sábado, março 30, 2013

VOZES DA NOITE na RQCVD


Na RQCVD Vozes da Noite é um programa às 6.ª feiras das 19h às 21h.
À conversa com Paulo Afonso Ramos, e entre músicas, damos VOZ ao vasto auditório para que partilhe a sua opinião, desabafe e passe um excelente tempo na nossa companhia.
Todos nós somos as “Vozes da Noite”! http://www.radioqc.com/

sexta-feira, março 29, 2013

Atlético Clube de Portugal - Juvenis B 2013

 
Hoje (29/03/2013) no Torneio do Sanjoanense

segunda-feira, março 25, 2013

PALAVRAS MAL DITAS de PEDRO BARROSO

 
Amigos, hoje apago a luz e adormeço feliz. Adormeço sempre feliz, mas hoje sinto-me ETERNO na minha felicidade. Mais um projecto que ganhou vida, cor e luz. Ganhou espaço e felicidade. Poesia, sempre a Poesia que aquece cada momento, cada noite fria. “Palavras mal ditas” são, aqui, bem ditas pelo próprio autor: Pedro Barroso. E assim, como comecei o dia, termino com a voz deste grande Senhor da Cultura Portuguesa que seja para todos nós um ETERNO. Obrigado Pedro. Grato por confiar em mim e na Lua De Marfim Editora com este novo Livro + CD. Boa noite!

sábado, março 23, 2013

5 de Abril de 2013

A data escolhida para o novo projecto começar...

segunda-feira, março 18, 2013

SURPRESA!

Uma surpresa estará para chegar! Quem advinha o que é?
Aceitam-se sugestões...
 

quinta-feira, março 07, 2013

Rogério Charraz canta poema de Sofia de Barros


Este poema, da Sofia de Barros, aqui cantado ao vivo e sem microfone, pelo nosso amigo Rogério Charraz:

 
 
SOFIA DE BARROS, in “ANTES DE SERMOS DIA” – (LUA DE MARFIM, 2012)

      

Campo lavrado


 
Fossem as minhas mãos doces arados,

sulcando o chão que é esse teu cheiro,

no húmus destes beijos demorados

e serias campo lavrado por inteiro.

 

Fossem os meus olhos ventania,

estendendo-te no solo de rajada,

num sopro toda eu estremeceria

e já serias terra, e eu nortada.

 

Fosse a minha boca leve semente,

florescendo de manhã no teu olhar,

e já o teu sémen no meu ventre

seria promessa de vida a germinar.

sexta-feira, março 01, 2013

Jornal "A BOLA" de QUA 27 FEV 2013 Ano LXIX, N.º 14.312

Não querer fazer
de estádio, morgue...
 
‘Futuro Risonho’, romance policial de Mário Nóbrega onde há mistério no querer saber-se _de que clube se é ou no ver o Benfica-FC Porto na TV de Mário Zambujal achou-o «excelente»
Na apresentação que lhe coube, Mário Zambujal revelou: «Estamos em presença de um excelente livro. Muito bem estruturado, as suas personagens estão bem caracterizadas e a sua trama sustentada de uma maneira que prende o leitor da primeira à última página. Por conseguinte, um livro a não perder, ainda mais porque, com determinação e coragem, o autor escreve uma história ficcionada que se enquadra na história atual».
É mesmo isso (aliás, é mais, verá...) este Futuro Risonho, de Mário Nóbrega. Quem lhe leu o anterior Um Mês, thriller forte e polémico que brevemente poderá passar a cinema através da arte de um realizador premiado em Cannes – verá que há várias pontes a ligá-los.
Mistério no Benfica-FC Porto
Para além de paixão e morte, frenesins e sensualidades, flirts e traições, devaneios e noites quentes, por ele o passa futebol (como se não imaginaria), no diálogo entre um capitão da GNR e um inspetor da Polícia Judiciária:
- Qual é o seu clube?
Alfredo Medeiros estaria à espera de ouvir tudo e mais alguma coisa, mesmo que tal pudesse significar mais problemas para a investigação que já o perturbava demasiado, mas aquela pergunta... Não, não era possível. E apenas conseguiu, na circunstância, responder com outra pergunta.
- O quê?!
- Qual é o seu clube? Não me vai dizer que não tem um...
- Tenho, claro. Quem não tem um clube?
- Então, diga-me lá qual é o seu?
- Desportivo de Chaves.
- Só pode estar a brincar comigo.
Percebe-se que não, não é brincadeira nenhuma, fala-se de Raúl Águas a atirar o Chaves para a Taça UEFA – e salta, subtil, a revelação sobre o também torcer por outro grande e o não largar o sofá:
- Não admito que quem vá a um estádio possa estar sujeito a ter a sua vida em perigo. Até parece que as pessoas vão para um campo minado...
- Lá isso é verdade.
- O capitão reparou que toda a gente é revistada nas entradas dos estádios e, depois, durante um jogo, são lançados petardos e toda a espécie de objetos para o relvado? Os estádios, capitão, estão transformados em arenas, como no tempo dos romanos. O futebol devia funcionar como mola impulsionadora de convívio, apesar do desejo legítimo de se querer ganhar, e não como um passaporte para o hospital ou para a morgue. Não, capitão, morte já eu tenho de sobra na minha profissão.
O capitão admite que gostava do Campomaiorense e do... FC Porto – e desafia o inspetor para irem, ambos, ver na televisão o Benfica-FC Porto. (E ler o livro é descobrir que a ideia, afinal, não era apenas olhar para o jogo...)
tiros na fábrica de rolhas
OK, mas de que trata, então, este Futuro Risonho? Se de um ajuste de contas, se de um crime passional se apurará, após o proprietário de uma fábrica de rolhas de cortiça aparecer assassinado com três tiros à porta da empresa, numa noite de janeiro...
entre morte e contrabando
«Numa escrita de estilo cinematográfico, o leitor é convidado a acompanhar as investigações comandadas pelo inspetor Alfredo Medeiros, da Polícia Judiciária, e pelo capitão Acácio Freitas, da GNR, e num fôlego chega ao fim do enredo deste romance policial no qual abunda gente considerada suspeita de ter cometido o crime que para sempre mudou a vivência de Aldeia do Monte, no Alentejo. Curiosamente, enquanto decorre a investigação ao assassínio de Geraldo Santos Ferro, uma outra, visando o desmantelamento de uma rede de contrabando de tabaco, com quartel-general em Espanha e rota pelas imediações de Aldeia do Monte, é coroada de êxito devido a um... esquecimento».
É assim que, na contracapa, se levanta o véu à obra. E sim: ler este Futuro Risonho é mesmo saltitar de suspense em suspense até se chegar à frase, esfíngica ou não, que o matador larga ao ser apanhado:
«Fiz aquilo que tinha de ser feito». (E ao chegar aí, quem lá chegou, percebeu que, afinal, talvez não tenha sido por acaso ou circunstância, que Mário Nóbrega, enquanto foi escrevendo o seu Futuro Risonho não deixou, nunca, de ter presente uma ideia a povoar-lhe o pensamento: a de a ficção ser filha da realidade.)
Na foto: Mário Zambujal, Mário Nóbrega e Paulo Afonso Ramos
 


