segunda-feira, julho 20, 2009

Pastor de índoles

Em absinto puro
guardo o meu rebanho
de animais incontáveis
guardo as minhas loucuras
longe dos apogeus
dos segredos
e das fabulosas mestrias do destino
guardo tudo
escondo como escondo a tristeza

e na minha aldeia
de pastores da vida
dançamos aos tormentos
e nas vozes do tempo
espantamos os males desse caminho
que urge caminhar
entre arbustos e animais
entre dores e odes
onde o grito se abafa

antes do pastoreio
nasce o dia
e reza-se ao céu
na demanda do pleno.

domingo, julho 19, 2009

À procura dos dias

À procura dos dias perdidos
embaraçado e preocupado
anda Leonardo
vestido na pele de ocupado
outras vezes de um leopardo
nesses dias já esquecidos.
Leonardo rompe as noites
deste verão quente
que não há quem aguente.

À procura de um não sei quê
de uma trança de boneca
ou de um pingente
roça e roça na soneca
e enquanto dorme não vê
que o que procura é gente
ou um fardo
de sabores incontidos
espalhados nos dias iludidos

Leonardo – boneco de porcelana
homem mistério ou personagem
perde os dias à procura
da sua própria linhagem.

sábado, julho 18, 2009

Sonho de Menino

Em menino quis o sonho
construí-o em pedaços de papel
e em segredo imaginei o caminho
em que o cumpriria.
E em rapaz lutei
com ânsias de desejos ancorados
no rio da minha cidade
oh! Tejo meu companheiro
dos meus passos dados sozinho
e no rosto a mesma lágrima de menino
em sobressalto de um tempo
que a fugir se consome
e a vida – essa sentinela
sem pudor e sem nome
corre ao meu lado
e arruma o passado.
Em menino sonhei
ouvir a canção
com a letra que escrevi
na voz do trovador.
Ainda hoje trago o sonho escondido
ainda olho o Tejo
e num forte desejo
meio real meio perdido
abafo a dor
de ter crescido.
Os meus olhos são de menino
num corpo transformado
que nas noites adormece
viaja e brinca
no regaço do limiar
onde espero encontrar
o ansiado caminho
que cumprirá o destino
do sonho de menino.

sexta-feira, julho 17, 2009

A morte do guerreiro

Hoje quis ser guerreiro
marchar contra o vento
e de armas em punho
cerrar os dentes
e combater, combater.
Mas o meu émulo
de tão transparente ser
tornou-se invisível
desaparecido e misterioso.

E a força cresceu em mim
o meu corpo musculou-se
alimentado do torpe desejo
de sangue e dor
cegando o meu redor
em marcha quis ser guerreiro
a tempo inteiro
sem pavor nem misericórdia
nesta guerra sem igual.

Hoje quis desbravar o meu íntimo
e na pele de guerreiro – sem armas
entendi o pensamento
esse émulo distante e invisível
e a guerra acabou com o guerreiro.

quinta-feira, julho 16, 2009

Convite "Continuando assim..." Teresa Queiroz - Lisboa



A autora, Teresa Queiroz, e a Temas Originais têm o prazer de o convidar a estar presente na sessão de lançamento do livro “Continuando assim...”, a ter lugar no Auditório do Campo Grande, 56, Lisboa, no próximo dia 18 de Julho, pelas 19:00.

Obra e autora serão apresentadas pela Dr.ª Isabel Basto.

Entrada Livre

quarta-feira, julho 15, 2009

Crónica de escárnio e maldizer

A contar até 10 (dez) depressa aprendi mesmo antes de entrar para a escola. Já a ler, o caso mudou de figura, até porque era mesmo das figuras que procurava, porque elas tinham o condão de me entreter. Já se vê que ler, a bem dizer, as letras soltinhas e a sós, nunca foi a minha primeira escolha. Mas a vida continuou.

Depois vieram os desenhos animados, a minha grade paixão da época, lembro-me do Tim-Tim e da sua inseparável cadela de nome Milú. Quando o faro (da Milú) lhe estimulava era sinal de petisco. Ou quando o Tim-Tim andava na calçada lá aparecia a dita a abanar o rabo e a lamber toda gente (ou a que mais interessava, a tal gente do petisco) e claro, nada a fazer, já que estas coisas são da génese do animal.

Hoje, sob o disfarce de desenho animado, há por aí adultos que os imitam (as técnicas bem se vê) com uma naturalidade estonteante.

Mais tarde, porque não era muito bom a ler e a interpretar o que lia, continuei agarrado a televisão, a ver sapos (sem os engolir) naquele palco mágico dos Marretas. Gostava particularmente dos velhos que, sempre atentos a tudo e a todos, apareciam, na altura das fogueiras inusitadas, sempre pouco brandas, para aludir os seus fervorosos comentários, feitios ou maus feitios desculpados pela idade avançada e pelas marcas da vida.

Hoje, sem pretensões a qualquer disfarce, é vê-los por aí e acolá sempre colados a uma boa polémica actual como se a moda nunca mudasse.

Coisas iluminadas ou uma espécie de escárnio e maldizer. Dizem.

segunda-feira, julho 13, 2009

Claridade da Lua

A Lua é enfeitada pelo vestido de noiva que, em segredo, veste. De branco, com o significado da candura, a Lua passeia pela magia dos sonhos. Aconchega-se, timidamente, na mais bela noite e emerge na esperança de dar vida, e alguma realidade, aos sonhos dos peregrinos que desfrutam a paisagem.

A claridade da Lua é um caminho etéreo e simbolicamente, um destino onde o auge da felicidade reside.

Essa mesma luz que ilumina caminhos é feita de esperanças enraizadas nos suculentos desejos dos mais nobres mortais.

De beleza feminina, a Lua, envolve-nos num espectáculo mundano e a sua claridade é o retorno, dessa ímpar comunicação, eterna e silenciosa, como a que, entre dois namorados decorre, com uma simplicidade única.

A claridade da Lua é para ser apreciada, desfrutada e partilhada nos bons momentos da vida. É o alimento de que as nossas almas carecem e a luz da paixão.

quinta-feira, julho 09, 2009

9 Minutos

Tenho nove minutos para fazer tudo o que me falta. E ainda me falta tudo. Olho para trás e vejo que quase nada fiz. Ou melhor, que tudo o quanto fiz foi tão pouco para o que poderia, e deveria, ter feito, que agora, que restam nove minutos, tentarei redimir-me, um pouquinho, de tudo o que ignorei quando pensava que teria todo o tempo do mundo para, a belo prazer, fazer as coisas que mais gostaria de fazer. Puro egoísmo.

Quero redimir-me. Quero mas não consigo. Quero que as palavras possam correr pelos corações, que possam saciar as sedes dos que precisam de água e que possam alimentar as barrigas esfomeadas que, por este mundo, se escondem ou que aparecem no nítido pedido de ajuda. Que as palavras, tudo o que ainda tenho, possam trazer a paz.

9 Minutos. Que não pararam, que fugiram de mim como na vida tudo fugiu e em que nada mudou. Lamento que as mentes, como a minha, só acordem para a vida quando já é tarde demais, quando já nada podem fazer e depois, em parcos minutos, querem fazer tudo o que, numa vida inteira, ignoraram. Lamento e penitencio-me por ser igual a todos, por olhar para o outro lado, para não sentir a dor dos que sofrem ao meu lado. Lamento profundamente embora de nada adiante. E agora, que os meus minutos findam, espera-me a justiça do caminho que escolhi. E não foi por falta de avisos, de conselhos e de vontades que o escolhi. Foi porque só pensei em mim e no momento que vivia quando escolhi cada passo, quando tomei cada decisão e nada mais.

E nos meus últimos segundos, se escolher pudesse, gostaria de usar as seguintes palavras, sabendo de que, com elas, me afasto:

Perdoem. Amem. Uni-vos. Libertem-se. Olhem em redor.

Esgotou-se-me o tempo e nada fiz.

quarta-feira, julho 08, 2009

Cores

Em segredo pinto as paredes do meu imaginário de cores quentes, construindo, assim, um mundo interior de paz e alegria.
Mesmo que o meu corpo transporte uma imagem desconcertante, será apenas um exterior, adaptado às conjunturas reflectidas, que ocorrem por onde o corpo passeia e, nunca, um estado prostrado ou em mutação da humana condição. Há essa consciencialização.
Há na empatia das cores um jogo de sedução que envolve e acalma.
Nas cores há imagens que emergem e fomentam a meditação. Transportam-nos para esse oculto mistério onde nos sentimos bem.
E, por vezes, basta um sorriso, simples que seja, para nos encaminhar para esse apetecido mundo das cores, onde estaremos envoltos nas mais sumptuosas alegrias.

