terça-feira, julho 01, 2008

fronteira


(Foto de: Jeremy Stein)



vida
animal
nas trevas
do pesadelo

acordar
pode ser
o segredo

que importa.

sábado, junho 28, 2008

Deixas em mim tanto de ti


(Foto de: Anakin Sk)

Deixas em mim
aureolas de ti… e é tanto
deixas assim
um manto
que me cobre o espanto.

O aroma do teu corpo sedento
o traço do teu sentimento
um olhar lírico
desse teu querer idílico.

Deixas em mim tanto de ti
que nas tuas ausências me afaga
acalenta cada momento que não te vi
aquece o amor que tempo não apaga
no calor que a distância agarra.

quinta-feira, junho 26, 2008

XI Concurso do Luso-Poemas “O vinho” (II Luso-Concurso de 2008)

Ainda o XI Concurso do Luso-Poemas “O vinho” (II Luso-Concurso de 2008) após justa homenagem ao poema vencedor da Poetisa Vera Silva, agora e aqui, sou eu que partilho a prosa com a qual concorri, chama-se:





Sou O Vinho



Eu sou o vinho. Foi da terra que pisaste que os meus pais nasceram, videiras em flor, e nessa mesma terra deram os seus intentos, expostos ao sol e as chuvas, germinaram o seu fruto em cachos de alegria e cor, que, despedaçados, jorraram lágrimas de sangue e de uma vida renovada.
Sim! Eu sou o vinho. E como a terra pisada pelos teus semelhantes, o fruto dos meus pais também foram pisados até a exaustão. Acabou assim a terra, as pisadas e o fruto, mas dessa relação intensa nasci eu… o vinho que procuras!
Trago comigo esses momentos que não vivi, mas que fazem parte de mim!
Sou o rio vestido da cor de sangue em homenagem ao sofrimento como um fado.
Sou o pecado vestido de vergonha em que me escondo dessa saudade.
Sou encorpado de carícias e também me visto de esperança para que o meu desejo se cumpra. Quero vingar os meus antepassados e assim deixar o teu físico cambalear e, para isso, basta-me que bebas o meu corpo feito suor e lágrimas. Porque te atraio, deixo-me saborear e assim iludo-te nesse caminho que não dás conta… é o vinho que pedes.
Não sabes o meu caminho porque apenas me queres para degustar… não me importo, e dou-te esse prazer!
Saberei que, em troca, terei o teu reconhecimento, meu alento, esbanjado no paladar de quem tanto me quer…
Ainda que me resistas, por hoje, num amanhã próximo voltarás a beber-me mais, até que, em cadências abstraídas, chegarás ao meu intento, vestido de prazer e de sensações que te levem ao meu mundo… Ouvirás é o vinho, é o vinho, e não te recordarás do nosso percurso, mas saberás que sou eu… o teu vinho!
Mais tarde, consciente, regressarás ao meu caminho, transformado em nosso, e, em liturgias ancestrais, voltaremos a brindar á nossa paixão.
Eu espero-te… para que me tomes! Sou teu… Sou vinho!

quarta-feira, junho 25, 2008

Xavier Zarco

Em homenagem ao Camarada Xavier Zarco, e em resposta ao seu post Dia 265 que nos oferece num diário virtual em: http://euxz.blogspot.com/ eis um singelo poema meu. É este o pretexto que uso para que chegue ao mais importante, que é poderem passar por este blog que nos oferece sempre coisas boas, por vezes vestidas de poesia, outras de sugestões e outras também de critica. Este homem do nosso mundo literário actual merece e deve ser lido, só assim pode ser reconhecido.



Poema


nascido
ancorado
nas águas
demove-se

inquieta-se
na prisão
do seu íntimo

mas sobrevive

terça-feira, junho 24, 2008

XI Concurso do Luso-Poemas “O vinho” (II Luso-Concurso de 2008)

O XI Concurso Luso-Poemas, sob o tema “O vinho” foi ganho por Vera Silva com o poema:


Vinho quente


Escorregas em mim quente,
Doce.
Adivinho-te pelo odor puro,
Frutado.
E apeteces-me…
Tua cor de sangue desperta-me o desejo
De te ter assim meu, nosso…
Ardente,
Quente!
Não te bebo,
Saboreio-te na lucidez da noite,
Brindo à lua que se despe devagar,
Pálida, invejosa.
Mas és só meu e escorregas em mim…
Quente,
Ardente…


Parabéns Vera Silva

http://prosas-e-versos.blogspot.com/

sábado, junho 21, 2008

Embarco Na Liberdade Dos Nossos Sonhos


(Foto de: Javed Chawla)

Já nem sei o que é escrever! Já não escrevo as palavras com que me deito e com as quais, as mais promissoras, acordo ancorado. Há uma separação entre as palavras e os sonhos numa liberdade assumida e por isso consciente. É esse o meu acordar. A separação. A distancia de um sonho. Ainda assim, continuo a sonhar, construindo imagens dos meus desejos e sem que as partilhe, faço, de cada minuto da minha vida, um minuto de alegria e esperança.
É assim que viajo. Em cada sol que adormece, ou em cada luar que espreita eu lá estou disposto a deixar-me ir… embarco na liberdade dos nossos sonhos porque esse gesto me deixa uma sensação de prazeres ilimitados, de conquistas medievais, ou de voos ímpares que só a imaginação ou o desejo conseguem fazer viver esse sentimento tão próprio.
São sonhos! Nossos, da liberdade, de querer ser um eterno aprendiz da condição humana e emanado do nada procurando conquistar o mundo da felicidade.
Morro livre, exausto, de procurar cada momento recheado de pequenas coisas, mínimas, que nos façam sentir a razão da nossa presença aqui, ali ou em qualquer lugar que seja.
Por ora, é na viagem que vou, talvez um dia volte e vos anuncie que a perfeição é possível e que o caminho é feito de pequenas conquistas que nos engrandecem a alma num desafio, minuto a minuto, a medida de cada um…
Talvez volte, ou talvez não, na liberdade dos nossos sonhos estarei em qualquer lugar desde que seja feliz e lá esperarei sempre pela tua presença…
Agora, num aceno, em que me despeço e em que sinto o barco partir, inicio mais uma louca viagem, com a esperança de te encontrar, já a minha espera, por lá, nessas terras do paraíso. Sem tempo para um segundo aceno… adormeço.

quarta-feira, junho 18, 2008

SINAIS DO SILÊNCIO



Sinais do Silêncio
A nossa Rosinha em Lisboa
Sábado
21 de Junho de 2008
16 Horas
Livraria Bulhosa - C. Grande




Se puderes, não faltes!
Obrigado

sexta-feira, junho 13, 2008

Poema Imperfeito


(Foto de: Cezary Galaj)


Num fogo rendilhado
entre as brumas e ventos
deixei perdidos os meus momentos
ficaram caídos, esquecidos nos meus dias.
Perdi-me nas aguarelas
entre pincéis e telas
dos poeirentos quadros
entre apertos e alegrias
em que me deixei seduzir
entre estéreis estrias.

Ainda assim, refeito, volto
renovado e sem amarras
para recomeçar o meu caminho.
Nem que lute sozinho
com as minhas garras
sem que tu, imperfeição, que me agarras
possas travar-me, impedir.
Trago-vos um recado
que é este poema sem pecado, inacabado
é dentro dele que vou sempre existir.