segunda-feira, fevereiro 25, 2013

Todo o homem tem que morrer!


Todo o homem tem que morrer!

 

Fecho os olhos. Finalmente chego a casa. Fiz o meu caminho o melhor que sabia, talvez melhor podia, mas caminhei com os meus pés e aprendi com os erros e quando decidi foi pela minha cabeça que pensei.  

Fugi das guerras dos homens sem nunca me sentir covarde. Afastei-me da meninice sem nunca perder a saudade. Desenhei na lua o meu maior sonho e sorri na esperança de vê-lo crescer como uma criança feliz.

Todo o homem tem que lutar para crescer e eu lutei. Todo o homem tem que perder para aprender e eu perdi. Todo o homem tem que sofrer para viver e eu sofri. Mas também sorri! Também tive o brilho das estrelas nos meus olhos e a luz da lua na minha alma. Mas, apesar de tudo, a vida é um tempo, um espaço e todo o homem tem que morrer!

Em mim já adormeceu um passado que não volta. Fecho os olhos. E viajo para o fim... Todo o homem tem que morrer. Chego a casa, fecho a porta, as janelas e deixo-me acontecer! Afinal, porque sim, todo o homem tem que morrer e eu hoje quero ficar em casa.

 

Eduardo Montepuez, 25 de Fevereiro de 2013


domingo, fevereiro 03, 2013

Agradecimento do 2.º Aniversário

Olá Amigos!
Ontem foi mais um dia marcante para mim, para a Lua de Marfim Editora e para todos os que amam a escrita. Comemorar 2 anos de existência foi fantástico! Ter tantos amigos junto de nós foi gratificante. Como ontem disse, foram 2 anos de luta e de muito trabalho junto de uma equipa fabulosa que unida se esforça para dar o seu melhor em prol de bons livros, da boa literatura. Muito caminho ainda há para andar, muita luta e claro, muito esforço e dedicação, mas os 74 títulos que existem já são uma boa mostra das nossas capacidades, dos bons Autores. A todos os que já leram alguma coisa da nossa editora segue um abraço.
Gratos por estarem ao nosso lado!
Paulo Afonso Ramos

sexta-feira, fevereiro 01, 2013

2 Anos depois...

Bom dia!
O nevoeiro esconde-nos a Lua sempre presente na nossa Alma. Talvez a proteja, a guarde para amanhã, que será o dia da festa. Certo é, que passaram 2 anos e tanta gente esteve envolvida, de uma forma ou de outra, neste sonho/projecto.
Para todos os envolvidos (até como Leitores) segue, sem nevoeiro, o meu reconhecimento num abraço apertado!
Grato por existirem!
Boa sexta-feira e até amanhã no Campo Grande, 56 em Lisboa.

quarta-feira, janeiro 16, 2013

2.º Aniversário da Lua de Marfim



2.º Aniversário da Lua de Marfim

A equipa da Lua de Marfim Editora convida-vos a estarem presentes na grande festa do seu aniversário, a realizar no dia 2 de Fevereiro (sábado), às 16h, no auditório do Campo Grande 56 em Lisboa, onde, entre outras surpresas, será o lançamento das antologias “A vida num sonho” e “Se sonhas consegues fazer” em que participam vários autores.

Teremos momentos musicais com Rogério Charraz

Uma tarde de festa que contamos consigo.

Apareça! Venha divertir-se!

sexta-feira, janeiro 04, 2013

segunda-feira, dezembro 31, 2012

Votos sinceros de um excelente Ano Novo de 2013


Desejo a todos os meus Familiares, Amigos, Colaboradores, Autores, Leitores, Jogadores de futebol e aos muitos conhecidos, os Votos sinceros de um excelente Ano Novo de 2013.
Grato por todo o apoio recebido em 2012. Juntos faremos um fantástico 2013.
Muitos Sucessos, Alegrias e Saúde para todos!

Grato por existirem!

sexta-feira, dezembro 28, 2012

200 GOSTOS?

Será que esta página consegue chegar aos 200 GOSTOS até ao final do ano?http://www.facebook.com/pages/Paulo-Afonso-Ramos/154261744641276

domingo, dezembro 23, 2012

quarta-feira, dezembro 19, 2012

Povoenses!