terça-feira, julho 07, 2009

CR9 ou Cristiano Ronaldo

Ontem Madrid parou. Para ver um menino de rosto brando. Parou Madrid e toda a Espanha. Parou a Europa, com especial incidência em Portugal, mas também o resto do Mundo que esteve atento através das televisões.
O melhor e mais bem pago jogador do Mundo mostrou-se de equipamento branco, com a camisola 9, do Real Madrid. Cumpriu o sonho. Jogar no Real Madrid era o seu objectivo desde pequenino e conseguiu-o. Certamente nunca tinha imaginado que, com ele, estariam mais de 80.000 pessoas, o que é, de facto, um marco histórico no futebol mundial.
Um português, da Madeira, criado em Lisboa e no Sporting Clube de Portugal, continua a fazer o seu caminho de sucessos. Mas, o mais importante, é que Cristiano Ronaldo está feliz. Tão importante como deveria ser esta oportunidade, que é mais uma, de percebermos uma mensagem intrínseca que sobressai deste episódio todo – o sonho – é possível, ou – o trabalho – mais tarde ou mais cedo, dará os seus frutos.
É assim Cristiano Ronaldo. Acredita, luta e nunca desiste até conseguir os seus objectivos. É também português, o que contraria o velho bloqueio de que, o que é nacional não tem valor. Infelizmente, é necessário ir para o estrangeiro para ganhar dinheiro e estatuto social, ou poderia dizer, respeito. Porque não temos essa capacidade de, primeiro, criarmos condições propícias a todos de ganharem dinheiro cá dentro, depois porque, quase como um descrédito ou rivalidade mesquinha, não conseguimos encontrar uma plataforma de consciência que nos dê, a nós, alguma luz e, a quem tem valor, algum prazer de ser reconhecido na sua terra natal.
E há por aí, espalhados pelo mundo, alguns CR9 nas mais diversas áreas profissionais à espera do seu tempo de reconhecimento nacional.
Enquanto isso, vamos perdendo uns e outros, ou porque preferiram ir viver para Lanzarote ou porque optaram pela nacionalidade brasileira e, como se nada fosse, continuamos lerdos, em silêncio e a pensar na crise em que vivemos, sem pensarmos muito nas razões porque tudo aconteceu e, principalmente, na forma de mudar os rumos de tudo o que vai acontecendo e que está, de facto, muito mal.
E como um dia vem depois de outro, esperamos hoje alguma novidade futebolística para o nosso clube, porque, se ontem foi impressionante o que vimos em Madrid, hoje também o vamos querer, para o nosso clube, seja ele qual for. Mas por amor da santa, não nos peçam nada, não nos peçam para fazer alguma coisa porque nós heróis dos pagamentos de impostos e outras aventuras sociais só queremos ver na nossa terrinha as mesma festas que em outros locais acontecem, ainda para mais, com produtos da nossa terra. Vá lá, sejam cordatos e sensíveis, dêem-nos o que queremos e a malta continuará de sorriso aberto a votar em que souber falar melhor e, um dia depois do outro lá iremos trabalhar na esperança de mais uma grande novidade.
Até lá, falaremos do menino que, um dia, disse que iria jogar naquele clube e cumpriu, e como sempre, ignoremos o trabalho que teve e os sacrifícios, para ficarmos retidos no dinheiro que ganha, que bom seria para nós, ou na cor do equipamento que, desta vez, até nem lhe fica tão bem.
Enfim, se alguém o vir, dêem-lhe os parabéns por mim e não sejam egoístas que o miúdo bem merece todo o carinho e reconhecimento que lhe é prestado.
Tenho pensado e agora fica dito.

segunda-feira, julho 06, 2009

Uma brincadeira de caracteres

O meu vizinho lembrou-se de colocar uma folha, nos elevadores do prédio, em jeito de comunicado da Administração, que rezava assim:

Estimados Condóminos,

Temos recebido imensas queixas anónimas por causa dos cagalhões, que, diariamente, aparecem perdidos no chão do hall do prédio e em alguns patamares. Espalhados que ficam, provocam um mal-estar a quem visita o prédio, obrigando os moradores a andarem de olhos pregados ao chão para que não tenham que pisar esses meritórios abjectos naturais.

Há uma particularidade de que ninguém se queixou – o odor – o que significa que essa parte, não sendo visual não merece qualquer referência ou, melhor ainda, é algo em que o hábito se sobrepôs. Seja como for, há uma necessidade premente de convocar uma reunião extraordinária – regida pela boa educação – em que serão expostos os argumentos dos queixosos, já aqui adiantados, bem como estes darão a cara contra os responsáveis. Por sua vez, entre os responsáveis, terá que haver um consenso sobre o/os causador/es desta anomalia e que, em paralelo, devem trazer argumentos para corrigir este problema.

Fica assim a reunião marcada para o próximo sábado pelas 21 horas.

Atentamente,

A Administração

Certo é que, no dia, houve condições para realizar a maior assembleia jamais imaginada, dado que os curiosos eram em maioria. Queiram saber tudo, quem eram os queixosos, os culpados e, provavelmente, as medidas ou represálias a tomar. No entanto a assembleia não se realizou, porque não se sabia quem a tinha colocado aquele papel com caracteres de malandrinho no elevador. Houve apenas uma grande cavaqueira, em que vizinhos que mal se conheciam puderam conversar

Depois os cães deixaram de vir a rua, pelo menos nos horários habituais, porque nunca mais foram avistados animais pelos elevadores ou pelas escadas.

O meu vizinho ainda hoje se ri, quando nos cruzamos e trocamos olhares, certo de que nunca mencionarei o seu nome.

Um dia, quem sabe, se não farei também a minha brincadeira de caracteres.

sábado, julho 04, 2009

Contos de Longa e Semifusa - no Porto



O autor, Mário Correia, e a Temas Originais têm o prazer de o convidar a estar presente na sessão de lançamento do livro “Contos de Longa e Semifusa”, a ter lugar no Museu Soares dos Reis, Porto, no próximo dia 10 de Julho, pelas 18:30.

Obra e autor serão apresentados pelo poeta Ivo Machado e pela Doutora Virgínia Martins Pinheiro.

quinta-feira, julho 02, 2009

Cria – dor

Entre os cinzentos
das esquizofrenias
dos rituais medonhos
da astúcia sociedade
onde passar,
é um mero acontecimento
lavram rasgados oponentes.
Há uma linha ténue
trajada de azulão.

Escapam risos
memórias sustidas
e um olhar melancólico
meio aspergido
curvado ao tempo
assumindo um corpo
perdido pelo chão
dessa tua passada incolor.
Entre cinzas caminharei.

Nas águas da liberdade
beberei as riquezas
profanadas
e no tédio azulão verdade
me deitarei resignado.

quarta-feira, julho 01, 2009

Novidades

Eis que encontro uma palavra ambiciosa e bastante nutritiva. É que adoro, e quem me conhece ou lida comigo diariamente sabe-o bem, dizia eu então, que adoro pronunciar esta palavra porque ela leva-nos, melhor, leva aos mais longínquos cenários.
Vejamos o seguinte: Então e novidades?
Não sabendo, em concreto, o que procuro, o meu interlocutor poderá vaguear (no pensamento, claro!) por estes campos:
Será que ele quis dizer – Inovações? O que demonstra ser um indivíduo atento e em pleno crescimento, consciencializado. Quem procura saber de inovações é certamente alguém interessado em aumentar o seu poder de desenvolvimento.
E se quis dizer – Originalidades? É uma pessoa diferente, provavelmente preocupada com coisas diferentes do comum.
Mas se quis dizer – Notícias: Bem, quer ser actualizado, demonstra interesse por tudo ou pelo Mundo.
E há também – Novas: Busca algo que seja uma lufada de ar fresco na sua vida, por exemplo.
Já em relação – Informações: Aqui entra tudo, sustento a vertente profissional, onde é fundamental que a informação circule e, se não circular, há que a procurar.
Mas ainda há – Bisbilhotices: Lembro-me que pode estar implícito a malandrice ou alguma curiosidade natural e importante para a boa vivência social.
E para terminar – Indiscrições: Que gostava de induzir ao campo mais íntimo da confidencialidade ou quanto muito, ao aspecto táctico de subtracção de informações específicas.
Enfim, há um amontoado plano teórico que poderá sugerir um vasto e diversificado caminho. Claro que, o que penso ao fazer a clássica pergunta – Novidades? Não direi.
Agora, depois desta abordagem, estou certo que, sempre que fizer a minha querida pergunta vou provocar, no mínimo, um espaço aberto na comunicação de poucos segundos…
Que ficará o meu interlocutor a pensar?

terça-feira, junho 30, 2009

O poema jazz

jazz na bitola do ouvido
em que o desejo se eleva
num misterioso contentamento
e o pobre enternecido
se deixa cair nas profundezas
desse luar
ora cintilante
ora transparente
como Zeus o pensaria.

jazz é um carnudo
código de comunicações
outros dizem, entre composições,
que são melodias celestes
e o tal pobre constrangido
no silêncio a vapor
fecha os olhos da dor
e sente cada andamento
como seu, mesmo que seja teu.

jazz é um poema perpétuo
balada etérea sem condição
de um corpo fátuo
seja pobre ou não!

domingo, junho 28, 2009

O poema que invento

nasce a palavra
na lucidez do momento
uma a uma alinham
no diapasão
e correm de mãos dadas
dando cor ao pensamento
e formam a mensagem
na construção
do poema!

e se ao expor
num perverso dilema
há quem o leia
como um actual tema
ou encontre no verso
a razão da teia
há quem o veja como arte
ou encontre alguma dor
mas, de verdade, é apenas um poema.

e como está escrito
com palavras de vento
fica aqui descrito
vale o que vale, a cada momento.

sábado, junho 27, 2009

Criatividade

A Criatividade é uma longa família. O pai – Criativo – foi pai e mãe do então embrião. Depressa se multiplicou e que, assim, deu origem a variadas mas interligadas extensões. Já volto a esta questão.
Dizia eu que o crescimento da família foi tão sustentado e por isso forte, que deu azo a existência de muitos membros com os mais diversos nomes. Hoje há nomes que todos conhecemos e facilmente associamos:
O Criador, entre outros, o Fecundante, Fecundo, Inventivo, Inventor, Gerador, Originador ou o Autor, não passam de esmerados primos, que, numa outra linguagem paralela, são baptizados por sinónimos.
Até aqui, nada de novo, a questão da família está exposta, bem enraizada e recomenda-se.
Agora importa voltar, como o prometido, às várias extensões interligadas e é aqui que, por vezes, existe alguma dúvida, ou pouca preparação, para se efectuar uma abordagem dinâmica e espontânea.
É que os membros desta família são, por natureza, exímios talentosos para com o que se designa por arte. Se abordarmos apenas uma, a escrita, podemos verificar a causa – efeito, sabendo que, por princípio, as bases se aplicam a todas as frentes da outra família que é a Arte. Diria que ambas as famílias – Criatividade e Arte – fazem um casamento perfeito.
Assim, ao conceber algo de novo, tudo, e todas as temáticas, podem ser abordadas. No entanto, para isso, é necessária muita perícia. É preciso que a causa seja sentida e o efeito consiga fazer toda diferença e que acrescente algo de novo, quer a quem, no caso, escreve e, principalmente, a quem lê. Tem que haver uma mensagem. Tem que introduzir interesse e prazer.
E quando isso acontece, na liberdade de criar, qualquer tema é superiormente abordado, resultando, daí, uma mais-valia para todos.
Foi assim, e ainda assim é, que o mundo literário evoluiu, obviamente com reflexos positivos para a sociedade.
O resto, o resto são dogmas embebidos em preconceitos inconscientes e enraizados, contra os quais urge apurar, instigando uma aprendizagem evolutiva e salutar.
Todos ganham e as famílias – Criatividade e Arte – agradecem.

quinta-feira, junho 25, 2009

Na foto de Zarco


(foto tirada da Internet)


Qual navegador fidalgo
De Zarco como nome estreito
Padecendo de algo
Enclausurado no peito.

