terça-feira, agosto 12, 2008

Plano Azul


(Foto de: Teresa Zafon)



Escrevo cada palavra, sem qualquer passado, sustentado num presente amorfo mas crente num futuro acessível e divino. É preciso acreditar!
Estou suspenso no título, oferecido, com duas palavras expostas – Plano Azul – que é o que acontece agora neste preciso momento. O passado (deste título) é de acesso limitado e por isso não é conhecido do universo de leitores. Será de outro universo. O presente sou eu. Sou o elo de ligação entre essas forças semi-ocultas e o vosso presente lido. As letras são uniformes, ordenadas e expostas numa linha de coerência mental mas que têm o condão de dispersarem a mensagem que contêm, num exercício puro de átomos invisíveis e que penetram num inconsciente permanente para, assim, ajudarem o pensamento, global, repensado e proposto, a transitar para o consciente de cada um fazendo nascer, como sua, a ideia que se expande num pensamento fundamentado.
Cada um pinta esse pensamento da cor que mais gosta, embora a base seja sempre imutável, o azul existe e foi fixado. Em alguns cérebros, pode existir uma ante consciência cujo primeiro sintoma é de rejeição. É passageiro e muito raro porque o Plano Azul é um projecto perfeito com milhares de anos.
Há novos estudiosos que tentam entrar neste universo, pensador, para elevarem a sua condição humana e moverem o mundo num sentido egoísta mas que são, rapidamente, ultrapassados pelos exemplos perfeitos.
O Plano Azul – É secreto e a informação descoberta (partilhada propositadamente como uma experiência superior) deve ser privilegiada e guardada. Se tiver oportunidade, ignore a informação, pois o tempo lhe dirá se Você era o destinatário da mesma. Se puder ter a opção de comentar, não o faça, pois é de todo aconselhado que não se exponha. Ninguém precisa de saber a quem se dirige esta mensagem, até porque ninguém quererá ser o alvo visado.
Não memorize. Estas palavras, disformes, já aconteceram num tempo longínquo. Entraram directamente no amplo discernimento da imaginação.
Já só o Universo existe e as partículas, dispersas, demorarão outra eternidade a criarem um nova oportunidade para se juntarem…até lá, nada acontece!

segunda-feira, agosto 11, 2008

Cinco Sentidos


(Foto de: Floriana Barbu)


Os meus olhos choram
por não te verem
por não te terem
sofrem assim.
O teu cheiro
rosa por inteiro
encanta-me
em lençóis de cetim
perfumados
de ti e presos em mim.


Saboreio-te na ausência
num bocado perdido
toco-te além mar.
Oiço-te gritar
oiço o teu pedido
rendido
num marasmo perfeito.
Aqui moram
cinco sentidos que choram
por te ter presa no meu peito.

sexta-feira, agosto 08, 2008

Hoje não...


(Foto de: Piotr Kowalik)

Hoje não vou apoquentar as palavras, mesmo que o teu sorriso não cesse, ou que te laves em lágrimas não permitirei que algo aconteça ou que tudo aconteça.
Hoje não vou apoquentar as palavras, ficarei fechado no silêncio dentro mim, de olhos vendados como um prisioneiro de uma guerra que nunca existiu…
Hoje não vou apoquentar as palavras, não me peçam nem me gritem, porque não me importa, hoje nada me importa mesmo.
Desculpem! Não vos direi nada, nem mesmo que, hoje não vou apoquentar as palavras…

quinta-feira, agosto 07, 2008

Trago


(Foto de: Dieter Schneider)



Trago rosas… Senhor
e outras flores
trago um amplo sabor
entre mesclados odores
que subtraem as dores.

Trago a maresia
que afasta qualquer heresia
trago um sorriso
que é tudo o que preciso.

Trago também um perdão
que hei-de entregar
ao silêncio da confissão
que um dia há-de chegar
Trago paz neste meu olhar.

quarta-feira, agosto 06, 2008

Ostensão


(Foto de: Iain Smith)



Perco-me entre livros
os que escrevi
e os que vou escrever…

Sinto-me emaranhado
entre escritas difusas.

Perdoem-me… não sei quem sou!

segunda-feira, agosto 04, 2008

Concepções


(Foo de: Sufyan Al-Khazraji)


a história fez-se
ficou num tempo de ninguém
sobrevive só
e devastam-na com outro tempo

que interessa?
quem quer saber?
é mais uma abandonada…

pertence ao passado de alguém.

sábado, agosto 02, 2008

No Fim do Mundo


(Foto de: Josep M. Llovera)

Deixei a noite cair. A escuridão que cobre as ruas dá-me a coragem que preciso para que possa mover-me entre as razões que desconheço e as loucuras que guardo. Sou mesmo assim, alucinado, mesmo que não me queira aceitar, que importa? Sou como sou!
Trago roupas do passado e com elas me visto de acontecimentos já esquecidos. Sou moribundo e não aceito que mo digam, nem tão pouco quero ouvir-me.
Cada passo meu leva-me a lugar nenhum, e, quando é dado, envolve-se na calçada do passeio solitário e, no acto desmedido, acorrenta-se ao negrume do alcatrão da estrada intransitada, prendendo o meu corpo ao momento em que desfaleço e desapareço de mim. Vivo a minha vida assim, a fugir de mim, e, no que me resta, sei que nada presta, por isso me escondo dos outros e, incólume, aguardo o meu fim.
Não quero ouvir vozes! Não afixem cartazes que nem tão pouco sei ler. Riam-se de mim, porque já nada importa, já nada passa por aqui neste espaço mortiço e fechado de mim. Sou apenas mais um corpo esquecido. Nada se move ou faz o vento, nada sinto e, nesta escuridão em que vivo e com a qual sinto os dias que me fogem, torturam-me as vontades e saciam-me os castigos.
Sou o que resta de mim, abandonado, na heresia dos olhares que não me vêem e assim vou continuar até ao pôr-do-sol, onde, então, soará a hora de anunciar o meu fim.
Se acreditasse em mim saberia que tal anúncio já aconteceu, e evitaria que, na luz do dia, o meu corpo fosse notícia.

sexta-feira, agosto 01, 2008

Discórdia


(Foto de: Janusz Taras)


trouxe armas
pensamentos tenazes
vontades alheias
atitudes monocórdicas

encontrei-te
num olhar transparente
num sorriso contagioso

a discórdia faleceu ali…

quarta-feira, julho 30, 2008

A Crónica dos Bons Sonhos


(Foto de: Floriana Barbu)