Povoenses!

Neste Natal ofereça um livro sobre a nossa terra! Já saiu a 2.ª edição do livro “Póvoa Antiga – Crónicas e Roteiro das Ruas” de António José Torres

Aproveite e adquira já!


Boas Festas! E com fantásticas leituras!


sexta-feira, dezembro 14, 2012

sábado, dezembro 01, 2012

Futebol é alegria!


Sport Clube Sanjoanense

sexta-feira, novembro 30, 2012

Os meninos da bola - Crónica de Dezembro 2012


Os meninos da bola

 

Num ano para sempre recordar, era setembro que amanhecia nas minhas mãos e três vezes por semana acontecia magia quando, ao final da tarde, primeiro, e depois já ao princípio da noite, os meninos de tenra idade se juntavam num campo pelado para, atrás de uma bola que girava como o seu mundo, correrem como quem busca o maior sonho.  

Os meninos da bola queriam aprender, queriam saber sorrir e, mais que tudo, queriam jogar à bola como quem faz o caminho da alegria, como quem mostra ao mundo que a sua felicidade era, tão simplesmente, alcançada num golo ou na amizade de estarem juntos e juntos queriam encontrar o seu destino. Os mais velhos, de onze anos de idade (2001), eram iguais aos mais novos (2003/04) no trato, na disciplina e no profundo respeito por todos os que os rodeavam e, dentro do campo, a bola não deslumbrava idades mas sim vontades, jeitos e todo o trabalho que desenvolviam. Aquele momento trissemanal era o seu prémio –  houvesse ou não jogo ao sábado.

E foi delicioso vê-los correr rumo ao crescimento tático, a evolução da condição humana e ao desempenho coletivo. Em quase três meses (33 treinos) já não eram uns meninos que, ao acaso, estavam num mesmo espaço e passaram a ser amigos (como os mais adultos são) que juntos brincavam quando se proporcionava brincar e trabalhavam arduamente quando assim se exigia. Eram já uma equipa de futebol em que cada um sabia qual era o seu espaço, a sua função e o objetivo comum.

Mas, como no seu mundo mandam os adultos, um dia a notícia anunciava a partida do seu treinador. Sem perceberem a razão, o olhar imediato de espanto foi depressa substituído por um rio de lágrimas que passava por ali naquele momento. A noite fria e escura mostrava-lhes que, no seu caminho, havia um ou outro percalço e que nem sempre só de trabalho e vontade se construía o seu querer.

Até que a semana findou e, no sábado de manhã, um jogo iria acontecer; não por acaso, seria, nem mais nem menos, o dérbi da terra.

O sábado amanheceu chuvoso e o campo tinha pequenos lagos que dificultavam o futebol, mas aqueles heróis de luta e querer tornaram-se gigantes e venceram por 2-1. Acontecia história e uma grande felicidade porque ali conseguiam a sua primeira vitória oficial e logo frente aos seus amigos e colegas de escola. E após o apito final do árbitro, correram em conjunto para a zona onde se encontravam os seus pais, para comemorar aquele acontecimento especial e, num movimento espontâneo, como só as aves sabem fazer, voaram em direcção ao seu ex-treinador (que assistia ao jogo fora do campo) para lhe dedicar a sua primeira vitória oficial.

Guardarei o momento. Os seus olhos bordados de gratidão eram o maior troféu que algum dia sonhara existir.

Ali, no momento mais alto, sentira que o cordão umbilical se cortara para o futebol, porque aqueles homens de amanhã estavam encaminhados, porque mais que ganhar é preciso saber estar, porque mais que o futebol há a vida que merece ser vivida com amor e respeito, e eles, os meus pequenos heróis, tinham acabado de demonstrar que aprenderam um pouco mais do que como rola uma bola, porque perceberam como rola o mundo.

Talvez um o dia os reencontre num outro clube ou até num campo qualquer, mas saberei que, em cada um deles, terei as mais gratas recordações.

Os (meus) meninos da bola já são hoje uns homens que nos dão as mais belas lições e nos fazem acreditar num futuro mais justo e amigo.

Parabéns, equipa! Parabéns, amigos! Até sempre e muito obrigado por tudo.
 
 
Publicado na Edição n.º 15 | Ano II | Dezembro 2012

segunda-feira, novembro 26, 2012

quarta-feira, novembro 21, 2012

No "O Preço Certo" da RTP1

Hoje, dia da Televisão, estive no Preço Certo da RTP1 a concorrer. Fui até à final e perdi a montra por 730 €, mas ganhei muito mais com as pessoas que foram comigo para apoiar esta aventura. Foi divertido! Assim escrevo para que saibam que agradeço aos que me acompanharam e aos que apoiaram.
As 15 pessoas que estiveram comigo e aos amigos Nuno Caroça e José N. Ribeiro.
As Instituições:

ARIPSI –...

