quarta-feira, dezembro 31, 2008

Espero

Espero pelo tempo que há-de vir, aquele que ansiamos, quando acreditamos que, com ele, virá outras coisas associadas. Rosas. Incenso. Ventos amigos e outras ilusões que, em segredo, guardamos só para nós…
Perco-me nesse tempo por chegar e falham-me as palavras. Aos poucos vou deixando de escrever, embora nunca deixe de sentir, mas a vontade prega-me uma partida e recusa-se a incentivar-me na escrita. Espero. Espero nas dobras do meu acaso e nas sombras dos épicos ilustres que, iludidos, fazem uma festa colossal de mais um ano que finda.
Não quero festas! Não quero épicos ou não, ilustres por acontecer! Não quero e isso basta-me… Não querer também é ser maior, também é ser corajoso e também é saber esperar. Espero. Pelo tempo sem fim, aquele que há-de vir, mas que não sei se virá. Esperar é tudo o quanto sei, é tudo quanto sinto e mas nem sei se sei, ou se quero saber. Basta-me a palavra – espero – e assim continuo vivo e a sorrir, não importa como me sinta por dentro se, por fora, todos me vejam a sorrir.
Exequível.
Sabor.
Perfeito.
Etéreo.
Raro.
Opulento.
São apenas letras, que fazem da palavra, isolada, o caminho da viagem. Sem que alguém entenda ou saiba que espero por um tempo, para que, também eu, possa entender o que penso, do tempo, da espera e da vida que, num tempo teve, na espera o caminho de estar num tempo de ninguém.
Espero. De certo por ninguém, apenas e só por um corpo que se diz meu. Perdoem-me. Espero que também possa ser alguém…

domingo, dezembro 28, 2008

Sem Mais…

Vejo esta folha de papel toda coberta de negro. Pego na caneta de tinta branca e começo uma nova aventura. Sem que nada tenha para escrever, não hesito, e desenho letras na esperança, lenta, de acabar com o negrume que também evade a minha alma. O resto virá por acréscimo. Nascerá uma qualquer história do nada e a vida acontecerá.
Entre mim e esta folha de papel moram uns quantos tesouros e uns quantos espíritos que fazem deste espaço o seu lar. Contam-nos pequenas histórias, em segredo silenciado, e eu trago-as a público como minhas. Mas, nunca poderiam ser minhas se de negro me sinto, se nada tenho para escrever ou se nem sequer consigo imaginar…
Nunca desisto. Quero escrever sempre. Chamo mais letras que, de sorriso aberto, aparecem umas atrás de outras, e sem que eu saiba, são elas que dão vida a folha de papel, quando se organizam na mensagem que os olhos conseguem ler. Brincam entre si e desafiam os leitores a lerem nas entrelinhas, outras mensagens, outras aventuras, num perplexo jogo de silêncios, cores e abstractos gestos acutilantes.
Algumas vezes até penso que tudo se origina em mim. Pura loucura. Mas o mais gracioso, sem que graça tenha, é o facto de que os poucos que me lêem acreditam que sou mesmo eu que escrevo. Pura ilusão. Mítica alusão.
Apenas pego no papel e deixo-me ir, desembrulhando mensagens envolvidas num misterioso contorno que nunca aprendi, e que, por isso, não conseguirei explicar. Também não importa, basta que junte as letras, basta que elas desenhem a frase – não fui eu – basta, para mim, e talvez baste para quem lê. Não importa!
Como uma brincadeira que substitui o tempo da meninice, que muda as diversões de criança, o que escrevo – embora não seja só meu – dá-me um lúcido prazer e ajuda-me a viver. Transporta-me de estados esgotados para estados mais etéreos, transporta-me, na leveza da alma, para o supremo desejado, mesmo que inalcançável, a viagem iniciada e o desejo de conseguir distraem-me e aliviam o meu sofrimento.
Lentamente vou retirando a capa negra do meu corpo inflamado, e num passo dado, cresço dentro de mim, com as palavras que consumo.
Entre mim e esta folha amiga, há uma cumplicidade lúdica, onde fogem os dissabores, mesmo que por escassos momentos, e nascem outros secretos eventos.
Voltamos sempre para conversar, partilhar, confessar ou recriar os sonhos de papel, e os outros imaginários das personagens que não conheço, ainda que habitem em mim, como tesouros ou como desenhos dos espíritos. Este é o nosso lar. A nossa condição. Mesmo que importe a alguém…
Ou não!
O caminho se fará num tempo perdido, mas chegará no seu adequado tempo dos que já não conseguem existir de outra forma…
A mesma tinta branca com que pinto a folha de papel, serve para pintar o meu rosto, até que chegue a alma, até que vire fantasma... se assim tiver que ser…

sábado, dezembro 27, 2008

Crónica do dia seguinte

Há um frio intenso que atemoriza o querer. Um nevoeiro sóbrio preenche a planície com um manto branco. Uma quase ausência de pessoas na rua complementa este quadro que o Dezembro oferece. O Natal já faz parte do passado, só os caixotes do lixo, cheios de caixas de brinquedos e outros papéis decorativos, ainda difundem esta quadra.
Há também um silêncio estranho. Triste. Parece que o mundo parou. Deve ter parado nesta madrugada, depois das emoções das crianças e do desgaste dos adultos, obra de mais um Natal cheio de dificuldades. Se uns nem perceberam, é porque os outros não quiseram quebrar a tradição, mesmo que, para tal, o esforço tenha sido suplementar.
Das crianças, atulhadas em brinquedos dispersos, depois da ansiedade de descobrir cada brinquedo, há o desprezo dos restantes brinquedos, substituído pelo desejo de alguns que não tiveram e. São os pequenos a aprenderem a ser grandes…
A vida continua. Há o sentido do dever cumprido que se mistura com a esperança de um novo ano melhor. Muito melhor. Coisa que só a esperança ainda consegue fazer acreditar.
Agora resta esperar pelo novo ano. Tudo acontecerá naturalmente e, em breve, estaremos no cerne de mais um campo de várias batalhas intermináveis.
É assim que a vida nos acontece. Até que volte o tempo de bebermos mais um pouco do espírito natalício, que, embriagados pela corrente em prol das crianças, sejamos inseridos num ritual estranho, embora familiar, e com o medo de não sermos diferentes de todos, para que assim não possamos quebrar a tradição, que, mesmo que podre, ou fantasiada, continua a ser consistente nesta sociedade mascarada de bondade.
É assim que, ciclo após ciclo, vamos vencendo os nossos dias, sempre com o pretexto e a esperança de braço dado. Também já fomos crianças e agora, como adultos, temos mais culpa e responsabilidade no que acontece, seja no dia de ontem, de hoje ou mesmo no dia seguinte… Nada interessa se amanhã houver outro Natal igual…

sexta-feira, dezembro 26, 2008

Uma dúzia de respostas a um iluminado e uma pergunta a quem lê

A luz serve para mostrar o que somos, pena é que alguns se esqueçam depressa de que, tanto mostra a parte boa como a outra…

Se o olhar não tocar na alvura, deve ser o sentir a tocar, para que a existência faça sentido…

Se não tentares o que queres, não faz sentido querer…

Conhecer o verdadeiro sentido das palavras é estar mais próximo da escrita, das vontades e das contendas literárias.

Existir é fazer história. A própria história é feita por existências que primaram pela diferença.

O umbigo é o ponto que marca o centro do corpo e a profundidade do ego.

O controverso é a base do querer evoluir, só faz sentido se for para clarear os conhecimentos e ajudar a fundamentar as ideias.

Quem não sabe viver com a diferença, não sabe viver bem consigo próprio.

Aprendemos muito mais nos erros que cometemos do que nos sucessos que temos, uns obriga-nos a pensar e os outros a festejar.

A verdade não é única, depende das conjecturas, dos meios e do tempo.