Dizem que as crianças sonham com maravilhas e que inventam cenários inalcançáveis.
A ser assim, sinto-me uma criança crescida. Dizem que vivem num mundo à parte de aparências fantasiadas por enormes pedaços de brincadeiras num tempo ilimitado.
São elas que dominam o seu imaginário e, no cair da noite, navegam pelos sonhos mágicos. Sinto-me criança, porque consigo viver cada momento desses, e crescido por ir além da noite, porque não perdi essa viagem dos bons sonhos.
Sou um sonhador natural! Ainda para mais, são todos meus, e como tal acho-os lindos… E tenho sonhos fabulosos onde me vejo e revejo num esplendor inigualável.
Conquisto a princesa mais linda do paraíso com doces sábias palavras e flores cheirosas, entre olhares cúmplices, perdemo-nos num castelo gigante, por entre divisões e jardins. E um cavalo preto lusitano transporta-me pelas florestas, onde recolho frutos silvestres e aromas divinais com que granjeio os meus passos esperados por donzelas apetecidas e seguras que, numa manhã qualquer, aparecerei para cumprir seus desejos. Sou um conquistador de momentos românticos e um doador de venturas.
Ao acordar, regresso iludido e feliz, ao nosso mundo real, e por ele me transporto seguro num sorriso fluente vindo de uma noite bem conquistada. Dia após dia, vou iludindo o tempo com brincadeiras imaginárias e assim vou continuando nesta condição de criança.
No meu cavalo lusitano estarei sempre pronto, todas as noites, para fugir novamente para as florestas à procura de um castelo perdido na busca de alguma princesa submissa que precise de ser salva por um romântico permanente, para que possa tornar na dama mais feliz dum castelo abandonado, sentindo-se amada como nunca antes se sentira.
Nunca direi, qual a fronteira que separará os meus bons sonhos da loucura real onde, astuto, permaneço neste corpo grande de homem – menino. Direi apenas que tenho bons sonhos e uma crónica humilde para partilhar!

terça-feira, julho 29, 2008

A Desconfiança no Amor


(Foto de: Mathew Cook)


O nosso fim chegou! Amamos como ninguém mergulhados nas aventuras do nosso querer, sem que sentíssemos as horas passar. Nunca nos preocupamos com ninguém, éramos apenas nós no nosso mundo construído de vontades, em que o nosso amor era o corolário de cada momento.
Em conjunto inventávamos o nosso próprio romance e nele criávamos cada capítulo com magia, interesse e surpresas que iludiam o quotidiano. Tudo era um sonho que ambos transportávamos, com arte, para a tela da vida real.
Um dia chegaste sisudo, com perguntas perturbadoras, com que inventavas uma realidade ignóbil e desnecessária. Não acreditei no que ouvia, nem dei muita importância. Nem parecias ser tu, o tal personagem principal do nosso romance.
Os dias seguintes pioraram, quando tu, afectado por esse vírus mental, criaste um mundo paralelo e nele foste vivendo.
Acabaram as aventuras em conjunto. Começaste a viver preocupado com alguém, do teu imaginário, e assim deixaste, assim, de pensar em nós. Cada capítulo do nosso romance passara a ser de suspeição, intriga e de uma monotonia voraz. Poucos dias bastaram para chegarmos a um previsível fim. O nosso fim chegou!
Sabes que nunca tive medo desse fim? Porque em mim nada tinha mudado, nada estava errado, nem sei se em ti estaria… Talvez o nosso caminho não tivesse margem de progressão.
Uma mágoa enorme instalou-se em mim, de injustiça e de incompreensão, mas decidi continuar o meu caminho, mesmo só.
O tempo, companheiro inseparável, avaliará o sucedido e, a seu belo prazer, indicará cada destino. Talvez não saibas, mas senti que fechavas uma janela do meu coração porque alguém, talvez esse de que tanto desconfiavas, alguém que eu desconhecia, estava à porta do meu caminho e precisava de entrar…
Hoje és passado, apenas uma recordação que guardo no baú dos momentos da minha vida. Se a tua desconfiança não tivesse existido no nosso amor talvez estivéssemos juntos ainda e o nosso amor não tivesse fim.
Um destes dias a porta do meu coração ficará aberta e, por ela, entrará algum ser maravilhoso e juntos construiremos rituais novos. Foi assim que quiseste, e é assim que aceitarei com naturalidade, pois só assim a vida acontece.
Aceitarei tudo, só que nunca perceberei como a desconfiança pode existir no amor, no que foi nosso ou em outro qualquer!

Riddhi – A Princesa

segunda-feira, julho 28, 2008

Amor Sóbrio


(Foto de: Charo Diez)


Tenho lágrimas! Posso ser um iletrado e não saber expor as palavras no seu esplendor, mas, ainda assim, tenho sentimentos que não controlo e que despertam as sensações emergentes de pura adrenalina e paixão. Sim, por vezes acabam em lágrimas, cobertas com um silêncio aterrador, mas o meu sentimento é real e não conseguir exportá-lo para o poder das palavras é iníquo. Sou um perdedor, porque não sei fugir das sensações ou porque não sei iludir as razões. Sou assim, um conjunto de lágrimas à procura das palavras para te dizer o que sinto e do que sou capaz, e, enquanto não encontro cada palavra para cada sentido, perco-me nas manifestações ousadas de mim num sofrimento mútuo. Ousado seria não sentir e não escrever!
Quero transportar a vontade de viver e, nesse laço de energia, quero contagiar-te para que vivas cada momento de forma única, sentida, sem palavras e sem lágrimas. Afinal, para que brote o que temos cá dentro, não precisaremos delas… basta-me um olhar acompanhado de um sorriso e serei o menino traquina mais feliz do Universo dos sentidos. Basta-me!
Tenho lágrimas. Espero que o tempo me possa ajudar e me dê algum alento. Não sei como escrever porque sei apenas sentir. Não sei como dizer-te porque é um todo que está dentro de mim. Ainda assim, nestas lágrimas lavo o rosto e revigoro-me, fazendo nascer um sorriso, só meu, que escondo timidamente mas que também pode ser teu… assim o queiras!

sexta-feira, julho 25, 2008

Luz


(Foto de: Novic Arman Zhenikeyen)

luz
intensa
ilumina-te
mostra-te

embate
brilho excessivo
que oculta

só tu não sabes…

terça-feira, julho 22, 2008

Amor Com Barreiras


(Foto de: PhoS Sant)


É o Sol que me guia. Na penumbra, sinto as barreiras que crio quando o meu corpo recebe os seus raios e projecta uma sombra de mim. Sinto-a como grades que prendem os meus desejos.
Sabes que essa é a primeira barreira ao meu amor?
Sabes que o que penso, mesmo que não seja o correcto, elege-o como o correcto e essa condição é mais uma barreira?
Há uma constante distância entre nós, física, que aglomera o meu lamento. São tantas as barreiras que se atravessam e se levantam entre nós… (mas talvez seja eu a maior barreira!)
Sinto que o sentes! Sinto que o meu querer não desaperta as correntes que trago agarradas a mim e que contribuem para um vasto conjunto de contrariedades.
A tua voz, por vezes num silêncio desmedido, diz-me palavras que divagam pela minha mente e tu, sem que o sintas, és um alicerce que guardo com carinho e que, no meu silêncio, me ajuda a combater os momentos de solidão. Tenho a tua voz gravada no meu peito, da mesma forma que o teu ser, repleto de luz e alegria, habita em mim. Só tu não sabes que és parte de mim. O amor é assim, mesmo que não queiras, ou que as barreiras sejam apenas uma forma de afastar um destino por acontecer.
Se o amor não se escolhe, apenas acontece, já as barreiras são impostas pelas vicissitudes de cada vida e dos hábitos de um qualquer quotidiano social.
Porque tem que ser assim?