Associação de Reformados e Idosos da Póvoa de Santa Iria
http://www.facebook.com/pages/ARIPSI/197825670263300

Junta de Freguesia da Póvoa de Santa Iria
http://www.facebook.com/pages/Junta-de-Freguesia-de-P%C3%B3voa-de-Santa-Iria/235479469831621?fref=ts

Associação de Dadores Benévolos de Sangue da Póvoa de Santa Iria
http://www.facebook.com/pages/Associa%C3%A7%C3%A3o-de-Dadores-Ben%C3%A9volos-de-Sangue-da-P%C3%B3voa-de-Santa-Iria/122567857765822

Bombeiros Voluntários da Póvoa de Santa Iria
http://www.facebook.com/bvpsi?fref=ts

LUA DE MARFIM EDITORA

http://www.facebook.com/#!/pages/LUA-DE-MARFIM-EDITORA/161446523911145

Um abraço de gratidão para todos!

quinta-feira, novembro 01, 2012

Crónica do Adeus

                                                  Edição n.º 14 Ano I - Novembro 2012

Crónica do Adeus


Sexta-feira. 19 de Outubro de 2012. Acabara de receber um email a solicitar a crónica para edição de novembro, com a indicação do prazo limite de envio, e ainda mal sabia o que iria escrever. Pouco tempo depois esta sexta-feira (o dia da semana de que menos gosto) ficaria irremediavelmente perdida com a notícia da partida de Manuel António Pina.

Pouco antes, e em sentido contrário, através do Facebook, eu escrevia: “Bom fim de semana para todos os meus amigos!
Sorriam e divirtam-se, porque a vida passa depressa...
Abraços!

Não imaginava que tão triste notícia abrigava, forçosamente, o meu sorriso e roubava um sonho, entre tantos outros, que escondia atrás desta minha paixão literária; conhecer pessoalmente e publicar (um só livro que fosse) Manuel António Pina. Cheguei, timidamente, a segredar a alguém este louco desejo.

Talvez, dentro do meu egoísmo, ainda não tivesse assumido algo mais importante: a literatura portuguesa acabara de sofrer um rude golpe! Mais um...

Assim, entre a perda e a tristeza profunda, decidia o que iria escrever para o jornal de novembro: Uma crónica do adeus.!

Mais que a qualidade da crónica, que a tristeza do momento, queria perpetuar em meu redor um justo e digno adeus. Homenagear. Manuel António Pina fazia-me ficar parado em frente ao televisor. Atento. Gostava das suas entrevistas. Fazia-me ler com prazer. Gostava da sua escrita, em particular, da poesia rendilhada de diferença, e adivinhava um homem excecional na inteligência e saber. Fazia-me, portanto, sonhar com a remota possibilidade de criar uma relação com o próprio, abordando várias temáticas e em especial sobre a paixão comum.

Não aconteceu. Mas agora nada importa. Não importam os seus muitos prémios literários nem os momentos que não aconteceram. Nem tão pouco importam os dispersos acontecimentos após a sua morte, se poucos dias passados ninguém recorda a obra ou o génio. Talvez, por isso, insista nesta crónica do adeus para relembrar, NÃO O SONHO, mas a memória. A memória colectiva que se apaga pela falta dos afectos, dos gestos mais disseminados ou das vontades que ergueram o que nós agora somos. Sem educação e sem cultura nunca viajaremos no tempo nem amaremos os que nos deram tanto e tanto; para muitos, foi sempre um nada fingido de sobressaltos. Devíamos, diariamente, agradecer o que temos. Devíamos compreender a grandeza dos que partiram sem comparações ou atropelos e sem medos.

Obrigado amigo do meu sonho. Um abraço. Com o poema deixo-me ficar em ti.

 

NÃO O SONHO

Talvez sejas a breve
recordação de um sonho
de que alguém (talvez tu) acordou
(não o sonho, mas a recordação dele),
um sonho parado de que restam
apenas imagens desfeitas, pressentimentos.
Também eu não me lembro,
também eu estou preso nos meus sentidos
sem poder sair. Se pudesses ouvir,
aqui dentro, o barulho que fazem os meus sentidos,
animais acossados e perdidos
tacteando! Os meus sentidos expulsaram-me de mim,
desamarraram-me de mim e agora
só me lembro pelo lado de fora.


Manuel António Pina, em Atropelamento e Fuga.

terça-feira, outubro 02, 2012

Meia Lua

Edição n.º 13 Ano I - Outubro 2012

As ideias nascem do quase nada, depois cria-se a vontade, já com uma pequena semente cravada na ideia, e acrescenta-se alguma dose de coragem para chegarmos à construção de um qualquer projeto. E é aqui que a coragem ganha importância e poder, porque é quando temos que avançar, sair do imaginário e tornar tudo real.

Esta pequena introdução poderia ser de abertura para diversos fins, até poderia ser para contar-vos a realização de um filme, mas não; serve para narrar-vos o nascimento de uma nova coleção literária da Lua de Marfim Editora cujo nome, como já perceberam, é o de Meia Lua. É de pura poesia, que espero venha a marcar pela positiva uma época (onde só se fala em crise), e já agora, confesso-vos, também é a realização de um sonho muito antigo.

Então quando se deu o click desta ideia? Num sábado em que não tinha nenhum evento literário decidi visitar algumas livrarias e papelarias, em Lisboa e arredores, que tinham os livros da editora para saber como corriam as vendas e se algumas reposições eram necessárias.

Perto do final da manhã, cheguei a uma papelaria da Amadora em que apenas tinha vendido um livro e, em conversa com o seu proprietário, este queixava-se da crise e do receio das pessoas de gastarem o seu dinheiro em coisas que não fossem consideradas fundamentais. Avançou para uma banca de livros e apontou-me um deles, dizendo de seguida que só aquele livro se vendia. Ao olhar para o dito, soltou-se-me a pergunta: «Porquê?» Depois peguei no livro e reparei que não era conhecido, e que era de uma edição antiga e até nem estava no seu melhor estado. Fiquei extasiado!

O proprietário, perante o meu espanto, depressa explicou que as pessoas já só procuravam os livros de baixo custo e que esse fator era sempre decisivo. Naquele caso também, pois o único argumento era esse, custava 5,00 €, e as pessoas não se importavam com a qualidade. Voltei a ficar admirado.