A mentira é irmã da verdade, mesmo que disputem a mesma frase.

Não vale a pena ser superior se não o fizer com o propósito de ajudar.

Conseguem encontrar uma só pergunta onde estas respostas entrem todas?

quarta-feira, dezembro 24, 2008

Carta de Natal 2008

Não quero escrever uma carta. Não uma carta qualquer. Embora não a possa enviar, tão-somente porque não tem um destinatário concreto, ou melhor, um qualquer destinatário não a receberia mesmo que soubesse que esta carta é singela e sem um propósito camuflado. É simples. Tão simples como a escrita que a preenche, e tão singela como a forma como é feita.
Neste Natal de 2008 não queria pedir o que todos pedem - o fim da fome no mundo, ou o fim das guerras, ou outras coisas que só nesta altura se lembram. Não. Neste -Natal queria apenas pedir uma única coisa. Simples. Sincera.
Queria pedir que uma palavra – Amizade – fizesse sentido para mim, o verdadeiro sentido que lhe reconheço, e que esse mesmo sentido nunca tivesse quebras, que nunca ficasse pendente e, se possível, que durasse todo o ano, ano após ano, até aos últimos dias de luz do meu olhar. Depois partiria em paz para o descanso eterno.
Mas, como não quero escrever qualquer carta, porque, mesmo que quisesse, não saberia para quem a mandar, ou não saberia que seria recebida e lida, talvez seja melhor continuar a lutar com esperança por melhores dias…
E eu que só queria que as amizades fossem em pleno, só queria ser o menos imperfeito possível e, ainda que difícil, queria não ser julgado por pessoas, que, como eu cometem erros, que, como eu, conhecem os labirintos da vida… Queria ser perdoado no perdão possível. Queria... Neste Natal queria escrever uma carta, mesmo que não fosse lida, que falasse de amizade e de tolerância…
Queria tanto, mas tanto, que tão pouco me enche a alma.
Neste Natal, quando todos adormecerem, ficarei na janela da minha esperança, sentado na cadeira das longas esperas, aguardando que um carteiro vestido de vermelho passe e me deixe um presente especial, o de receber uma carta qualquer, que, mesmo sem muitas palavras, responda, numa só linha, ao apelo de amizade e tenha a condescendência de saber perdoar os erros que, inadvertidamente, cometi.
Depois, nas palavras que enviarei, escolherei as que o meu coração ditar…
Certamente que saberei agradecer, retribuir o gesto, mas, mais que tudo, aprenderei que as novas oportunidades devem fazer de nós pessoas melhores.
Neste natal uma única prenda será maior. Basta que traga dentro uma pequena amizade e que, por fora, o papel tenha o meu nome.

É tão simples que me faz acreditar… neste Natal de 2008.

domingo, dezembro 21, 2008

O poema enganador

O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega fingir que é dor
A dor que deveras sente.

Fernando Pessoa/Bernardo Soares; Autopsicografia; Publicado em 27 de Novembro de 1930


O poema enganador


Escrevo um poema tentador
na tentativa de expulsar
o que o corpo diz ser dor
e que a mente não quer afastar.

Escrevo com o sangue ainda quente
roubado,
da ferida aberta, desta alma carente,
o poema inventado.

Escrevo. Imaginando o poeta
feito guerreiro, pensador, ou artista
escrevo a ideia, querendo ser profeta,
amante ou um idealista.

O poema é enganador, mentiroso
esconde a voz, a alma, e a semente
chega a ser tão habilidoso
que diz que é verdade o que mente.

E enquanto mata, o homem pateta,
nas guerras da loucura, e do horror,
há um outro homem poeta
que faz um poema enganador,

e a gente lê o que escreve
sonha, e a alma aquece, no acreditar
do poema que nunca teve
e assim a gente esquece, a realidade que nos está a matar,

o que importa é viver, mesmo que enganado
entre o amor e o ódio simplista
haja um homem bem mandado
e um outro ilusionista,

há um poema enganador, mas airoso
que canta versos de neve
há um poeta que luta, tão poderoso
que inventa, um novo mundo, que nunca teve.

sábado, dezembro 20, 2008

Palavras In (Contidas)

Conheço as palavras desde o tempo de meninice. Brinquei com elas sem a consciência do seu poder, joguei-as ao vento como um jogo qualquer e soube viver feliz dentro delas. Cheguei a pensar que seria uma mera palavra, talvez até uma frase indefinida ou que uma simples letra definiria a minha presença. O meu nome, enfim, o meu ser…
Corri atrás das ideias que as palavras contêm e pacientemente esperei noites a fio para descobrir e entender os sentimentos que albergam. Fiz de tudo com as palavras. Amei numa frase sentida, perdi-me, matei amizades e nunca percebi que o meu verdadeiro amor era a própria palavra…
Feri tantas palavras pelo tempo e elas nunca deram um grito ou um gemido. Fiz da palavra o meu escudo e também a minha lança nas batalhas literárias. Vesti-as de raiva ou de sofrimento num qualquer texto que quis escrever, sem nunca pensar que as palavras, contidas, pudessem ter uma vida maior do que aquela que lhes queria dar. Cresceram em mim, palavras incontidas, que ganharam forma e se fizeram a vida. Vi-as partir. Vi o seu rasto e as manchas de sangue que provocaram nos distúrbios que fizeram por onde passaram, senti as lágrimas da despedida, como quem parte para sempre e ainda assim, por amor, perdoei e compreendi o seu longo curso, aceitei a sua independência e deixei-as serem elas próprias… Amar é mesmo assim, é dar liberdade, é deixar que o destino faça a sua parte, é sofrer em silêncio e resistir. Resistir a tudo!
Conheço as palavras, mas não todas, porque são uma numerosa família com parentes mais afastados e com as quais nunca tive qualquer relação. E dessas que, por vezes, poucas vezes, nos visitam, deixam-nos uma marca forte na vida, primeiro de surpresa (quanto mais não seja pela visita) e depois pelo efeito que nos provocam, que também provocam aos que as lêem ou aqueles a quem, carinhosamente, as oferecemos.
Assim é a vida. Perdi a meninice, e ainda brinco com as palavras, perdi amizades e não me desfiz da palavra e até perdi amores que nas próprias palavras se diluíram. Ainda só não perdi o amor a palavra, que, estoicamente, permanece, mesmo com a verdadeira noção de que um dia morrerei numa palavra qualquer, ou mesmo que possa ser a própria palavra a matar-me, vou continuar a amá-las sem que precise de encontrar razões ou tão-pouco precise de explicar coisa alguma. Basta-me saber conhecer o amor e identifica-lo na mais humilde palavra, contida ou incontida, mas sempre na palavra. E basta-me entender o amor, entender sempre essa união entre a palavra e o amor!
Por ora, permaneço entre um silêncio mítico e a palavra sábia, num gesto natural de quem quer aprender, aprender a conhecer a natureza humana que existe e se mistura com as palavras, sejam contidas ou incontidas, num perplexo consentimento eternamente paciente. Fecho-me na palavra até querer, até que o amor reapareça…
E numa despedia, solta-se o gemido, dando voz à saudade.
Saudade – é a já palavra que cobre o meu corpo e com que me deito, na esperança que me leve aos sonhos, substituindo uma realidade pobre, e que assim me prenda, que me preencha os espaços dos meus desejos por cumprir.