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Nota:

Hoje cumpro a minha promessa, fecho assim um ciclo de 5 Dias 5 Poemas. Obrigado Amiga Vanda Paz.
Aproveito esta mensagem para agradecer a todos os que por aqui passam. Obrigado pelo vosso contributo.
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quinta-feira, junho 12, 2008

Instantes


(Foto de: José Pereira-Zito)

Hoje disfarcei-me de embuste
pintei-me com cores tristes, escuras
assumi-me, ainda que muito me custe
vesti o papel pardo das loucuras
do tal personagem que procuras.

Hoje a vida aconteceu
e a minha inocência não morreu
não andei ancorado na personagem
mas nas cores alegres da minha imagem.

Hoje, quero recordar
quero ser eterno, sentir, saber
quero sorrir e encantar
quero ser o Sol do teu querer
hoje já sei o que é amar.

quarta-feira, junho 11, 2008

Momento


(Foto de: Salih Güler)


Toco nos teus cabelos de solidão
com os meus dedos enfeitiçados de amor
procurando sentir a tua candura
e encontro-te, inserta, coberta de paixão
postada nua e incrivelmente pura
liberta, assim, de qualquer ignóbil dor.
Toco no teu rosto cândido
de uma imensa expressão
reflectido, por vezes, perdido
outras vezes lavado em emoção.
Toco no teu corpo sedento
construindo o nosso momento
que guardaremos no baú da recordação.
Toco num só corpo onde cresce o querer
confundo os corpos unidos pela vida
somos um só para amadurecer.
Cruzados num tempo da razão
descobrimos um só caminho
e é nesse momento que o percorremos devagarinho.

terça-feira, junho 10, 2008

Crepitam…


(Foto de: Rarindra Prakarsa)

São desejos
perdidos nas noites loucas.
São beijos
que procuram bocas.
Cintilam
como pensamentos fugazes
ou acções que mutilam
por não serem capazes.
Mostra-me o teu abrigo
quero ver-te por inteiro
sentir-te tão perto
e longe do perigo
neste céu aberto.
Os momentos rangem
desesperados
esperam que os amem
com simples namorados
e nessa imagem
ficamos ancorados.

segunda-feira, junho 09, 2008

A Minha Dor


(Foto de: Kenvin Pinardy)


O teu olhar
aquietado, desnudado
convida-me para amar
num gesto mesurado.
É o mar
na minha voz declamado
que rebenta a paixão
desse passo distante
que cobre a minha ilusão.

Não poder… Amor
é a minha dor!

quinta-feira, junho 05, 2008

Rosa Maria Anselmo







Queridos Amigos (as)



"Sinais do Silêncio" está quase a nascer! A sua apresentação será feita no dia 7 de Junho, pelas 16 horas, no Diana Bar – Av. dos Banhos, Praia da Póvoa de Varzim. Será um privilégio ter a vossa companhia nesse dia.

A apresentação do Livro será feita pela poetisa Conceição Bernardino, e o prefácio da autoria de Alice Santos. Aqui fica um excerto desse mesmo prefácio:



"No segundo livro de Rosa Maria encontramos uma mulher muito mais liberta, onde a escrita e a paixão andam de mãos dadas, inseparáveis, qual par de amantes.

Surge uma Rosa que resolveu desabrochar e nos mostra a alma desnudada, sem pudor ou preconceito, sem receios, medos, falsos moralismos. Uma mulher mais atrevida nas palavras, com diálogos interditos, e, por isso, mais despida de si e vestida de candura, sedução e desejos.

A sua essência consegue conquistar o impossível pois, quem ler estes versos vai ser protagonista do encontro mágico entre o ser e o sentir.

A poesia entranha-se de mansinho na alma do leitor, entreabrindo a porta da imaginação e deixando-o transformar-se em tudo o que sempre sonhou e nunca ousou concretizar."




Espero por si.

Rosa Maria Anselmo

quarta-feira, junho 04, 2008

Inquietação


(Foto de: Floriana Barbu)


Esta manhã despertei em tons de um verde-escuro. Triste. Sem forças para me ver renovado, sem olhos de luz de esperança para ver o caminho a minha frente.
Esta manhã não acordei. Recusei-me. Quis concluir o pesadelo de uma noite que assombrou as entranhas do meu ser. Inquietou-me.
Esta manhã soube que morri dentro de mim, ainda que o meu físico não tivesse assumido, ainda que a roupa tivesse vestido o meu corpo…
Ainda que… Morri, no cair da noite, numa queda de amor!
Esta manhã um corpo saiu para trabalhar. Sem amor-próprio nem um rumo definido.
Esta manhã recordei-me de que nunca voltei ao lugar do paraíso, porque enquanto vivi, não tive tempo para repetir os momentos, pequenos momentos, que marcaram a minha passagem pela estrada do sentimento. Não procurei reencontrá-los.
Este dia, primeiro dia após a minha nova vida, ou na falta dela, foi para procurar essa consciência, perdida, ignorada. Encontrei-a tão perto do meu corpo adormecido.
Agora que a noite cai e a escuridão cobre o meu rosto envergonhado, vou viajar aos lugares onde passei apreciados instantes, mínimos instantes, e, com todo o tempo do mundo, vou desfolhar cada décimo de segundo, saboreando a seiva desses escassos abandonos dos lugares perfeitos.
Cada lugar, cada gesto, será sugado pela minha condição arrependida.
Em lágrimas estarei quando recordar as promessas e os sonhos ambicionados e nunca conseguidos. Se pudesse, teria sido diferente…
Queria apenas viver! Queria apenas ser feliz!
Esta manhã acordei com o calor da tua boca junto do meu ouvido e nas palavras que disseste, dancei, sorri. Deste-me num bom-dia a oportunidade de realizar os desejos, os sonhos e lembrei-me de não perder mais tempo. Fugi!
Agora ninguém me vê, ando ocupado, a reconstruir os momentos que perdi. Ando tão junto de ti que nem sentes que morri!

Amanhã na Côrte-real cumpre-se um funeral…

domingo, junho 01, 2008

Lado a Lado


(Foto de: Emil Schildt)

São como sonhos, os momentos em que penso estarmos lado a lado. Flúem com uma naturalidade tal que até acredito serem a minha realidade do momento.
Tenho argumentos, tenho desejos… mas, como posso domina-los com a mestria que julgo ter, deixo-me diluir pelas sensações sentidas. Oh! E é tão bom…
Mas a realidade é outra, bem mais cruel, porque a distância do meu querer ao teu querer é uma ponte imersa, por vezes, na solidão dos espaços desta vida.
Mas há sempre uma meta que nos faz divagar, que nos faz acreditar. Tornar realidade, este nosso “lado a lado” e, assim, desfrutar dessa magia já decifrada.
É acreditar no nosso “Eclipse do Amor” para que, lado a lado, possamos fugir para o nosso mundo de sentimentos expostos e degustados.
Eu serei o Sol e tu a Lua! Esperemos por esse momento, oportuno, de estarmos lado a lado para fugirmos…
Por ora, e em sintonia, mantemo-nos lado a lado, através do elo que nos liga e que permanece invisível. Silêncio! Que as almas adormeceram…

sábado, maio 31, 2008

Alma de Criança


(Foto de: Asik asik)