No silêncio do olhar
Secreto. Elege a faceta
Concreto. Não se deixa resignar
Nesta posse de atleta.

Há uma cara camuflada
Pela barba das tempestades
Onde o pensamento passeia.

Há desígnio de camarada
Na ternura das idades
Mas é a voz que se alteia.

quarta-feira, junho 24, 2009

Cavalo Branco

tinha um cavalo branco
esbelto e inteligente
que a galope artístico
desenhava no chão
as letras da sua intenção
mas Eu discretamente
dava-lhe a mão
para a rédea curta…
pois então!

e de tempos em tempos
vinha mais um pinote
exacerbando a liberdade
que não tinha
mas Eu bem o controlava
vendo e cortando, tudo o que
não concordava
até que um dia
o meu cavalo fugiu

em branco ficou a minha quinta
no branco da ausência e da tristeza
tinha um cavalo branco
que em tanto branco deixou um vazio.

segunda-feira, junho 22, 2009

Convite "Do Mar e de Nós" - Poesia de José-Augusto de Carvalho



O autor, José-Augusto de Carvalho, e a Temas Originais têm o prazer de o convidar a estar presente na sessão de lançamento do livro “Do Mar e de Nós”, a ter lugar na Casa do Alentejo, Rua Portas de Santo Antão, 58, Lisboa, no próximo dia 27 de Junho, pelas 16:00.

Obra e autor serão apresentados por Xavier Zarco.

domingo, junho 21, 2009

Convite “Canção do Exílio” - Poesia de Gonçalo B. de Sousa


O autor, Gonçalo B. de Sousa, e a Temas Originais têm o prazer de o convidar a estar presente na sessão de lançamento do livro “Canção do Exílio”, a ter lugar na Casa do Alentejo, Rua Portas de Santo Antão, 58, Lisboa, no próximo dia 27 de Junho, pelas 19:00.

Obra e autor serão apresentados por José Félix.

sexta-feira, junho 19, 2009

Convite - "Pastoreio" em Lisboa


O autor, José Ribeiro Marto, e a Temas Originais têm o prazer de o convidar a estar presente na sessão de lançamento do livro “Pastoreio”, que recebeu o Prémio Litterarius do Clube Racal de Silves (Poesia), em 2007, a ter lugar no Palácio Galveias, Lisboa, no próximo dia 20 de Junho, pelas 19:30.


Obra e autor serão apresentados por Celeste Lima de Freitas e esta sessão contará com a leitura de poemas por Graça Vasconcelos e Melim Teixeira.


Se puder, divulgue e apareça.

Obrigado

segunda-feira, junho 15, 2009

Crónica sobre o livro "Amor dos Babuínos"

Amor dos Babuínos – de Miguel Cardoso Pereira

Quando recebi este livro, reaprendi aquela velha lição de vida - não devemos ligar aos preconceitos. É que ao ler o título do primeiro capítulo achei que o livro jamais seria editado, porque ninguém escolhe “Hoje acordei morto”. Obviamente que, com a continuação da leitura, ficou mais uma vez provado que os preconceitos são desajustados e, muitas vezes, errados.
Com uma leitura atenta e sentida, porque neste livro não há alternativa, fui descobrindo a inteligência da escrita do Miguel Cardoso Pereira. Disse-o na apresentação, mas posso agora reafirmar, indo até mais longe, dizendo que, se entenderam que queria dizer que o escritor é uma pessoa inteligente, aceito-o e subscrevo. Já agora, justiça seja feita, que escreve muito bem. Fica esse reforço, agora que estamos na altura futebolística de aparecerem aos molhos.
Também concordo com o que disse o Vítor Serpa na apresentação do livro «Para mim é um livro. É isso que os escritores fazem. Não escrevem romances, escrevem livros.» Embora a sociedade não abdique de rótulos e este “Amor dos Babuínos” possa ser rotulado de Romance.
Hoje, dois dias após o lançamento, é-me grato ler no jornal “A Bola” o destaque merecido e, com alegria, o meu pensamento empurra-me para todo o trabalho dedicado do Miguel, para o apoio dos seus amigos que, julgo nunca lhe recusaram e para os pormenores que passam ao lado de quem compra este livro e, nesse aspecto, recordo, como exemplo, a forma engraçada e empenhada como foi conseguida a foto da capa pelo próprio Miguel e pelo nosso amigo Gonçalo Lobo Pinheiro, um fotojornalista de grande craveira que também tem o dom da escrita, no caso, na poesia.
Enfim, recordações e apostas, que, um dia, me trarão um sorriso gigante de satisfação e de o dever cumprido.
Hoje o tempo é de alegria e de trabalho, amanhã quando o Miguel Cardoso Pereira for mundialmente conhecido espero poder afirmar – Ele é meu amigo. E para os amigos queremos o melhor, independentemente se estiverem connosco ou mais distantes. Certo, certo é que este rapaz vai longe neste caminho que, pela frente, o desafia. E disso tenho a certeza, não engana, porque o moço é mesmo bom.
Agora vamos lá a trocar essa notinha de dez euros por um punhado de palavras mágicas entre o amor e a morte que o “Amor dos Babuínos” nos entrega com uma dedicação única.
Boas leituras.

Informações em http://www.temas-originais.pt

(a página 38 do Jornal "A Bola" de 15/06/2009)

domingo, junho 14, 2009

Resquícios

Escorre
o pensamento fugaz
num vácuo de memória.

Nasce a ideia
do homem que ainda sobrevive.

sexta-feira, junho 12, 2009

As palavras sucumbem

As palavras transformam-se
Na magia do nosso querer
As palavras são rostos
Animais, ou flores campestres
Vivem na nossa alma
E brilham na íris de uma criança.
As palavras,
Adormecem na loucura da noite
E ficam presas no sentido
Desse moribundo efeito
As palavras vivem
Amam
E também sucumbem.

domingo, junho 07, 2009

Escola EB1 Heróis do Ultramar – Em Évora

No passado dia 5 de Junho regressei, pela terceira vez, a esta escola de Évora. Já tenho, nos professores, bons amigos e dos meninos os olhares sorridentes de quem sabe receber, partilhar e dar a verdadeira essência de cada um.

Sempre que sou convidado, aceito com alegria, e os momentos que passo junto destas pessoas marcam-me sempre de uma forma especial.

Eles dizem-me que aprendem comigo, e eu, confesso que aprendo muito mais com eles do que alguma vez possam imaginar, porque estar junto de tantas crianças tem uma magia única.

E hoje escrevo, neste meu sítio, uma pequena história que, orgulhosamente, faço questão de partilhar:

Como sempre, quer os alunos quer os professores, receberam-me com um carinho encantador e, como se tanto não bastasse, ainda fazem alguns trabalhos que me dedicam e/ou oferecem.

Desta vez, entre outras coisas, ofereceram-me um dossier recheado de poemas feitos pelos alunos. Ao receber este prémio, prometi-lhes que escolheria um para partilhar no meu espaço na Internet.

Não foi uma escolha fácil, até porque vos falo de crianças de tenra idade, que escrevem com o coração, com as palavras cheias de verdade e emoção, e que são, todas, merecedoras de um destaque justíssimo.

Ainda assim, escolhi um poema, quer pelo poema em si, mas especialmente pela história escondida que existe por detrás desse escrito e que faz toda a diferença. Conto-vos rapidamente:

Quando fiz minha primeira visita, alunos e professores, elaboram um excelente trabalho sobre a poesia, e em especial, sobre o meu primeiro livro “Vinte e Cinco Minutos de Fantasia” e o Gonçalo confidenciou à sua professora qualquer coisa assim: - “a poesia é tão difícil que eu nunca conseguirei escrever um poema”.

Nada mais quero acrescentar, apenas um gosto especial de poder partilhar este poema, escrito na escola e de uma forma bastante rápida (faz-me lembrar alguém):


Criança

Ser criança é ser amor
É brincar com os amigos
E não sentir dor
É fazer parte de um Mundo à parte do Mundo

Ser criança é morrer e ressuscitar nos momentos difíceis
É saber crescer com uma mão amiga
É saber viver nos momentos mais emocionantes
É saber ter vida

Ser criança é viver para sempre
Ser criança é ter esperança
Ser criança é ser amada
Ser criança é pura e simplesmente ser criança.

Gonçalo (9 anos)
3.º Ano

sexta-feira, junho 05, 2009

Entraste na minha vida…

Flores. Não foram as flores do campo que coloriram os momentos do meu passeio. Nem o azul do céu que enunciava os fios de um sol harmonioso e que aquecia a alma de quem desbrava o seu próprio caminho.
Este percurso foi adornado pelo teu olhar quando nos cruzamos como dois desconhecidos.
Lembro-me da solidão que transportava no meu corpo e não podia esquecer do teu sorriso, que irrompeu do meu olhar pouco discreto.
Lembro-me também dos teus cabelos longos e soltos que denunciavam um vento ameno que te empurrava na minha direcção.
Foi nesse momento que senti que entravas na minha vida e nem dei importância porque nem acreditei que tal fosse acontecer.
Lembro-me que foi mais um desejo que passou pela minha cabeça, daqueles sem futuro, que, por vezes, ocorrem do nada.
Lembro-me de nos cruzarmos uma segunda vez no mesmo dia, onde finalmente pude retribuir um sorriso que estava em dívida.
Dois corpos cruzavam-se sem regras ou noções, sem imaginarem que seguiriam outros caminhos de mãos dadas. Quem poderia descobrir?
Entraste na minha vida de uma forma tão natural como as flores que aromatizavam o nosso caminho, e deste-me uma luz só igual ao sol forte desse primeiro dia.
Ainda nem sei se te recordas desse dia, em que entraste na minha vida, nem importa saber porquê, basta existires ao meu lado e preencheres as minhas memórias com cada passo entregue no meu presente.
Basta-me.

segunda-feira, junho 01, 2009

criança

entre as brincadeiras
desejando maravilhas
para um futuro longínquo
em que o tempo fugia em segredo.

quanta loucura
com exactidão
quanta bravura
sem noção
nas aventuras inacabadas

hoje prendo-me na nostalgia
desse olhar consumido
pela esperança

sinto-me a mesma criança.

segunda-feira, maio 25, 2009

É já no próximo sábado - 30 de Maio



Olá a todos.
No próximo Sábado, dia 30, a editora Temas Originais apresenta mais dois livros de poesia.