sexta-feira, dezembro 19, 2008

Divido-me

Divido-me entre as árvores que, no campo, ficam de pé e as ondas que, na praia, eclodem… Divido-me entre o dia apressado e a noite calma, em que me desprendo das cordas sociais, que me amarram, mais a minha mente do que o meu próprio corpo, e consigo aproximar-me mais da natureza. Da minha própria natureza, que por vezes é como uma árvore bem plantada que, pacientemente, vê os dias fugirem-lhe, ou outras vezes, mais parece as ondas de um mar revolto que encontra em cada praia a oportunidade de rebentar, logrando da sua inércia, para assim matar os dias perdidos nos gestos dos meus dissabores. Ainda me sobram os dias e as noites em que não vivo, onde sobrevivo das lacunas de um tempo quase imperfeito.
Continuarei a ver os dias morrerem, até que chegue a minha vez, entregando-me as alternativas que a vida me dá. Vivendo nos intervalos dos nossos momentos e recebendo a bênção das amizades que vou fortalecendo. Contra as intempéries e os agrestes desejos, vou no meu caminho, crescendo e evoluindo, para que possa ter a capacidade de discernimento e absorção do tempo que me resta.
O resto é como as chuvas do mundo, que molham apenas quem anda perdido nas ruas da ineptidão…
Recolho-me no templo da fé e acredito no mundo que me rodeia…

quinta-feira, dezembro 18, 2008

Desperdício da vida

Hoje recordo o teu olhar, pensativo e em constante ebulição, quando imaginas os possíveis cenários dos filmes da tua vida. Acontecidos ou por acontecer. Recordo os contornos do teu corpo, que veste o charme e encanta num silêncio apetecido. É assim que preencho a tua ausência, embrenhado nos pensamentos que vagueiam por mim.
Hoje és o desperdício da vida que não assumi. Hoje é o tudo e o nada. Há dias e noites em que nada me aquece e tudo arrefece o calor que ainda resta de mim. Recorro. Quero-te como te vejo. Esbelta e próxima.
Hoje és a lua da minha noite solitária. És um presente imaginado neste natal real.
Recorro às imagens, aos pensamentos e também eu construo os meus cenários dos possíveis filmes da minha vida. Aprendo contigo. Sorrio quando sorris e fico triste quando choras, nessas lágrimas que escapam desse rosto lindo. Fazes-me falta, num sorriso ou num olhar. Fazes-me falta até num adeus.
Hoje quero-te por perto, mesmo que não possas, quero sentir o teu olhar e a tua voz. Não será a distancia que impedirá. Só tu podes fazê-lo… Mas, por favor, hoje não!
Dá-me pelo menos este dia, para que seja meu por inteiro, nem que seja apenas e só hoje… Dá-me porque preciso tanto de ti!

terça-feira, dezembro 16, 2008

REEDIÇÃO DE "ROMAGEM A CRETA" E DE "27 POEMAS" DE ANTÓNIO REBORDÃO NAVARRO



Caros amigos,

Pela segunda vez, (a primeira foi quando da edição de "dibaxu" de Juan Gelman) vos faço pessoalmente o convite para estarem presentes numa sessão de apresentação de um livro, neste caso dois. Trata-se da reedição, sob chancela da edium editores, de duas obras do emérito escritor António Rebordão Navarro: "Romagem a Creta" (primeiro romance do autor, publicado em 1964) e do poemário "27 Poemas" (publicado em 1988).

A vossa presença, para além do merecido tributo que prestam ao valioso percurso literário de António Rebordão Navarro, é também muito importante para a edium editores.

O evento decorrerá no Palacete Viscondes de Balsemão (Praça Carlos Alberto, Porto) na próxima quarta-feira, pelas 21.00 horas.

Se puderem, não faltem.

Obrigado,

Jorge Castelo Branco



Sobre o autor e sua obra: António Augusto Rebordão e Cunha Navarro nasceu no Porto em 1 de Agosto de 1933. Licenciado em Direito pela Universidade de Coimbra, foi Delegado do Ministério Público em Vimioso e Amarante, Director da Biblioteca Pública Municipal do Porto e Director Editorial, tendo exercido a advocacia. Secretariou e dirigiu a Revista Literária Bandarra, fundada por seu pai, o escritor Augusto Navarro. Foi co-director e também co-autor de Notícias do Bloqueio e director-adjunto da revista literária Sol XXI. Colaborou em diversas publicações e encontra-se representado em várias antologias. Fez parte da direcção e foi Presidente da Assembleia-geral da Associação de Jornalistas e Homens das Letras do Porto e é Vogal do Conselho Fiscal da Sociedade Portuguesa de Autores. Alguns dos seus poemas estão traduzidos para castelhano, francês, checo, neerlandês e sueco. Em 2002 foi-lhe atribuído o "Prémio Seiva" (Literatura). António Rebordão Navarro tem as seguintes obras publicadas: Romagem a Creta (1964) finalista do Concurso Literário Internacional Ateneo Arenyense, Barcelona, Um Infinito Silêncio, Europa-América (Prémio Alves Redol, 1970), O Discurso da Desordem (1995), O Parque dos Lagartos, Bertrand (1981), Mesopotâmia, Difel, 1985, (Prémio Internacional Miguel Torga 1984), A Praça de Liège , Bertrand, (Prémio Círculo de Leitores, 1988), As Portas do Cerco (1992) romance traduzido para francês e neerlandês, Parábola do Passeio Alegre (1995), O sulco das sombras, o qual recebeu posteriormente o título Romance com o teu nome, Campo das Letras, 2005, e foi distinguido com o Prémio Literário Florbela Espanca, 2003, Amêndoas, doces, venenos, Campo das Letras, 1998, (editado em Itália com o título Mandorle, Dolci e Veleni pela editora NonSoloParole, Todos os tons da penumbra, Campo das Letras, 2000. Contos: Dante Exilado em Ravena (1989). Crónicas: Estados Gerais (1991), Lello Editores. Teatro: O Ser Sepulto (1972) e Sonho, Paixão, Mistério do Infante D. Henrique, Publicações D.Quixote. Ensaios: Domingos Pinho e o Sistema das Representações Simultâneas e Juro que sou Suspeito - O Processo de Adultério em Camilo em 15 Alíneas. Poesia: As Três Meninas e Outros Poemas (Porto,1952, Edições Augusto Navarro); Outro Caminho do Mar (Porto, 1953, Colecção Bandarra, n.º 2); O Mundo Completo (Porto, 1955, Colecção Bandarra, n.º 6), Os Animais Humildes (Porto, 1956, Edição do Autor); Poema para Anne Frank (Coimbra, 1958, Separata da Revista Vértice); O Dia Dentro da Noite (Porto, 1960), Notícias do Bloqueio, Aqui e Agora (Lisboa, 1962 - Ed. Sagitário); O Inverno (Porto, 1978 - Ed. O Oiro do Dia); 27 Poemas (Porto, 1988, Editora Justiça e Paz); A Condição Reflexa (Poemas, 1952-1982) (Lisboa, 1990, Imprensa Nacional Casa da Moeda), Longínquas Romãs e Alguns Animais Humildes - Antologia Poética, Edições Asa, 2005).

http://ediumeditores.wordpress.com/proximos-lancamentos/

segunda-feira, dezembro 15, 2008

Auto-Estima

Cresci num canteiro plantado nos confins do Universo. Chamaram-me Rosa. Vestiram-me de outras cores, porque, o meu olhar era triste, parado e só procurava o Sol.
Nascera assim, rosa, e nem o amarelo ou o vermelho, ou outra cor qualquer, emprestada, mudou o meu olhar. Faltava-me qualquer coisa que as cores nunca enroupavam.
Chamaram-me linda, ao ouvido, e nunca consegui ver o rosto dessa voz porque nunca tive a coragem de o olhar olhos nos olhos…
De longe ouvi gritos que apelavam à beleza da minha esbelta presença, e eu, de olhos postos no céu, nunca acreditei… tão pouco quis saber se era verdade.
Hoje, sem outras cores, sem outras roupagens, permaneço quase imóvel neste mesmo canteiro nos confins do Universo e já nada muda. Se um dia tiver outra oportunidade, e serei eu a pedir, não uma cor ou um brilho, mas apenas um pouco de auto-estima.
Depois até os espinhos terão mais valor para mim…

domingo, dezembro 14, 2008

Apresentação do Livro da Amiga Carla Costeira


Mergulho no Mar da Poesia – Carla Costeira

Começo por cumprimentar a mesa. Cumprimentar todos os presentes também e agradecer o convite que me foi feito pela poetisa Carla Costeira, que me honra e deixa sensibilizado. Espero poder estar a altura de tamanha responsabilidade.

