou em mais um dia, desses que aconteceram sem que ninguém reparasse nele…
Espero-te… na noite escura, para que possas surgir entre o medo e o receio, e assim estejas junto de mim, sem que ninguém olvide que me pertences, para que tu, mesmo que não queiras sabê-lo, para que sejas eternamente feliz…
Espero-te… nesse luar, feito na viagem, que ambos construímos nos nossos íntimos imaginários e nunca confessamos a ninguém…
Espero-te… porque é o nosso destino, porque é o elo que nos faz andar neste caminho feito de sonhos e ilusões, criados entre verdades ocultas e em segredos bem distribuídos…
Espero-te… porque esse foi o teu desejo um dia…
Espero-te… já!

domingo, abril 20, 2008

Poema


(Foto de: Wojciech Grzank)

Tu fazes-me sorrir
quando me pedes um poema
e sem que te peça um tema
imploras que escreva ao meu sabor.
E eu deixo-me apanhar
nessa teia embrenhada no ar
imagino
a lágrima enxuta ao vapor
e a razão dessa louca exortação
onde consigo até chegar a tua dor.

E é nesse corpo exposto
que procuro a alma da tua poesia
para encontrar a palavra do teu próprio caminho.
Fico, nesse instante, sozinho
deleitado com a alegria
das palavras que me trazem a fantasia
e é assim que escrevo o teu momento.
Nascem as palavras que em mim… onde hão-de fluir
desabrocham num teu beijo a ruir
para que o poema seja o nosso alimento.

sexta-feira, abril 18, 2008

Senhor das Almas


(Foto em: http://senhordasalmas.wordpress.com/)


Subia de novo a montanha. Olhei uma primeira vez, para cima, e pareceu-me ver um rosto com um sorriso espontâneo que me esperava. Continuei o meu caminho. Próximo do meu rebanho e do meu Dick numa sintonia ritmada. Mais perto do topo da montanha olhei de novo e o rosto expressava um sorriso ainda maior!
Como nem o rebanho nem o cão manifestaram qualquer sinal de diferença não dei importância. Mas a energia, a força e o ânimo estavam lá…
E lá cheguei ao topo…
E lá se deu o encontro entre mim e o tal rosto sorridente. Só depois percebi que era o sorriso da alma…
Desde então revemo-nos semanalmente e a experiência tem sido reconfortante, espero que, para ambos…
Obrigado Senhor das Almas!

quinta-feira, abril 17, 2008

Ao Meu Anjo


(Foto de: Renata ?aska)


Hoje chego cansado. De tanto lutar com as palavras ditas. Ditas ao meu rebanho que nos montes andou impávido e sereno sem que o som das minhas palavras fizesse o mais pequeno ardor aos seus ouvidos.
Cansa-me. Esta mania na forma de desprezo cansa-me. Empurra-me para uma solidão que não quero. Só tu, minha santa amada, saberás compreender. Mesmo que a distância nos mantenha separados a compreensão estará sempre em nós.
É para ti que deixo o melhor do dia, uns beijos campestres!
Tu hoje mereceste! Em boa verdade mereces sempre…

in “Diário de um Pastor”

quarta-feira, abril 16, 2008

O Cão


(Foto de Scot Steele)


Volto mais alegre. O meu Dick orgulha-me. Ainda não vos tinha apresentado o meu guardador de rebanhos? Pois é… Chama-se Dick. E é um cão muito inteligente e de uma excelente postura atlética, com o calor o seu corpo brilha num destaque inequívoco do seu tom preto luzidio. Já me deu várias provas da sua coragem e da sua amizade. É verdadeiramente impressionante como sem falarmos nos entendemos na perfeição. Ele sabe quando estou melhor ou pior, e numa simples troca de olhares emprega a solidariedade que mais preciso. Sofre comigo. Expande a minha alegria como se fosse a sua e sem que nada peça ele está sempre responsável por todo o rebanho.
Hoje tomei consciência da sua verdadeira importância, por isso, regresso a casa mais alegre. A minha palavra de hoje é para ele. Obrigado Dick!

in “Diário de um Pastor”

terça-feira, abril 15, 2008

O Poema


(Foto de: Vladimir Lestrovoy)

Madruguei. E quando o sol nasceu, entre a sua luz e o meu sono, escrevi um poema.
Quase que o deitei fora, ora, o meu rebanho não o quis… e nesta solidão, da montanha inerte, quase que adormeci novamente. Não posso! É na noite que me deito…
Mas reafirmo:




“Tenho Sono…”


Tenho ausências de lucidez
entre desejos incontidos
entre uma sorte moribunda.
Tenho seriações flácidas…
que o meu estro esconde.
Tenho rotas de juvenis decorados
entre mares dum sabatismo ortodoxo…

Fujo das heresias
Apenas e só… tenho sono!


(Sigam o meu rasto…)


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Nota Informativa:
_________________


Sobre os versos:

“Tenho rotas de juvenis decorados
entre mares dum sabatismo ortodoxo…”

Na liberdade poética do autor a frase “ Tenho rotas de juvenis decorados” pretende aludir uma analogia simples, cujo objectivo único é o de emprestar a ideia dos caminhos dos adolescentes que na sua condição própria conseguem sempre ou quase sempre elevar o pouco (em especial da vida) que conhecem.
E, na frase “entre mares dum sabatismo ortodoxo…” é intenção referir que, ainda assim, o que se suporta (ao que atrás expliquei) é conseguido por conhecimento rígido, imposto, e na junção de ambas frases, é pretendido abonar um pouco de uma confusão subtil, quiçá, provocada pelo sono que é a base do poema.

Obviamente que o autor corre o risco de errar, como corre o risco de fugir ao seu traçado poético, mas é esse o desafio implícito que faz quando opta por criar. A criação é isso mesmo. Afinal, o autor não pretende castrar o seu sentimento quando o passa para o concreto.

segunda-feira, abril 14, 2008

Dia Seguinte


(Foto de: Elena Tanasescu)


Voltei para ler as palavras que ontem escrevi. Vejo que crescem em mim…
Hoje sinto a alma dessas letras expostas, como ontem senti quando as escrevi. Não sei, se ao lerem conseguem sentir essas formas entreabertas que se misturam na página preenchida. Volto sempre para que me alimente das letras deixadas no chão da minha folha da vida.
E na essência da mulher que procuro, que quero desfrutar, deixo-lhe um gesto da minha presença.

Com flores deixo o meu beijo presente!

in “Diário de um Pastor”

domingo, abril 13, 2008

Diário de um Pastor


(foto de: Leonid Padrul)

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No meu pensamento florescem bonitas rimas em versos destemidos para brindar.
Ergo-te nas mentes e nos alpendres em que passo para desejar noites de fantasia e emoção. E entre palavras, ditas e desditas, semeio o meu trigo e passeio o gado que me governa.
Amanhã passarei outra vez para colher o que antes semeara e assim viverei até que as forças me deixem…
Não sei se algum dia as minhas palavras chegarão a algum lugar, ainda assim, brindo-te com a minha intenção.
Deixo cair um desejo embrulhado num apertado abraço!

in “Diário de um Pastor”

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terça-feira, abril 08, 2008

Dois Irmãos


(Foto de HUNG TON)

Decorria o ano de 2000 e as pessoas recompunham-se do susto do proclamado bum da mudança de século em que muitas vozes gritavam horrores que terminavam quase sempre em que o Mundo iria acabar…

Entre quimeras, (eram 12/13 de seu propósito), vivia Letapatim, homem de vastos recursos mentais que compensavam a sua falta de destreza física, provocada por um problema que nascera consigo, que já se tinha habituado a combater, ultrapassando-o com alguma mestria.