O autor, José Félix e a Temas Originais, têm o prazer de o convidar a estar presente na sessão de lançamento do livro: "Teoria do Esquecimento", a ter lugar no Auditório sito ao Campo Grande, 56, Lisboa, no próximo dia 30 de Maio, pelas 16:00.

Obra e autor serão apresentados pelo poeta Rui Sousa


e,


O autor, Paulo Afonso Ramos e a Temas Originais têm o prazer de o convidar a estar presente na sessão de apresentação do livro “Caminho da Vontade”, a ter lugar no auditório sito a Campo Grande n.º 56, Lisboa, no próximo dia 30 de Maio pelas 19.00 horas.

Obra e autor serão apresentados pela Dr.ª Conceição Matos.

A sessão contará com a presença de Inês Ramos, que declamará alguns poemas deste tomo.



Depois dos lançamentos haverá um jantar. Há também a possibilidade de, quem quiser, almoçar no mesmo local. (Restaurante junto ao auditório, no mesmo edifício, que fica no Campo Grande 56 em Lisboa).



Se puder, apareça.


sábado, maio 23, 2009

despedida

ainda tenho a música
no ouvido
e as imagens fantasiadas
plantadas na íris

das palavras
escritas com emoção
retiradas de uma alma
exposta
e a nu o coração desfeito

chegou o momento
doce tormento
desta saudosa

despedida

quinta-feira, maio 21, 2009

Texto de Apresentação - "Caminho da Vontade" - por Xavier Zarco

Conheço o Paulo Afonso Ramos há cerca de um ano. Foi na bela vila alentejana do Alvito, aquando da apresentação de um livro meu: “O livro do regresso” e de um outro do excelente poeta José-Augusto de Carvalho.

Começámos a conversar, a trocar ideias sobre a forma de estar nestas coisas da escrita. Acabei, por sugestão dele, por entrar no grupo Luso-Poemas e tive o prazer de prefaciar e apresentar o seu volume: “Mínimos instantes”.

Não satisfeitos com os meros almoços e jantares que estas coisas propiciam, um bom tempo mais tarde entendemos que era a hora, a tal hora pessoana, de se fazer qualquer coisa de diferente.

Pois bem... armámo-nos em empresários, melhor: em editores. E cá andamos, felizes e contentes, porque mesmo que tenhamos sérias divergências sobre alguns pormenores, estamos safos. Ele para as bandas de Lisboa e eu na minha bela Santa Clara, em Coimbra.

Como escritor, Paulo Afonso Ramos tem, na minha opinião, o mérito de prender o leitor e ade a essa característica o mérito do saber organizar um livro. Torná-lo, não numa compilação de textos, mas num corpo arquitectónico solidamente urdido.

Tal como Antonio Machado, que dizia não existir caminho, mas caminhar, Paulo Afonso Ramos, neste seu: “Caminho da vontade”, preconiza esse princípio.

Mostra-nos portanto um conceito de necessidade de alcançar algo para o valorar. Qualquer coisa, material ou imaterial, só se torna de facto algo para nós a partir do instante em que dela temos noção. Daí a necessidade de aprimorar o conhecimento das coisas do mundo.

Talvez por isso, e digo talvez porque só o autor poderá dizer se essa era ou não a intenção, logo nas páginas iniciais se encontre uma citação de Allan Poe e que é a seguinte:

“Quem sonha de dia tem consciência de muitas coisas que escapam a quem sonha só de noite”

Urge portanto depurar a máscara para a revelação do rosto. A máscara que nos auxilia a enfrentar o dia deve ser qual pedra sob o olhar do escultor. Há que retirar o excesso, criando condições para meditar sobre o que nos rodeia para desta forma se traçarem objectivos, mas sobretudo para que se faça o caminho, aquele que fazemos caminhando, e assim cumprir os desígnios da vontade.

Mas o poeta é um fingidor, escreve Pessoa, portanto tem de haver precaução no que se lê, ou, como diz o povo, saber que nem tudo o que reluz é ouro.

E o poeta inicia o seu caminhar exactamente com essa citação, servindo esta de epígrafe a “O poema enganador”. Mas não é, na minha leitura, um mero aviso ao leitor do que se segue seja ou não fingimento, antes nos recorda de que a poesia é arte e, como tal, criação do Homem, exercício intelectual edificado para fruição do outro.

Paulo Afonso Ramos lega-nos possíveis pistas para esse exercício como, por exemplo, e passo a citar:

“Escrevo com o sangue ainda quente” ou “Escrevo a ideia” ou “E a gente lê o que escreve / sonha” para concluir que “há um poeta que luta (...) / que inventa um novo mundo que nunca teve”.

Nestes quatro excertos de “O poema enganador” há um movimento implícito. Repare-se em “o sangue ainda quente”, como se nos dissesse que recolheu agora, neste momento, sensações da sua vida, digamos assim, normal porque desperto para o espanto, o tal sonhar de dia.

Mas essas sensações têm de ser transformadas, há que torná-las ideia (“escrevo a ideia”) e posteriormente a metamorfose através do sonho (“a gente lê o que escreve / sonha). Recordo estes versos de António Gedeão: “quando o homem sonha / o mundo pula e avança”.

Finalmente, após este processo de depuração, a invenção do mundo, através da acção, o poeta que luta.

Este é o fazer-se caminho pela vontade porque, como refere José Félix no prefácio a esta obra: “a vida é falsa, logo é função da poesia corrigi-la; a vida é vil, cumpre à poesia torná-la sublime; a vida é imperfeita, cumpre à poesia torná-la perfeita poeticamente”.

E cada passo adicionado ao caminho tem um ensejo que se revela no poema “Transmutação” em que o poeta afirma, e passo a citar: “Um dia morrerá o personagem / para que nasça o homem”.

A poesia, embora mundo outro, tem, não direi a obrigação, mas a possibilidade de mudar o mundo. E este é o caminho que só a vontade pode desenhar.

Xavier Zarco

quarta-feira, maio 20, 2009

amor

não quero escrever sobre o amor
aquele amor interminável
que se confunde com o sonho
e nos faz ansiar

não quero
ter uma alma
encostada ao desnorteio
e a permeio
um coração em sobressalto

e assim
não vou escrever
o que se confunde com a dor

amor

terça-feira, maio 19, 2009

ócio (respostas)

e há um homem que pensa
num pensamento de seda
e na sua sede
abre o seu abalo

e no aroma de incenso
quase dançando
enfeita o histerismo que é seu

há o Tejo cuja fonte
é o arado que chamaram esperança.

segunda-feira, maio 18, 2009

Ócio do Negócio

nas margens do Tejo
descanso,
desse cruel lirismo

é esse o trato
entre cada passo.

quarta-feira, maio 13, 2009

(do meu ventre nascerão rosas)

flores
de diversas cores
nascerão
do meu ventre.

entre poesias
rosas aromatizadas
nascerão do mesmo ventre
de um poente
deslumbrado.

rosas flores ou poemas
de um ventre exposto
num parto tónico
entre espadas e pensamentos
nascerão.

do meu ventre,
nascerão acácias
lírios
cravos
nascerão então
as flores de um tempo.

serão rosas?
de um ventre meu?

(nascerão epopeias em flor
do meu ventre rosa-choque
da dor,
de nunca existir).

terça-feira, maio 12, 2009

O incerto pelo certo…

Há cada coisa, que de incerto se faz e se teme, que logo corre e a correr se veste da argúcia do certo… pura ironia do contraste dos estados.

Há uma avidez mórbida de ser e/ou ter um passo cada vez mais constante e certeiro, que chega até a parecer um disparo, quiçá, de morteiro, que, na rebeldia do atirador, se mistura com a vontade e a ganância de ser primeiro e/ou de ser exacto…

Há por magia, nas margens do dia, um iníquo pacto, que reza na voz um poder intranquilo que rouba a noção de quem se diz pupilo da razão.

Há tanta coisa, todas elas amedrontadas pelo incerto, que fogem, sem a devida noção e mergulham num marasmo impopular, que se confundem com o “in” – certo.

Enfim, há cada coisa mais estranha que casa com o perfil mais rebelde desta caminhada de surpresas. Que interessa? Nada. – Digo eu.

São as ganâncias, as invejas do homem, que moldam a passada ajustada a cada corpo que passam nesta curta vida transformada em caminho.

Que interessa? Nada. – Repito eu.

O incerto, que é o momento mágico da vida, é trocado pelo certo e tudo se perde, perdendo-se assim a luminosidade do bom senso para dar lugar ao certo, quiçá, aquilo que passamos uma vida a fugir e de repente percebemos que, ao fugirmos, inconscientemente, passamos uma vida a aproximar-nos.

Não adianta depois, trocar as voltas da vida, para baralharmos o incerto e o certo, para ficarmos com um deles, mesmo que, de pura verdade, nem nós saibamos qual é o que se adapte mais a nós, na medida certa da vida em que nos encontramos.

Que interessa? Nada. – Penso eu.

sábado, maio 09, 2009

Crónica do tempo novo

Há por aí, espalhado no espaço invisível, um tempo novo. Um tempo que nos foge e em que as crianças já não usam as brincadeiras do meu tempo de meninice.

Já ninguém joga às escondidas, à apanhada, ao jogo do lenço ou ao peão e ao berlinde. Já não há crianças que sintam esse tempo nas emoções das horas bem usadas e de boas companhias. Já nada resta desse tempo de memórias bem absorvido pelo tempo novo de comunicações imediatas e sem limites de distâncias.

Há um tempo novo que urge usar no seio da sua própria solidão porque as companhias são distantes e, mesmo que conhecidas, são, maioritariamente, desfrutadas no plano virtual.