Este Eu
serei mesmo eu
tu
outro
alguém
ou ninguém?

sábado, julho 19, 2008

Vermelho

Com o meu sangue
escrevo,
das minhas veias
soltam-se melodias
que cobrem o meu rosto
corado...
A angústia
o medo
a alegria
existe.
Escondida nas cores
sentimentos aveludados
esquecidos e lembrados.


in "Vinte E Cinco Minutos De Fantasia"
Colecção Cores

segunda-feira, julho 14, 2008

Férias

É mais esta semana apenas!
Obrigado por continuarem por aqui.
Beijos e Abraços

sexta-feira, julho 04, 2008

Perdido… perto de ti?


(Foto de: Catalin Soare)


Não sei em que dia estou. Fiquei imobilizado, perdido, nestas montanhas que creio com o temporal se transformaram. Resta-me a esperança de ser encontrado, ao acaso, sem forças mas com uma vida pujante dos resistentes, que lutam, contra tudo e contra todos.
Se sobreviver, cumprirei a promessa de aqui voltar, para perceber a surpresa que o destino me ofereceu. Agora, esforço-me para encontrar os caminhos da mente, para que me digam o trajecto que fiz até aqui. Quero entender o que aconteceu!
Não sei a cidade, o país ou o continente onde estou, se descobrirem digam-me por favor. Quero recuperar a consciência de ser Eu. Quero que me queiram. Quero substituir as lágrimas que correm neste rosto abatido, pela luz do sorriso tímido e natural. Quero voltar… a ser quem era!
Tu que me lês! Ajuda-me… Diz-me de onde me vês… Diz-me o que vês, por favor, diz-me quem sou eu…

in “Diário de um Pastor”

quinta-feira, julho 03, 2008

SE EU FOSSE…

Se eu fosse…
uma simples PALAVRA
seria doce
estruturada seria a lavra.
Ai se eu fosse…
uma simples e pura PALAVRA
seria um LUGAR
onde o DESEJO
seria o AMOR de aqui estar
e cada FLOR seria o meu beijo.


Pudesse eu ser o SONHO
e na sua COR o mundo jamais seria tristonho.



(Poema feito para os alunos e professores da Escola EB1 Av. Heróis do Ultramar em Évora)

quarta-feira, julho 02, 2008

Vamos unir os nossos sentimentos


(Foto de: Frank Melchior)


Vamos pela estrada dos momentos
vamos unir
nesse abraço sôfrego em nós a fluir
vamos juntos em direcção do destino.
Se o Sol quiser ser o nosso padrinho
emprestando-nos o carinho
do seu majestoso sorriso
nele construiremos o nosso hino
para cantarmos por este caminho desejado
na conquista do nosso tempo divino.

Vamos que o mundo é nosso
e os sentimentos são dádivas do céu
vamos na boleia da acção.
Daremos asas ao coração
impulso depositado num beijo
que selará o nosso amor perfeito
nesta vaga… mar dos ensejos unidos.
São cálidos sentimentos
transformados em ávidos rebentos
vindouros e aplaudidos.

terça-feira, julho 01, 2008

fronteira


(Foto de: Jeremy Stein)



vida
animal
nas trevas
do pesadelo

acordar
pode ser
o segredo

que importa.

sábado, junho 28, 2008

Deixas em mim tanto de ti


(Foto de: Anakin Sk)

Deixas em mim
aureolas de ti… e é tanto
deixas assim
um manto
que me cobre o espanto.

O aroma do teu corpo sedento
o traço do teu sentimento
um olhar lírico
desse teu querer idílico.

Deixas em mim tanto de ti
que nas tuas ausências me afaga
acalenta cada momento que não te vi
aquece o amor que tempo não apaga
no calor que a distância agarra.

quinta-feira, junho 26, 2008

XI Concurso do Luso-Poemas “O vinho” (II Luso-Concurso de 2008)

Ainda o XI Concurso do Luso-Poemas “O vinho” (II Luso-Concurso de 2008) após justa homenagem ao poema vencedor da Poetisa Vera Silva, agora e aqui, sou eu que partilho a prosa com a qual concorri, chama-se:





Sou O Vinho



Eu sou o vinho. Foi da terra que pisaste que os meus pais nasceram, videiras em flor, e nessa mesma terra deram os seus intentos, expostos ao sol e as chuvas, germinaram o seu fruto em cachos de alegria e cor, que, despedaçados, jorraram lágrimas de sangue e de uma vida renovada.
Sim! Eu sou o vinho. E como a terra pisada pelos teus semelhantes, o fruto dos meus pais também foram pisados até a exaustão. Acabou assim a terra, as pisadas e o fruto, mas dessa relação intensa nasci eu… o vinho que procuras!
Trago comigo esses momentos que não vivi, mas que fazem parte de mim!
Sou o rio vestido da cor de sangue em homenagem ao sofrimento como um fado.
Sou o pecado vestido de vergonha em que me escondo dessa saudade.
Sou encorpado de carícias e também me visto de esperança para que o meu desejo se cumpra. Quero vingar os meus antepassados e assim deixar o teu físico cambalear e, para isso, basta-me que bebas o meu corpo feito suor e lágrimas. Porque te atraio, deixo-me saborear e assim iludo-te nesse caminho que não dás conta… é o vinho que pedes.
Não sabes o meu caminho porque apenas me queres para degustar… não me importo, e dou-te esse prazer!
Saberei que, em troca, terei o teu reconhecimento, meu alento, esbanjado no paladar de quem tanto me quer…
Ainda que me resistas, por hoje, num amanhã próximo voltarás a beber-me mais, até que, em cadências abstraídas, chegarás ao meu intento, vestido de prazer e de sensações que te levem ao meu mundo… Ouvirás é o vinho, é o vinho, e não te recordarás do nosso percurso, mas saberás que sou eu… o teu vinho!
Mais tarde, consciente, regressarás ao meu caminho, transformado em nosso, e, em liturgias ancestrais, voltaremos a brindar á nossa paixão.
Eu espero-te… para que me tomes! Sou teu… Sou vinho!

quarta-feira, junho 25, 2008

Xavier Zarco

Em homenagem ao Camarada Xavier Zarco, e em resposta ao seu post Dia 265 que nos oferece num diário virtual em: http://euxz.blogspot.com/ eis um singelo poema meu. É este o pretexto que uso para que chegue ao mais importante, que é poderem passar por este blog que nos oferece sempre coisas boas, por vezes vestidas de poesia, outras de sugestões e outras também de critica. Este homem do nosso mundo literário actual merece e deve ser lido, só assim pode ser reconhecido.