As suas fantasias, outrora misturadas com algumas visões iluminadas, passavam por ser uma pessoa com uma vida normal, se possível, completamente dedicadas as letras, e em especial a literatura.
Sonhara escrever um livro que fosse um best-seller e criava, dentro da sua cabeça, um mundo próprio.
Arranjara uns heterónimos para fluir as suas necessidades da escrita. Ele era o Litaipe numa escrita mais em contos, o Luspub na poesia e o Lokoisopot nas crónicas da vida real…

Escrevia sempre. Entre mundos, onde o seu se movia, criava personagens nas quais mandava, e onde fazia as suas justiças, organizava planos bem estruturados para exercitar a sua mente e assim vivia escondido no “bunker” da sua casa. Tudo era feito através da Internet. Movia-se muito bem nesse mundo, compensando assim as outras faltas…

Envolvido que estava na sua condição, por vezes, e de forma dissimulada, extrapolava a sua função e sentia-se um polícia da net, onde passeava dia e noite.

Numa dessas viagens, numa cidade distante, encontrou a casa de Tapeli. Visitava-o sempre que podia, para ler o que, quase diariamente, escrevia. Havia algo que o atrai-a. Também por ser um leitor compulsivo, viaja entre as cidades da net, tornando-o num passageiro do tempo.

Certo dia, na casa de Tapeli, deixou um presente envenenado. Não tinha gostado da cor das ameixas que Tapeli tinha pintado o seu quadro vanguardista. Sem que se identificasse, deixou a sua marca de revolta, não contra o quadro ou a escrita, mas contra o autor…

Voltava sempre aquela cidade, e em especial, àquela casa de gente de bem para relembrar a sua argúcia, infundamentada, mas que lhe dava um prazer absoluto comparado ao jogo em que apenas ele jogava e ganhava…

Foram meses nesta mestria! Sem que, do outro lado, houvesse reacção, até que, um dia, Tapeli reagiu, sem saber de quem se tratava. A paciência tinha-se acercado da fronteira dos limites…

Tapeli procurou a sensatez para que os seus passos não fossem em falso. Mais que tudo, queria entender o que levava alguém a agir daquela forma, aberrante e ilustrada… Queria pensar de igual forma…

Começara o verdadeiro jogo! Agora já não era um só jogador a fazer jogadas ao seu belo prazer. Havia ataques e contra-ataques estratégicos, cravadas por plenas manobras de diversão.

Jogava-se com total liberdade, excepto na demonstração da peça inicial, que, por alguma vez assumira a sua verdadeira identidade…

E o jogo foi longe demais! Foram usados todos os recursos para que o jogo finalizasse. Tapeli apostava tudo. Já era uma questão pessoal muito para além do jogo inicial.

Até que um dia a falha aconteceu.

Luspub, Litaipe e Lokoisopot foram descobertos num corpo só e muito exposto. Estava a caminho de outro país quando foi interceptado pela CIA (Camaradas Investigadores e Amigos) que, numa operação conjunta de longo tempo, vinham seguindo pistas.

Afinal, Litoskyps, seu verdadeiro nome de baptismo fora descoberto. Tinha em seu poder uma colecção de passaportes de vários países e várias identidades. Multifacetado. Era apanhado por causa de um jogo simples que insistia em prosseguir.

A sua detenção foi manchete internacional. Era a mesma pessoa que liderava uma enorme seita através da Internet. O Guru mais procurado de sempre!
Tinha, sobre sua alçada, imensos crentes espalhados pelo mundo. Estavam a premeditar um genocídio através da Internet para breve… seria dentro de dois dias…

A CIA foi premiada com a medalha de mérito pelos bons serviços prestados em prol da sociedade.

Krupslap, o mentor das investigações e amigo pessoal de Tapeli, foi também condecorado pelo estado.

Já decorria o julgamento quando outra bomba estoirou…

A verdadeira história de Litoskups, era difundida por toda a comunicação social internacional. Ainda recém-nascido tinha sido entregue a uma família de adopção com quem vivia actualmente. Nessas mesmas investigações, descobriram que os verdadeiros pais já haviam falecido, mas que, ainda vivo existia um irmão…

Litoskyps e Krupslap eram irmãos de sangue. Uma fuga de informação originara outra bomba…

Ouvido pela comunicação social, as únicas palavras de Krupslap, sobre essa mais recente bomba foram: “Se pudesse voltar atrás, teria trilhado o mesmo caminho!”

Krupslap reformou-se dois anos depois. E Litoskups, condenado a prisão perpétua, é hoje um colaborador especial da Polícia Federal para o crime organizado, em especial através da Internet.

segunda-feira, abril 07, 2008

Um Recado


(Foto de Chung Chan)

Só as estrelas me tocam
(escusas de tentar...)
Nas vagas do tempo que está para vir,
(ainda assim é preciso esperar...)
E na preciosidade das palavras secretas
(vejo o teu olhar escondido...)
Escondo-me e apago-me
(e também me escondo... fujo)
Sem mais gestos clandestinos
(nem desejos insurgidos)
E sem a avidez dos sentidos.
(desisto… de querer!)
O sal queima-me a pele
(de uma forma subtil)
E as letras a boca quente.
(alimentam-me o Ser.)
E lanço-me ao vazio vago da escuridão,
(na ânsia e na procura,)
Num sonho e num desejo,
(sem limitações do acessos)
Envoltos em liliáceas
(visto os pecados)
Com que me cubro
(e danço em fantasias)
E espero...
(melodias do acto)
Espero-te...
(achego…)

(Dueto com Vera Silva - numa brincadeira - "arranjada" pela Stone)

domingo, abril 06, 2008

por Xavier Zarco

Hoje venho divulgar as palavras de Xavier Zarco que em http://euxz.blogspot.com/ escreveu sobre a minha escrita.

Obrigado Camarada,
Um Abraço


“Escrevo-vos sobre Paulo Afonso. Conheci-o pessoalmente há escassos dias no Alvito como referi neste mesmo diário.

No entanto, já conhecia a sua escrita. Tal ocorreu quando me veio parar às mãos um original seu para que sobre este desse uma opinião.

Ler Paulo Afonso foi um desafio curioso, sobretudo porque nos confere a sensação de entrar num universo quase diria íntimo, próximo que está, para quem assim o ler nas entrelinhas, de um registro epistolográfico.

Textos curtos e serenos, verdadeiras missivas. Prosa poética bem urdida, com leveza de linguagem que nos transporta para os mais díspares cenários.

Assim, recolhi cada poema, como se estes repousassem no bojo de uma garrafa sobre o areal. Por eles, decifro a distância como se aí, em cada um desses quadros, de facto estivesse.