Há portanto, neste tempo novo, um telemóvel colado ao corpo e um computador por companhia quase constante e até nem importa a idade de cada um, porque é importante estar actualizado com as realidades vizinhas.

Sem que déssemos conta, num passeio vagaroso e simultaneamente apressado, este tempo novo foi-se instalando definitivamente.

Hoje, só as memórias sabem do que falo e os meninos de outrora, agora homens e mulheres, podem explicar o que sinto, neste tempo novo roubado ao passado de uma época.

Que outro tempo derrubará este tempo novo?

sexta-feira, maio 08, 2009

Sorrio

Na loucura dos dias
passeio a minha alegria
dos momentos.
A olhar o céu
vejo a estrela que foge
e a esperança que abraça
uma nuvem passageira
vejo e revejo o mesmo rosto
que nas manhãs sorri
ao meu acordar.
Há uma noite,
que surpreende quando aparece
de sorriso no peito
de coração na boca
na ânsia de se fazer mulher.
São noites de luz
e dias de loucura
que na alegria
do olhar
fazem os momentos sorrir.
E sem desistir
sem mentir
há um poder
oculto
que emerge como um vulto
para nos dizer
o que faz bem
e que sorrir
é a melhor forma de viver.

domingo, maio 03, 2009

Sessão de apresentação do livro "Caminho da Vontade"


O autor, Paulo Afonso Ramos e a Temas Originais, têm o prazer de o convidar a estar presente na sessão de apresentação do livro “Caminho da Vontade”, a ter lugar na Escola EB 2,3 Aristides de Sousa Mendes, sita na Avenida Dom Vicente Afonso Valente, Póvoa de Santa Iria, no próximo dia 16 de Maio, pelas 15:30.

Obra e autor serão apresentados pelo poeta Xavier Zarco.

Esta sessão contará com a actuação musical de antigos e actuais alunos da escola e com a declamação de poemas deste tomo pelo professor Luís Nunes.

quinta-feira, abril 30, 2009

Convite - Caminho da Vontade - em Lisboa



O autor, Paulo Afonso Ramos e a Temas Originais têm o prazer de o convidar a estar presente na sessão de apresentação do livro “Caminho da Vontade”, a ter lugar no auditório sito a Campo Grande n.º 56, Lisboa, no próximo dia 30 de Maio pelas 19.00 horas.

Obra e autor serão apresentados pela Dr.ª Conceição Matos.

A sessão contará com a presença de Inês Ramos, que declamará alguns poemas deste tomo.

Se puder, apareça.

segunda-feira, abril 27, 2009

Site Oficial da Temas Originais


Nasceu hoje, dia 27 de Abril de 2009,
o sítio oficial da Temas Originais.
Visita-o em:

http://www.temas-originais.pt/

domingo, abril 26, 2009

Flash

Cortinas de fumo
separam-nos do inédito.

Ouvem-se gritos.


Memorial das gentes
entre loucuras sedentas.

Morrem gritos do tempo.


Chuvas que não molham
águas tortuosas.

Enredo do diabo.


Flash de ninguém
utopia,

de olhos vendados.

sexta-feira, abril 24, 2009

Diário de Maria Cura em Vila Verde



O autor, José Ilídio Torres e a Temas Originais, têm o prazer de o convidar a estar presente na sessão de pré-lançamento do livro "Diário de Maria Cura" a ter lugar na Biblioteca Municipal Professor Machado Vilela, sito na Praça do Município, em Vila Verde, no próximo dia 30 de Abril pelas 21:30.

Obra e autor serão apresentados pelo escritor António Paiva.

Se puder, não falte.

quinta-feira, abril 23, 2009

Paulo Gaminha - 25 de Abril - Sessão de Autógrafos



Paulo Gaminha, autor da Temas Originais, com o livro " Domador de Palavras" estará numa sessão de autógrafos no dia 25 de Abril de 2009, no Delta Shopping Lounge, em Elvas, (ao lado do Hotel D. Luís) das 15:00h as 17:00h.

Se puder, não falte.

domingo, abril 19, 2009

Lançamento do livro "Caminho da vontade" na Maia

Não podia deixar de agradecer, em meu nome e em nome do meu grupo, o excelente dia de sábado, 18 de Abril de 2009, que ocorreu, na Maia, de forma magnífica e com pessoas que apoiam, dão a cara e vivem estes belos momentos que os livros propiciam.

Um eterno obrigado a todos quantos estiveram envolvidos para que este dia fosse o sucesso que merecidamente foi.

Não esquecerei que a felicidade é feita destes momentos, destes caminhos e principalmente destas vontades conjuntas.

Hoje estou feliz e agradece-vos por isso.



Paulo Afonso Ramos
Póvoa de Santa Iria, 19 de Abril de 2009

sexta-feira, abril 17, 2009

18 de Abril de 2009 - na Maia

APRESENTAÇÃO DO LIVRO

CAMINHO DA VONTADE, de Paulo Afonso Ramos

Dando continuidade à política de promoção de livro e da leitura a Câmara Municipal da Maia, através da Biblioteca Municipal Doutor José Vieira de Carvalho acolhe a primeira apresentação pública do livro "Caminho da vontade", da autoria de Paulo Afonso Ramos, no próximo dia 18 de Abril, pelas 15.00h.


O autor: Paulo Afonso Ramos estreia-se em 2001 ao publicar poesia através da Editora Minerva. Em 2006 publica o seu primeiro livro de poesia, em edição de autor, com o título: "Vinte e Cinco Minutos de Fantasia". E em 2008, sob chancela da Edium Editores, lança um volume de prosa poética com o nome de “Mínimos Instantes”. É autor dos prefácios a “Amar-te em Silêncio”, de Vera Sousa Silva (Edium Editores, 2009) e de “A Intermitência dos Sentidos” de Octávio da Cunha (Temas Originais, 2009). Activista da Literatura, tem participado em diversas acções de promoção da leitura em diversas instituições, sobretudo escolas. A sua casa virtual é, desde 28 de Junho de 2006, o blogue: www.poesiadepauloafonso.blogspot.com.


A obra: « “Caminho da Vontade”, poemário de Paulo Afonso Ramos, pode ser definido, como menciona em prefácio José Félix, como "uma aventura pela alteridade, levando a poesia para um espaço experimental do sentir o outro (como a si mesmo) e por suposto esse estar diante do outro pode implicar a questão ética, interrogar-se nessa comunicação o que pressupõe, também, uma reflexão ética. »


A obra vai ser apresentada por Xavier Zarco.


Xavier Zarco, pseudónimo de Pedro Baptista (Coimbra, 1968). Tem vinte e dois títulos editados e diversas distinções das quais se destacam: Prémio de Poesia Vítor Matos e Sá, em 2004 e 2007; Prémio de Poesia Manuel Maria Barbosa du Bocage, em 2005; Prémio de Poesia Raúl de Carvalho, em 2005 ou o Prémio Literário da Lusofonia, em 2007.


Miguel Azevedo

Responsável do Serviço de Extensão Cultural

Biblioteca Municipal Doutor José Vieira de Carvalho

domingo, abril 12, 2009

Convite - Caminho da Vontade - Maia


O autor, Paulo Afonso Ramos, e a Temas Originas, têm o prazer de o convidar a estar presente na sessão de lançamento do livro “Caminho da Vontade” a ter lugar na Biblioteca Municipal Dr. José Vieira de Carvalho, na Maia, no próximo dia 18 de Abril, pelas 15:00.

Obra e autor serão apresentados pelo poeta Xavier Zarco.

Haverá um jantar após o evento, quem quiser estar presente deverá confirmar a presença para: ilucia2@gmail.com

Divulguem e apareçam!

Obrigado.

sábado, abril 11, 2009

Diário de Maria Cura



Diário de Maria Cura, do autor José Ilídio Torres, é a última grande novidade da Temas Originais.

"Diário de Maria Cura" - Sinopse

Uma bela mulher é assassinada na noite de Carnaval. A polícia, na procura de pistas que levem ao criminoso, depara-se com um diário num site de escrita chamado Luso-Poemas, onde a falecida retrata sobre a identidade de Maria Cura uma série de relacionamentos que mantém.

Há uma pergunta sem resposta no ar:
Quem matou Maria Cura?

Já poderá encontrar este fabuloso livro em algumas livrarias que trabalham com a Temas Originais, que em breve, estará em todas livrarias com quem fazemos parceria.

Para já, poderá encontrar em:

Coimbra – Livraria Casa Castelo
Lisboa – Livraria Barata
Lisboa – Livraria Ler (Campo de Ourique)
Massamá – Livraria Modo

O autor José Ilídio Torres, em parceria com a Temas Originais, edita «Diário de Maria Cura», e convida todos os leitores e amigos a estarem presentes nos diversos momentos que o autor prevê realizar de norte a sul do país.

Agenda:

18 de Abril – Sessão de Poesia no Gato Escaldado Bar em Braga, com declamação de poemas dedicados á mulher e ao amor.
Sessão de autógrafos do livro.


30 de Abril
Pré apresentação na Biblioteca Municipal de Vila Verde (Braga), com vários convidados e momentos musicais.


Maio

Apresentações do livro no Porto, em Coimbra e Lisboa, em locais a confirmar brevemente.

10 de Junho

Apresentação na Feira do Livro de Barcelos

A partir de 12 de Junho

Apresentação na Feira do Livro de Viana do Castelo.

Outras presenças em Feiras do Livro estão a ser preparadas.

Um livro que promete ser um sucesso pela qualidade de uma escrita envolvente numa história de mistério e suspense. Um livro de leitura obrigatória.

quarta-feira, abril 08, 2009

Incontidos

O instante lacrimeja
solta-se do sentido preso
que escapa ao próprio predador.

E na partida também goteja
o homem que viaja.

domingo, março 29, 2009

Convite - Poesia em Lisboa




O autor, Vicente Ferreira da Silva e a Temas Originais têm o prazer de o convidar a estar presente na sessão de apresentação do livro “Interlúdios da Certeza”, ", a ter lugar no auditório sito a Campo Grande n.º 56, Lisboa, no próximo dia 4 de Abril pelas 16.00 horas.