Comecemos então pelo título. Dividindo-o. Mergulho – Acto de mergulhar ou verbo Mergulhar – sabendo que ambos aqui se podem aplicar. Poderia dizer-vos que é uma afirmação da Poetisa que se envolve de corpo e alma na construção deste livro.

no Mar – este mar não é só um oceano é também um mundo abstracto da autora onde se expõe e partilha, o que é, no que faz, aqui usando a escrita.

da Poesia - elo de ligação entre todos, que aqui nos traz e que todos gostamos de ler e outros, como a Carla, também de a escrever.

E, duma forma breve, fica, assim, analisado o título deste livro.

Entremos agora no próprio conteúdo do livro para bebermos as intenções e saborearmos cada emoção exposta.

Não sendo necessário aprofundar cada poema, ao lermos este conjunto de poesia, podemos perceber, de imediato, que este livro é muito pessoal, transmite-nos, na íntegra um lote de qualidades da poetisa, pela forma como a mesma se entrega ao que escreve.
Este corpo de poesia, puro, demonstra, por outras palavras, que existe em cada poema uma mulher sensível.

“…escrevo no livro aberto do meu peito” – escreve a autora no poema Ave Costeira

Consegue assim entrar no mundo introspectivo e dele sair para abranger outros estados, para agarrar outras realidades.
Viaja pela natureza, vai à reflexão, vive na tristeza da dor e dela parte para o mundo social que nos rodeia, quando aborda os flagelos da sociedade, porque os poetas estão atentos ás realidades que os rodeiam, não escrevem só sobre os amores e desamores das suas vidas.

Há fases de uma tristeza profunda, mas há, em todos casos, uma certeza – este livro é de emoções e é feito com o coração.

Sobre o livro oferece-me dizer-vos isto, sem querer aprofundar muito para não vos retirar o prazer de o querer ler. Faço assim da minha apresentação algo mais de alerta, no sentido de que devem ler para terem a vossa própria opinião também.
Queria, a propósito, falar-vos das apresentações que tenho acompanhado, em que é comum falar-se de várias coisas, grosso modo, da sociedade onde estamos inseridos, da conjectura política, e há até, por exemplo, casos que se fala da política externa e até da política mundial.
Não é que não estivesse preparado para o fazer, estaria certamente, no entanto, não esse caminho que escolho porque não quero ir por aí. Não entendam esta abordagem como uma crítica, mas antes uma leve introdução explicativa para a minha opção em apresentar esta obra.
Prefiro falar-vos de Poesia e do que a mesma envolve.
Prefiro falar dos sonhos que se realizam e das emoções que os acontecimentos geram. Prefiro falar de boas leituras e de livros que foram feitos com muito amor, muito carinho e uma entrega absoluta. Afinal foi por esse motivo que fui convidado.


Ainda dentro dos parâmetros das apresentações que tenho acompanhado, e sempre que perto do fim há uma pequena conversa, numa cruzada de perguntas e respostas normal, entre as pessoas da plateia e os autores, há sempre uma pergunta que é feita e que nunca consegui entender a sua verdadeira dimensão ou a sua intenção. Como é que se pode perguntar ao autor/a – Para quando o próximo livro? Se, muitas vezes, ainda não lemos o que acaba de nascer. Se ainda nem percebemos bem o verdadeiro encanto desse mesmo objecto, se ainda não captamos a mensagem que ele tem para nos oferecer. Creio que será um sintoma dos tempos actuais, ditos modernos, em que fazemos tudo a correr e não temos tempo para saborear nada. O que, de facto, não se pode aplicar aos livros, porque estes, depois de feitos devem ser saboreados, devem tem o seu tempo de maturação nas mãos do leitor e devem ser apreciados de amplas formas e em circunstâncias diferentes. Defendo que um bom livro pode, e deve, ser lido duas vezes. A primeira para matar a ansiedade de descobrirmos o que o mesmo contém e o seu desfecho e a segunda para podermos usufruir dos pormenores que deixamos passar nessa primeira leitura. Provavelmente não serei o único nesta sala a defender esta condição.

Importa hoje realçar o momento, a honra em participar nele e assumirmos que o primeiro passo da nossa poetisa Carla Costeira foi dado com sucesso. Esta jovem mulher, generosa e sensível, merece que este momento seja de grande empenho e uma grande recordação. Que seja o primeiro passo de muitos outros, bem sustentados e de grande relevo. Como a minha intervenção foi diferenciada, termino talvez da forma como a devia ter começado, dando os parabéns aos presentes que, numa sexta-feira de frio, saíram das suas casas e dos seus empregos para estarem aqui connosco, aos que ajudaram a promover este evento, aos que participaram nele, e aqui permitam-me que faça uma referência especial à nossa voz de ouro cujo nome é Sandra Rodrigues que, no exacto momento que foi convidada, se disponibilizou numa demonstração de grande amizade, e à Editora – Edium Editores – pela coragem de continuar a apostar nos novos valores da nossa terra. Parabéns a Poetisa Carla Costeira por ter tido a coragem de chegar até aqui, dando os passos necessários para que este dia acontecesse e muito bem.
O meu agradecimento pelo convite em poder estar ao seu lado neste momento tão especial.
Termino com o desejo de um bom natal para todos.
Obrigado a todos por existirem.

Lisboa, 12 de Dezembro de 2008

sábado, dezembro 13, 2008

Pontos de venda da Edium Editores

Pontos de venda da Edium Editores

* Aveiro - Livraria ABC - Rua José Estevão, 56
* Aveiro - Livraria dos Arcos - Rua dos Mercadores, 12

* Braga - - Centésima Página (Av. Central 118-120) www.centesima.com

* Bragança - Livraria Rosa D'Ouro - Praça da Sé, 23

* Caldas da Rainha - - Livraria Loja 107 (Rua Heróis da Grande Guerra, 107/109) - www.cavacasdascaldas.blogspot.com

* Coimbra - - Casa do Castelo (Rua de Sofia, 47/49)
* Coimbra - - Livraria 115 (Praça 8 de Maio, 109) - www.livraria-115.com

* Guimarães - -Centésima Página, São Mamede – CAE – R. Dr. José Sampaio, 17-25

* Lisboa - - Livraria Barata, Avenida de Roma, 11A - www.livrariabarata.pt
* Lisboa - - Livraria Portugal, Rua do Carmo, 70 (Chiado) - www.livrariaportugal.pt
* Lisboa - - Livraria Trama, Rua S. Filipe Nery, 25-B (ao Rato)

* Matosinhos - - Livraria Espacial (Av. da República, 1088)
* Matosinhos - - Livraria Marques Ribeiro (Rua Brito Capelo, 193)

* Mem Martins (Grande Lisboa) - Papelaria Pinguim (Estrada de Algueirão)

* Porto - - Poetria - Livraria Temática de Poesia e Teatro (Rua das Oliveiras, 70)
* Porto - - Unicepe - Coop. Estudantes Livreiros - Praça Carlos Alberto, 128 A (aos Leões em frente à reitoria da UP) - www.unicepe.com

* Évora - - Livraria Nazareth & Filhos (Praça do Giraldo, 46)

terça-feira, dezembro 09, 2008

“Meu Coração Está Como O Céu”