Em suma: a concisão aliada à capacidade de sugestão, farão deste escritor uma boa descoberta a quem dele desejar se acercar.”

sexta-feira, abril 04, 2008

sou palhaço assumido…


(Foto de: Vezon Thierry)

Querelas levaram-me ao paraíso… e lá senti-me efémero.
Então perguntei ao meu umbigo: - Que procuro eu?
Sem que conheça a resposta – sentíreis-me idiota – O Ser das ideias em prol dos ideais…

No passado fui um palhaço do circo da vida…

quarta-feira, abril 02, 2008

perdido no espaço


(Foto de Vladimir Lestrovoy)

Hoje nada tenho para partilhar - sobra-me um silêncio - dos olhares e das luzes solitárias das noites frias…
Hoje não quero alegrias nem tristezas… nem me quero a mim!
Se me virem por aqui - ou por aí - mandem-me para casa.
Mais tarde quando estiver em mim saberei agradecer-vos…

segunda-feira, março 31, 2008

Janelas do Coração


(Foto de: Miguel Angel de Arriba Cuadrado)


Da casa em ruínas, abandonada pelas correntes de um presente em que fugimos do campo, talvez pela fuga ao trabalho na terra, ainda recordo os espaços que cresceram em mim e que assim me ajudaram a crescer…
Os soalhos de madeira que rangia quando nos escondíamos nas brincadeiras de crianças e as janelas que, na inocência, saltava à procura das aventuras destemidas do amor. Sim! As maiores loucuras eram pedidas pelo coração…
Recordo esses momentos com uma angústia destemida, ao olhar para aquela casa à espera dos seus últimos dias. A velhice que o tempo não escondeu também trouxe esta realidade tão dura como a que me distanciou da minha infância.
Também me sinto um velhote que alimenta a alma com recordações fortes e coloridas, cheias de momentos alegres e mágicos… Hoje, em cada recordação, abro uma janela do meu coração.
A nossa casa era feita de pedra e cimento por fora, mas por dentro, era forrada a madeira que dava um calor e um ar campestre, num ambiente leve e de constante ternura.
O carinho das assoalhadas, cada uma com a sua responsabilidade, era patente de uma forma natural. Recordo-me que gostava em particular da sala da biblioteca. Talvez por ver o meu pai sempre por lá depois do jantar, sentado no seu cadeirão de leitura, de perna cruzada, com o seu cachimbo na boca e um livro ao colo. Fascinava-me. Fascinava-me vê-lo, e desejava secretamente, que, em adulto, tivesse a minha própria casa com um escritório assim, secretária de madeira trabalhada e um candeeiro de sentinela junto da poltrona. Sempre acompanhado pelas lombadas dos inúmeros livros que pareciam olhar-me e chamar por mim…
Recordo o pátio em terra batida onde jogávamos á bola e assim justificávamos o ralhar da nossa mãe porque, no fim de cada dia, a roupa estava pejada de poeira.
Da cozinha tenho guardado o esconderijo dos bolos que, secretamente, abastecia o meu desejo para preencher o bocadinho que a gulosice arranjava, pois os lanches eram fartos em outros comeres, mas o meu instinto de predador queria doces…
E no meu quarto, lugar das minhas descobertas, carpia os amores não correspondidos e alimentava os sonhos que aqueciam a minha alma. Escrevia bilhetes de esperança que não conseguia entregar. Fazia o meu teatro da vida para que estivesse preparado para num encontro do destino pudesse declamar poemas de conquista à menina dos meus desejos e assim, numa jura de amor, firmássemos um contrato vitalício de união.
Tenho saudades das árvores de frutos, colhidos sem critério, apenas ao sabor de um gosto de quem queria comer uma fruta vistosa e apetecida. Lembro-me que a manga era a minha eleita. Por acaso também era a maior árvore do quintal.
Agora tudo é efémero. Dura apenas o tempo em que abro cada janela do meu coração.
Saber-me feliz nesse passado bem preenchido é a maior força que recebo para entrar pela porta do meu destino.
Hoje já não tenho esse casarão, nem as forças da juventude rebelde! Mas as janelas do meu coração estão abertas… e por elas, deixo-me fugir… em novas loucuras do meu querer!
O que me falta em tempo e em força, é-me compensado pelo conhecimento… do Amor!
Continuo a ver-me sorrir, envolto, na felicidade da vida…

domingo, março 30, 2008

Vagabundo das Palavras


(Foto De: José Pereira-Zito)

Vagabundo! Como que fosse feito de um mundo de aventuras, parti em busca da vida boémia das palavras, não que fosse uma vida descuidada, mas no sentido de poder dar algum alimento à minha alma, numa viagem desejada ao nosso querido Alentejo.
Na rota de dois eventos literários, a oportunidade de desfrutar de duas terras prometidas de um vasto paraíso interior, ou escondido, designado Alentejo.
O corpo, fatigado do trabalho árduo de transportar essa mesma alma, foi nutrido à chegada pelas carnes da região que foram superiormente acompanhadas por umas migas de espargos. Já a alma, essa exigente rebelde, pedia muito mais, para se saciar… qual pedido interpelado? Se nem tão pouco foi necessário qualquer tempo para que os sorrisos aquecessem a minha paz interior. E assim as palavras estiveram sempre presentes! Palavras elevadas de pura magia…
Perpetuadas nos livros, acompanhantes inseparáveis, ou nas bocas dos declamadores, elas foram uma fonte inesgotável de uma pureza incontida que sabiamente alimentava as almas. A minha, e quiçá a de todos os presentes.
Aventureiro! Dessa nobreza de ricos episódios de sapiência em que fui brindado, e em que a paisagem serena nos brindava, eis que o tempo nos fugia e a alegria incontida se deixava seduzir. Vi amigos da palavra, encontrei camaradas de estrada e fortes mentores que o meu estado vadio desejava numa procura inconsciente.
Vi palestras conseguidas e preciosas obras que trouxe comigo. Senti-me! Senti-me feliz de o meu crer, na junção do meu outro querer, estarem alinhados no mesmo sentido.
Senti o valor de quem tanto dá. Senti a sua paixão, e, entre tanto sentir, senti esse desígnio dos fidalgos que, humildemente, percorrem os espaços por preencher numa missão consciente e necessária.
Entre o que vi, e o que senti, fui moldando o vagabundo em mim, transformando-o num menino de olhos brilhantes a porta do seu paraíso. De uma alegria imensa que gerava sorrisos alargados e cândidos.
E no tanto que recebi, com essa inaudita riqueza do acto, de dar sem pedir, essa clarividência do ser, com que fui brindado, fui consciencializando-me que essa magnitude é, e será, o meu alimento e a minha roupa com que me apronto nesta longa caminhada.
E só lamento que não consiga transmitir esse meu longo sentir, que no recanto da minha intimidade uma lágrima de alegria simboliza!
Que um dia, nem seja só por uma vez, num momento singular que seja, possa retribuir!

Um vagabundo perpetuamente grato…

sábado, março 29, 2008

Eventos Literários



É hoje! A viagem vai começar. Uma viagem que vai ao encontro da poesia e da alegria, dos amigos e das maravilhas da região. Entre um passeio apetecido, gastronomias e tertúlias, a vida que tanto gosto acontece…
O Alentejo espera-me e eu quero-o.
Até já!

quarta-feira, março 26, 2008

Carta a P.G.