Obra e autor serão apresentados por Maria Azenha.

A sessão contará com a presença de Inês Ramos, que declamará alguns poemas.





O Autor, Gonçalo Lobo Pinheiro e a Temas Originas, têm o prazer de o convidar a estar na sessão de lançamento do livro "Não Existes ou o breve manual prático de como esquecer um amor antigo", a ter lugar no auditório sito a Campo Grande n.º 56, Lisboa, no próximo dia 4 de Abril pelas 19.00 horas

Obra e Autor serão apresentados pela Prof.ª Magda Rodrigues.


Apareçam! Desfrutarão de momentos de excelente poesia.

quinta-feira, março 26, 2009

Verso e prosa juntam adeptos de todas as idades Poesia a rodos em dia dedicado à arte de declamar

Cultura e Lazer







Quatro poetas do concelho de Vila Franca de Xira recitaram poesia no dia dedicado à arte. Foi na biblioteca da Quinta da Piedade, na Póvoa de Santa Iria. “Solta essas cordas de raiva/Deixa que a tua prisão seja liberdade”.


Foi com palavras de esperança que David Miranda marcou no último fim-de-semana as comemorações do Dia Mundial da Poesia, assinalado pela Câmara Municipal de Vila Franca de Xira na biblioteca da Quinta Piedade, na Póvoa de Santa Iria. “Solta essas cordas de raiva/Deixa que a tua prisão seja liberdade/Nada de te pode parar/És cheio de vida/Mas tu prendes-te com grilhões/A um passado que te consome/ Tens a chave do cadeado”, declamou o poeta, natural de Vila Franca de Xira, já com dois livros publicados.

Os versos e as quadras, num estilo mais erudito, juntaram quatro poetas concelhios convidados pela autarquia. Carla Figueiras, de Castanheira do Ribatejo, foi outra das artistas da palavra presentes, declamando versos do seu livro “Da aurora ao amanhecer”, publicado recentemente. Numa tarde dedicada à leitura e declamação de poesia, surgiram também as confissões. “O meu livro começou por poemas escritos aos 14 anos, para a gaveta. Depois, passou a ser um sonho, que comandou a minha vida até se realizar”, sublinhou a poetisa.

Alícia Simões, do Forte da Casa, autora da obra “Sonhos Despertos”, declamou também. Premiada num concurso promovido por uma empresa de software, a poetisa atribuiu a uma amiga parte da responsabilidade pelo título da obra, e revelou uma poesia dedicada às “almas borboletas” que a inspiram.

Paulo Afonso, da Póvoa de Santa Iria, encerrou a tarde de poesia, com alguns apontamentos de humor por entre a leitura dos poemas. O poeta, que começou a escrever ainda jovem e publicou pela primeira vez em 2006, divulgou a criação recente de uma editora sua, Temas Originais, em conjunto com dois poetas, naturais de Coimbra e Porto, dedicada aos novos autores. “Da primeira vez, enviei a ligação para o meu blog e depois alguma poesia e prosa poética por correio electrónico. Mas a maior parte das editoras nem me respondeu. Queremos dar voz ao novo autor, respeitá-lo, nesta editora e dar-lhe um tratamento diferenciado”, relata o autor.

A sessão de poesia na biblioteca da Quinta da Piedade integrou o II Encontro de Poetas do Concelho de Vila Franca de Xira. A iniciativa foi uma das várias organizadas pela câmara municipal, iniciadas no 18 com a leitura de “O Amor na Poesia Portuguesa: o amor é fogo...: por Paulo Rodrigues.

As associações culturais também assinalaram o dia dedicado à poesia. O grupo Gruta Forte, do Forte da Casa, promoveu um espectáculo de poesia na tarde de 19 Março, na Biblioteca Municipal da freguesia. Domingo, Dia Mundial da Poesia segundo os calendários oficiais. Foi no Grémio Dramático Povoense que as comemorações terminaram, com declamação de poesia ao longo da noite.


in Mirante

http://semanal.omirante.pt/index.asp?idEdicao=384&id=52384&idSeccao=5760&Action=noticia

terça-feira, março 24, 2009

Convite - 28/03/2009 - em Lisboa



O Autor, Paulo Gaminha e a Temas Originas, têm o prazer de o convidar a estar na sessão de lançamento do livro "Domador de Palavras", a ter lugar no auditório sito a Campo Grande n.º 56, Lisboa, no próximo dia 28 de Março pelas 16.00 horas.
Obra e Autor serão apresentados por Ana Maria Oliveira.




A Autora, Sant´Ana e a Temas Originas, têm o prazer de o convidar a estar na sessão de lançamento do livro "Contos da Fogueira", a ter lugar no auditório sito a Campo Grande n.º 56, Lisboa, no próximo dia 28 de Março pelas 19.00 horas.
Obra e Autor serão apresentados pelo escritor Paulo Afonso Ramos.

Se puder, não falte!

segunda-feira, março 23, 2009

Margem

É da outra margem
que observo o sonho
em silêncio…
Escondo-me num segredo
só meu, que talvez,
talvez um dia seja também teu.
É dessa mesma margem
que imagino os passos do castelo
e as intempéries que afagam os rostos
das casas, e nem me esqueço das pessoas
que durante décadas atravessaram
este nosso Tejo.
(Onde me encontro e desencontro).
E esta margem,
agora minha, que por estes instantes,
estende o seu olhar
pelo meu corpo
pelo meu desejo
e até pela cidade que se agiganta
mesmo aqui ao lado…
Esta margem
que é um lugar de partilha,
partilha dos segredos
dos acontecimentos
esta margem
que absorve-me
encanta-me
e nunca me diz não!
Volto sempre
em silêncio
em segredo
para sentir…
E sinto mesmo,
sinto o meu sonho a sorrir…



(Nota: Dedico este poema a Dr.ª Conceição da biblioteca da minha terra, como forma de agradecimento pelo dia da poesia)

sábado, março 21, 2009

Hoje Procuro-te

Não te preocupes
(ficarei bem)
que na minha busca…
perdi-me,
mas voltarei a encontra-me.
As essências dos sorrisos
famintos,
fabricam paladares exóticos
que aquecem a alma dos desejos.
Não te preocupes
com a minha procura
(ficarás bem)
entre o desnorte e o reencontro
há um sabor apelativo
que segrega as vitaminas
com que sobrevivo
neste deserto do pensamento.
Ando perdido neste marasmo
que enlouquece as noites sedentas
do teu suposto aconchego.
Há um frio que indica a minha solidão
na metade de mim que desiste
e sem que peça, a outra metade,
na procura, agasalha-me,
envolve-me… para que não morra!
Hoje procuro-te,
bem dentro de mim
sem que assuma qual das partes eu serei
ou se por um todo morrerei…
Não te preocupes
(ficaremos bem)
ao reencontrar-me
assumirei os destinos do meu corpo
olharei em frente
e guardarei o passado até esquecê-lo.
Hoje procuro-te,
amanhã encontrarei algum sinal
alguma resposta!

quarta-feira, março 18, 2009

Comemorações do Dia Mundial da Poesia



Leitura de Poesia, "O amor na poesia portuguesa: amor é fogo...», por Paulo Renato Rodrigues
19 Março, 18h30
Biblioteca Municipal de Vila Franca de Xira

2.º Encontro de Poetas do Concelho de Vila Franca de Xira, com a actuação do grupo coral Ares Novos
21 Março, 15h30
Biblioteca Municipais da Quinta da Piedade (Póvoa de St.ª Iria)
Com os poetas locais: Paulo Afonso (Póvoa de Santa Iria), Carla Figueiras (Castanheira do Ribatejo), David Miranda (Vila Franca de Xira) e Alícia Simões (Forte da Casa)

Mercado de Poesia: exposição e venda de livros de poesia, com desconto sobre o preço de capa
17 a 21 de Março
Bibliotecas Municipais de Alverca, Quinta da Piedade (Póvoa de St.ª Iria) e Vila Franca de Xira

Quinta da Piedade - Póvoa de Santa Iría

As origens da Quinta da Piedade remontam ao século XIV, quando foi instituído o Morgadio da Póvoa por Vicente Afonso Valente, cónego da sé de Lisboa. A história da Quinta está estreitamente ligada à história da Póvoa de St. Iria, durante muito tempo chamada de Póvoa de D. Martinho de Castelo Branco, sétimo senhor da Póvoa e primeiro conde de Vila Nova de Portimão. O património edificado actualmente existente na Quinta testemunha os diferentes períodos históricos e vivências que este espaço atravessou. Se, por um lado, são ainda visíveis os vestígios das edificações renascentistas - portal e placa epigrafada da antiga capela de Nossa Senhora da Piedade (1531) e oratório dedicado a S. Jerónimo - é do século XVIII que data o conjunto patrimonial mais notável da Quinta. As campanhas de obras do século XVIII, impulsionadas por D. Pedro de Lencastre Castelo Branco, quinto conde de Vila Nova de Portimão, originaram a construção da igreja de Nossa Senhora da Piedade, a ampliação do palácio e a sua decoração.

segunda-feira, março 16, 2009

Convite - 21/03/2009 - no Porto



O autor, Vicente Ferreira da Silva e a Temas Originais têm o prazer de o convidar a estar presente na sessão de lançamento do livro “Interlúdios da Certeza”, a ter lugar na Sala do Fundo Antigo, Reitoria da Universidade do Porto, no próximo dia 21 de Março pelas 16:30.

Obra e autor serão apresentados pela Prof. ª Helena Padrão e por Otília Martel.

Esta sessão contará com a presença de Júlia Moura Lopes, que declamará alguns poemas.

Apareçam! Desfrutarão de momentos de excelente poesia.

domingo, março 15, 2009

Renovei-me

Ao ver as folhas caírem, as flores abrirem, os sorrisos quentes do sol e as lágrimas vindas do céu derramarem estados pregados, percebi que tudo está em constante renovação.

Também quis acompanhar o Universo renovando-me…

Renovei-me quando aprendi a sorrir, quando soube dar, quando aprendi a receber mesmo as coisas que nunca queremos receber.

Estarei sempre disponível para me renovar, crescendo e aprendendo a estar.

Até ao último dia, esse indesejado dia, que também será uma forma pelicular de renovar-me.