Poema


nascido
ancorado
nas águas
demove-se

inquieta-se
na prisão
do seu íntimo

mas sobrevive

terça-feira, junho 24, 2008

XI Concurso do Luso-Poemas “O vinho” (II Luso-Concurso de 2008)

O XI Concurso Luso-Poemas, sob o tema “O vinho” foi ganho por Vera Silva com o poema:


Vinho quente


Escorregas em mim quente,
Doce.
Adivinho-te pelo odor puro,
Frutado.
E apeteces-me…
Tua cor de sangue desperta-me o desejo
De te ter assim meu, nosso…
Ardente,
Quente!
Não te bebo,
Saboreio-te na lucidez da noite,
Brindo à lua que se despe devagar,
Pálida, invejosa.
Mas és só meu e escorregas em mim…
Quente,
Ardente…


Parabéns Vera Silva

http://prosas-e-versos.blogspot.com/

sábado, junho 21, 2008

Embarco Na Liberdade Dos Nossos Sonhos


(Foto de: Javed Chawla)

Já nem sei o que é escrever! Já não escrevo as palavras com que me deito e com as quais, as mais promissoras, acordo ancorado. Há uma separação entre as palavras e os sonhos numa liberdade assumida e por isso consciente. É esse o meu acordar. A separação. A distancia de um sonho. Ainda assim, continuo a sonhar, construindo imagens dos meus desejos e sem que as partilhe, faço, de cada minuto da minha vida, um minuto de alegria e esperança.
É assim que viajo. Em cada sol que adormece, ou em cada luar que espreita eu lá estou disposto a deixar-me ir… embarco na liberdade dos nossos sonhos porque esse gesto me deixa uma sensação de prazeres ilimitados, de conquistas medievais, ou de voos ímpares que só a imaginação ou o desejo conseguem fazer viver esse sentimento tão próprio.
São sonhos! Nossos, da liberdade, de querer ser um eterno aprendiz da condição humana e emanado do nada procurando conquistar o mundo da felicidade.
Morro livre, exausto, de procurar cada momento recheado de pequenas coisas, mínimas, que nos façam sentir a razão da nossa presença aqui, ali ou em qualquer lugar que seja.
Por ora, é na viagem que vou, talvez um dia volte e vos anuncie que a perfeição é possível e que o caminho é feito de pequenas conquistas que nos engrandecem a alma num desafio, minuto a minuto, a medida de cada um…
Talvez volte, ou talvez não, na liberdade dos nossos sonhos estarei em qualquer lugar desde que seja feliz e lá esperarei sempre pela tua presença…
Agora, num aceno, em que me despeço e em que sinto o barco partir, inicio mais uma louca viagem, com a esperança de te encontrar, já a minha espera, por lá, nessas terras do paraíso. Sem tempo para um segundo aceno… adormeço.

quarta-feira, junho 18, 2008

SINAIS DO SILÊNCIO



Sinais do Silêncio
A nossa Rosinha em Lisboa
Sábado
21 de Junho de 2008
16 Horas
Livraria Bulhosa - C. Grande




Se puderes, não faltes!
Obrigado

sexta-feira, junho 13, 2008

Poema Imperfeito


(Foto de: Cezary Galaj)


Num fogo rendilhado
entre as brumas e ventos
deixei perdidos os meus momentos
ficaram caídos, esquecidos nos meus dias.
Perdi-me nas aguarelas
entre pincéis e telas
dos poeirentos quadros
entre apertos e alegrias
em que me deixei seduzir
entre estéreis estrias.

Ainda assim, refeito, volto
renovado e sem amarras
para recomeçar o meu caminho.
Nem que lute sozinho
com as minhas garras
sem que tu, imperfeição, que me agarras
possas travar-me, impedir.
Trago-vos um recado
que é este poema sem pecado, inacabado
é dentro dele que vou sempre existir.




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Nota:

Hoje cumpro a minha promessa, fecho assim um ciclo de 5 Dias 5 Poemas. Obrigado Amiga Vanda Paz.
Aproveito esta mensagem para agradecer a todos os que por aqui passam. Obrigado pelo vosso contributo.
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quinta-feira, junho 12, 2008

Instantes


(Foto de: José Pereira-Zito)

Hoje disfarcei-me de embuste
pintei-me com cores tristes, escuras
assumi-me, ainda que muito me custe
vesti o papel pardo das loucuras
do tal personagem que procuras.

Hoje a vida aconteceu
e a minha inocência não morreu
não andei ancorado na personagem
mas nas cores alegres da minha imagem.

Hoje, quero recordar
quero ser eterno, sentir, saber
quero sorrir e encantar
quero ser o Sol do teu querer
hoje já sei o que é amar.

quarta-feira, junho 11, 2008

Momento


(Foto de: Salih Güler)


Toco nos teus cabelos de solidão
com os meus dedos enfeitiçados de amor
procurando sentir a tua candura
e encontro-te, inserta, coberta de paixão
postada nua e incrivelmente pura
liberta, assim, de qualquer ignóbil dor.
Toco no teu rosto cândido
de uma imensa expressão
reflectido, por vezes, perdido
outras vezes lavado em emoção.
Toco no teu corpo sedento
construindo o nosso momento
que guardaremos no baú da recordação.
Toco num só corpo onde cresce o querer
confundo os corpos unidos pela vida
somos um só para amadurecer.
Cruzados num tempo da razão
descobrimos um só caminho
e é nesse momento que o percorremos devagarinho.

terça-feira, junho 10, 2008

Crepitam…


(Foto de: Rarindra Prakarsa)

São desejos
perdidos nas noites loucas.
São beijos
que procuram bocas.
Cintilam
como pensamentos fugazes
ou acções que mutilam
por não serem capazes.
Mostra-me o teu abrigo
quero ver-te por inteiro
sentir-te tão perto
e longe do perigo
neste céu aberto.
Os momentos rangem
desesperados
esperam que os amem
com simples namorados
e nessa imagem
ficamos ancorados.

segunda-feira, junho 09, 2008

A Minha Dor


(Foto de: Kenvin Pinardy)


O teu olhar
aquietado, desnudado
convida-me para amar
num gesto mesurado.
É o mar
na minha voz declamado
que rebenta a paixão
desse passo distante
que cobre a minha ilusão.

Não poder… Amor
é a minha dor!

quinta-feira, junho 05, 2008

Rosa Maria Anselmo







Queridos Amigos (as)



"Sinais do Silêncio" está quase a nascer! A sua apresentação será feita no dia 7 de Junho, pelas 16 horas, no Diana Bar – Av. dos Banhos, Praia da Póvoa de Varzim. Será um privilégio ter a vossa companhia nesse dia.