(Foto de Julie Groulx)

Bom dia!

Hoje dedico-te as minhas primeiras palavras! São singelas e fui angaria-las ao meu sentido emocional, para que as possa dar com a emoção que mereces.
São bordadas a ouro, um ouro lúcido e transparente. Estão também recheadas com a magia de uma amizade por solidificar. Quase de uma forma prematura, elas saem com fluência e trazem no rosto um ar casto e sensato. São como a tua imagem!
Deixo-te assim a minha prenda, esse sorriso que constróis, ainda que tímido mas sincero. Pois é! Esse teu sorriso é a minha humilde prenda. Fazer-te sorrir é uma prenda partilhada e que se oferece mutuamente.
Acrescento-lhe o desejo de poder dar-to todos dias, e que, com o passar dos anos possa, de uma forma presente, oferecer-to sempre.
Por ora, a palavra mágica e justificada, Parabéns!

Um beijo sol que denomina a estrela que há em ti!

FELIZ ANIVERSÁRIO

Paulo Afonso
26 - 03 - 2008

segunda-feira, março 24, 2008

Dia 29 Março 08 - Alvito E Viana Do Alentejo

A edium editores desloca-se este fim de semana ao Alentejo para apresentação de 2 livros de poesia em 2 sessões.
Os livros, da autoria dos n/comuns amigos, são: "O Livro do Regresso" de Xavier Zarco, Prémio de Poesia Raúl de Carvalho 2005 e "Da Humana Condição" do poeta alentejano José-Augusto de Carvalho.
As sessões, ambas no sábado, dia 29, serão em Alvito, 16.30 horas na Biblioteca Municipal Luís de Camões, autarquia que instituiu o Prémio Raúl de Carvalho e, pelas 21.00 do mesmo dia, em Viana do Alentejo (Salão da Junta de Freguesia) local onde nasceu e reside o poeta José-Augusto de Carvalho.
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Sobre “O Livro do Regresso” do poeta conimbricense, Xavier Zarco

Depois do lançamento em 2007 do premiado “Variações sobre tema de Vítor Matos e Sá – Invenção de Eros” a edium editores lança agora “O Livro do Regresso” de Xavier Zarco, obra também galardoada, desta feita com o Prémio de Poesia Raul de Carvalho, instituído pela Câmara Municipal de Alvito.
Aliás a colaboração deste poeta conimbricense com a edium editores tem sido intensa e frutuosa: participação na 1.ª Antologia Poética “Amante das Leituras” 2007, a referida edição de “Variações sobre tema de Vítor Matos e Sá – Invenção de Eros”, prefácios de obras dos poetas Andityas Soares de Moura, Ana Maria Costa e Paulo Themudo. No prelo, a edição de “Nove ciclos para um poema”, Prémio Lusofonia 2007, da Câmara Municipal de Bragança.
O fulgurante trajecto literário de Xavier Zarco conta com uma vasta lista de obras publicadas: O livro dos murmúrios (1998), No rumor das águas (2001), Acordes de azul (2002), Palavras no vento (2003), In memoriam de John Lee Hooker (2003), Ordálio (2004), Hino de Santa Clara (2005), O guardador das águas (2005), O ciclo do viandante (2005), O fogo A cinza (2005), Stanley Williams (2006), À beira do silêncio (2006), Monte maior sobre o Mondego (2006), Afluentes do poema (2006), Trinta mais uma odes (2007), Divertimento poético (2007), Variações sobre tema de Vítor Matos e Sá: Invenção de Eros (2007) e Poemas com rosto (2007).
A Xavier Zarco foram ainda atribuídas as seguintes distinções: Prémio de Poesia Vítor Matos e Sá - 2004, organizado pelo Conselho Científico da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, ao título O guardador das águas; Menção honrosa (poesia) no Prémio Literário Afonso Duarte – 2004, realizado pela Câmara Municipal de Montemor-o-Velho, a Monte maior sobre o Mondego; Vencedor do Concurso para a letra do Hino da Freguesia de Santa Clara, efectuado pela Junta de Freguesia de Santa Clara, em 2004, com Hino de Santa Clara; Prémio de Poesia do Concurso Literário Manuel Maria Barbosa du Bocage - 2005, promovido pela LASA - Liga dos Amigos de Setúbal e Azeitão, a O fogo A cinza; Prémio de Poesia Raúl de Carvalho - 2005, levado a efeito pela Câmara Municipal do Alvito, a O livro do regresso (agora editado); Prémio de Poesia Vítor Matos e Sá - 2007, do Conselho Científico da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, a Variações sobre tema de Vítor Matos e Sá: Invenção de Eros; Prémio Literário da Lusofonia - 2007, da Câmara Municipal de Bragança, a Nove ciclos para um poema (no prelo da edium editores para edição em Junho 2008); Menção Honrosa (Poesia) no 1.º Concurso de Conto e Poesia da CGTP-IN – 2007, a 25 Cravos de Abril (título ainda inédito).

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Sobre o “Da Humana Condição” do poeta alentejano José-Augusto de Carvalho.

José Augusto de Carvalho nasceu em Viana do Alentejo a 20 de Julho de 1937, onde reside.
O autor, com seis obras já publicadas apresenta-nos este título revertido e inspirado da obra de André Malraux “A Condição Humana”; José Augusto de Carvalho recupera os paradigmas da evolução humana, e discorre sobre a moralidade, a política o conflito num registo quase sempre na 1.ª pessoa, um incarnado resistente, desagrilhoadas as correntes que se soltam em palavras que se ordenam em destinos.
Xavier Zarco na nota breve de abertura sublinha a propósito:
“José-Augusto de Carvalho apresenta-nos, em todo o seu esplendor, a humana condição, que quantas vezes fazemos de conta não ver, mas que existe e invade, enquanto jantamos e lançamos comentários que, amanhã, poucos deles restarão na nossa memória, porque a vida é feita no desespero de cumprir a hora, exagerando, ou talvez não, de cumprir o segundo.
Este tomo não deve, não pode passar indiferente. É Poesia no seu esplendor porque habita ao nosso lado e não devemos, não podemos manter o olhar cerrado. Isto, claro, se desejarmos, de facto, um mundo melhor. Se não for para nós, que seja para aqueles que nós gerámos”.