Alguém me quer que me ama e nem sei, nem preciso de o saber porque recebo esse amor constantemente sem que o peça.
Alguém olha por mim, sem que veja, mas nem preciso de ver, basta-me sentir.
Sou o menino traquina que brinca na calçada de sorriso aberto e espontâneo, sou o inventor das casas feitas de terra e dos caminhos da minha imaginação. Brinco porque a minha alma é de criança…
Invento personagens do nada e num todo desafio-as para jogarem comigo, com a única condição, de, no fim, ser eu a ganhar…
Derroto todos os imprevistos, visto a capa do salvador do mundo, ergo a espada do príncipe perfeito em frente à menina dos meus sonhos e imagino as palavras que guardo no meu coração, e que nunca terei a coragem de as dizer.
Sou o jogador que ganha sempre, sou aquilo que quero, quando me apetece e só assim esqueço as horas que me fogem e que não as consigo agarrar.
Queria que os dias não tivessem fim… para que as minhas brincadeiras nunca acabassem. Queria que a noite se escondesse do meu bairro, para que não tivesse que voltar para casa para adormecer embalado na esperança de outro novo dia…
Nunca me canso de brincar dentro desta alma de criança!
Queria tanta coisa, que, num todo, se resume a uma insignificância, impossível de alcançar… Queria, apenas e só, nunca crescer, ser eternamente esta criança que sou, quando brinco com as minhas coisas no meu mundo. Queria ser sempre olhado, pelos olhos, afáveis dos crescidos e sentir o sol como companheiro deste meu mundo inocente.
Um dia, serei crescido e, então, olharei com saudade para este tempo para relembrar os momentos em que fui verdadeiramente feliz.

quinta-feira, maio 29, 2008

AMANTE DAS LEITURAS - ANTOLOGIA 2008


A edium editores convida-o a participar na sessão de lançamento da "Antologia Poética 2008 da Amante das Leituras" que terá lugar, à semelhança de 2007, no Salão Nobre da Junta de Freguesia de S. Mamede de Infesta.
Esta edição conta com a participação de 18 autores, de Portugal, Brasil e Argentina. membros da referida lista "Amante das leituras", organizada por Ana Maria Costa.
A apresentação estará a cargo do Prof. António M. Oliveira.
O evento contará com as participações da Orquestra de Sopros do Conservatório de Música da Maia, do Coral Juvenil do Orfeão de Rio Tinto, da Escola de Dança "La Negra" e terá ainda uma "desgarrada" de poesia pelos actores: Bárbara Martinho, Carolina Rangel, Filipe Carvalho, Otília Costa, Rúben Correia e Sandro Ferreira.
Se puder, não falte, sábado, 31 de Maio, pelas 16.00 horas.

quarta-feira, maio 28, 2008

Navego nas ondas da fantasia


(Foto de: Marina Segura)

Teus olhos são doces, cor da esperança,
Que carregas nesse enorme coração
Teu sorriso, a luz
Que me ilumina nas noites sem fim
Tua boca, solene, saboreia o meu querer
Brotam timbres de quimeras
E as tuas palavras são cânticos
De sereias encantadas no oceano
Onde navego ao teu encontro.
Preciso do teu amor
Da fonte do teu odor
Tuas mãos trazem-me o mundo
E a paz que tanto procuro
No teu abraço sinto-me segura
Sou mulher… Sou sempre só tua!
Neste nosso mundo de perfeição…
Em que te criei, doce ilusão.
Quero voltar a sentir
Os teus lábios junto aos meus
E assim viajar
Para um lugar recôndito
Onde me esperas… sorrindo.


Poema feito por:
Paulo Afonso Ramos & Vera Silva & Pedra Filosofal

segunda-feira, maio 26, 2008

Carta ao silêncio


(Foto de: JF Ochoa)


Não sei porque te escrevo, talvez pela minha necessidade de libertar as palavras, prisioneiras pela tua ausência, para que, assim, possam ter a sua condição nobre de vida própria, emprestando-me a alegria onde me deleito nas frases feitas desta imensidão a que chamo escrita. Onde, outras vezes, confundo com a saudade e, em outras tantas vezes, sinto como um grito de revolta. Apenas quero essa liberdade!
Que importa a razão? Se, sem que queira, liberto-as da sua forma e empresto-lhe alguma roupa para que passeiem por mim…
E com brio, passeiam pelas ruas da ansiedade e do ego como se fossem minhas, parte de mim, ou algo de artesanal feito a minha medida. Por ora, continuo pastor, entre as palavras e a minha montanha.
Só o vento cala este silêncio que renasce do meu chão e se espalha na ilusão!


in “Diário de um Pastor”

domingo, maio 25, 2008

Na minha igreja é domingo


(Foto de: Francesco Favretto)


Hoje é domingo! Troco a montanha pela igreja. O gado não reclama e o meu cão também descansa. Tenho essa liberdade e sem que seja compreendido também não sou questionado. Na igreja descubro outros momentos, outros trajes, e louvo a semana…

in “Diário de um Pastor”

sábado, maio 24, 2008

Pela Calada - (Dueto com Margarete da Silva)


(Foto de: Anca Floroiu)

Sentei-me na soleira da porta e comecei a escrever, a noite tardava e o teu olhar não aparecia ao fundo da rua ainda, as lágrimas depressa me caíam pela face, as minhas mãos escorregavam em letras mergulhadas nas gotas de chuva que o céu teimosamente largava e eu não conseguia controlar o redemoinhar de imagens no meu coração.
Esta rua não é minha, as pessoas cruzam-se à minha frente, a madeira da porta onde me encosto range como um cão zangado, desencosto-me e curvo as minhas costas até o peito me bater nos joelhos, os olhos postos nos chão, a imagem distorcida de mim num charco lamacento. Com licença. Os olhos levantaram-se pelo teu corpo, as chaves nas tuas mãos tirintavam umas contra as outras e eu sustive a respiração, não era por ti que esperava ali sentada mas agora sinto que sempre por ti esperei. Levantei-me num repente e o caderno que segurava no colo estatelou-se contra o chão, as minhas palavras tombaram sobre um charco de água doce e salgada, com medo que pudessem afogar depressa as peguei ao colo e chorei quando as vi desaparecer tornando-se grandes manchas.
Manchas de solidão. Manchas que ganharam forma e exactidão. De vestes molhadas cresceram na tua mão, fizeram-se melodia que ecoou ao teu ouvido, fizeram-se clareira que os teus olhos desbravaram e, nesse mesmo instante, abriu-se um sorriso, no teu rosto carente. Um vulto, ao fundo, subia a rua em tua direcção. Feito de esperança e embebido nas tuas lágrimas. Corpo meu que procurava o teu!
E as palavras uniram-se em prol da alegria, e os desejos aconteceram em cadências de magia. Tu e Eu… naquela rua onde tudo aconteceu!



Pela Calada – É um dueto com Margarete da Silva (http://margaretedasilva.blogspot.com/) por quem nutro uma grande admiração.

quinta-feira, maio 22, 2008

Quero Voar!


(Foto de: Jeft Lieberman)

Estou na plenitude da natureza, da que me rodeia, e da que existe dentro de mim… Penso nos dias que perdi, em volta da ilusão, acabada em cada noite que nascia!
Permaneço nesses tempos uma eternidade, até que o destino me encontre…
Entre o verde esperança e o azul criativo, entre as lágrimas e os sorrisos, espero o meu momento… Ainda quero ser ave para voar!

terça-feira, maio 20, 2008

Diz-me...