Saí daquele espaço indignado. A cultura não é fundamental? A qualidade não importa? Nem pensar! Tive, de imediato, uma enorme vontade de criar algo que fosse acessível aos leitores, mas que também desse todas as garantias de grande qualidade.

Começava assim de um ponto de partida, baixo custo com qualidade, mas como e o quê? Então o amor falou mais alto e todos os caminhos iam dar ao mesmo destino: Poesia!

Amante da boa poesia e precisando dela quase como de respirar para ser inteiro, segui o mestre no que escrevia: “Para ser grande, sê inteiro: nada / Teu exagera ou exclui. / Sê todo em cada coisa. Põe quanto és / No mínimo que fazes. / Assim em cada coisa a Lua toda / Brilha, porque alta vive.Ricardo Reis (heterónimo de Fernando Pessoa).

Então, achado o caminho, era preciso caminhar. Para encontrar a forma, consultei a minha equipa editorial, que depressa ficou entusiasmada com a ideia, e talvez, também com o meu entusiasmo exacerbado.

Mas ainda faltava mais um passo, que hoje considero indispensável, o convite a alguém para coordenar esta colecção e, para minha felicidade, a pessoa desejada aceitou de imediato: Gisela Gracias Ramos Rosa, a quem dedico uma palavra de gratidão. Sem ela não era, seguramente, a mesma coisa.

Assim chegamos ao dia da apresentação da nova coleção, e deixo-vos o convite:

A Lua de Marfim tem o prazer de convidar V.ª Ex.ª a assistir ao lançamento de dois dos seus mais recentes livros da nova Coleção Meia Lua.
Dia 13 de Outubro de 2012 pelas 19 horas no Hotel Real Palácio em Lisboa, o escritor Gonçalo M. Tavares apresentará ao livro O arco do tempo de Maria Teresa Dias Furtado que, por sua vez, apresentará o livro Morada Recôndita de Agripina Costa Marques.

Contamos com a sua presença!

Termino na esperança de ter a alegria de recebê-los neste dia, pois a excelente poesia desta coleção merece ser lida, sentida e partilhada. E, já agora, posso confessar-vos: estou emocionado e feliz!

terça-feira, setembro 18, 2012

Desafios de escrita!

Caros amigos e amigas

Depois do sucesso que foi o livro “eu digo não ao não”, queremos ir mais longe e desafiamos todos, dos mais novos aos mais velhos, a participar nas duas antologias que iremos editar em breve.

Escrevam um texto e enviem-nos para o e-mail antologias.luademarfim@gmail.com.

As regras são simples:

  1. O título do texto tem, obrigatoriamente, de ser “Se sonhas, consegues fazer” para quem tem idade igual ou inferior a 18 anos e de “A vida num sonho” para os restantes. Não basta que o texto enviado seja sobre a temática de cada um dos livros.
  2. Não há idade mínima nem máxima para participação.
  3. Os textos têm de ser inéditos e de autoria de quem participa.
  4. Os textos podem ser em prosa ou poesia.
  5. Os textos terão de ter menos de duas páginas A4 e deverão ser enviados em formato Word.
  6. Cada autor poderá enviar a quantidade de textos que desejar mas se for selecionado apenas participará com um.
  7. Não serão aceites participações enviadas depois de 15 de Novembro de 2012.
  8. A escolha dos textos participantes cabe à Lua de Marfim Lda.
  9. A breve biografia literária não pode ultrapassar as três linhas e deverá conter, obrigatoriamente, a data de nascimento.
  10. Os autores que pretendam participar sob pseudónimo devem dar essa indicação expressa, comprometendo-se a Lua de Marfim a respeitar o sigilo.
  11. Os textos serão identificados, nos livros, pelo nome ou pseudónimo do autor, podendo, o próprio, escolher qual o nome que pretende que conste (no máximo de 3).
  12. Os dois livros obedecerão ao novo acordo ortográfico e serão revistos antes de editados.
  13. Os livros “Se sonhas, consegues fazer” e “A vida num sonho” serão editados em Fevereiro de 2013.
  14. Não há lugar a qualquer pagamento, pelos autores, pela participação nos livros.
  15. Não haverá qualquer desconto no preço de venda dos livros para os participantes.
Ficamos à espera das vossas participações e ficamos ao vosso dispor através do e-mail antologias.luademarfim@gmail.com  caso tenham alguma dúvida adicional.

terça-feira, setembro 11, 2012

quarta-feira, setembro 05, 2012

Com o Fadista Carlos Macedo e a sua rapariga Madalena Macedo

Eu, Madalena Macedo e o grande fadista Carlos Macedo!

sábado, setembro 01, 2012

Com Luís Mascarenhas e Fernando Pereira

                                                    Recordando o Dezembro de 2008

quinta-feira, agosto 23, 2012

João Gil, eu e Sérgio Godinho

 
Memórias de 2011. Foto gentilmente cedida por: José Alex Gandum
Na foto: João Gil, eu e Sérgio Godinho

sábado, agosto 11, 2012

quinta-feira, agosto 09, 2012

Hoje com o Dr. Mário Soares

Hoje, 9/8/2012, com o Dr. Mário Soares na sua Fundação em Lisboa.

quarta-feira, agosto 08, 2012

Hoje com Conceição Lino na SIC


Hoje, 8/8/2012, com Conceição Lino na SIC no programa "Boa Tarde".

a pedido o vídeo do momento:
http://sic.sapo.pt/Programas/boatarde/2012/08/08/boa-tarde---semana-de-6-a-10-de-agosto

terça-feira, agosto 07, 2012

Ministro da Educação, Dr. Nuno Crato, recebe Editor e jovem Autor

A Lua de Marfim Editora duplamente representada, pelo seu autor Ruben Correia e pelo o editor Paulo Afonso Ramos, hoje, 7/8/2012, com a Sua Excelência o Ministro da Educação, Dr. Nuno Crato, no Ministério de Educação.