Tenho o olhar preso ao céu. Envolvido no azul-escuro a tentar perceber cada mensagem desenhada pelas nuvens, que soltam lágrimas de um choro universal e em que o meu rosto se envolve na partilha dessa mesma dor…
É essa cor triste e pesada que arremessa as lacunas do meu sentimento ferido. Sofro de insanas tempestades dentro de mim. Sofro de angústias nocturnas que guardo num cantinho só meu, só para mim, como um tesouro, que defendo dos piratas das Caraíbas.
O meu Universo é o céu, é o meu coração aberto que ama cada segundo do mundo, mesmo que se sinta tão só. O meu coração está como o céu, triste, silencioso, confrangido mas que, ainda assim, sorri timidamente para os que o amam. São tão poucos. E é o mesmo céu que abrange toda gente, que cobre os rostos do mundo e que dá alento aos solitários quando convida o sol a sorrir…
Um sorriso faz uma onda de calor e traz as cores do arco-íris, que livremente, passeiam pelo mesmo céu que outrora chorava. É de momentos que vivemos, dos que guardamos para sempre no baú da nossa memória. São tantos e diversificados que uns sobressaem dos outros.
O céu mudará as vezes que quiser, mas o meu coração ainda será como o sol, que brilha no céu e muda cada olhar…

domingo, dezembro 07, 2008

Mergulho no Mar da Poesia





A 12 de Dezembro pelas 21.30 horas, no auditório sito ao Campo Grande 56, na cidade de Lisboa, será apresentado o livro ”Mergulho no mar da poesia” da neófita poetisa Carla Costeira; obra e autora serão apresentadas pelo escritor Paulo Afonso Ramos. A autora de 36 anos nasceu em Lisboa e reside em Mem Martins, Sintra. O poemário vem prefaciado por João Filipe Ferreira.

sexta-feira, dezembro 05, 2008

Morreu o poema

Fiz um poema
das palavras que escolhi
encenei-lhe a cena
para que o lessem assim,
ao jeito, como se fosse para mim
pensei na paixão
pensei no que sou
e desse poema
outrora meu
perdeu-se o fim
o encanto também
e mais além
encontrei frases soltas
ficou apenas as palavras
que não quis para mim.
Afinal,
não fiz um poema
empilhei as palavras
na ânsia de as mostrar
sem que desse tempo
ao tempo que preciso
para que nascesse de mim
o poema que nunca tive…
não nasceu nada
nada aconteceu
e dentro de mim
cresceu a angústia
o gesto senil
a mágoa
e o desespero,
quis de mim
um poema
mas não é assim
para escreve-lo
é preciso senti-lo
e eu apenas quis fazer o poema
que órfão
passeava na minha mente
perdido
esquecido
e eu apenas o aprisionei
torturei-o
e no fim
matei-o…
Fiz um poema
para o poder sepultar…

quinta-feira, dezembro 04, 2008

A Dois


(Foto de: Tom Menegatos)

A dois,
iludimos as vontades alheias
e fazemos o nosso desejo acontecer…
Os gemidos,
soltos, das nossas bocas
os teus seios que anseiam
pelas minhas mãos
num toque quase suave…
onde te brindo com um beijo.
A dois,
esquecemos o mundo
entre carícias sedutoras
embelezamos o desejo
com os gestos ofegantes
das loucuras dos nossos corpos.
A dois,
Embriagamos o tempo
com o sémen
do nosso prazer.

O teu olhar pede paz…
e permite que o mundo acabe já!

quarta-feira, dezembro 03, 2008

Querida! Mudei de casa…

Hoje mudei de casa… No silêncio da noite numa estrada imaginária, fiz o meu caminho, para a minha nova casa pintada de verde, e bem iluminada, que é por uns tempos não será só minha. Viverei cada momento da sua construção, sentirei cada nova alteração que receba e estarei sempre por perto, neste humilde lugar que cria momentos empenhados e sorri para a esperança com a certeza de que um dia o desejo se cumprirá. Todos podemos mudar de casa, nesta época, se essa casa for como a minha, uma linda árvore de Natal.
Querida! Não te preocupes… Eu, todos anos, volto sempre!

terça-feira, dezembro 02, 2008

III Encontro do Luso-poemas / Lançamento da Antologia


Convidamos todos os luso-poetas a estarem presentes no III encontro do Luso-Poemas a realizar no próximo dia 13 de Dezembro, em Lisboa.
Pretende-se, mais uma vez, passar do virtual ao real, permitindo que as pessoas por detrás dos avatares se conheçam. Quem já participou nos encontros anteriores sabe o quão gratificante pode ser. E sabe o quanto nos divertimos.
Este encontro reveste-se duma roupagem especial. Sob a chancela da Edium Editores será lançado o livro “Antologia Luso-Poemas 2008”, uma compilação de diversos textos de vários autores que publicam no nosso site.

Lista de Poetas da Antologia da Luso-poemas 2008



Alemtagus
Betha M Costa
Carla Costeira
Carlos Carpinteiro
Carlos Said
Carolina
Cleo
Conceição B
Daniela Pereira
Expanta
Flávio Silver
Fly - Marta
freudnãomorreu
Gilberto
Godi
Goretidias
Henrique Pedro
João Filipe Ferreira
João Videira Santos
José Torres
Júlio Saraiva
Karla Bardanza
Le Tab
Ledalge
Luís Ferreira
Margarete
Maria Sousa
Mel de Carvalho
Noite
Paulo Afonso Ramos
Pedra filosofal
Rosa Maria Anselmo
Sandra Fonseca
Tália
TrabisdeMenta
Tytta
Valdevinoxis
Vera Carvalho
Vera Silva


Convidamos, por isso, todos os utilizadores e seus acompanhantes, a estarem presentes neste III encontro.
O programa promete. Tudo foi pensado e tratado atempadamente, por isso deixamos a informação que nos parece importante:

Informações adicionais
Dia
13 Dezembro 2008

Local
Campo Grande nº 56 em Lisboa

Como chegar
Autocarros – 36, 21, 45, 38
Metro/Comboio – Estação de Entrecampos

Mapa
http://codigopostal.ciberforma.pt//codigo_postal.asp?n=109684

Programa

11h30 – Recepção

12h30 – Almoço (será de € 11,50 por pessoa)

15h – Apresentação da Antologia

17h – Porto de honra

20h – Jantar (sítio a escolher em Lisboa, no próprio dia, sem compromissos)

segunda-feira, dezembro 01, 2008

http://blogasasanjo.blogspot.com/



Pois bem, recebi através do “Nas Asas de Um Ano”, da Ana Margarida, este desafio que consiste em responder a 10 perguntas com nomes de músicas de um grupo ou cantor. A brincadeira é divertida! Respondi a todas usando títulos das canções dos Xutos & Pontapés:


1- És homem ou mulher? O Homem do Leme



2- Descreve-te. Á Minha Maneira



3- O que é que as pessoas pensam de ti? Aí Se Ele Cai




4- Como descreves o teu ultimo relacionamento? Gritos Mudos



5- Descreve o estado actual da tua relação. A Minha Casinha



6- Onde querias estar agora? Circo de Feras



7- O que pensas a respeito do amor. Mundo ao Contrário



8- Como é a tua vida? Um Sinal De Ti



9- O que pedirias se pudesses ter um desejo? Dá Um Merguho


10- Escreve uma frase sábia. Chuva Dissolvente






E os blogs nomeados são...tcham tcham:



1- StoneArtPortugal – Pedra Filosofal

2- Tentativas Poemáticas – António

3- Marie – Mariene Rocha

4- Um Olhar - Fátima

5- Palavras Soltas – Vera Silva

6- Djin - Alexandra

Vá lá, respondam como post lá no vosso blog e passem a brincadeira...ah, e podiam tb aqui postar em comentário, seria simpático! lol

domingo, novembro 30, 2008

"Um momento especial"