A apresentação do Livro será feita pela poetisa Conceição Bernardino, e o prefácio da autoria de Alice Santos. Aqui fica um excerto desse mesmo prefácio:



"No segundo livro de Rosa Maria encontramos uma mulher muito mais liberta, onde a escrita e a paixão andam de mãos dadas, inseparáveis, qual par de amantes.

Surge uma Rosa que resolveu desabrochar e nos mostra a alma desnudada, sem pudor ou preconceito, sem receios, medos, falsos moralismos. Uma mulher mais atrevida nas palavras, com diálogos interditos, e, por isso, mais despida de si e vestida de candura, sedução e desejos.

A sua essência consegue conquistar o impossível pois, quem ler estes versos vai ser protagonista do encontro mágico entre o ser e o sentir.

A poesia entranha-se de mansinho na alma do leitor, entreabrindo a porta da imaginação e deixando-o transformar-se em tudo o que sempre sonhou e nunca ousou concretizar."




Espero por si.

Rosa Maria Anselmo

quarta-feira, junho 04, 2008

Inquietação


(Foto de: Floriana Barbu)


Esta manhã despertei em tons de um verde-escuro. Triste. Sem forças para me ver renovado, sem olhos de luz de esperança para ver o caminho a minha frente.
Esta manhã não acordei. Recusei-me. Quis concluir o pesadelo de uma noite que assombrou as entranhas do meu ser. Inquietou-me.
Esta manhã soube que morri dentro de mim, ainda que o meu físico não tivesse assumido, ainda que a roupa tivesse vestido o meu corpo…
Ainda que… Morri, no cair da noite, numa queda de amor!
Esta manhã um corpo saiu para trabalhar. Sem amor-próprio nem um rumo definido.
Esta manhã recordei-me de que nunca voltei ao lugar do paraíso, porque enquanto vivi, não tive tempo para repetir os momentos, pequenos momentos, que marcaram a minha passagem pela estrada do sentimento. Não procurei reencontrá-los.
Este dia, primeiro dia após a minha nova vida, ou na falta dela, foi para procurar essa consciência, perdida, ignorada. Encontrei-a tão perto do meu corpo adormecido.
Agora que a noite cai e a escuridão cobre o meu rosto envergonhado, vou viajar aos lugares onde passei apreciados instantes, mínimos instantes, e, com todo o tempo do mundo, vou desfolhar cada décimo de segundo, saboreando a seiva desses escassos abandonos dos lugares perfeitos.
Cada lugar, cada gesto, será sugado pela minha condição arrependida.
Em lágrimas estarei quando recordar as promessas e os sonhos ambicionados e nunca conseguidos. Se pudesse, teria sido diferente…
Queria apenas viver! Queria apenas ser feliz!
Esta manhã acordei com o calor da tua boca junto do meu ouvido e nas palavras que disseste, dancei, sorri. Deste-me num bom-dia a oportunidade de realizar os desejos, os sonhos e lembrei-me de não perder mais tempo. Fugi!
Agora ninguém me vê, ando ocupado, a reconstruir os momentos que perdi. Ando tão junto de ti que nem sentes que morri!

Amanhã na Côrte-real cumpre-se um funeral…

domingo, junho 01, 2008

Lado a Lado


(Foto de: Emil Schildt)

São como sonhos, os momentos em que penso estarmos lado a lado. Flúem com uma naturalidade tal que até acredito serem a minha realidade do momento.
Tenho argumentos, tenho desejos… mas, como posso domina-los com a mestria que julgo ter, deixo-me diluir pelas sensações sentidas. Oh! E é tão bom…
Mas a realidade é outra, bem mais cruel, porque a distância do meu querer ao teu querer é uma ponte imersa, por vezes, na solidão dos espaços desta vida.
Mas há sempre uma meta que nos faz divagar, que nos faz acreditar. Tornar realidade, este nosso “lado a lado” e, assim, desfrutar dessa magia já decifrada.
É acreditar no nosso “Eclipse do Amor” para que, lado a lado, possamos fugir para o nosso mundo de sentimentos expostos e degustados.
Eu serei o Sol e tu a Lua! Esperemos por esse momento, oportuno, de estarmos lado a lado para fugirmos…
Por ora, e em sintonia, mantemo-nos lado a lado, através do elo que nos liga e que permanece invisível. Silêncio! Que as almas adormeceram…

sábado, maio 31, 2008

Alma de Criança


(Foto de: Asik asik)

Alguém me quer que me ama e nem sei, nem preciso de o saber porque recebo esse amor constantemente sem que o peça.
Alguém olha por mim, sem que veja, mas nem preciso de ver, basta-me sentir.
Sou o menino traquina que brinca na calçada de sorriso aberto e espontâneo, sou o inventor das casas feitas de terra e dos caminhos da minha imaginação. Brinco porque a minha alma é de criança…
Invento personagens do nada e num todo desafio-as para jogarem comigo, com a única condição, de, no fim, ser eu a ganhar…
Derroto todos os imprevistos, visto a capa do salvador do mundo, ergo a espada do príncipe perfeito em frente à menina dos meus sonhos e imagino as palavras que guardo no meu coração, e que nunca terei a coragem de as dizer.
Sou o jogador que ganha sempre, sou aquilo que quero, quando me apetece e só assim esqueço as horas que me fogem e que não as consigo agarrar.
Queria que os dias não tivessem fim… para que as minhas brincadeiras nunca acabassem. Queria que a noite se escondesse do meu bairro, para que não tivesse que voltar para casa para adormecer embalado na esperança de outro novo dia…
Nunca me canso de brincar dentro desta alma de criança!
Queria tanta coisa, que, num todo, se resume a uma insignificância, impossível de alcançar… Queria, apenas e só, nunca crescer, ser eternamente esta criança que sou, quando brinco com as minhas coisas no meu mundo. Queria ser sempre olhado, pelos olhos, afáveis dos crescidos e sentir o sol como companheiro deste meu mundo inocente.
Um dia, serei crescido e, então, olharei com saudade para este tempo para relembrar os momentos em que fui verdadeiramente feliz.

quinta-feira, maio 29, 2008

AMANTE DAS LEITURAS - ANTOLOGIA 2008


A edium editores convida-o a participar na sessão de lançamento da "Antologia Poética 2008 da Amante das Leituras" que terá lugar, à semelhança de 2007, no Salão Nobre da Junta de Freguesia de S. Mamede de Infesta.
Esta edição conta com a participação de 18 autores, de Portugal, Brasil e Argentina. membros da referida lista "Amante das leituras", organizada por Ana Maria Costa.
A apresentação estará a cargo do Prof. António M. Oliveira.
O evento contará com as participações da Orquestra de Sopros do Conservatório de Música da Maia, do Coral Juvenil do Orfeão de Rio Tinto, da Escola de Dança "La Negra" e terá ainda uma "desgarrada" de poesia pelos actores: Bárbara Martinho, Carolina Rangel, Filipe Carvalho, Otília Costa, Rúben Correia e Sandro Ferreira.
Se puder, não falte, sábado, 31 de Maio, pelas 16.00 horas.

quarta-feira, maio 28, 2008

Navego nas ondas da fantasia


(Foto de: Marina Segura)

Teus olhos são doces, cor da esperança,
Que carregas nesse enorme coração
Teu sorriso, a luz
Que me ilumina nas noites sem fim
Tua boca, solene, saboreia o meu querer
Brotam timbres de quimeras
E as tuas palavras são cânticos
De sereias encantadas no oceano
Onde navego ao teu encontro.
Preciso do teu amor
Da fonte do teu odor
Tuas mãos trazem-me o mundo
E a paz que tanto procuro
No teu abraço sinto-me segura
Sou mulher… Sou sempre só tua!
Neste nosso mundo de perfeição…
Em que te criei, doce ilusão.
Quero voltar a sentir
Os teus lábios junto aos meus
E assim viajar
Para um lugar recôndito
Onde me esperas… sorrindo.