quarta-feira, agosto 01, 2012

A grande entrevista no Jornal "O Mirante"

Leia aqui neste link:

http://www.omirante.pt/noticia.asp?idEdicao=54&id=52767&idSeccao=544&Action=noticia&fb_source=message

Entrevista31 Jul 2012, 00:11h

Ninguém consegue ser romântico a tempo inteiro

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Quis ser escritor e decidiu conhecer o país real para se inspirar. Teve 30 profissões. Escreveu sete livros, quase todos de poesia, mas rejeita o título de poeta. Há um ano fundou a editora “Lua de Marfim”. Escreve com vista para o Tejo da janela do sexto andar de um prédio da Póvoa de Santa Iria. Agora já encontrou o amor da sua vida mas nos tempos de juventude foi a poesia que lhe garantiu sucesso entre a população do sexo feminino.
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Escrever poesia e mostrá-la é um acto de coragem? Muitos têm receio de cair no ridículo…
Acho que mais do que um acto de coragem é um acto de egoísmo. O ser humano é egoísta por natureza. O objectivo é recolher louros e ouvir elogios. Não digo que não haja um pouco de coragem nisso mas quando o faz o ser humano está a pensar sobretudo nele próprio.

Diz que escreve para libertar as personagens que não consegue ser. Que multiplicidade de homens num só é o Paulo?
Uma das coisas que nunca consegui fazer foi ser actor. Como gosto muito de teatro teria gostado de desempenhar algum papel. No fundo o que faço através da escrita é isso: ser actor. Ninguém tem uma personalidade só e não estamos a falar de bipolaridade…

É o mesmo homem a falar nos seus poemas ou veste outras peles?
Vou dizer uma coisa que parece ridícula. Só o digo porque já ouvi António Lobo Antunes dizê-lo e se é ele a dizer toda a gente acredita. Às vezes não somos nós a escrever. António Lobo Antunes diz que a sua mão é mais inteligente que ele. Que muitas vezes não consegue acompanhar o ritmo. É verdade. Parece que alguém nos encarna e quer passar uma mensagem. Somos meros portadores. Quando começo a escrever não tenho nada planeado e as coisas vão fluindo. Chego a ficar assustado.

Gostaria de encarnar sempre aquele homem romântico que também se lê nos seus poemas?
Sou um romântico por natureza mas ninguém consegue ser romântico a tempo inteiro. Ninguém consegue ser uma coisa só a tempo inteiro. Há momentos para tudo e há contextos sociais que nos condicionam ou modificam.

Sente-se melhor na prosa ou na poesia?
Na prosa. A poesia é o expoente da literatura. Tem a capacidade de se adaptar ao leitor. O poeta faz um poema e ninguém sabe o que é que o poeta quis com aquilo dizer. Eu tenho uma leitura e outra pessoa tem outra. É uma escrita inteligente. Sinto-me mais à vontade na prosa porque tenho mais liberdade para me estender. Não ao ponto de chegar ao romance.

É só o transcendental que o inspira ou pode ser uma coisa banal?
Nada é banal. Banal é a forma como nós olhamos para as coisas. Há coisas à nossa volta que nos podem parecer banais mas se nós quisermos aprofundar esse olhar conseguimos extrair daí várias coisas fantásticas. Acho que os poetas estão mais treinados para isso. Nós temos na nossa terra coisas fantásticas a que não ligamos nenhuma. Todos os dias passamos por elas e não as vemos. No entanto se vamos de férias estamos com o sentido alerta no máximo, tiramos fotografias at udo e achamos que tudo é o máximo.

Os poemas que escreve, muitos dedicados a mulheres, não causam ciúmes à sua esposa?
(Risos) Ía dizendo que isso não me causa problemas porque soube escolher… Acontece que os homens não sabem mas não são eles que escolhem as mulheres. São escolhidos pelas mulheres. É uma teoria antiga que tenho. Acho não estou longe da verdade. Os homens convencem-se de que as escolhem mas é mentira. Na questão do amor a mulher decide. Normalmente a mulher tem vários pretendentes e acaba por ficar só com um. Não porque foi aquele lhe restou… Neste aspecto tive sorte. Tendo em conta a forma como lido com as minhas amigas teria eu uma vida muito difícil se a minha mulher fosse ciumenta. Também é assim porque ela me conhece bem e tem confiança, o que é essencial numa relação.

Sim. Até porque faz duetos poéticos com uma amiga também poeta. É um amor mentiroso?
Não é mentiroso. É verdadeiro dentro daquele contexto. A escrita tem esse fascínio. Dá-nos liberdade de criar. Eu na escrita posso ser tudo o que eu quiser. O dueto é possível desde o momento em que as duas pessoas que estão a escrever entendam isso e estejam na mesma linha. Isto é como dançar. Precisamos de um par. Se o par for bom dançamos melhor. É claro que é necessária grande afinidade e cumplicidade.