Obras de José-Augusto de Carvalho já publicadas:

“arestas vivas”, 1980
“sortilégio”, 1986
“tempos do verbo”, 1990
“vivo e desnudo”, 1996
“Nós Poesioa…”, com Lizete Abrahão, 2002
“A instante nudez”, 2005

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Se puder, não falte.

domingo, março 23, 2008

Escritor


(Foto de Mikel Arrizabalaga)

Alguém me perguntou se era Escritor. Surpreso, perguntei-me o que era isso de ser Escritor. Nunca antes tinha pensado nesse título nem tão pouco me sentia vestido na sua pele. Escrevo, de facto. Mas escrever é ser Escritor? Apenas escrevo o que os meus sentimentos ditam e gosto de partilhar essa emoção. E nas palavras faço as digressões ao meu imaginário e misturo as imagens que colhi pela vida fora. Algumas… guardo-as com amor, pela simplicidade, pela forma como surgiram. Outras aparecem-me do nada e permanecem até que as escreva, para depois fugirem de mim.
Quanta necessidade, ou quanto vício, que aperta o meu sóbrio desejo e me impulsiona ao acto.
São momentos de uma insanidade perfeita, em que consigo atingir a felicidade total, desenhada pelas palavras que chamo. Nesse estado sou o Rei dessa monarquia das letras. Ninguém mais existe nesse habitat natural das plenitudes…
Oh! Quanta loucura é explanada na frase exposta! Quanta magia é ali deixada à espera que alguém leia e colha essa essência, entre cheiros de maresias, entre sabores doces ou em imagens recônditas…
Faço um mundo de pormenores sentidos, e sinto cada momento como meu. E ainda assim, não sei ser Escritor porque, em cada frase triste, há uma lágrima derramada e em cada alegria um sorriso perdido no pensamento.
E o meu lamento acompanha o meu sonho, de, talvez um dia, poder ser Escritor.
Enquanto esse dia não chegar, e talvez nunca chegue, vou vivendo esta paixão de escrever o meu alento, enquanto aos poucos vou morrendo.
Tirem-me tudo de mim. Mas deixem-me a liberdade de escrever até ao fim!
Talvez, depois de partir, consiga ser um Escritor… por ora, alguém me perguntou se era Escritor e ainda não sei o que responder!



PS: Dedicado ao Poeta e Amigo Xavier Zarco
http://euxz.blogspot.com/

sábado, março 22, 2008

A Escola da Margarida


(Foto de Ian Cameron)

Na escola da Margarida há espaços lindos para os meninos e as meninas brincarem, e as salas de aulas são grandes.
Os professores são os amigos crescidos que se preocupam e que ensinam coisas importantes para a vida futura.
Todos os dias as amizades florescem na Escola da Margarida.
Todos os dias as crianças estão felizes e assim aprendem a conhecer o mundo.
A Escola da Margarida é tão bonita porque tem crianças lindas e espertas que ajudam a simplicidade das coisas boas da vida.
E os outros meninos, das outras escolas, querem conhecer a Margarida, a menina que tem uma escola tão boa e especial.

Talvez um dia a Margarida vos mostre a sua escolinha ou vos escreva a contar o que lá acontece…


PS: Este texto foi dedicado e oferecido a Margarida que tem 6 anos

sexta-feira, março 21, 2008

Boa Páscoa!

Que todos estejam em harmonia. Que cada um seja um símbolo de Amor na ternura dos seus actos e na elevação dos seus próprios pensamentos.

Que todos desejem um mundo melhor, sem que o egoísmo aceda e mesmo que a tentação abunde, que não consiga erguer-se em prol dos infundados.

Um gesto de amizade e bom senso para todos os que visitam esta casa que é vossa. Sois Vós a origem da minha alegria. Para todos o meu desejo de uma Santa Páscoa.

Obrigado por serem presentes

segunda-feira, março 17, 2008

Um segundo para pensar…


(Foto de Kadir Barcin)


Saí de casa para poder usufruir da natureza. Dirigi-me, solitariamente, para a praia deserta, naquele dia de Outono. Precisava de um segundo para pensar. Um segundo em plena harmonia, sem ser incomodado, só eu e o mar… o meu melhor conselheiro!
Sentia que a minha vida estava prestes a mudar. Cabia-me escolher se para melhor ou para pior, embora só o tempo pudesse confirmar o positivo ou negativo…
Em cada onda, colocava de uma forma imaginária, um desejo, e quando a onda rebentava na praia imaginava esse desfecho e isso ajudava-me a decidir. E o tempo alongou-se. Já sabia que assim seria, afinal um segundo tinha sido para tomar a decisão de ali estar.
De segundo em segundo, de minuto em minuto, compreendi que a vida era feita de decisões, algumas encobertas pelo nosso inconsciente, mas sempre eram meras decisões. Outras apertavam o nosso pensamento e faziam notar a sua presença ambígua e por vezes mordaz.
Mas ali estava seguro. O mar deixava-me confiante e pronto para decidir a minha vida.
E, nesse momento, tomei a decisão mais importante da minha vida…
Decidi ser feliz e para isso acontecer passaria a dar sem pedir, e sem esperar algo em troca. E a primeira coisa que dei… foi o meu sorriso!

De sorriso em sorriso a vida foi acontecendo. Dava sem nada esperar e logo recebia outros sorrisos em resposta, e gostei dessa boa nova. E o resto foi fácil…depois transportei o exemplo do sorriso para tudo o que compunha a minha forma de ser e de estar… e sabes qual foi o resultado?

É fácil de imaginar se olhares bem para mim! Um sorriso espera sempre por ti!

sábado, março 15, 2008

Festa de Aniversário

Fevereiro estava a terminar. E na última semana constava o dia de anos de Pjar um amigo virtual das noites mágicas da escrita nesse espaço de ninguém ou de todos, designado por Internet.

Estella, mulher de impulsos e desejos fortes, depressa gerou entre a comunidade uma estratégia definida para atacar esse dia já próximo, seria ao bater da meia-noite, uma festa surpresa para Pjar.

S
eus cúmplices, participantes na festa, estava de acordo com a estratégia e dispostos a ser uma parte activa nesse evento.

T
odos os pormenores foram avaliados, ou quase todos, medidos mais pela emoção do acto do que pela importância da festa.
Surpresa seria sempre a palavra-chave. Obviamente que todos sabiam da importância desse momento para Pjar, pois todos, sem excepção, já tinham plena experiência de viver esse dia especial, pois que aniversariante era e seria uma condição anual de cada um.

Assim, o empenho e a presença, seriam uma realidade entre todos!




D
epressa o momento chegou! Nessa noite, nas suas casas, todos estavam na Internet presos ao módulo de comunicação.

Entusiasmados pela festa surpresa, vestidos na pele do mais astuto caçador, esperavam o momento para “caçar” a presa fácil e indefesa…



A meia-noite apareceu! Todos saíram das suas tocas e mostram-se num campo aberto dispostos a disparar palavras em forma de parabéns.

N
o entanto, os olhares cruzaram-se entre todos e o espanto, naturalmente, sobressaiu …
Imaginaram tudo menos aquele cenário. Afinal faltava a “vítima” que iria ser caçada…

Verificaram os processos e reviram a estratégia. A esperança num atraso instalou-se forçadamente.

E
não desistiram, antes acreditaram que a presa em poucos minutos iria passear nesse bosque imaginário e seria surpreendida.

R
epararam nos minutos que fugiam sem parar, e, por esta vez, sentiram que o tempo corria mais depressa. Nítida sensação descontrole do momento…Sabiam o risco que corriam, mas ainda não acreditavam que algo pudesse ter corrido fora do planeado.

S
em que o tempo se alongasse mais, a festa iniciou-se sem o aniversariante.

Afinal todos estavam à espera, todos estavam e nada tinha acontecido, como o dia apenas tinha começado foram deixando mensagens de parabéns expostas na casa virtual da cultura, passagem diária quase obrigatória de todos, inclusive por Pjar.