Poema feito por:
Paulo Afonso Ramos & Vera Silva & Pedra Filosofal

segunda-feira, maio 26, 2008

Carta ao silêncio


(Foto de: JF Ochoa)


Não sei porque te escrevo, talvez pela minha necessidade de libertar as palavras, prisioneiras pela tua ausência, para que, assim, possam ter a sua condição nobre de vida própria, emprestando-me a alegria onde me deleito nas frases feitas desta imensidão a que chamo escrita. Onde, outras vezes, confundo com a saudade e, em outras tantas vezes, sinto como um grito de revolta. Apenas quero essa liberdade!
Que importa a razão? Se, sem que queira, liberto-as da sua forma e empresto-lhe alguma roupa para que passeiem por mim…
E com brio, passeiam pelas ruas da ansiedade e do ego como se fossem minhas, parte de mim, ou algo de artesanal feito a minha medida. Por ora, continuo pastor, entre as palavras e a minha montanha.
Só o vento cala este silêncio que renasce do meu chão e se espalha na ilusão!


in “Diário de um Pastor”

domingo, maio 25, 2008

Na minha igreja é domingo


(Foto de: Francesco Favretto)


Hoje é domingo! Troco a montanha pela igreja. O gado não reclama e o meu cão também descansa. Tenho essa liberdade e sem que seja compreendido também não sou questionado. Na igreja descubro outros momentos, outros trajes, e louvo a semana…

in “Diário de um Pastor”

sábado, maio 24, 2008

Pela Calada - (Dueto com Margarete da Silva)


(Foto de: Anca Floroiu)

Sentei-me na soleira da porta e comecei a escrever, a noite tardava e o teu olhar não aparecia ao fundo da rua ainda, as lágrimas depressa me caíam pela face, as minhas mãos escorregavam em letras mergulhadas nas gotas de chuva que o céu teimosamente largava e eu não conseguia controlar o redemoinhar de imagens no meu coração.
Esta rua não é minha, as pessoas cruzam-se à minha frente, a madeira da porta onde me encosto range como um cão zangado, desencosto-me e curvo as minhas costas até o peito me bater nos joelhos, os olhos postos nos chão, a imagem distorcida de mim num charco lamacento. Com licença. Os olhos levantaram-se pelo teu corpo, as chaves nas tuas mãos tirintavam umas contra as outras e eu sustive a respiração, não era por ti que esperava ali sentada mas agora sinto que sempre por ti esperei. Levantei-me num repente e o caderno que segurava no colo estatelou-se contra o chão, as minhas palavras tombaram sobre um charco de água doce e salgada, com medo que pudessem afogar depressa as peguei ao colo e chorei quando as vi desaparecer tornando-se grandes manchas.
Manchas de solidão. Manchas que ganharam forma e exactidão. De vestes molhadas cresceram na tua mão, fizeram-se melodia que ecoou ao teu ouvido, fizeram-se clareira que os teus olhos desbravaram e, nesse mesmo instante, abriu-se um sorriso, no teu rosto carente. Um vulto, ao fundo, subia a rua em tua direcção. Feito de esperança e embebido nas tuas lágrimas. Corpo meu que procurava o teu!
E as palavras uniram-se em prol da alegria, e os desejos aconteceram em cadências de magia. Tu e Eu… naquela rua onde tudo aconteceu!



Pela Calada – É um dueto com Margarete da Silva (http://margaretedasilva.blogspot.com/) por quem nutro uma grande admiração.

quinta-feira, maio 22, 2008

Quero Voar!


(Foto de: Jeft Lieberman)

Estou na plenitude da natureza, da que me rodeia, e da que existe dentro de mim… Penso nos dias que perdi, em volta da ilusão, acabada em cada noite que nascia!
Permaneço nesses tempos uma eternidade, até que o destino me encontre…
Entre o verde esperança e o azul criativo, entre as lágrimas e os sorrisos, espero o meu momento… Ainda quero ser ave para voar!

terça-feira, maio 20, 2008

Diz-me...


(Foto de Jim Fenton)

Diz-me. Em que rua estavas, quando passei, sem que reparasse em ti!
Diz-me. Em segredo, todas as coisas que mutilam o teu desejo e que, assim, encobrem a alegria do teu rosto. Podes contar-me tudo o que quiseres, desde que o teu olhar sorria e a tua boca se encha de palavras quentes, para que as deites cá para fora, onde estarei, pronto, para as receber e partilhar, assim, as minhas emoções para que se unam com as tuas.
Diz-me. Diz-me que deixas o teu coração falar. Diz-me que não impedes o teu sentimento de se mostrar.
Diz-me que procuras a felicidade, e que, quando a encontrares, saberás reconhece-la, agracia-la e guarda-la. Diz-me que não tens medo de ser feliz!
Diz-me que nunca esquecerás as letras que usas para construir o mundo, nem que seja, apenas, o teu mundo…
Diz-me tudo! Diz-me… que eu serei um ouvinte activo, liberto de preconceitos, para que entre as tuas palavras, possa sonhar as minhas e assim, construir o meu mundo também.
Mas, diz-me! E mesmo que queiras o silêncio, diz-me, por gestos, ou por imagens, para que encontre uma ponte neste caminho minado. Será como que um fortalecer, entre murmúrios, que outras almas porfiam em fazer acontecer.
Diz-me.
Diz-me que deixas o teu sorriso fluir.
Diz-me que te libertas de mim, de ti, e que, assim, consegues ser a essência.
Não tenhas medo de nada. Diz-me…

domingo, maio 18, 2008

Amanhã é um novo dia...


(Foto de: MRGUD S. M.)