(Foto de Jim Fenton)

Diz-me. Em que rua estavas, quando passei, sem que reparasse em ti!
Diz-me. Em segredo, todas as coisas que mutilam o teu desejo e que, assim, encobrem a alegria do teu rosto. Podes contar-me tudo o que quiseres, desde que o teu olhar sorria e a tua boca se encha de palavras quentes, para que as deites cá para fora, onde estarei, pronto, para as receber e partilhar, assim, as minhas emoções para que se unam com as tuas.
Diz-me. Diz-me que deixas o teu coração falar. Diz-me que não impedes o teu sentimento de se mostrar.
Diz-me que procuras a felicidade, e que, quando a encontrares, saberás reconhece-la, agracia-la e guarda-la. Diz-me que não tens medo de ser feliz!
Diz-me que nunca esquecerás as letras que usas para construir o mundo, nem que seja, apenas, o teu mundo…
Diz-me tudo! Diz-me… que eu serei um ouvinte activo, liberto de preconceitos, para que entre as tuas palavras, possa sonhar as minhas e assim, construir o meu mundo também.
Mas, diz-me! E mesmo que queiras o silêncio, diz-me, por gestos, ou por imagens, para que encontre uma ponte neste caminho minado. Será como que um fortalecer, entre murmúrios, que outras almas porfiam em fazer acontecer.
Diz-me.
Diz-me que deixas o teu sorriso fluir.
Diz-me que te libertas de mim, de ti, e que, assim, consegues ser a essência.
Não tenhas medo de nada. Diz-me…

domingo, maio 18, 2008

Amanhã é um novo dia...


(Foto de: MRGUD S. M.)

O vento brindou-me com o seu jeito, na sua força, empurrando-me pela montanha. E lá do alto, sem sequer o questionar, disse-me ao ouvido… “Sou mais forte!”
Ora, sendo apenas um pastor, nem respondi, recolhi o meu gado e abandonei a montanha… Esperarei pelo Sol, meu aliado, que, com o seu sorriso dourado saberá entender o meu ganha-pão.
É na quietude do gado, que aprendo, e, sei esperar por ti…
Amanhã volto novamente, como se nada tivesse acontecido, trarei também a esperança comigo, amiga dos meus dias e alimento das noites por dormir…


in “Diário de um Pastor”

sexta-feira, maio 16, 2008

Tu


(Foto de: Juan Carlos Rivera)


O dia começa com o acordar
desperto-me em ti
e ainda nem te vi
mas deixo-me ir.
Um manancial de ideias
percorre as aldeias
do meu mundo
na procura do teu sentir
escondido e distante
mas presente no meu fluir.

As guerras são as notícias
que a voz da rádio relata
é a nossa sociedade.
Mas só procuro a minha verdade
aquela que me mata
quando a ausência é a faca
que sangra na minha dor.
Quero-te… num beijo do nosso olhar
quero-te… entre o Sol e o luar
Tu! Musa do meu amor.

quinta-feira, maio 15, 2008

O Percurso Dum Sonho


(Foto de tamtam tamtam)

Foi a tristeza que me trouxe até aqui. E a distância desenhou um caminho, imaginário, para que o sonho pudesse ser realizado…
As letras, companheiras de luta, harmonizaram-se no objectivo da senda e a luz deu-nos a visibilidade para que, em uníssono, pudéssemos unir os nossos desejos.
Quero ser música, entoar uma canção, que seja o hino do amor, daquele amor impossível e que, na junção do arco-íris entre cada cor, consiga amealhar cada oportunidade, ou cada vontade para que a realidade seja glorificada.
São teclas de um piano solitário, que mexem em movimentos estruturados, a emoção do espaço quando brotam sons de elevação que nos fazem voar aos píncaros dos desejos timidamente escondidos no nosso segredo nunca partilhado…
As cordas do violino, em sintonia com as teclas do piano, também vociferam a sua presença, quase intemporal, e, nessa conjugação deixam o meu corpo inerte pregado ao chão, e de olhos fechados sinto a alma sair do corpo para gladiar-se pelo concerto recebido.
Estamos a viajar pelo soberbo, música corpo e mente, numa união fortificada e sentida na mais genuína forma sensorial.
E é nessa viagem que coisas inominadas acontecem, que perdendo a timidez, se vão transformando, dando expressão ao subtil momento…
Ganham contornos identificados pelas imagens do nosso conhecimento, acontecem por imaginação ou desejo, mas estão dentro do nosso âmago mais escondido ou nunca assumido. Confundem-se com sonhos, ou até com pensamentos em estado indefinido, mas é o poder da música que nos transporta e nada nos pede… Oferece-nos o momento.
De ouvidos preparados, fecho os olhos, iniciando a viagem ao mundo invisível do som… e abro o meu coração para receber a dádiva do teu querer, sinto-te em sintonia, junto do meu abrigo, onde, escondido, consigo, viver cada momento… e basta-me assim…
Enquanto a tristeza não se transformar em alegria, enquanto a distância não diminuir e o objectivo permanecer revigorado em cada amanhecer, sei que o mundo pode ser a transformação do meu acreditar e é nessa conjuntura que, nos corpos em que me transformo, espero um dia acordar. Numa manhã de sol com uma música, outrora nosso hino e contigo ao meu lado. E o passado será um sonho acabado, bordado pelo presente em que a vida começa, a nossa deslumbrante e almejada vida…

quarta-feira, maio 14, 2008

Rio de Sal



A edium editores tem o prazer de anunciar a edição da segunda obra do poeta Luís Ferreira, "Rio de Sal", cuja apresentação terá lugar na Biblioteca Pública do Barreiro, no próximo dia 17 de Maio pelas 17.00 horas.
Sobre a obra escreve Xavier Zarco prefaciador e apresentador da obra:
"Um registo poético impetuoso, porque mesurado por um olhar grávido de espanto, tocado pelas mãos onde brota o poder de criar, erguido por palavras essenciais.
Rio de Sal é um livro, uma teia poética, que, mais do que para ser lido e meditado, é para ser lido e sentido".

terça-feira, maio 13, 2008

Gula


(Foto de: Marina Cano)



Gasto os meus gestos adornados
em rituais
sóbrios e aclamados
sempre iguais…
Meus alimentos amados
parceiros demais
saciam-me o momento
em que me envolvo arduamente
e, sem o meu lamento
volto conscientemente.

É de prazer
que encho o meu Ser!

segunda-feira, maio 12, 2008

Âmago


(Foto de: Art Hale)

Em mim navega o ócio
desta vida livre e por viver.
Procuro o meu ofício
para por inteiro poder ser.
Sinto-me caudal
dessa forma feita de ilusão
sinto-me feudal
desta sociedade feita de prisão.
Acorrentado aos dias que vejo partir
derramo as lágrimas do tempo
de um tempo perdido
na mão vazia de quem quis construir
um mundo criativo… lido.
Afundo-me no desespero
da despedida
do que tenho e não quero
nessa miragem da partida
tão fugaz que nem a espero
hoje. É o dia da minha despedida.

domingo, maio 11, 2008

Noticias do fim-de-semana

Começou na sexta-feira, dia 09 de Maio, com a maravilhosa viagem até a bonita cidade de Évora. Estive na Escola, cujo blogue, De Mãos Dadas, podem ver.
Deixo uma mensagem:
Um forte agradecimento pela recepção que tive, pela tarde maravilhosa proporcionada.
Estar entre docentes tão dedicadas e entre alunos desta idade é das experiências mais fabulosas que um Ser Humano pode ter.
Não podia, deixar de realçar, o excelente trabalho que se faz nesta escola, que pode e deve ser, um grande e bonito exemplo para tantas outras escolas deste nosso Portugal.
Parabéns a todos.

Espero voltar para poder retribuir o que tanto trouxe dessa escola…

As crianças, a todas, umas palavrinhas para vocês: Vocês são especiais e encheram-me o coração de alegria. Obrigado.


http://escolaheroischafariz.blogspot.com/
(ou Clique no título)

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No sábado, estive no evento, Encontro de Olhares, organizado por amigos da escrita e em que foi lido o meu texto, “Alma Gémea”.
Foi uma boa oportunidade para rever amigos, que a distância insiste em afastar mas que nunca consegue.
Houve muita poesia, música, dança corporal e um coro para uma tarde muito bem passada.