A noite está fria. É essa a minha companhia, a escuridão da noite e o frio que a acompanha. E não estou só, porque tenho a minha alma que cuida de mim e aquece o meu sentir. Penso no caminho que tenho feito e no que tem acontecido. Das barreiras que me surpreenderam tiro as ilações que julgo correctas. Há caminhos percorridos que apareceram para reconhecer os verdadeiros amigos… Há amores escondidos á espera de serem encontrados… Há dificuldades que acontecem para nos testar ou porque precisamos de dar mais valor às nossas coisas, ou às que nos rodeiam. Não acontecem por acaso. Tudo é o que precisamos…
E a noite, que de fria tem o dote de não ser triste, é a minha amiga e conselheira. Aproxima-se do meu olhar e, baixinho, diz-me:
- Trago-te um momento especial, bem guardado, à espera que possas recebe-lo…
E eu, curioso, fico todo o tempo a pensar no que será essa surpresa. Perco-me no tempo a construir os mais diversos cenários, a desejar, e a noite foge-me do olhar mais uma vez.
São várias as noites que vejo partir assim…
Nunca me preparo para usufruir desse único momento especial e assim espanto as oportunidades que a noite tenta dar-me. Recusando-os.
Não porque não os mereça. Mas merecer não basta, é preciso abrir a porta da alma, o coração e a mente para que aconteçam.
Chego a pensar que talvez ainda não seja o tempo de os ter, e vejo assim esse mesmo tempo diluir-se na minha vida. Uma vida feita de tantos contratempos que passa por mim sem sequer perceber que, um dia, vai acabar e que, então, não haverá tempo ou oportunidades para usufruir de algo especial.
Fica-me o alerta, um momento especial, por acontecer!
Talvez na próxima noite, mesmo que fria seja, mesmo que esteja escura como a tristeza mais profunda, o meu corpo sinta o momento por acontecer e se prepare para o receber, então, só chorarei o tempo que deixei para trás sem o saber aproveitar, sem cada momento vivido, e, em especial, os que releguei como sendo sem utilidade…
E que, nessa noite, talvez a próxima, a luz da lua ilumine a minha vida e todas as noites que acontecerem, como que cada momento seja especial…
Toda a minha vida, a partir desse momento especial, terá outro sentido!

sexta-feira, novembro 28, 2008

XIII concurso de poesia da APPACDM de Setúbal


Exmos Senhores

A APPACDM de Setúbal, com o apoio da Câmara Municipal de Setúbal, promove, no próximo dia 29 de Novembro (Sábado), no Salão Nobre da Câmara Municipal de Setúbal, a entrega dos prémios da 13ª edição do concurso de Poesia, este ano subordinado ao tema "Aprender Contigo".

Esta Cerimónia integrará, para além da divulgação dos poemas premiados, uma homenagem ao poeta setubalense, José Alberto Carmo Raposo, cuja vida e obra será objecto de uma palestra proferida pela poetisa, Alexandrina Pereira, e, alguns dos seus poemas declamados pelo actor, Fernando Guerreiro.

Também o Conservatório Regional de Setúbal e o TAS - Teatro de Animação de Setúbal darão contributos importantes para a valorização desta assinalável e já consolidada iniciativa cultural.

Convidamos V.Exa a participar neste encontro, valorizando-o, igualmente, com a sua importante presença.

Com os melhores cumprimentos,

O Presidente da Direcção
Prof. José Maria da Silva Salazar

quinta-feira, novembro 27, 2008

Pedras Soltas



Será apresentado no próximo dia 29 de Novembro, pelas 18.00 horas, a obra poética de Fernando Saiote intitulada “Pedras Soltas”. O evento decorrerá no auditória da Junta de freguesia de Nossa Senhora da Vila, Montemor-o-Novo. Obra e autor serão apresentados pelos Prof. João Luís Nabo e Prof. Vítor Guita.

Se puder, não falte

quarta-feira, novembro 26, 2008

26-Novembro-2008

Hoje apetece-me brindar ao tempo. Evoco o dia para que dele retire as coisas boas que, ao longo dos tempos, aconteceram. Entre todas, e são muitas, elejo uma a que quero dar um destaque merecido. Recuo ao século XX e nele escolho o ano de 1969. Nesta data e no Barreiro nasceu uma jovem, hoje robusta e afável, com o nome de guerra (uma guerra metafórica), Pedra Filosofal, que, para os amigos, lugar onde gosto de estar, é generosamente conhecida por Magda.
É sobre ela que escrevo para que as palavras a brindem. Todas as palavras, nesta ocasião, são curtas, insuficientes e não conseguem transmitir o verdadeiro sentido que lhes quero dar. Não. Não pensem que a culpa é minha por não conseguir encontrar as palavras adequadas, se a culpa for minha (e não relego essa condição) é por o meu sentir ser tão grande por esta pessoa, tão grande no tamanho e na grandeza do Ser, que nem mesmo as palavras, as minhas ou as de ninguém, conseguem transmitir tudo o que gostaria de transmitir. Porque vos escrevo sobre um Ser especial, de uma entrega constante e de alguém a quem não se pode reconhecer inimigos. Só os mal-entendidos podem encontrar aqui alguma alternativa, que, francamente, não considero. Sobre isto, e se houver algum caso, só o tempo dirá se a razão ficará, ou não, do meu lado… Creio que não terei dúvidas!
Hoje nada mais importa a não ser brindar a pessoa. O corpo que transporta aquela alma tão presente, e que sofre pelos que sofrem e que ri com os que riem, assim, de uma maneira tão simples, que, por vezes, as pessoas não estão habituadas, estranham ou desconfiam.
Hoje é o seu dia. Dia do seu aniversário e que quero presentear com o meu mais sincero desejo de uma amizade perpétua, cheia de saúde e rodeada de todas as pessoas que ama.
Porque a vida é mesmo isto, dar e receber, estar com quem se gosta. Desejo que os dias que se seguem até ao fim da sua linha sejam preenchidos e cheios de alegrias.
Por ora, fico-me por aqui, para dizer o que uma só palavra poderia ter dito, porque o resto consigo transmitir diariamente… Assim, poderia muito bem ficado por um simples PARABÉNS!


terça-feira, novembro 25, 2008

Coração de Cristal



No próximo dia 29 de Novembro, sábado, pelas 16.00 horas, decorrerá a sessão de apresentação do livro “Coração de Cristal” da autoria de Pedro Nobre. O evento decorrerá no auditório do Diário do Sul / Rádio Telefonia do Alentejo na cidade de Évora.

Se puder, não falte.

segunda-feira, novembro 24, 2008

Folha de Papel


É em ti que me deito
e descarrego as minhas emoções
guardadas num peito
repleto de desejos, sonhos e imaginações.
Depois leio-te
e rasgo-te
com uma raiva de angústia
deitando-te fora,
a ti folha de papel
e ao que resta de mim
num acto sem verdade.
Ainda assim, mais tarde
ludibriado pelas vicissitudes da vida
volto a reconhecer o gesto
o sentimento
e o amanhecer…
A vida acontece repetidas vezes
sem que o queira
nesta ausência de brilho
que só o Sol consegue colmatar.
Um dia folha de papel
vou abrir a minha alma para ti
e desse gesto, nascerá, o meu poema
favorito. E o branco
onde as palavras serão embrulhadas
terá as cores do arco-íris
e em cada cor crescerá
um sorriso
que enfeitará os dias
uma mão
que segurará a vida
um abraço
que abraçará
o mundo…
Um dia a minha alma
será a alegria
de uma folha cheia
de palavras
lidas
relidas
pelo encantador olhar
desse teu amor
e o poema
já não será meu
já não será o favorito
porque será a nossa vida
nobre, e, verdadeiramente vivida…

domingo, novembro 23, 2008

Hospício das Palavras

Não vou escrever as palavras doces
que os teus olhos pedem
não vou… aos lugares
que os teus sentidos almejam…

Não vou resistir
aos poderes dos sorumbáticos
que anseiam desgraças para que possam crescer…

Respondo-te asa branca
deste meu destino oscilante
- vou entregar-me desfalecido
de tanto lutar tão esquecido…

Rege-me um dilúvio
de nadas dispersos
e eu, triste, coberto de choros
encolho o meu corpo
e aceito o momento fingido…

Não! Não vou escrever as palavras
que norteiam a tua ausência
onde prolifera uma demência inóspita…

Não! Não vou resistir
ao nosso destino final…

Perdoa-me porque parti
perdoa-me porque fugi
não encontrei as palavras
antigamente doces
que os teus lábios cobriam
transbordando emoções
quando ao piano tocava para ti
a música do principesco bailado
e na tua silhueta
voava aos píncaros
dos magistrais encantos
puxando-te para um sonho
que ambos inventávamos…

Perdoa-me se te menti
se escondi a minha morte
se no acaso sorri…
quando sofrias.