R
ecorriam assim à parte dois da estratégia antecipadamente delineada.

Impressionados pela inesperada ausência, depressa se recompuseram e avançaram como se nada de anormal ou fora do contexto estudado, se tivesse passado…

O dito dia decorreu em plena festa virtual, juntando imensos amigos e sem que o aniversariante conseguisse escapar. Todos em dedicação ao Pjar e nos mais próximos ficou o segredo guardado a sete chaves daquela meia-noite mistério em que nada falhou…

segunda-feira, março 10, 2008

Entrevista de Paulo Afonso no Luso - Poemas


O destaque de Luso-Poemas para o mês de Março é o Paulo Afonso. Não por ser administrador do Luso (de facto, por sê-lo esteve para não ser o escolhido), não por ser amigo de ninguém em particular mas por ser amigo de todos de forma desinteressada e fácil.

Sem querermos cair no elogio fácil, devemos dizer que o Paulo Afonso é, indiscutivelmente, uma figura incontornável deste sítio, tanto pela sua escrita como pela sua postura correcta e conciliadora. Se tivéssemos que sublinhar as suas maiores qualidades, essas seriam, garantidamente, o voluntarismo, a correcção e a grande capacidade para ouvir/ler. Estas qualidades humanas aparecem fortemente imprimidas na sua escrita.
Quem lê o Paulo Afonso, atesta facilmente esta verdade.

Nesta entrevista introduz-se uma nova nuance. A partir de agora, para além dos elementos usuais em cada entrevista, passará a haver um entrevistador Luso ou Lusa convidado. O primeiro nessa qualidade é uma primeira. A Rosa Maria.

Ficamos, então, com uma pequena biografia do Paulo e com a conversa que tivemos com ele.

Auto-biografia

Paulo Jorge Afonso Ramos nasceu na Maternidade Alfredo da Costa em Lisboa, ao vigésimo quinto dia de Fevereiro decorria ano de 1966. Viveu em Alcântara até aos 3 anos, altura em que foi viver para África. A sua infância foi passada em Moçambique. Voltou para Portugal e viveu nos Olivais Sul onde começou a sua viagem pela escrita aos 10 anos de idade.
Só no ano de 2001 (Maio) começou a publicar poesia através da Editora Minerva, onde participou na Antologia de Poesia e Prosa Poética Portuguesa Contemporânea – “Poiesis” Volume V.
Participou ainda neste projecto “Poiesis” nos Volumes VII – (Maio 2002) e no Volume VIII – (Dezembro 2002).
Mas foi no ano de 2006 que concretizou o seu grande sonho, ao ver o nascimento do seu primeiro livro de poesia, editado pela Edições Ecopy com o nome de “Vinte e Cinco Minutos de Fantasia”. Este livro reflecte o seu olhar pelo amor, pelos sentimentos e pelas pessoas em forma de poesia.

Escreve com assiduidade no seu blog http://poesiadepauloafonso.blogspot.com/


Entrevista

Rosa Maria - Olá Paulo. Não queria começar a falar do poeta. Queria saber do Paulo enquanto Homem romântico, sensível e sonhador que parece transparecer na tua poesia.
Paulo Afonso - Bem, não sendo Poeta, acho-me um pouco romântico e muito sensível. Sonhador sou demais, talvez por ser do signo peixes. Mas gosto do que sou. Pois sinto-me de bem com a vida.

Vanda - Ainda te lembras da 1ª vez que escreveste? Como foi?
Paulo - Tinha pouco mais de 10 anos. Tímido e inseguro e com necessidade de desabafar encontrei no papel a forma ideal de o fazer, depois escondia o que escrevia como se de um tesouro se tratasse. Mas por pura timidez …

Vera Silva - Nasceste para a poesia muito criança ainda e, descobriste, pelo que vemos nas tuas publicações no Luso-Poemas, a prosa muito mais tarde. Como aconteceu essa descoberta e em qual delas te sentes mais à vontade?
Paulo - De facto sempre escrevi poesia. Tinha um medo enorme de escrever de outra forma. Só no ano passado e no Luso–poemas comecei a arriscar a prosa em pequenos textos. Os incentivos foram chegando e comecei a escrever mais vezes. Hoje, por incrível que pareça, sinto-me mais à vontade na prosa e, esse facto, devo-o ao Luso e aos Lusos que amavelmente comentam os meus textos…

TrabisDeMentia - Olá Paulo, o Luso tem um efeito relaxante mesmo. Mas também é verdade que ele te tem dado algumas dores de cabeça. Como te sentes no papel de administrador. É tão relaxante como ler poesia?
Paulo - Ufa! Uma verdadeira surpresa. Imenso trabalho de bastidores e muita preocupação misturadas com muita vontade de fazer coisas boas em prol de todos. Agora também tenho imensas saudades dos tempos em que apenas lia e debitava textos sem qualquer noção da vida de administrador e sem preocupações. Hoje dou muito valor a esses tempos pois já conheço os dois lados…

Trabis - Por falar em lados, foste o primeiro Luso-poeta que eu tive o prazer de apertar a mão! Também noto que apareces em todas as fotos de encontros literários. A vida é um prazer, não é?
Paulo - Todos os momentos são feitos de grande prazer. E alguns com grande orgulho. Conhecer as pessoas pessoalmente, reforça a união. No teu caso foi um grande prazer também. Poder estar com a pessoa que vive atrás do ecrã é magnífico.

Valdevinoxis - Tu és por natureza uma pessoa conciliadora, uma pessoa que tende a querer mediar situações. Já por várias vezes o vimos aqui no Luso. O que te parece que gera os desentendimentos ou melhor, o que achas que impulsiona algumas pessoas a terem relações difíceis com a harmonia? Como é que se gere isto?
Paulo - Uma pergunta difícil. Mas vou tentar ser objectivo. O problema é, de facto, sermos muitos e todos diferentes. Uns mais que outros, precisam de apoio, incentivo ou uma palavra de amizade. São as relações sociais do ser humano. Gerir é complicado e não sei se conseguirei, mas já aprendi muito com os Lusos e creio que a maior virtude é tentarmos entrar na pele do outro para perceber as razões, convicções etc. Nunca é fácil…

Rosa - Diz-me Paulo, o que significa verdadeiramente o Luso-Poemas para ti? Quais são no teu ponto de vista as suas virtudes e defeitos, de uma forma concreta.
Paulo - O Luso–poemas é uma segunda casa para mim e sinto os Lusos como uma família. As virtudes são muitas, pela variedade de estilos ou por ser um site diferente de todos outros desta área. Defeitos? Alguns. O facto de não termos alguma capacidade de gerir as diversas formas de opinião (critica geral) e de não conseguirmos expandir mais para outras culturas, nomeadamente a africana onde existem grandes poetas. Mas iremos conseguir com o tempo e a ajuda de todos Lusos.