* Entrevista completa na edição semanal de O MIRANTE.
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sábado, julho 28, 2012

F.F. de Fogo Fechado

Se FF – Fernando Fernandes é um prodígio no meio artístico nacional e depois de ter entrado na série Morangos com açúcar sobressai agora em A tua cara não me é estranha, programa de destaque aos domingos na TVI, a realidade do país é bem mais incisiva que qualquer programa de entretenimento.
O fogo domina! Apesar de nesta época ser decretado pela ANPC – Autoridade Nacional de Protecção Civil a “Fase Charlie Dispositivo Especial de Combate a Incêndios Florestais 1 de JUL a 30 SET Alerta Azul”, temos algumas localidades em Alerta Laranja (os alertas são quatro: Alerta Vermelho, Laranja, Amarelo e Azul por ordem de prioridades e gravidade da situação). Todos anos o cenário louco e assustador, repete-se, e nunca há meios, homens ou prevenções suficientes para que se evite ou minore este flagelo de verão. Floresta destruída abraçada à fauna morrem aos olhos do homem, casas perdidas engolidas pelo fogo,  muitas lágrimas e pedidos de ajuda fazem manchetes dos jornais e abertura de noticiários das televisões portuguesas. Há reportagens por toda a parte e o desespero das famílias entra pela nossa casa ao jantar.
É este o país que guarda os dias ora ao som das mais diversas músicas ora ao outro som do crepitar da madeira incendiada.
Mas há um passado que ainda vai sendo o presente, ou um presente envenenado, de um país que não se veste só destas aventuras. Há outras, sempre outras, que se misturam amiúde com o quotidiano dos portugueses. O fecho! Fecham-se hospitais/urgências até porque numa altura de turismo (o melhor de Portugal) ou de incêndios é preciso cortar nestes custos de saúde, como se sabe por um documento que a Entidade Reguladora da Saúde (ERS) disponibilizou, o Estudo para a Carta Hospitalar, onde até se promove o encerramento da Maternidade Alfredo da Costa, um local de referência de muitos portugueses que ali nasceram.
Fecham-se escolas, em Agosto de 2011 foi anunciado pelo Ministério da Educação e Ciência (MEC) o fecho de 297 escolas de ensino básico. Atinge-se, assim, sem apelo nem agravo, a nobre classe dos professores. Reduzem horários, retiram ou substituem os professores de carreira e ignoram-se consequências futuras em prol de uma estratégia de anti-crise e pós-trokiana.
Afinal, falamos de passados ou presentes e as escolas preparam o futuro, pura ironia, e assim, também se cortam ou fecham oportunidades aos professores.
Quando se abala duas áreas, saúde e ensino, tidas como bases de uma estrutura elementar para a sobrevivência de uma cultura e identidade própria de um país, que mais se pode esperar? Que esperança se pode ter no amanhã?
Estaremos a fechar Portugal? Estaremos a destruir uma história milenar de sucesso, de exemplo e até de gáudio?
Talvez se atravesse um deserto enigmático e a loucura dos fogos, do desemprego e das constantes adversidades que vamos encontrando pelo caminho não seja mais que uma miragem adornada pela música de fundo que nos leva, devagar, ao acordar de mais um sonho ou pesadelo. Talvez...

Publicado na edição n.º 11 | Ano I

segunda-feira, julho 02, 2012

Desemprego – uma realidade social

Desemprego – uma realidade social
O desemprego já é mais que uma gigantesca realidade social, é exactamente uma praga social!

E esta calamidade acerta em cheio nas famílias dos cidadãos que sempre trabalharam e que agora conhecem um novo modo de vida desocupado e escasso em ganhos com uma componente até então desconhecida: o terror da incerteza do amanhã.

O Eestado, mesmo que feche os olhos para não perceber a verdadeira dimensão deste flagelo, é também um sofredor directo. No aspecto financeiro, primeiro, porque tem que atribuir mais subsídios de desemprego, depois porque recebe menos  cada vez menos trabalhadores e, por último, porque se o povo não tem capacidade de compra os impostos entram menos nos cofres do Estado e com a não existência de rotação de produtos as empresas acabam por fechar porque deixam de produzir. E já agora, trabalhadores ainda no activo, façam um intervalo nas greves, que nos tempos que correm é o maior tiro no pé que um trabalhador dá. Haja consciência social!

Mas também há quem sinta o reflexo desta calamidade de forma menos directa: os que compõem o aparelho do Estado. Refiro-me aos que trabalham nos centros de emprego ou na segurança social. Mas quem quer criticar deve apresentar soluções ou alternativas.

Para minorar a questão, defendo, já que se gasta tanto dinheiro mal gasto e de todos nós, que deveriam ser criados dois tipos de formação para esta nova verdade dos nossos dias: Um curso para os novos desempregados com as disciplinas psicologia/sociologia/gestão e marketing – assim estariam ocupados nos primeiros tempos de desemprego e ficariam melhor preparados para um primeiro embate desta mudança que as suas vidas acabaram de receber, compreenderiam melhor a máquina que é a sociedade e conseguiriam imprimir um projecto de mudança ou de criação do seu próprio emprego ajudando-se e contribuindo de forma directa para o país sair da crise.

O outro curso seria para funcionários públicos que lidam com as pessoas com este problema. Assim percebiam que os outros (desempregados) têm dificuldades sérias de subsistência/sobrevivência e teriam abertura para mudar algumas atitudes e outras quantas regras que actualmente são impostas, como por exemplo: não darem informações telefónicas dos cursos nos centros de empregos ao dispor para os desempregados – “Deve dirigir-se ao centro de emprego e tirar a senha branca” – a frase repetida até a exaustão. Há pessoas que já não têm dinheiro para passear em vão e podem resolver alguns assuntos por telefone ou via internet, deixando de contar para a estatística do movimento que ali ocorre e que podia e devia ser melhorado. E alerta seja dado, se está desempregado e é chamado ao centro de emprego apresente os bilhetes de transporte e peça o seu reembolso. É um direito que nunca é divulgado.