Já nada me faz sentido
neste meu rosto ferido
enfeitado de sangue transbordado
diluído nas lágrimas
que acariciam este olhar… perdido.

Desfaço-me dos dias enganosos
das noites frias
e das clemências impostas
desfaço-me… tão-só
na brandura da minha dor.

Perdoa-me!
Perdoem-me…

Não resisti,
e alucinei-me com as palavras
nesta loucura das tentativas defraudadas
não resisti,
e degolei o poema
num gesto destemido
insano e sórdido
no silêncio da fraqueza
e na sombra da vergonha…

Escondi-me entre as letras
num refúgio desprendido
para assim poder ser
tão louco como as palavras…

Agora ninguém me vê
ninguém me sente
mas eu ando por aí…

(guardado em segredo…)

sábado, novembro 22, 2008

Brisas do Mar



Quadro a óleo pintado por Helena Paz


Com a chancela da Edium Editores, no próximo dia 23 de Novembro, pelas 15.00 horas, no Museu do Vinho da Bairrada em Anadia, será apresentada a obra “Brisas do Mar” da poetisa Vanda Paz. A autora, enóloga de profissão, nasceu em Lisboa em 1970 e reside na Anadia. A apresentação estará a cargo de António Paiva.

sexta-feira, novembro 21, 2008

Delírio

Trago no rosto
os desejos mais incontidos
os mais inalcançáveis
onde só os meus olhos chegam…

Trago nos braços
o amparo de meu querer
mesmo sem poder…
trago-o bem guardado.

Trago nas pernas
o caminho das vontades
ilimitadas…
que construo com as minhas realidades

Sobra-me o coração que não trago
outrora abandonado…
cheio de luz e amor
num lugar ainda não encontrado.

Trago esse olhar
que renasce no rosto pungente
entre braços e pernas cadentes
trago um coração que chora
grita
em forma de gente…

Sou a cabeça perdida
cambaleante mas erguida
um resto de corpo
que desaparece no meu próprio sopro

Já fui noite
luar
já dia me fiz
e num vagabundo açoite
também morri…

quinta-feira, novembro 20, 2008

Mato-te prosa…

Escrevo com um rancor ácido para que me odeies. Busco cada palavra mais pesada e dura para que assim possa ser-te um fardo.
Sentes cada frase como uma tortura, maliciosa, como todas as que já te fiz. Sofres, em silêncio, para que não denuncies estes maus-tratos que te ofereço com um troféu de caça e pensas que é por amor que o fazes. Não! Não é por amor, é por medo, um medo constante que está dentro de ti. Medo do meu olhar profano ou do meu sorriso vampírico, medo de cada gesto que reprova cada pensamento teu. Medo de ti, que não existes, neste mundo de sortilégio onde sobrevives…
Tantas palavras caiem e outras que fogem de nós, sem que alguma te ajude a superar esse mau momento que, impavidamente, deixo ao teu colo. És a mãe dos meus tormentos!
Prosa. Não! Não insistas comigo, nem tentes ousar desafiar-me, mato-te prosa… com o meu respirar e com esta mão que não quer parar!
Cada frase que escrevo é um golpe profundo no âmago da tua essência. Sem que sintas a mesma dor, sem que vejas o sangue que perdes, és um fim que acontece aos olhos de todos e eu, feliz por ver-te sofrer, delicio-me, impune, neste marasmo das letras escondidas, fugidias, que não querem encontrar-me porque sabem os que lhes espera.
É a morte! Mato-as, como mato qualquer prosa que nasça de mim…
Ninguém pede, ninguém impede e eu mato-te prosa…

quarta-feira, novembro 19, 2008

Entrar no teu mundo

Há um sorriso libidinoso
que abre essa porta
do teu mundo…
Há um gesto despercebido
que incentiva
que faz acreditar
que faz sonhar…
Há um pensamento
que ensina a andar
faz-me o caminho
o sentido
e a vontade acontecer…

Só tu não sabes,
não imaginas
mas estou a entrar no teu mundo!

terça-feira, novembro 18, 2008

Ontem

Ontem morri nos teus braços. Foi cumprido o meu último desejo. Nem pensei em ti, por ser tão egoísta, quis morrer assim.
Tínhamos gasto as últimas horas no aconchego de um lar emprestado, cheio de requintes, que nos concedeu mais entusiasmo e melhorou os nossos momentos íntimos.
Foram de intenso prazer, de uma sedução ímpar que os últimos instantes se preencheram. Só a Lua cheia foi testemunha dessa nossa noite. Só ela espreitou pela nossa janela, entreaberta, e seguiu cada passo que demos…
O silêncio da lua foi comigo e tu nunca contarás o que aconteceu. Ontem morri nos teus braços e levei comigo este sonho em que viveste. Sem que o saibas, morreste também envolta ao meu corpo. Morreu um amor que nunca existiu, nos braços de um sonho que não se tornou realidade. Só o ontem permaneceu e hoje nada mais importa.

segunda-feira, novembro 17, 2008

"Porque o coração quer ir contra a razão" – prosa

Este meu corpo trémulo quer que o teu corpo floresça debaixo do meu olhar…
São mágicos rituais que se envolvem nas mestrias dos meus desejos…
Há uma parte de mim que foge destes momentos.
Tenho um espaço próprio, dividido, em que as sensações movimentam um remoinho feito de mim… Há loucuras que residem e vagueiam nas veias, que correm como um sangue insano, agreste, e em combustão permanente. São esses, os meus dias, que me fazem sofrer numa exactidão escondida. Espantadiça.
Há uma luta, sofrida, incontida, que apaga lentamente o que resta de mim.
Oh! Que loucura tenho guardada só para mim que me afaga a intenção e acende a chama dos gestos, das palavras e das ilusões…
Tenho um coração que agarra o mundo em soberbos riachos de lágrimas despedaçadas como uma tristeza que acaba num gesto meu, agora, sem retorno… Qual noite que presenteia a acção requerida, aplaudida, pelo magno fim eminente?
Tenho também uma razão por validar que estremece o mesmo gesto e aquece a mais requintada emoção.
Sou um corpo dividido, exposto ao meu querer, que se serpenteia por entre um sim e um não. Sou uma mulher perdida ou um homem por encontrar… Serei sempre um corpo por alimentar.
Tenho uma parte acertada, assertiva, que vive em uno, seja qual corpo for, de mim, que designo como coração.
Traz-me indissolúveis momentos que guardo. Fomenta-me essa paixão que ateia a verdade dos meus olhos e assim esconde a noção, dilapidada, da história da minha condição.
Sobra-me tudo do nada que nunca existiu, falta-me tudo do pouco que morreu nos dias que passaram por mim, em qualquer conjuntura.
Há um ensejo flagelado, em que os exequíveis acontecimentos, se cruzam no meu íntimo… Tudo e tão-só, porque o coração quer ir contra a razão!