Vera - A poesia é muito mal tratada e pouco divulgada. Se tivesses o poder de alterar isso, como o farias?
Paulo - Atacaria as bases. Mudaria a política da educação. Mudaria o apoio à cultura e criava outras opções de publicação, que permitissem termos mais acessos à leitura com, obviamente, baixos custos. Se pudesse, a poesia seria posta em outras condições, mais de acordo com os poetas da nossa história…

Trabis - E que dizes tu, Paulo, da história que os nossos poetas escrevem a cada dia? Achas comparável à dos nossos antepassados?
Paulo - De certa forma sim. Se pudermos modificar os métodos e actualizarmos os efeitos. Claro que sim. Mas o tempo o dirá quando um de nós merecer o justo destaque social e na literatura, pois no Luso-poemas há de facto grandes valores. Aposto fortemente em alguns nomes…

Vera - Que relação existe entre Paulo Afonso e as personagens que estão dentro dele?
Paulo - De cumplicidade. Tenho uma frase minha em que digo: “Escrevo…para libertar as personagens que não consigo Ser”. Em cada frase, em cada texto sai um pouco de cada personagem que habita dentro de mim. Por vezes confundo-me entre as personagens e o homem real do dia a dia que também existe e com muitos defeitos…

Val - Paulo, o que dizes é que tu és mais uma personagem, que te recrias na escrita? Se assim é, não tens medo de uma exposição demasiada, de neste processo de "mixagem", perderes a identidade? O facto de seres o autor não te deveria obrigar a um distanciamento em vez da colagem de que falas?
Paulo - Há uma liberdade criativa, por vezes inconsciente mas em que tenho necessidade que assim seja. Sem qualquer medo, assumo que por vezes não me reconheço no que faço através da escrita, mesmo que corra o risco de perder a identidade, faço-o na mesma. Quando escrevo, perco o medo, a vergonha e a conduta social. Criar é poder voar sem asas é ir e voltar sem preocupações com o ego ou com outra envolvente subsequente. Nessa altura o Eu pouco me importa. Simplesmente escrevo!

Rosa - Agora questiono o Poeta. Tens um texto (em prosa poética) com o título "Viagem". Que "Viagens" ainda queres realizar?
Paulo - Quero descobrir a viagem ao paraíso e por lá ficar os últimos tempos da minha vida. Estamos uma vida inteira a aprender. Como digo nesse texto: “A verdadeira viagem foi a vida… pelos anjos que encontrei” Esse tesouro é a minha maior riqueza, a fonte do meu sorriso diário e a esperança em conseguir viajar sempre. Viajar? Sempre, quer seja pessoalmente (adoro) ou através da escrita. O que importa é mesmo viajar...

Vera - O que mais te inspira quando escreves? Como chegas a um tema, como vives o processo criativo?
Paulo - Confesso que tenho uma forma pouco comum. Primeiro porque tenho o hábito, muito antigo, de pedir um título e só depois escrevo. É assim que chego ao tema. Vivo o processo criativo com grande emoção e prazer. Inspiro-me no momento ou na música e as coisas acontecem naturalmente. Fluem de dentro de mim em liberdade que por vezes nem tenho a consciência do resultado final.

Trabis - Tenho um título bom para ti: "Paulo". Conseguirás escrever esse poema? Agora? Em breves linhas? Deixa o tema fluir!
Paulo -

Um mistério recôndito
que o tempo vê passar
ele é o dito
que quer falar.

Espevito
sabe amar
quer viver em sociedade
em alegria constante
em liberdade
em cada instante.

Ele é um menino
que cresce em cada hino!

Val - No decorrer desta entrevista mantiveste uma postura que, podemos dizer, é politicamente correcta. Também nos apercebemos que não é uma máscara mas sim uma filosofia de vida. Quero que descoles um pouco dessa linha e que nos digas o que mais te desagrada no Luso. Qual o tipo de intervenção que não gostas mesmo? Quais são os pontos sobre os quais tomavas medidas drásticas? Que medidas?
Paulo - Não é fácil desviarmo-nos da nossa linha mas, nunca recuso um bom desafio. O que mais desagrada no Luso é a postura de alguns Lusos, que a criticam sem noção das realidades e só para aparecerem. As manobras de imposição, maioritariamente dissimuladas. Não pactuo com posturas provocatórias ou de “politica do umbigo”, ou seja, manifestamente egoístas.
Não gosto mesmo do tipo de intervenções “BOMBA” no fórum. Sem critério ou sem bases, só porque estão na corrente e deixam-se levar. E digo-o com o devido respeito por todos, obviamente. Nessas alturas tomaria medidas drásticas. Que medidas? Colocava-os como a outra parte, a parte de quem tem que resolver e em simultâneo agradar a todos para ver se conseguiam entender o quão é difícil gerir e fácil criticar. Só assim alguém poderia ter consciência poética para agir
Depois trocava opiniões com os visados e certamente melhorávamos todos. O Luso–poemas incluído.

Rosa - Para terminar não poderia deixar de te pedir uma mensagem para todos os Luso-Poetas. Que palavras nos ofereces Paulo?
Paulo - Uma mensagem de gratidão sincera. Porque todos Lusos (mesmo que não saibam) têm uma grande influência na minha vida e em especial no que escrevo. Porque desde que estou no Luso cresci como homem e na escrita. Criei um canal de amizades verdadeiras. Sinto que todos podemos crescer em conjunto, sem limites e com respeito pela personalidade de cada um. Que todos sejamos capazes de fazer um esforço em prol da poesia. Do Luso–Poemas. E que em Abril façam mais um esforço para estarem no 1º Encontro da Luso. Mostrem-se. Sorriam e a vida melhorará. Por favor, ACREDITEM!

domingo, março 09, 2008

Desejo Secreto


(Foto de reencarnacion cristalero)


De coração desfeito das intempéries do amor, o vulto erguia-se de mais uma aventura perdida. Acabara de receber mais um duro golpe, vicissitudes, de quem perdera o norte e se guiava pelo vendaval dos actos espontâneos…
Três letras assombravam o seu pensamento – fim – era o seu constante tormento, porque o tempo mostrava os insucessos repetidos. Outrora esteve perto da felicidade mas o medo de assumir esse real sentimento assustara a condição, e a oportunidade viajara para outras paragens da vida de alguém.
O vulto era a noite! Ansiava voltar a sentir-se o sol de alguém como um desejo secreto.
O seu desejo secreto, concretizado, daria um sorriso constante e aberto. Daria um brilho aos seus olhos pungentes e extrairia do seu pensamento a afronta das palavras residentes.
Todas as noites…regressava ao sonho para vive-lo intensamente. A realidade não conseguia dar-lhe esperança, vontade ou uma pequena alegria que fosse!
Morria lentamente…perdendo as forças ocultas para realizar o desejo de ser simplesmente feliz.
Todas manhãs, ao acordar, imaginava que um vulto especial entraria na sua vida e que, de sorriso em sorriso, viajariam no mundo do amor e acabariam os seus dias, juntos, à beira de um lago, numa casa feita de momentos felizes e de grande cumplicidade.
Em silêncio esperou e os seus dias passaram lentamente por si!
Os seus olhos gritavam:
-“ Eu morro pela tua presença!”
As suas lágrimas denunciavam:
Fiquei… inverso… de… mim!
Os seus passos corriam para o abismo!
Fiquei…
Incompatível… (de)
Mim…