Obrigado a todos que participaram e a Câmara Municipal da Amadora

http://encontro-encontrodeolhares.blogspot.com/

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Domingo, a boa nova. Pela mão do generoso Senhor Luís Gaspar, locutor consagrado, quis colocar-me no “Um mundo de poesia” no seu audioblogue – Estúdio Raposa e Truca, na parte das “Palavras d´Ouro” junto com as maiores referências da literatura portuguesa e alguma mundial, honra que me deixou muito orgulhoso.

Obrigado


http://www.truca.pt/ouro.html

sexta-feira, maio 09, 2008

Escola 1.º Ciclo Heróis do Ultramar em Évora




Hoje, terei o prazer, de visitar a Escola Heróis do Ultramar em Évora.
Sendo uma escola de 1.º Ciclo, será para mim, uma alegria enorme e de grande aprendizagem. Estas crianças são o nosso futuro!

Obrigado pelo convite!

Quem quiser e se puder, que não falte...

quarta-feira, maio 07, 2008

Encontro de Olhares

É no próximo sábado, dia 10/05/2008



Se puderem não faltem!

"Queridos amigos e poetas,

Tenho a honra de convidar todos os amigos e poetas, desta minha casa, para o evento “Encontro de Olhares” – (Poesia, Dança de Expressão Corporal, Música ao vivo e especial participação do Coral Clave de Sol) – a ter lugar no próximo dia 10 de Maio, pelas 16 Horas, no Auditório da Câmara Municipal da Amadora.

Participantes:

- Dionísio Dinis
- Ilda Oliveira
- Manuela Fonseca
- Ana Dias

Autores participantes:

• Luís Ferreira
• Rosa Maria Anselmo
• Conceição Bernardino
• Paulo Afonso
• Pedra Filosofal
• Vera Silva
• Vanda Paz
• António Paiva
• Mel de Carvalho

Câmara Municipal da Amadora – Av. Movimento das Forças Armadas (junto à estação de comboios)"

Jinhos
Nela


terça-feira, maio 06, 2008

Sentimentos


(Foto de: Sue Anne Joe)

De ciclo em ciclo
Viajo anónimo
Acorrentado e livre
Preso á emoção
Não sei quem sou,
Não sei aonde estou,
Nem sei se fico ou vou,
Á procura da razão.

Busco... e fujo
Para encontrar a causa da decadência
Num firme (com) passo
Ergo cada evidência
Lutando contra o meu próprio cansaço.

Tenho restos da minha angústia
E então sei quem sou...

Não que o meu rosto, sorria
Nem que seja ilusão
São poucos os momentos
Que exprimo os sentimentos
Espalhados aos ventos
No caminho da minha noção.

Vim da adolescência
Passei por sentimentos peculiares
De tão tradicional família pertencer
Dizem-me “vais vencer”.
Não venço nem sou vencido
Porque não estou a competir
Nesta vida, imperceptível
Onde se é lembrado e esquecido
Numa nostalgia profunda
Que constantemente está a chegar e a ir
Coberto de um aroma pomposo.

Não tenho arte
Mas tenho instinto
Não tenho medo
Mas tenho amor
Não tenho fama
Nem tenho drama
Mas tenho dor.

Preciso de um abraço
Porque ele é o laço
Que nos une
E que nos resume.

Não tenho estratégia
Nem sou a porta de qualquer tragédia
Quero ser a noção...
Que separa da mentira,
A verdade
Numa perspectiva da realidade
Na construção da felicidade
Quero ser desta sociedade
Ser... Em qualquer ocasião.


In “Vinte e Cinco Minutos de Fantasia”

segunda-feira, maio 05, 2008

Viagem

Tão só,
Na solidão do acto
E eu não parto
Para parte incerta, de facto.
Tão só,
Na solidão do que me resta
Em que nada me presta
E na parte do facto
Existe a parte
Que de incerta
Tem a solidão do acto
Parto...
De facto,
Tão só.

In “Vinte e Cinco Minutos de Fantasia”

domingo, maio 04, 2008

Cansado


(Foto de: Nour Eddine El Choumari)

Acordei cansado. Desta vida inusitada! As viagens diárias à montanha com o meu rebanho. A labuta, que se repete e que cansa…
E a escrita que ocupa os meus vazios quando tanto preciso deles. Vou parar!
Algo ficará para trás. Um dia até eu ficarei…
Tudo tem um fim, e o meu, quem sabe, se não é assim?
Por ora, importa parar, para poder repensar esta vida e dar-lhe um verdadeiro sentido.
Até já!


in “Diário de um Pastor”

sábado, maio 03, 2008

A Realidade


(Foto de: Ceslovas Cesnakevicius)

Medito. É assim que inicio o trajecto que me há-de levar até a ti. Voo nos pensamentos do passado que se misturam com os do futuro e se transformam num sedento alicerce debaixo dos meus pés… Um pequeno passo de cada vez, lentamente, muito lentamente e o meu corpo já percorre o universo sem que os olhos o sigam.
Sei que me esperas, de sorriso largo e de olhos brilhantes. Temos tanto por conversar tanto para dar que o espaço parece curto e o tempo indomável…
Talvez nem consiga soletrar uma única palavra quando na tua presença estiver, mas nem tão pouco me importarei, porque sei que o meu olhar falará por mim. Sei que nesse encontro, mesmo que nada digas, o teu olhar será o fruto que alimentará a minha alma e que fará o meu corpo regressar pelo mesmo caminho, só que mais conformado!
Nada é eterno! Nem eu, nem tu… essa realidade que tanto demoramos a entender e assim desperdiçamos o nosso momento e o nosso tempo, esse mesmo indomável que presencia todos os pequenos nadas esbanjados por luxuosos pretensos seres…
Sou protegido. Num mistério laico para o qual não encontro explicação mas que me proporciona essa altivez do magistério encontro, onde sou embrenhado por profundas luzes contidas de uma pureza altiva que perpetuam o âmago do meu incenso existencial.
É nesse estado que me sinto apto para voltar à realidade, os dias que me restam para que cumpra a minha missão, após a qual seguirei cumprindo-me…
Outros passos, outras realidades, acompanharão o tempo que continuará indomável!

(E a realidade será sempre os olhos da existência…)

sexta-feira, maio 02, 2008

Caminho


(Foto de: Don Paulson)

Caminho! É a palavra solta que vagueia pela minha mente, num acto de liberdade. Entre árvores, espectadoras, que, nas bermas da vida, aplaudem em silêncio na passagem para o imaginário… que chamo de caminho…
Confundo-me entre o espaço fixo que os teus olhos protegem e o libertar, imóvel, do sentido da estrada que reproduz essa mesma imagem, que já vagueia nas nossas mentes, quando, num nada, saltitou entre os nossos pensamentos.
Já não estou só! Já não sou um! Estamos ligados pelo mesmo elo que, omisso aos olhos dos próximos, se enobrece na pálida noção do passeio… transportando-se num ritual.
E, num raio de maresia vinda do céu, vem a tentação atroz, que traz quimeras vestidas de sonhos e, é nesse momento que um de nós acorda, rejeitando assim o futuro que outrem quer impor. Assim, a lucidez dá forma à liberdade que encontro no caminho… que iniciei!
Agora liberto, exorcizado, encontro e aceito o significado dessa palavra – caminho – ao vento libertino…
Volto a ser eu e a sorrir!