É assim que me sinto, no que sou e no que pretendo ser sempre.

E, ao acabar de escrever estas linhas curtas e simples, interiormente senti-me parte envolvida da minha mais recente renovação, porque neste teclar da mistura de letras activei os sentidos…

Talvez esta partilha possa contribuir para um qualquer outro género de renovação, quem sabe?

segunda-feira, março 09, 2009

Convite - Poesia

Caros Amigos,

No próximo dia 14 de Março, serão lançados dois livros de poesia, pela editora Temas Originais, no Campo Grande, nº 56, em Lisboa.

O primeiro lançamento, às 16 horas, será do livro "A Intermitência dos Sentidos", um livro do Poeta Octávio da Cunha e que será apresentado pela poetisa Vera Sousa Silva.




O segundo livro, "Ser Poeta" do Poeta António Martins, será lançado às 19 horas e será apresentado por outro consagrado Poeta de nome Xavier Zarco.



De seguida queremos reunir um bom grupo de pessoas para jantar, no mesmo local dos lançamentos (Campo Grande, 56, em Lisboa), para assim fecharmos com chave de ouro este dia maravilhoso de poesia entre amigos, leitores e poetas da nossa praça, pelo que quem quiser, faça o favor de contactar a nossa assessora Vera Sousa Silva por e-mail (svera.silva@gmail.com).
O jantar rondará os 12 Euros por pessoa.

Apareçam! Desfrutarão de momentos de boa poesia e estarão entre amigos!

Obrigado a todos

domingo, março 08, 2009

Mulher


(Foto de: 1000imagens.com - Paulo Almeida)

Tão leve como uma pena
passa um tempo sem destino
tão leve… na pura cena
nasce ao som do sino
a Mulher…

Tão leve,
nasce cada dia por preencher
e na essência de como se deve
ouso olhar para a mulher
que no silêncio caminha
dá,
entrega-se ao momento
e numa voz ausente
nada teme
quando leva o barco
pelo leme
ao seu porto seguro.

Tão leve nesse corpo angelical
moram os fragmentos
dos caminhos cortados
das insónias da vida
dos incómodos das palavras…

Tão leve…
Nasce cada sorriso matinal
que se perpétua
se mostra
e se diz feliz
no rosto de Mulher.

sexta-feira, março 06, 2009

O silêncio da palavra

A palavra anoitece
veste a escuridão
segreda-me os intuitos
com um hálito de cacimba.
Rotas e rotas
desenhadas no tempo
contam-nos histórias
momentos,
de intensos saberes…

A palavra é o silêncio.

Um chilrear,
acorda-nos devagar…

A luz brilha
no horizonte
vestindo a palavra
de um nenúfar
apoteótico
coberto de ilusão.

A palavra arrefece
na mudança de mão
de voz
esquece-se
e na solidão
fica quieta
presa
na escuridão…

A palavra é o silêncio
a pedra,
a história
ou o tempo que morreu…

despida,
perdida,

cala-se então!

quarta-feira, março 04, 2009

(Título) Origem

(Introdução)

Leve levemente
sai da mente
indubitavelmente
o desejo iminente
de ser gente.
E assim nasce
a luz
(imagem do acontecimento)
da realização.

(Apêndice de origem)

Corpos extasiados
suados,
separam-se…

(Espaço a dois tempos)

Uns meses de espera
aproximação,
perto do coração
que importa,
se será menino ou menina?

(O principio da origem)

Leve levemente
entra na mente…

segunda-feira, março 02, 2009

Submissão

As maças do rosto
rosadas, denunciavam-lhe
o seu ímpeto
ao reencontrar o seu amor.
(O seu grande amor, secreto,
e por isso nunca correspondido.)
As palavras,
brotavam da sua boca
em sintonia
arqueando impulsos e desejos
o seu pensamento, austero,
centrava-se apenas nele
aquele homem corpulento
de sorriso aberto.
Imaginava-se nos seus braços
e nos seus lábios
lia os seus próprios sonhos
como realidades inalteráveis…
um beijo de despedida
acordava-a.
Repetiam-se os dias
as cenas,
dos encontros fortuitos
e as maças do rosto
rosadas,
sem que ele nunca suspeitasse…
Dependências de um amor
nunca partilhado,
apertado, bem apertado
na obediência
do seu envergonhado
sentimento!

(O amor pode ser submisso…)

Rafaela Kronq

domingo, março 01, 2009

Harmonia

Um piano
a marcar o compasso
deixa entrar a voz celeste
que solta as palavras
mágicas do eterno
e perpetuado momento
de quem assiste
e o tempo é marcante
e o compasso é marcante
e a voz é marcante
um piano e uma voz
deixam o arrepio
nos corpos extasiados
e nas palavras soltas
cai um – “Tu és maluco” –
e uma lágrima responde
em silêncio
sem que a música pare
uma troca de olhares
marcam o compasso
do fim, em que,
só as palmas sobram…

sexta-feira, fevereiro 27, 2009

Arguto

São garças esvoaçantes
que embebedam o meu dia-a-dia
na plenitude do sentir.
São mordomias incessantes
que revestem o meu hábito
de um não sei porquê
sem que peça
sem que passe
sem que desça
sem que me levante.
São corujas inebrias
que escoltam a minha noite
na plenitude do sorrir.
São acasos irrelevantes
que moldam o sonho
de um acanhado ninguém
sem que perceba
sem que queira
sem que seja
sem que aconteça.
Entre o sonho e a realidade
mora um poema
que veste um corpo
e amarra o sentimento
desse Ser que desperta
em cada palavra.
Sem que vejas
sem que leias
existimos na distância
que separa
a noite do dia.

quinta-feira, fevereiro 26, 2009

Convite



O Autor, António MR Martins e a Temas Originas, têm o prazer de o convidar a estar na sessão de lançamento do livro "Ser Poeta", a ter lugar no auditório sito a Campo Grande n.º 56, Lisboa, no próximo dia 14 de Março pelas 19.00 horas.
Obra e Autor serão apresentados pelo poeta Xavier Zarco.

quarta-feira, fevereiro 25, 2009

Convite



O Autor, Octávio Da Cunha e a Temas Originas, têm o prazer de o convidar a estar na sessão de lançamento do livro "A Intermitência dos Sentidos", a ter lugar no auditório sito a Campo Grande n.º 56, Lisboa, no próximo dia 14 de Março pelas 16.00 horas.
Obra e Autor serão apresentados pela poetisa Vera Sousa Silva.

Se puder não falte.

terça-feira, fevereiro 24, 2009

Fim

Já nada mexe
neste meu estar aqui
nada. Nem o desejo desse olhar
nem o amor desse poema
que busca o meu sentimento
escondido. Já nada mexe…
Perdi a inocência das palavras
que em segredo moldavam
o carinho do poeta, e emprestavam
delicias de emoções a quem as lia…
Já nada de nada me mexe
nada me agarra a este tempo
a este esconderijo de prosas encantadas
nem as fadas, que alegravam as noites
por dormir…nem as musas,
que coloriam as frases do meu pensamento.
Já nada mexe em mim
agora que os meus olhos
se fecharam para o teus passos
que nem lágrimas provocam,
já nada consegue iludir
a esperança que morreu nos meus braços
abandonada
apunhalada
pela penumbra da escrita volátil…
Já não moro aqui
nem em parte incerta
e com a mesma palavra com que nasci
parti,
na morte quase deserta…
Já nada mexe
nem os teus lábios
que murmuravam desejos
nem o meu anseio
que pedia os teus beijos.
Já te disse,
nada mexe aqui
porque a morte irrequieta
ficou longe
em silêncio
quieta.
E eu… já não moro aqui!

domingo, fevereiro 22, 2009

Eugénio de Andrade

Adeus


Já gastámos as palavras pela rua, meu amor,
e o que nos ficou não chega
para afastar o frio de quatro paredes.
Gastámos tudo menos o silêncio.
Gastámos os olhos com o sal das lágrimas,
gastámos as mãos à força de as apertarmos,
gastámos o relógio e as pedras das esquinas
em esperas inúteis.

Meto as mãos nas algibeiras
e não encontro nada.
Antigamente tínhamos tanto para dar um ao outro!
Era como se todas as coisas fossem minhas:
quanto mais te dava mais tinha para te dar.

Às vezes tu dizias: os teus olhos são peixes verdes!
E eu acreditava!
Acreditava,
porque ao teu lado
todas as coisas eram possíveis.
Mas isso era no tempo dos segredos,
no tempo em que o teu corpo era um aquário,
no tempo em que os teus olhos
eram peixes verdes.
Hoje são apenas os teus olhos.
É pouco, mas é verdade,
uns olhos como todos os outros.

Já gastámos as palavras.
Quando agora digo: meu amor...
já não se passa absolutamente nada.

E, no entanto, antes das palavras gastas,
tenho a certeza
de que todas as coisas estremeciam
só de murmurar o teu nome
no silêncio do meu coração.

Não temos nada que dar.
Dentro de ti
Não há nada que me peça água.
O passado é inútil como um trapo.
E já te disse: as palavras estão gastas.

Adeus.



Eugénio de Andrade

sexta-feira, fevereiro 20, 2009

Fernando Pessoa

A felicidade exige valentia.



"Posso ter defeitos, viver ansioso e ficar irritado algumas vezes mas, não
esqueço de que minha vida é a maior empresa do mundo, e posso evitar que ela
vá à falência.
Ser feliz é reconhecer que vale a pena viver apesar de todos os desafios,
incompreensões e períodos de crise. Ser feliz é deixar de ser vítima dos
problemas e se tornar um autor da própria história.
É atravessar desertos fora de si, mas ser capaz de encontrar um oásis no
recôndito da sua alma.
É agradecer a Deus a cada manhã pelo milagre da vida. Ser feliz é não ter
medo dos próprios sentimentos. É saber falar de si mesmo. É ter coragem para
ouvir um "não". É ter segurança para receber uma crítica, mesmo que injusta.
Pedras no caminho?
Guardo todas, um dia vou construir um castelo..."


Fernando Pessoa

segunda-feira, fevereiro 16, 2009

Sexta-Feira - 13

Sexta-feira 13

Procuro o azar e não o encontro. Procuro as palavras para falar de amor, e a voz cala-se.