(Nunca tenhas medo de amar. De assumir o desejo, o teu íntimo desejo, porque a vida não pára e amanhã pode ser tarde…)

quinta-feira, março 06, 2008

Beijo Ausente


(Foto de: Tanni Thai)

Levito na ânsia do teu beijo!
Percorri as ausências dos espaços
ultrapassei as barreiras da inépcia
e formulei o meu desejo
bordado na acácia
dos meus pensamentos escassos.
Imaginei o momento
que tanto almejo
construído de muito sofrimento
e algum lampejo.
Sonho que se repete constantemente
que domina a minha mente
e acalentado me vejo.
Oh! Híbrido estar…
Oh! Imagem que se confunde
e me dá asas e me faz voar.
Levito na ânsia do teu beijo!
Espreito o caminho
que percorro sozinho.

sábado, março 01, 2008

Intuição


(Foto de: Saul Santos Diaz)


Como um sopro de vento senti na minha cara esse momento por acontecer, ou já acontecido, e no calor desse gesto de ninguém as palavras acordaram na minha mente…
E as frases descreveram-me a tua imagem e a minha imaginação moldou o teu corpo… Corpo fugaz de uma pessoa sem destino e que percorria um caminho de pedras e poeiras de outros passados em busca da sua identidade.
Criei no momento imaginado o meu desejo e vesti esse corpo de princesa, troquei o caminho por outro feito de terra batida por entre uma floresta densa e em que se via um lindo castelo lá bem ao fundo… Vês também?
Ouvi o chilrear dos pássaros felizes e deixei-me ficar a ver-te em direcção ao castelo.
Consegues… consegues ouvir os pássaros?
E, de repente, senti este cenário fugir-me da mente e o espaço cercado de uma nobre presença. Como se alguém estivesse dentro de mim a ler-me ou como se alguém estivesse a ler as frases que derramei no caminho da minha imaginação…
Algo me diz… se tu lês e sentes estas palavras… se vês o castelo e ouves os pássaros… Então menina mulher és tu a princesa! Será só na minha imaginação? Será só mera intuição?
Se o segredo morrer… só tu poderás dizer a verdade!
Mas, aconteça o que acontecer, as histórias nascerão sempre em busca desse momento.

sexta-feira, fevereiro 29, 2008

Palavras Ocas


(Foto de: Melik Tamas)


Palavras e mais palavras...
escondem o Amor
o desejo
e a dor

E no silêncio das palavras
os meus gritos são abafados
e os sentidos
os teus e os meus
são perdidos...

Palavras ocas…
fazem-nos o mundo!

quinta-feira, fevereiro 28, 2008

Amor Impossível


(Foto de: Julio Segura Carmona)

São lágrimas que solto por saber deste meu amor impossível. Lágrimas de alegria por saber que o amor é meu e que, apesar de impossível, estará sempre ao alcance do sonho e do desejo por cumprir…
E o mar com o seu sorriso de prata é meu aliado, meu amigo, para harmonizar os meus momentos de fim de tarde em que me encontro na areia da praia deserta e desejo nadar até ti. É através das ondas sorridentes que o mar me acalma, e me deixa inerte ao pensamento fugaz da loucura do acto por realizar… Volto sempre!
Sei que outro dia virá feito de ilusões e de argumentos, para que o mundo nos afaste, sei que o meu caminho é feito das peripécias loucas e dos trechos perdidos do meu recanto chamado realidade, e ainda assim penso em ti.
Tão longe que estás, e tão perto que te sinto, nessa magia do amor que construo como castelos de areia à beira-mar, num desafio, para que mandes uma onda maior e os destruas, chamando-me assim à minha dura realidade…
E a teimosia provoca-me, faz-me voltar em cada final de tarde para construir de novo os castelinhos de areia húmida. Essa mesma teimosia que vai de mão dada com a esperança, que assim aproveita para imaginar a tua chegada por entre as alegres ondas e, num pensamento secreto, chega a imaginar que vens naquela onda maior.
E se os castelos são de areia, os desejos são de vento, e o meu amor é bordado pelo sol que, ao longe, se despede e vai dormir. O mesmo sol que aquece esta relação inexequível.
Anos passaram e a fonte das minhas lágrimas nunca secou… A minha pele queimada do sal e do vento anunciou o meu desespero de uma vida solitária. Os cabelos brancos escondidos debaixo do boné de marujo são como sementes da minha preocupação por não saber de ti…
Nem por uma única vez apareceste!
E tanto que sonhei com esse momento. Estudei as palavras, e fiz frases para te oferecer…
Fiz planos… uma casa nessa praia deserta ou na ilha solitária do mediterrâneo.
E tu, sereia do meu imaginário, nunca vieste…

segunda-feira, fevereiro 25, 2008

Obrigado a todos



Quero agradecer-vos o carinho manifestado! Hoje fui “atacado” e que bem que soube, por palavras de carinho, mensagens, telefonemas, poemas, beijos e abraços. Espero que possa retribuir-vos diariamente com amizade e muita alegria.

Muito obrigado a todos.

Beijos & Abraços para vocês


O Aniversariante,

Paulo Afonso

25/02/2008

domingo, fevereiro 24, 2008

Corpos


(Foto de: Mg Lizi)

Ainda que o teu corpo esteja distante, do querer, sinto-lhe a fragrância que estimula e seduz em silêncio e assim provoca a ebulição do meu corpo em estado embrionário…
É o pensamento que se entrega ao desejo. E o desejo atroz deixa fugir os fluidos dessa forma demente.
Os corpos incandescentes já estão na mesma linha dessa vontade própria do momento.
Mágico é o momento que acontece e, num ritmo insaciável, o movimento assume a forma inexequível do tormento cercado da incerteza do cenário e de quem, por perto, possa assistir.
Já nada os trava. Esses corpos submissos aos desejos e nesse mar de prazer por acontecer e na geometria do acto sente-se o emparelhar das cadências seculares da vida.
Cai o pano. E os corpos suados de tanto trabalho conjunto regressam, para agradecerem essa pérola de prazer inusitado. As palmas prolongam-se, por longínquos minutos.
Curvados descansam num agradecimento sentido. Cumpriram a sua dança!
Outro dia e outra dança voltarão a acontecer…

sábado, fevereiro 23, 2008

Esqueço-me


(Foto de Floriana Barbu)


Mesmo sem sair de casa sinto o vento que percorre as ruas à minha procura. E aconchego-me um pouco mais nesta minha cama de sonhos nunca partilhados… Oiço a voz da chuva a chamar por mim num desafio de coragem e ainda assim o calor dos lençóis e das mantas da minha cama prendem-me propositadamente.
Estou entre o querer ir e o querer ficar!
Pergunto-me de que vale ir ao encontro dessas questões da natureza e, na mesma pergunta, embargo o meu desejo de ficar num espaço em que já não tenho tempo para sonhar…

Sinto-me em falta noutro local. Nesse momento de alguém que queira o apoio que posso oferecer ou que, simplesmente, só queira um dos meus sorrisos que esbanjo pela vida fora.

Mas teimoso, fecho os olhos, e numa reviravolta estratégica adormeço devagar…
Esqueci-me de tudo e de todos! Até de mim…