quinta-feira, maio 01, 2008

Acredita


(Foto de: Wim Ipenburg)

Dá um abraço no valor do teu querer e sorri…
Depois espera que o gesto se transforme para que o possas saborear!

quarta-feira, abril 30, 2008

Poeta e contadora de estórias encantam alunos

Para comemorar o Dia Mundial do Livro e dos Direitos de Autor, a Escola EB 2,3 Aristides de Sousa Mendes, na Póvoa de Santa Iria, organizou uma sessão de leitura que contou com a participação do poeta local Paulo Afonso e com a contadora de estórias Ilda Oliveira. Na presença de diversos alunos do horário nocturno, e com as portas abertas também aos pais e professores, durante cerca de 90 minutos, as várias gerações esqueceram as suas diferenças e deliciaram-se com diversos poemas e contos que cativaram desde cedo a audiência. Foram utilizados diversos meios para não tornar esta acção numa aula ou palestra, por isso, durante a leitura foi utilizada uma banda sonora apropriada e também a componente informática através da projecção de uma apresentação multimédia.
Depois de terminar, Ilda Oliveira, em declarações ao NM, salientou a importância destas iniciativas: “Tenho participado em numerosas iniciativas e é para mim um desafio quando encontro pessoas que pensam que a poesia ou a leitura são uma «seca». Enquanto falo vejo-os com atenção e no fim vêm dar-me os parabéns”, explicou.
Paulo Afonso, que está prestes a lançar o seu segundo livro, elogiou a ideia que os professores tiveram para assinalar aquele dia: “É muito importante aliciar as novas gerações para a leitura e eu tentei a aproximação quando lhes disse que também fui um «grande maluco»”, concluiu.
No final, entre organizadores e participantes, o balanço foi muito positivo e a sensação de dever cumprido ficava patente nas várias conversas entre os alunos e a contadora de estórias.

PS:Foi retirado do site: www.noticiasdamanha.net - (basta clicar no título)
Poeta e contadora de estórias encantam alunos por: António Murteira da Silva (texto e foto)

terça-feira, abril 29, 2008

I º Encontro Luso-Poemas


(Museu Do Vinho e da Vinha - Anadia)

26 de Abril de 2008


O Prefácio de um dia...


Agora que estou distante, uma lágrima tonta, foge do meu segredo e deixa-se diluir nas profundezas do espaço abstracto…
Tu que me lês… perguntas a ti mesmo, pela tristeza que embala este texto, numa aflição desconhecida e simultaneamente curiosa, e eu, adivinhando essa carência, aproximo-me do teu ouvido, sem que o teu olhar me toque e baixinho digo-te: - Não é tristeza! É alegria…
E assim, contemplo o dia que passou, que encheu a minha vida de gestos maravilhados e no abraço das palavras, todos, sem excepção embarcamos na viagem de união, que em silêncio selamos o nosso propósito, quando trocamos os olhares de cada universo…

António Paiva
Carolina
Cleo
Flávio Silver
Fly
Freudnãomorreu
João Vasco
José Torres
Laura Gil
Luís F.
Margarete
Pedra Filosofal
Rosa Maria
Tália
Trabis
ValdevinoXis

Resta-me o silêncio que as palavras não contemplam e em que as imagens não sentem, para que na meditação do meu momento, possa sentir-vos novamente, entre sorrisos…

Para os presentes uma pequena frase de emoção:

- O homem da palavra
- Trouxe no coração as crianças
- Um sorriso tímido mas constante
- Uma viola no saco e música no ar
- Aquele abraço prometido
- A voz surpresa
- Uma viola em acção
- O dom da comunicação
- A timidez da coragem
- A amizade na presença
- O olhar redentor
- O riso libertino
- A presença que faz a Dama
- Generosidade na grandeza de Ser
- O Pai silencioso
- O amigo de sempre

Que no próximo encontro, as presenças cresçam vertiginosamente, para que atinjam um número nunca imaginado.

Beijos e Abraços

segunda-feira, abril 28, 2008

Saudade


(Foto de: Bogdan Gavrus)


Tenho saudade do tempo ido, que o tempo levou, nessa viagem da vida.
Tenho algo, que chamo de saudade, e que guardo no meu íntimo mais paradisíaco.
Tenho como o momento, em que quero parar, o tempo para ficar eternamente junto dele…
Tenho saudade. Tenho tempo. E juntos tão separados existem dentro de mim…
Tenho saudade do que tive e já não posso ter, essa magistral, infância…
Tenho saudade… do meu tempo de menino.
Tenho e não tenho! É esse o sentimento que chamo… Saudade!

quinta-feira, abril 24, 2008

Transmutar


(Foto de: Andrey Vahrushew)

Abro o meu sorriso para anunciar que cheguei. Para que possam sentir a minha presença. Transmuto-me para partilhar convosco a minha emoção e a mensagem colhida nas paragens que fiz neste percurso de vida. Cheguei até aqui, junto de vós, para que juntos, pudéssemos viajar nesta magna sensação dos sentidos…
Vejam-me nascer, talvez como uma flor indefesa, e ainda assim, reparem que sorrio sem medo de ser feliz. Estou nos campos verdes da natureza, onde as cores pintam as alegrias, e a harmonia está visível entre o silêncio da noite e o calor dos dias…
Vejam-me crescer, talvez como uma ave observadora, que voa sobre vós em círculos e que está pronta para poisar suavemente no vosso ombro, para, em segredo e bem juntinho ao vosso ouvido, deixar poucas e simples palavras… Não tenham medo de tentar porque a felicidade depende apenas de cada um…
Essa é a minha nobre missão, emprestar-vos a imaginação que vos conduz ao mais ínfimo lugar dentro de vós e, nessa consciência sabática, deixar-vos a conclusão que cada pedaço do corpo e da alma é uno…
Vejam-me partir, entre as imagens e as vidas que consegui ser e em que imagino que me viram, quando me transmutei em várias formas, escolhidas por cada um de vós, em que, embora díspares, todas fizeram sentido, todas tinham o mesmo rumo, a mesma mensagem… viram como é possível que, embora todos diferentes, podemos ser iguais?
É hoje que vos digo, que, depois deste nosso encontro, já nada será igual. Partilhei o que tinha para partilhar e em cada coração aberto entrei e deixei por lá um pouco de amor, como uma semente que o tempo verá crescer, que, com o tempo, será parte desse corpo que vive neste mundo aceso… Agora sim, posso partir, porque semeei bem dentro de cada um de vós o melhor que nos faz viver a sorrir…
Regresso ao meu estado, numa última transmutação, para também poder aproveitar o que aprendi nesta viagem conjunta que convosco tive o prazer de realizar.
De sorriso expandido sigo o meu caminho porque sei que vocês estão aptos para seguir o vosso. Olho uma última vez para trás e num aceno separo-me de vós… pensarão que foi um adeus, mas não, o meu aceno incontido foi, e será sempre, de um profundo agradecimento. A todos os que comigo se encontraram nesta partilha de vida o meu eterno obrigado.

quarta-feira, abril 23, 2008

Escola EB 2, 3 Aristides de Sousa Mendes na Póvoa de Santa Iria

Hoje, 23/04/2008 a partir das 20 horas, estarei presente e tenho o prazer de contar com a participação da minha Colega Ilda Oliveira, num evento sobre a escrita (poesia em especial) na Escola (Agrupamento de Escolas) EB 2,3 Aristides de Sousa Mendes na Avenida Dom Vicente Afonso Valente – (em frente aos Bombeiros Voluntários) na Póvoa de Santa Iria.