Enquanto todos não percebermos que um país em crise e pleno de desemprego é um problema real de cada um de nós, que o tempo do dinheiro fácil e em excesso vindo da Europa já acabou, que os políticos devem dar os bons exemplos em primeiro lugar e, ainda, que o futebol é um mundo paralelo de sonhos perdidos, estaremos todos socialmente condenados.

Mas ainda há um pormenor que urge mudar: não pensarmos que os azares só acontecem aos outros porque, de um dia para o outro, pode também acontecer-nos...

Se pudermos fazer alguma coisa pelo vizinho, pelo estabelecimento comercial do nosso bairro ou pelo bom produto português declinando o que vem de fora, porque temos qualidade cá dentro, é agora que devemos actuar. Agora é preciso dar as mãos e termos bem definido o que queremos para nós e para os nossos. Votar já não chega! Não votar é quase nada e nós, povo português, somos tão bons que certamente teremos a ousadia de afastar este tormento que se veste de desemprego e é filho bastardo da crise. 


Publicado no Jornal
(Julho 2012 - Edição n.º 10 | Ano I)

domingo, julho 01, 2012

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sexta-feira, junho 29, 2012

"Bipolaridades" de Vera Sousa Silva


(Clique neste link para ouvir a poesia de Vera Sousa Silva na voz de Luís Gaspar)

É já amanhã 30/Junho/2012 que é o lançamento deste fantástico livro de poesia.


A editora Lua de Marfim e a poetisa Vera Sousa Silva têm o grato prazer de convidar V. Ex.ª a estar presente no lançamento da obra, “Bipolaridades”, que acontecerá no dia 30 de junho de 2012, pelas 16h, no Hotel Real Palácio, Rua Tomás Ribeiro - 115 em Lisboa.

Obra e autora serão apresentadas pelo poeta Emanuel Lomelino.

Contamos com a sua presença.


(...) não ficar suspenso na amplitude e nas abordagens dando-nos um vasto cenário demonstrando que a poetisa é bipolar. Angústia/exaltação, dor/prazer, anseios/desprezos, são alguns registos dos poemas de dupla expressão(...).


(...) um tom quase orgástico, seguramente erótico de muita da poesia. Aqui, também poderíamos, balançar na bipolaridade quando, através de poemas intensos trata a dor e a saudade quase de uma forma metafísica (...). – estes são apenas alguns registos que escrevi no prefácio de um dos seus livros de poesia, mas, nesta obra, há uma estrutura fundamentada que, com a ajuda de uma poesia de grande qualidade e polivalente da poeta Vera Sousa Silva justifica o título de Bipolaridades!

                                                                                                          Paulo Afonso Ramos

sexta-feira, junho 01, 2012

O Meu Bairro

O meu bairro
Hei-de amar o meu bairro com todo o meu silêncio! Mas se, um dia, falar deste meu bairro, que amarrou os dias da minha vida, direi as mais loucas palavras que inventarei para o efeito. O meu bairro merece que crie palavras recheadas de emoção, de sedução e de saudade. Crescemos juntos! Fomos amigos, mesmo em silêncio.
Mais que as casas, edifícios corpulentos ou prédios a aprender a crescer, há pessoas, ruas e espaços de referência. Há um Ritual que marca a diferença! E, ao fim de tarde, entre as cervejas que afagam a dor de existir, as conversas trazem ideias e vontades de mudar o futuro de um país. O meu bairro podia ser um estado novo e ter um presidente. Eu saberia muito bem quem eleger! Mas, como Comunidade, já é um grande bairro porque nele vivem pessoas humildes e trabalhadoras, porque existem escolas e campos de futebol, uma grandiosa biblioteca, entre creches e outras coisas que uma grande Comunidade deve ter. Também existe tanto que os moradores nunca ousaram descobrir, para desfrutar ou para mostrar aos que nos visitam…

E a minha rua, perdoem-me as outras ruas vizinhas, é a que melhor paisagem oferece.

Nela montaria uma esplanada maior do que as que já existem, mas no meio da estrada, para contemplar o Tejo e a ponte Vasco da Gama, e no fim da estrada, junto ao estacionamento, mandaria construir um palco versão arena da Grécia antiga para que o teatro tivesse um espaço próprio com obrigação de assistência, ao final da tarde e pela noite dentro, maior que outro qualquer evento já realizado por estas bandas. Ali desfilavam, à vez, os personagens míticos do bairro, desde dos Smurfs aos Vikings sem esquecer os oradores vestidos a rigor que a política impõe. Talvez seis dias por semana, no máximo, falaríamos do amor pelo nosso clube e depois, se tempo sobrasse, pelo amor ao desporto-rei que é quem domina as conversas da minha rua. Mas falaríamos também de política, das artes e da crise. No meu bairro a crise nunca entrou pois nele não há extravagâncias nem grandes espaços comerciais. Nem promoções de loucos apaixonados pelo sindroma do amanhã. Aqui tudo é sereno como as horas que morrem devagar. Hei-de amar as noites e os dias que mergulhar nesta vida sem igual e que se vão perdendo nos tempos modernos. Hei-de amar os silêncios interrompidos pelos pássaros e os gritos que chamam algumas alcunhas agasalhadas pela solidariedade.

Mas o meu bairro é muito mais para além dos meus olhos, do meu silêncio ou do meu incondicional amor. Nele habitam gerações de linhagens díspares, problemas sociais e vizinhos que não se falam ou hábitos de solidão. O desemprego é o nosso mais recente vizinho! No meu bairro o amanhecer é sempre de esperança e apesar de todas as coisas menos boas é o local perfeito para existir, para conviver com os amigos e desfrutar as emoções da vida. Eu gosto que gostem do meu bairro!    

Publicado na edição n.º 9 | I Ano