segunda-feira, novembro 16, 2009

Nas lágrimas da despedida

Já não tenho palavras
as últimas morreram no verão passado
e num funeral cheio de sinais
sinais de uma pontuação por conseguir
as palavras, no silencio, encontraram o seu lugar
a terra, o chão, que tanto pisei com avidez
e num cemitério desconhecido, distante dos olhares
lá estava eu com um sofrimento imaculado
a fazer o destino numa despedida sofrida.

Tudo agora é memória
guardada no ventre da imaginação
faltam-me as palavras que escreviam a lucidez
faltam-me as outras que escreviam esperança
faltam-me, sem que perceba, essa sensação
com que vibrava ao ler os teus passos
as tuas tormentas ou as brincadeiras perdidas
falta-me quase tudo, que tudo é o meu fim
que enterrou a alma dessa magia em desassossego.

Já não tenho palavras
roupagem do meu caminhar
agora sou, provavelmente, memória
que no tempo, aos poucos, também morrerá!

2 comentários:

Um Olhar disse...

Profundamente lindo...!

Ofereceres o teu melhor sorriso é o segredo para estares de bem contigo e com os outros.

Bjo
Fatima

Sonhadora disse...

Maravilhoso o seu poema...gostei muito
Sonhadora