O vento brindou-me com o seu jeito, na sua força, empurrando-me pela montanha. E lá do alto, sem sequer o questionar, disse-me ao ouvido… “Sou mais forte!”
Ora, sendo apenas um pastor, nem respondi, recolhi o meu gado e abandonei a montanha… Esperarei pelo Sol, meu aliado, que, com o seu sorriso dourado saberá entender o meu ganha-pão.
É na quietude do gado, que aprendo, e, sei esperar por ti…
Amanhã volto novamente, como se nada tivesse acontecido, trarei também a esperança comigo, amiga dos meus dias e alimento das noites por dormir…


in “Diário de um Pastor”

sexta-feira, maio 16, 2008

Tu


(Foto de: Juan Carlos Rivera)


O dia começa com o acordar
desperto-me em ti
e ainda nem te vi
mas deixo-me ir.
Um manancial de ideias
percorre as aldeias
do meu mundo
na procura do teu sentir
escondido e distante
mas presente no meu fluir.

As guerras são as notícias
que a voz da rádio relata
é a nossa sociedade.
Mas só procuro a minha verdade
aquela que me mata
quando a ausência é a faca
que sangra na minha dor.
Quero-te… num beijo do nosso olhar
quero-te… entre o Sol e o luar
Tu! Musa do meu amor.

quinta-feira, maio 15, 2008

O Percurso Dum Sonho


(Foto de tamtam tamtam)

Foi a tristeza que me trouxe até aqui. E a distância desenhou um caminho, imaginário, para que o sonho pudesse ser realizado…
As letras, companheiras de luta, harmonizaram-se no objectivo da senda e a luz deu-nos a visibilidade para que, em uníssono, pudéssemos unir os nossos desejos.
Quero ser música, entoar uma canção, que seja o hino do amor, daquele amor impossível e que, na junção do arco-íris entre cada cor, consiga amealhar cada oportunidade, ou cada vontade para que a realidade seja glorificada.
São teclas de um piano solitário, que mexem em movimentos estruturados, a emoção do espaço quando brotam sons de elevação que nos fazem voar aos píncaros dos desejos timidamente escondidos no nosso segredo nunca partilhado…
As cordas do violino, em sintonia com as teclas do piano, também vociferam a sua presença, quase intemporal, e, nessa conjugação deixam o meu corpo inerte pregado ao chão, e de olhos fechados sinto a alma sair do corpo para gladiar-se pelo concerto recebido.
Estamos a viajar pelo soberbo, música corpo e mente, numa união fortificada e sentida na mais genuína forma sensorial.
E é nessa viagem que coisas inominadas acontecem, que perdendo a timidez, se vão transformando, dando expressão ao subtil momento…
Ganham contornos identificados pelas imagens do nosso conhecimento, acontecem por imaginação ou desejo, mas estão dentro do nosso âmago mais escondido ou nunca assumido. Confundem-se com sonhos, ou até com pensamentos em estado indefinido, mas é o poder da música que nos transporta e nada nos pede… Oferece-nos o momento.
De ouvidos preparados, fecho os olhos, iniciando a viagem ao mundo invisível do som… e abro o meu coração para receber a dádiva do teu querer, sinto-te em sintonia, junto do meu abrigo, onde, escondido, consigo, viver cada momento… e basta-me assim…
Enquanto a tristeza não se transformar em alegria, enquanto a distância não diminuir e o objectivo permanecer revigorado em cada amanhecer, sei que o mundo pode ser a transformação do meu acreditar e é nessa conjuntura que, nos corpos em que me transformo, espero um dia acordar. Numa manhã de sol com uma música, outrora nosso hino e contigo ao meu lado. E o passado será um sonho acabado, bordado pelo presente em que a vida começa, a nossa deslumbrante e almejada vida…

quarta-feira, maio 14, 2008

Rio de Sal



A edium editores tem o prazer de anunciar a edição da segunda obra do poeta Luís Ferreira, "Rio de Sal", cuja apresentação terá lugar na Biblioteca Pública do Barreiro, no próximo dia 17 de Maio pelas 17.00 horas.
Sobre a obra escreve Xavier Zarco prefaciador e apresentador da obra:
"Um registo poético impetuoso, porque mesurado por um olhar grávido de espanto, tocado pelas mãos onde brota o poder de criar, erguido por palavras essenciais.
Rio de Sal é um livro, uma teia poética, que, mais do que para ser lido e meditado, é para ser lido e sentido".

terça-feira, maio 13, 2008

Gula


(Foto de: Marina Cano)



Gasto os meus gestos adornados
em rituais
sóbrios e aclamados
sempre iguais…
Meus alimentos amados
parceiros demais
saciam-me o momento
em que me envolvo arduamente
e, sem o meu lamento
volto conscientemente.

É de prazer
que encho o meu Ser!

segunda-feira, maio 12, 2008

Âmago


(Foto de: Art Hale)

Em mim navega o ócio
desta vida livre e por viver.
Procuro o meu ofício
para por inteiro poder ser.
Sinto-me caudal
dessa forma feita de ilusão
sinto-me feudal
desta sociedade feita de prisão.
Acorrentado aos dias que vejo partir
derramo as lágrimas do tempo
de um tempo perdido
na mão vazia de quem quis construir
um mundo criativo… lido.
Afundo-me no desespero
da despedida
do que tenho e não quero
nessa miragem da partida
tão fugaz que nem a espero
hoje. É o dia da minha despedida.

domingo, maio 11, 2008

Noticias do fim-de-semana

Começou na sexta-feira, dia 09 de Maio, com a maravilhosa viagem até a bonita cidade de Évora. Estive na Escola, cujo blogue, De Mãos Dadas, podem ver.
Deixo uma mensagem:
Um forte agradecimento pela recepção que tive, pela tarde maravilhosa proporcionada.
Estar entre docentes tão dedicadas e entre alunos desta idade é das experiências mais fabulosas que um Ser Humano pode ter.
Não podia, deixar de realçar, o excelente trabalho que se faz nesta escola, que pode e deve ser, um grande e bonito exemplo para tantas outras escolas deste nosso Portugal.
Parabéns a todos.

Espero voltar para poder retribuir o que tanto trouxe dessa escola…

As crianças, a todas, umas palavrinhas para vocês: Vocês são especiais e encheram-me o coração de alegria. Obrigado.


http://escolaheroischafariz.blogspot.com/
(ou Clique no título)

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No sábado, estive no evento, Encontro de Olhares, organizado por amigos da escrita e em que foi lido o meu texto, “Alma Gémea”.
Foi uma boa oportunidade para rever amigos, que a distância insiste em afastar mas que nunca consegue.
Houve muita poesia, música, dança corporal e um coro para uma tarde muito bem passada.

Obrigado a todos que participaram e a Câmara Municipal da Amadora

http://encontro-encontrodeolhares.blogspot.com/

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Domingo, a boa nova. Pela mão do generoso Senhor Luís Gaspar, locutor consagrado, quis colocar-me no “Um mundo de poesia” no seu audioblogue – Estúdio Raposa e Truca, na parte das “Palavras d´Ouro” junto com as maiores referências da literatura portuguesa e alguma mundial, honra que me deixou muito orgulhoso.