Deixo aqui o convite. Quem puder e quiser que apareça.

Obrigado

segunda-feira, abril 21, 2008

Espero-te…


(Foto de: Elena Orlova)


Espero-te… ao pôr-do-sol para que juntos possamos ver a despedida do calor das nossas vidas, agora que o destino nos transformou em mais um dia, desses que aconteceram sem que ninguém reparasse nele…
Espero-te… na noite escura, para que possas surgir entre o medo e o receio, e assim estejas junto de mim, sem que ninguém olvide que me pertences, para que tu, mesmo que não queiras sabê-lo, para que sejas eternamente feliz…
Espero-te… nesse luar, feito na viagem, que ambos construímos nos nossos íntimos imaginários e nunca confessamos a ninguém…
Espero-te… porque é o nosso destino, porque é o elo que nos faz andar neste caminho feito de sonhos e ilusões, criados entre verdades ocultas e em segredos bem distribuídos…
Espero-te… porque esse foi o teu desejo um dia…
Espero-te… já!

domingo, abril 20, 2008

Poema


(Foto de: Wojciech Grzank)

Tu fazes-me sorrir
quando me pedes um poema
e sem que te peça um tema
imploras que escreva ao meu sabor.
E eu deixo-me apanhar
nessa teia embrenhada no ar
imagino
a lágrima enxuta ao vapor
e a razão dessa louca exortação
onde consigo até chegar a tua dor.

E é nesse corpo exposto
que procuro a alma da tua poesia
para encontrar a palavra do teu próprio caminho.
Fico, nesse instante, sozinho
deleitado com a alegria
das palavras que me trazem a fantasia
e é assim que escrevo o teu momento.
Nascem as palavras que em mim… onde hão-de fluir
desabrocham num teu beijo a ruir
para que o poema seja o nosso alimento.

sexta-feira, abril 18, 2008

Senhor das Almas


(Foto em: http://senhordasalmas.wordpress.com/)


Subia de novo a montanha. Olhei uma primeira vez, para cima, e pareceu-me ver um rosto com um sorriso espontâneo que me esperava. Continuei o meu caminho. Próximo do meu rebanho e do meu Dick numa sintonia ritmada. Mais perto do topo da montanha olhei de novo e o rosto expressava um sorriso ainda maior!
Como nem o rebanho nem o cão manifestaram qualquer sinal de diferença não dei importância. Mas a energia, a força e o ânimo estavam lá…
E lá cheguei ao topo…
E lá se deu o encontro entre mim e o tal rosto sorridente. Só depois percebi que era o sorriso da alma…
Desde então revemo-nos semanalmente e a experiência tem sido reconfortante, espero que, para ambos…
Obrigado Senhor das Almas!

quinta-feira, abril 17, 2008

Ao Meu Anjo


(Foto de: Renata ?aska)


Hoje chego cansado. De tanto lutar com as palavras ditas. Ditas ao meu rebanho que nos montes andou impávido e sereno sem que o som das minhas palavras fizesse o mais pequeno ardor aos seus ouvidos.
Cansa-me. Esta mania na forma de desprezo cansa-me. Empurra-me para uma solidão que não quero. Só tu, minha santa amada, saberás compreender. Mesmo que a distância nos mantenha separados a compreensão estará sempre em nós.
É para ti que deixo o melhor do dia, uns beijos campestres!
Tu hoje mereceste! Em boa verdade mereces sempre…

in “Diário de um Pastor”

quarta-feira, abril 16, 2008

O Cão


(Foto de Scot Steele)


Volto mais alegre. O meu Dick orgulha-me. Ainda não vos tinha apresentado o meu guardador de rebanhos? Pois é… Chama-se Dick. E é um cão muito inteligente e de uma excelente postura atlética, com o calor o seu corpo brilha num destaque inequívoco do seu tom preto luzidio. Já me deu várias provas da sua coragem e da sua amizade. É verdadeiramente impressionante como sem falarmos nos entendemos na perfeição. Ele sabe quando estou melhor ou pior, e numa simples troca de olhares emprega a solidariedade que mais preciso. Sofre comigo. Expande a minha alegria como se fosse a sua e sem que nada peça ele está sempre responsável por todo o rebanho.
Hoje tomei consciência da sua verdadeira importância, por isso, regresso a casa mais alegre. A minha palavra de hoje é para ele. Obrigado Dick!

in “Diário de um Pastor”

terça-feira, abril 15, 2008

O Poema


(Foto de: Vladimir Lestrovoy)

Madruguei. E quando o sol nasceu, entre a sua luz e o meu sono, escrevi um poema.
Quase que o deitei fora, ora, o meu rebanho não o quis… e nesta solidão, da montanha inerte, quase que adormeci novamente. Não posso! É na noite que me deito…
Mas reafirmo:




“Tenho Sono…”


Tenho ausências de lucidez
entre desejos incontidos
entre uma sorte moribunda.
Tenho seriações flácidas…
que o meu estro esconde.
Tenho rotas de juvenis decorados
entre mares dum sabatismo ortodoxo…

Fujo das heresias
Apenas e só… tenho sono!


(Sigam o meu rasto…)


_________________

Nota Informativa:
_________________


Sobre os versos:

“Tenho rotas de juvenis decorados
entre mares dum sabatismo ortodoxo…”

Na liberdade poética do autor a frase “ Tenho rotas de juvenis decorados” pretende aludir uma analogia simples, cujo objectivo único é o de emprestar a ideia dos caminhos dos adolescentes que na sua condição própria conseguem sempre ou quase sempre elevar o pouco (em especial da vida) que conhecem.
E, na frase “entre mares dum sabatismo ortodoxo…” é intenção referir que, ainda assim, o que se suporta (ao que atrás expliquei) é conseguido por conhecimento rígido, imposto, e na junção de ambas frases, é pretendido abonar um pouco de uma confusão subtil, quiçá, provocada pelo sono que é a base do poema.

Obviamente que o autor corre o risco de errar, como corre o risco de fugir ao seu traçado poético, mas é esse o desafio implícito que faz quando opta por criar. A criação é isso mesmo. Afinal, o autor não pretende castrar o seu sentimento quando o passa para o concreto.

segunda-feira, abril 14, 2008

Dia Seguinte


(Foto de: Elena Tanasescu)


Voltei para ler as palavras que ontem escrevi. Vejo que crescem em mim…
Hoje sinto a alma dessas letras expostas, como ontem senti quando as escrevi. Não sei, se ao lerem conseguem sentir essas formas entreabertas que se misturam na página preenchida. Volto sempre para que me alimente das letras deixadas no chão da minha folha da vida.
E na essência da mulher que procuro, que quero desfrutar, deixo-lhe um gesto da minha presença.

Com flores deixo o meu beijo presente!

in “Diário de um Pastor”

domingo, abril 13, 2008

Diário de um Pastor


(foto de: Leonid Padrul)

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No meu pensamento florescem bonitas rimas em versos destemidos para brindar.
Ergo-te nas mentes e nos alpendres em que passo para desejar noites de fantasia e emoção. E entre palavras, ditas e desditas, semeio o meu trigo e passeio o gado que me governa.
Amanhã passarei outra vez para colher o que antes semeara e assim viverei até que as forças me deixem…
Não sei se algum dia as minhas palavras chegarão a algum lugar, ainda assim, brindo-te com a minha intenção.
Deixo cair um desejo embrulhado num apertado abraço!

in “Diário de um Pastor”

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terça-feira, abril 08, 2008

Dois Irmãos


(Foto de HUNG TON)

Decorria o ano de 2000 e as pessoas recompunham-se do susto do proclamado bum da mudança de século em que muitas vozes gritavam horrores que terminavam quase sempre em que o Mundo iria acabar…

Entre quimeras, (eram 12/13 de seu propósito), vivia Letapatim, homem de vastos recursos mentais que compensavam a sua falta de destreza física, provocada por um problema que nascera consigo, que já se tinha habituado a combater, ultrapassando-o com alguma mestria.