Quero gritar, mas o grito assustado da minha revolta foge. Tudo me ocorre no olhar soslaio, matreiro, com que agarro cada momento. Procuro-te mesmo sabendo que não existes...

Agarro o tempo para que o sinta fugir de mim. Agarro a vontade dos impossíveis para que possa justificar um fim.

Ninguém sabe, ninguém sonha, que a culpa parte de mim quando procuro desculpas, ou justificações, para os meus fracassos escondidos, perdidos, esquecidos que, guardados, formam a construção do ego destorcido...

Ninguém acredita quando aponto o dedo ao outro, ao tempo, ao passado e ao presente, quando digo que a culpa é da incongruência do pensamento, seja do meu ou do teu...

E há dias em que a vontade é sublimada, em que quero modificar tudo, e logo o tempo estremece, foge, do meu olhar sonhador.

Que posso fazer?

Se não aceito respostas ou se nem quero saber das hipóteses de vencer...

Nada importa.

A culpa é da sexta-feira 13 que, mesmo não sendo supersticioso, me serve a alma, o corpo, para nada fazer e tudo justificar...

E, por favor, nunca se esqueçam que tudo tentei, mas a sorte não quis ajudar.

Vou andar mais um ano a pensar, outro a planear e todo o tempo do mundo a estruturar um projecto ambicioso, serei como ninguém e, numa sexta-feira 13 qualquer tentarei, outra vez, sabendo que, se falhar, a culpa não será minha de certeza absoluta.

domingo, fevereiro 15, 2009

Temas Originais - Editora





Caros Autores,

A 5 de Fevereiro último nasceu a TEMAS ORIGINAIS, LDA. Pretendemos ser, não mais uma Editora no mercado, mas uma verdadeira Casa de Autores. É nosso intuito editar os mais díspares géneros literários; dar corpo à voz ímpar de cada um que, por nós, decida publicar. Contacte-nos, envie-nos uma obra que considere definitiva e que queira ver editada e saiba como.

Com os nossos melhores cumprimentos,

Os editores

TEMAS ORIGINAIS, LDA
Rua de Vilar, 74 – 2.º - 4050-625 PORTO
DELEGAÇÕES EM: Coimbra, Lisboa e Porto
E-mail: temas.originais@gmail.com
Blogue: http://temasoriginais.blogspot.com
(o sítio está a ser ultimado)

sábado, fevereiro 14, 2009

Ilusão Moribunda

Vivo no teu silêncio
nesse alvéolo
da imaginação.
Sou a resposta
sem pergunta.
Sou palhaço
sem circo.
Vivo no regaço
do amor perdido
sem ser achado
apetecido.
Vivo na sombra
do sonho
paredes meias com a loucura.
Sou inebriado
com o que não tenho
e de peito aberto
vivo no estreito
da sensatez
de um dia,
quase perfeito.
Sou a mentira
com que te iludes.
Sou a verdade
com que foges
quando a ignoras…
Sou um pássaro azulão
ou peixe verde
uma consoante
ou uma letra abandonada.
Sou o que os teus olhos
quiserem ver…
Vivo no silêncio
do teu umbral
na espera
que um dia acordes.

sexta-feira, fevereiro 13, 2009

Poema Novo

Nasce do nada…
O poema que se lê
inspirado numa fada
que ninguém vê…
Poema do asfalto
pisado pelo olhar
é nobre e alto
que caminha para o altar.
Em busca do sonho
em busca da musa
o poema novo nasce
e renasce do nada.
Fonte por encontrar
desejo por esgotar
este corpo novo
é o poema do nada
que vive na sombra
e sobrevive ao momento
do olhar…
Poema etéreo
vestido pelos desígnios
que de nada e de novo
sustenta qualquer morte
anunciada.
Morre até o poeta
mas o poema,
esse é sempre novo,
a cada olhar…
Oh! Poema novo
libertino
e com esplendor
escondes a dor
do poeta citadino.

quinta-feira, fevereiro 12, 2009

Já não tenho flores

Há um dia azul
enfeitado por um sol presente
(há um silêncio
que faz a barreira,
que nos separa da noite…)
Há uma noite
enfeitada por uma lua sorridente
(que tem uma barreira
escondida na escuridão
de um silêncio separador…)
Já não tenho flores
para conquistar amores
para iludir os prantos
desse dia perdido.
Já não tenho flores
para depositar nessa campa
onde a noite guarda os segredos.
(As últimas flores
deitei-as aos peixes verdes
que no mar carpiam as dores
dos meus dias perdidos…)
Já não tenho flores
nem tristezas.
Já não tenho dias
noites,
amores,
já não tenho certezas
quanto mais flores.

sábado, fevereiro 07, 2009

Hoje matei um poema!

Hoje matei,
matei um poema
de cálidas palavras
e de branco sofrer…
Matei-o antes de nascer
com versos de raiva
feitos de frases de pólvora
matei-o…
Hoje,
porque sempre pensara
nesse acto
matei,
com brasas de revolta
estendidas pelas palavras.
Hoje matei um poema
e entreguei-me.
Entreguei-me aos leitores
de braços rendidos
presos…
Cumprirei a penitência
em silêncio
e quando a liberdade voltar
voltarei também entre rimas
e matarei, novamente,
o então hoje
que trouxer um poema
solto ao vento
que um dia foi meu
também teu
e que o matei…

O verdadeiro poema
não morre!
Vê-nos morrer…

Hoje matei…
um pouco de mim
e pensei que era um poema.

terça-feira, fevereiro 03, 2009

Amar-te em Silêncio



Breve é o sonho
Em que me fundo à tua alma
E assim ficamos unos,
No espaço infinito da razão
Que nos cobre de estrelas cadentes
E risos inocentes, cálidos,
Como a voz do poema.

Breves instantes de ilusão
Em que o acordar é claro e límpido
Sem teu corpo perto,
Sem teu cheiro
(que mesmo assim
se m’entranha na pele
e m’esgota a consciência).

Amar-te é causa e efeito,
Propósito sem intenção,
Meu rumo e destino…

O silêncio mata-me
E grita no peito que arde,
Nas veias que pulsam
Levando a vida ao coração.

Não peças palavras…
Lê-me o olhar!



No próximo dia 7 de Fevereiro, no Auditório da Câmara Municipal da Amadora, pelas 15.30 horas, será o lançamento do livro de poesia "Amar-te em Silêncio" da autoria de Vera Sousa Silva, com a chancela da Edium Editores.
Obra e autora serão apresentados por Magda Pais.
Serão declamados poemas por Dionísio Dinis, gentilmente cedido pelo EscritArtes e serão interpretados alguns temas pelos músicos Bruno Rocha e Catarina Cardoso.
Apareçam

segunda-feira, fevereiro 02, 2009

Sonhos Impossíveis

Na taciturna da noite ouvem-se vozes distorcidas que planeiam afugentar os personagens de um sonho matreiro. O portador do corpo estendido num palheiro dorme sem sobressaltos e, inconsciente, colabora no desenlaço daquele momento quando abriga as sensações com que vive.
Há uma Musa antiga que entra no sonho e se deleita com as vozes da noite, a sua formosura enternece as personagens que existiam em silêncio.
Rompem os laços da magia empacotada nas traseiras do dia e depressa floresce um amor premeditado por Zeus.
Todas as coisas acontecem entre um estar absorvido e o amor repete-se em horas de loucura que a fantasia teima em conseguir. Há uma perpétua condição que amanhece no peito e que, com ela, trás a luz de mais um dia. Firma-se essa condição num desejo absorvido pelo prazer onde fica escrito na mente dos amantes que, em cada noite, ao som das vozes de comando, voltarão sempre para se encontrarem. E, nesse encontro, a liberdade será sempre respeitada por ambos…
O corpo mexe-se. Empresta a fuga de mais um sonho que o amanhecer não consegue decifrar.
Ao acordar, há uma sensação de magia, e um corpo esgotado de uma noite mal dormida.
Resta o sonho. Mais um que entrará no rol dos sonhos impossíveis e em que o segredo será guardado.
Amanhã pela noitinha, na calada, esperarei pelas vozes distorcidas… Viverei num corpo e na espera dessa Musa antiga que alimenta o meu Ser.
Só os sonhos impossíveis permanecem em mim e me fazem viver…

sábado, janeiro 31, 2009

Escrever

Mesmo que não queira escrever, que não sinta vontade ou que, não encontre alguma mensagem para transmitir, o meu estado carecido, empurra-me para que abra um documento Word (que já passei a fase do papel e da caneta) e comece uma nova aventura das palavras.
De um fundo branco crescem formigas transformadas em palavras feitas que depressa se adornam em frases com pouco ou nenhum sentido. Ainda assim, não desisto de escrever e, no balanço que os meus dedos, tomam delicio-me entre as palavras e perco-me nas frases sem qualquer importância do acto ou sem qualquer curiosidade no que vai fluindo. É essa a palavra correcta, fluir, porque as coisas acontecem com uma velocidade medonha que nem me sobra tempo para corrigir ou ter atenção ao sentido de cada espaço ou de cada palavra e muito menos aos sabores das palavras.
No fim, exausto desse exercício, leio num todo o resultado. Nem sempre gosto do que leio, também é verdade que nem sempre entendo porque o escrevo, embora já tenha algumas situações em que as pessoas reagiram com admiração por ter escrito para elas, umas vezes sim, outras não, que importa isso se o resultado é mesmo o que conta?
Então, continuo o meu caminho, na estrada da escrita a deliciar-me com o que faço porque já o faço por necessidade e, na verdade, por puro prazer, mesmo que não queira escrever, que não sinta vontade ou que não encontre nenhuma mensagem para partilhar, como neste caso quando iniciei a escrita, sempre na esperança que saía algo, porque sai sempre algo, no fim de cada texto. E mesmo que não entenda ou não goste do que acabe de escrever, já sei, por experiência própria, que haverá alguém que vai gostar, haverá alguém que se vai identificar com o que lê e isso basta-me para que o partilhe.
Enquanto continuar a escrever espero que o desejo seja igual ao prazer de o fazer e que as leituras cheguem dos que se identificam.