Obrigado


http://www.truca.pt/ouro.html

sexta-feira, maio 09, 2008

Escola 1.º Ciclo Heróis do Ultramar em Évora




Hoje, terei o prazer, de visitar a Escola Heróis do Ultramar em Évora.
Sendo uma escola de 1.º Ciclo, será para mim, uma alegria enorme e de grande aprendizagem. Estas crianças são o nosso futuro!

Obrigado pelo convite!

Quem quiser e se puder, que não falte...

quarta-feira, maio 07, 2008

Encontro de Olhares

É no próximo sábado, dia 10/05/2008



Se puderem não faltem!

"Queridos amigos e poetas,

Tenho a honra de convidar todos os amigos e poetas, desta minha casa, para o evento “Encontro de Olhares” – (Poesia, Dança de Expressão Corporal, Música ao vivo e especial participação do Coral Clave de Sol) – a ter lugar no próximo dia 10 de Maio, pelas 16 Horas, no Auditório da Câmara Municipal da Amadora.

Participantes:

- Dionísio Dinis
- Ilda Oliveira
- Manuela Fonseca
- Ana Dias

Autores participantes:

• Luís Ferreira
• Rosa Maria Anselmo
• Conceição Bernardino
• Paulo Afonso
• Pedra Filosofal
• Vera Silva
• Vanda Paz
• António Paiva
• Mel de Carvalho

Câmara Municipal da Amadora – Av. Movimento das Forças Armadas (junto à estação de comboios)"

Jinhos
Nela


terça-feira, maio 06, 2008

Sentimentos


(Foto de: Sue Anne Joe)

De ciclo em ciclo
Viajo anónimo
Acorrentado e livre
Preso á emoção
Não sei quem sou,
Não sei aonde estou,
Nem sei se fico ou vou,
Á procura da razão.

Busco... e fujo
Para encontrar a causa da decadência
Num firme (com) passo
Ergo cada evidência
Lutando contra o meu próprio cansaço.

Tenho restos da minha angústia
E então sei quem sou...

Não que o meu rosto, sorria
Nem que seja ilusão
São poucos os momentos
Que exprimo os sentimentos
Espalhados aos ventos
No caminho da minha noção.

Vim da adolescência
Passei por sentimentos peculiares
De tão tradicional família pertencer
Dizem-me “vais vencer”.
Não venço nem sou vencido
Porque não estou a competir
Nesta vida, imperceptível
Onde se é lembrado e esquecido
Numa nostalgia profunda
Que constantemente está a chegar e a ir
Coberto de um aroma pomposo.

Não tenho arte
Mas tenho instinto
Não tenho medo
Mas tenho amor
Não tenho fama
Nem tenho drama
Mas tenho dor.

Preciso de um abraço
Porque ele é o laço
Que nos une
E que nos resume.

Não tenho estratégia
Nem sou a porta de qualquer tragédia
Quero ser a noção...
Que separa da mentira,
A verdade
Numa perspectiva da realidade
Na construção da felicidade
Quero ser desta sociedade
Ser... Em qualquer ocasião.


In “Vinte e Cinco Minutos de Fantasia”

segunda-feira, maio 05, 2008

Viagem

Tão só,
Na solidão do acto
E eu não parto
Para parte incerta, de facto.
Tão só,
Na solidão do que me resta
Em que nada me presta
E na parte do facto
Existe a parte
Que de incerta
Tem a solidão do acto
Parto...
De facto,
Tão só.

In “Vinte e Cinco Minutos de Fantasia”

domingo, maio 04, 2008

Cansado


(Foto de: Nour Eddine El Choumari)

Acordei cansado. Desta vida inusitada! As viagens diárias à montanha com o meu rebanho. A labuta, que se repete e que cansa…
E a escrita que ocupa os meus vazios quando tanto preciso deles. Vou parar!
Algo ficará para trás. Um dia até eu ficarei…
Tudo tem um fim, e o meu, quem sabe, se não é assim?
Por ora, importa parar, para poder repensar esta vida e dar-lhe um verdadeiro sentido.
Até já!


in “Diário de um Pastor”

sábado, maio 03, 2008

A Realidade


(Foto de: Ceslovas Cesnakevicius)

Medito. É assim que inicio o trajecto que me há-de levar até a ti. Voo nos pensamentos do passado que se misturam com os do futuro e se transformam num sedento alicerce debaixo dos meus pés… Um pequeno passo de cada vez, lentamente, muito lentamente e o meu corpo já percorre o universo sem que os olhos o sigam.
Sei que me esperas, de sorriso largo e de olhos brilhantes. Temos tanto por conversar tanto para dar que o espaço parece curto e o tempo indomável…
Talvez nem consiga soletrar uma única palavra quando na tua presença estiver, mas nem tão pouco me importarei, porque sei que o meu olhar falará por mim. Sei que nesse encontro, mesmo que nada digas, o teu olhar será o fruto que alimentará a minha alma e que fará o meu corpo regressar pelo mesmo caminho, só que mais conformado!
Nada é eterno! Nem eu, nem tu… essa realidade que tanto demoramos a entender e assim desperdiçamos o nosso momento e o nosso tempo, esse mesmo indomável que presencia todos os pequenos nadas esbanjados por luxuosos pretensos seres…
Sou protegido. Num mistério laico para o qual não encontro explicação mas que me proporciona essa altivez do magistério encontro, onde sou embrenhado por profundas luzes contidas de uma pureza altiva que perpetuam o âmago do meu incenso existencial.
É nesse estado que me sinto apto para voltar à realidade, os dias que me restam para que cumpra a minha missão, após a qual seguirei cumprindo-me…
Outros passos, outras realidades, acompanharão o tempo que continuará indomável!

(E a realidade será sempre os olhos da existência…)

sexta-feira, maio 02, 2008

Caminho


(Foto de: Don Paulson)

Caminho! É a palavra solta que vagueia pela minha mente, num acto de liberdade. Entre árvores, espectadoras, que, nas bermas da vida, aplaudem em silêncio na passagem para o imaginário… que chamo de caminho…
Confundo-me entre o espaço fixo que os teus olhos protegem e o libertar, imóvel, do sentido da estrada que reproduz essa mesma imagem, que já vagueia nas nossas mentes, quando, num nada, saltitou entre os nossos pensamentos.
Já não estou só! Já não sou um! Estamos ligados pelo mesmo elo que, omisso aos olhos dos próximos, se enobrece na pálida noção do passeio… transportando-se num ritual.
E, num raio de maresia vinda do céu, vem a tentação atroz, que traz quimeras vestidas de sonhos e, é nesse momento que um de nós acorda, rejeitando assim o futuro que outrem quer impor. Assim, a lucidez dá forma à liberdade que encontro no caminho… que iniciei!
Agora liberto, exorcizado, encontro e aceito o significado dessa palavra – caminho – ao vento libertino…
Volto a ser eu e a sorrir!