As suas fantasias, outrora misturadas com algumas visões iluminadas, passavam por ser uma pessoa com uma vida normal, se possível, completamente dedicadas as letras, e em especial a literatura.
Sonhara escrever um livro que fosse um best-seller e criava, dentro da sua cabeça, um mundo próprio.
Arranjara uns heterónimos para fluir as suas necessidades da escrita. Ele era o Litaipe numa escrita mais em contos, o Luspub na poesia e o Lokoisopot nas crónicas da vida real…

Escrevia sempre. Entre mundos, onde o seu se movia, criava personagens nas quais mandava, e onde fazia as suas justiças, organizava planos bem estruturados para exercitar a sua mente e assim vivia escondido no “bunker” da sua casa. Tudo era feito através da Internet. Movia-se muito bem nesse mundo, compensando assim as outras faltas…

Envolvido que estava na sua condição, por vezes, e de forma dissimulada, extrapolava a sua função e sentia-se um polícia da net, onde passeava dia e noite.

Numa dessas viagens, numa cidade distante, encontrou a casa de Tapeli. Visitava-o sempre que podia, para ler o que, quase diariamente, escrevia. Havia algo que o atrai-a. Também por ser um leitor compulsivo, viaja entre as cidades da net, tornando-o num passageiro do tempo.

Certo dia, na casa de Tapeli, deixou um presente envenenado. Não tinha gostado da cor das ameixas que Tapeli tinha pintado o seu quadro vanguardista. Sem que se identificasse, deixou a sua marca de revolta, não contra o quadro ou a escrita, mas contra o autor…

Voltava sempre aquela cidade, e em especial, àquela casa de gente de bem para relembrar a sua argúcia, infundamentada, mas que lhe dava um prazer absoluto comparado ao jogo em que apenas ele jogava e ganhava…

Foram meses nesta mestria! Sem que, do outro lado, houvesse reacção, até que, um dia, Tapeli reagiu, sem saber de quem se tratava. A paciência tinha-se acercado da fronteira dos limites…

Tapeli procurou a sensatez para que os seus passos não fossem em falso. Mais que tudo, queria entender o que levava alguém a agir daquela forma, aberrante e ilustrada… Queria pensar de igual forma…

Começara o verdadeiro jogo! Agora já não era um só jogador a fazer jogadas ao seu belo prazer. Havia ataques e contra-ataques estratégicos, cravadas por plenas manobras de diversão.

Jogava-se com total liberdade, excepto na demonstração da peça inicial, que, por alguma vez assumira a sua verdadeira identidade…

E o jogo foi longe demais! Foram usados todos os recursos para que o jogo finalizasse. Tapeli apostava tudo. Já era uma questão pessoal muito para além do jogo inicial.

Até que um dia a falha aconteceu.

Luspub, Litaipe e Lokoisopot foram descobertos num corpo só e muito exposto. Estava a caminho de outro país quando foi interceptado pela CIA (Camaradas Investigadores e Amigos) que, numa operação conjunta de longo tempo, vinham seguindo pistas.

Afinal, Litoskyps, seu verdadeiro nome de baptismo fora descoberto. Tinha em seu poder uma colecção de passaportes de vários países e várias identidades. Multifacetado. Era apanhado por causa de um jogo simples que insistia em prosseguir.

A sua detenção foi manchete internacional. Era a mesma pessoa que liderava uma enorme seita através da Internet. O Guru mais procurado de sempre!
Tinha, sobre sua alçada, imensos crentes espalhados pelo mundo. Estavam a premeditar um genocídio através da Internet para breve… seria dentro de dois dias…

A CIA foi premiada com a medalha de mérito pelos bons serviços prestados em prol da sociedade.

Krupslap, o mentor das investigações e amigo pessoal de Tapeli, foi também condecorado pelo estado.

Já decorria o julgamento quando outra bomba estoirou…

A verdadeira história de Litoskups, era difundida por toda a comunicação social internacional. Ainda recém-nascido tinha sido entregue a uma família de adopção com quem vivia actualmente. Nessas mesmas investigações, descobriram que os verdadeiros pais já haviam falecido, mas que, ainda vivo existia um irmão…

Litoskyps e Krupslap eram irmãos de sangue. Uma fuga de informação originara outra bomba…

Ouvido pela comunicação social, as únicas palavras de Krupslap, sobre essa mais recente bomba foram: “Se pudesse voltar atrás, teria trilhado o mesmo caminho!”

Krupslap reformou-se dois anos depois. E Litoskups, condenado a prisão perpétua, é hoje um colaborador especial da Polícia Federal para o crime organizado, em especial através da Internet.

segunda-feira, abril 07, 2008

Um Recado


(Foto de Chung Chan)

Só as estrelas me tocam
(escusas de tentar...)
Nas vagas do tempo que está para vir,
(ainda assim é preciso esperar...)
E na preciosidade das palavras secretas
(vejo o teu olhar escondido...)
Escondo-me e apago-me
(e também me escondo... fujo)
Sem mais gestos clandestinos
(nem desejos insurgidos)
E sem a avidez dos sentidos.
(desisto… de querer!)
O sal queima-me a pele
(de uma forma subtil)
E as letras a boca quente.
(alimentam-me o Ser.)
E lanço-me ao vazio vago da escuridão,
(na ânsia e na procura,)
Num sonho e num desejo,
(sem limitações do acessos)
Envoltos em liliáceas
(visto os pecados)
Com que me cubro
(e danço em fantasias)
E espero...
(melodias do acto)
Espero-te...
(achego…)

(Dueto com Vera Silva - numa brincadeira - "arranjada" pela Stone)

domingo, abril 06, 2008

por Xavier Zarco

Hoje venho divulgar as palavras de Xavier Zarco que em http://euxz.blogspot.com/ escreveu sobre a minha escrita.

Obrigado Camarada,
Um Abraço


“Escrevo-vos sobre Paulo Afonso. Conheci-o pessoalmente há escassos dias no Alvito como referi neste mesmo diário.

No entanto, já conhecia a sua escrita. Tal ocorreu quando me veio parar às mãos um original seu para que sobre este desse uma opinião.

Ler Paulo Afonso foi um desafio curioso, sobretudo porque nos confere a sensação de entrar num universo quase diria íntimo, próximo que está, para quem assim o ler nas entrelinhas, de um registro epistolográfico.

Textos curtos e serenos, verdadeiras missivas. Prosa poética bem urdida, com leveza de linguagem que nos transporta para os mais díspares cenários.

Assim, recolhi cada poema, como se estes repousassem no bojo de uma garrafa sobre o areal. Por eles, decifro a distância como se aí, em cada um desses quadros, de facto estivesse.

Em suma: a concisão aliada à capacidade de sugestão, farão deste escritor uma boa descoberta a quem dele desejar se acercar.”

sexta-feira, abril 04, 2008

sou palhaço assumido…


(Foto de: Vezon Thierry)

Querelas levaram-me ao paraíso… e lá senti-me efémero.
Então perguntei ao meu umbigo: - Que procuro eu?
Sem que conheça a resposta – sentíreis-me idiota – O Ser das ideias em prol dos ideais…

No passado fui um palhaço do circo da vida…