Por favor ajuda-me!
Ajuda-me já!

domingo, novembro 16, 2008

"Porque o coração quer ir contra a razão"

Tenho presa a minha vontade
nessa teia surpresa
dos dias esquecidos…
tenho um coração
dilacerado
que no cansaço das noites
adormece nas lágrimas
dos meus sentimentos perdidos…
Rasgo a emoção
que escrevo na folha da minha vida
rasgo-a… em silêncio.
(Só eu sei desse sofrimento.)

Porque o coração quer ir contra a razão
se o meu vazio
é preenchido pelas ausências
pelas tormentas
que marcam um cravado… Não!
Não vás por aí… diz-me a razão
não fiques, não peças… perdão!

Trago no peito
essa pergunta sem resposta
que mata os meus instantes
e apaga qualquer noção
dos meus sonhos…
tenho um coração
que me empurra para o devaneio
em que me sobra a razão
que entremeio me diz… Atenção!

Porque o coração quer ir contra a razão?
Porque a razão não quer estar no coração?

Um dia saberei
as respostas que procuro
sábio momento seguro
que agradecerei…

Tenho presa a minha razão
nessa teia da verdade
dos dias que chegarão
bem adentro da minha realidade…

E o coração caminhará com a razão
de mãos dadas
num mar de felicidade.

Hoje… já espero por ti!

sexta-feira, novembro 14, 2008

Esse olhar que me lê!

O teu olhar chegou. Ansiava por ele faz tanto tempo, porque em cada momento que passa e que não o sinto, para mim, é uma eternidade. Faz-me falta.
Esse olhar que vê o que tento esconder, que sabe desmanchar as linhas do meu rosto que clareiam laivos de uma alegria semelhada. E num silêncio colossal, esse olhar lê-me os gestos que se seguirão, os pensamentos e até as mais magnânimas vontades…
É nesse momento que a solidão abala sem destino. Os olhares trocados chamam as nossas vozes, que inventam as conversas mais diversas e que se acomodam aos nossos sorrisos, entre muitos risos empinados. Então já somos feitos de alegrias que nascem dos instantes que criamos…
Esse olhar só teu faz-me falta. Tu que, por vezes o escondes, que guardas para um amanhã, mesmo que não o seja para mim, também me fazes falta.
Tenho medo da solidão. Muito medo. Sendo um autêntico apreciador das alegrias que ofereces e da vida que cresce em cada sorriso deixado à sorte.
Já quase não sinto esse olhar, meio húmido meio esperançoso, que procura outro ensejo… Amanhã voltarás para me leres e isso chega-me!

quinta-feira, novembro 13, 2008

Transmutação

Tenho contos
plantados no meu roseiral
e nas quimeras da vida
desbravo as minhas ilusões.
Tenho sonhos
perdidos num umbral
dum paraíso sem igual
que se esconde
que se afasta…

Tenho um sorriso
como arma
um desejo primário
como flor
tenho um caminho preenchido.

Vivo nos contos
desse meu destino…

Um dia morrerá o personagem
para que nasça o homem!

quarta-feira, novembro 12, 2008

Carta ao Monstro

Desperto Monstro, que nas querelas dos teus pensamentos massacras as sombras com prospectos demagogos e uma fugaz insularidade.
Porque te anuncias ao vento contra os que amam a escrita e destróis os caminhos construídos pelas palavras?
Jamais serás indigente para que peças sacrifícios dos demais obreiros deste mundo que se perde a teus pés… Grotesco herdeiro do mal que abunda num terreno espalhado como um nevoeiro apocalíptico que espera pacientemente o seu tempo para desaparecer. Não!
Serás sempre a besta que se esconde nas palavras dos outros, que sorri nos lábios alheios e que morde a sombra da sua própria alma.
Não percebes que tens o tempo contado e que te foge a cada instante?
Não entendes que deixaste de existir aos olhos dos que ainda vivem?
Não tens identidade feita, nem espaço, és eremítico, porque não sabes coexistir. Renegado. Trazes em ti os sabres da morte anunciada. Escorres o sangue, o suor e as lágrimas dos que se esforçam para que o mundo consiga sobreviver.
Não!
Não entendes?
És a tua própria morte assumida, assinalada, erecta, com o condão de seres o termo imutável do desespero e do desacato.
Acorda desse feitiço feito sonho que nunca passará dum pesadelo infame e depravado.
Nasceste Monstro e assim continuarás pelas trevas dos inglórios tempos do além.
Deixa-nos. Inebriado desejo que tens que vives em função de cada passo, que respiras cada palavra com sendo tua. Não vingarás com a atrocidade que alimenta a tua serpente que julgas ser um cérebro, quiçá, só teu… Amaldiçoado seja!
Afasta-te.
Leva contigo a tua morte e convida para essa viagem os malfeitores terrestres que abundam por esta encantada caminhada. Leva-os contigo. Ressurge noutro tempo, noutro local em que os espectros sejam imperantes e existam em compleição igual a tua.
Serás então emergente e ainda assim, bem recebido por essa, que designo de gente…
Se esta carta chegar tarde, que assista ao teu funeral e que regresse com as palavras inebriadas da notícia que ansiamos receber.
Todos por aqui procuram a paz. E não te pensámos capaz.

Vai-te! Ó derradeiro híbrido...


Paraíso secundário, 31 de Janeiro de 1331

domingo, novembro 09, 2008

Apresentação de “no PRINCÍPIO era o SOL”, de: Mel de Carvalho

2008-11-08 - Salão Nobre do Paço do Sobralinho
(concelho de Vila Franca de Xira)

Apresentação de “no PRINCÍPIO era o SOL”, de:
Mel de Carvalho

(Edium Editores, 2008)


Um agradecimento a todos os presentes, que dão assim vida, dão sentido ao esforço de manter os laços culturais neste mundo tão vasto e apressado, neste dia tão especial para o movimento literário e para quem se envolve nestes projectos da escrita, e que sabe o quanto é necessário e importante, que cada um de nós possa dar o seu contributo em prol das artes.

Agradeço também à Câmara Municipal de Vila Franca de Xira e a Junta de Freguesia do Sobralinho o facto de patrocinarem esta apresentação num espaço próprio e de grande relevo.

À Edium Editores, um agradecimento permanente, pela conduta editorial, pelo esforço, pelo critério de selecção. Já é uma editora de referência que cresce obra após obra e que será, seguramente, a curto prazo, ainda mais reconhecida no panorama literário.

O meu agradecimento especial à autora, também pelo desafio do convite para apresentar esta obra, que muito me honra, por ser seu fã, assumido, desde dos primórdios que conheci a sua escrita através da Internet, e, em especial, por poder tê-la no meu núcleo de amizades e das escritas.

Com a sua presença constante nos eventos literários dos poetas da nossa praça, que lutam pelo crescimento da escrita, Mel de Carvalho é um nome largamente conhecido, ao qual associamos a palavra qualidade. É alguém que, através da sua escrita, nos oferece, garantias de boas leituras.

Pessoa dinâmica, lúcida, faz o seu percurso literário com rigor e bem sustentado em cada passo que dá ou em cada poema que emerge.

Estas são apenas algumas das razões para o meu agrado em estar aqui para apresentar este seu novo livro “no PRINCÍPIO era o SOL”.

Mel de Carvalho bem merece a nossa presença.
E que nós possamos estar sempre à sua plenitude para podermos desfrutar o quanto já nos deu e o tanto que ainda tem para nos dar.

Por ora, esta obra, que pode ser uma viagem de sonho, onde podemos entrar, ao ler, num mundo amplo, de géneros, de sentimentos, e de sentidos.

É marcada por duas linhas de força:

1 - Antítese presente entre luz e sombra, dia e noite, que preconiza uma viagem para o desvelar de afectos, talvez amor, como refere Júlio Saraiva no prefácio. Mas o certo é o desbravar por entre matizes, por um vasto espectro de sensações que as palavras revestem;

Exemplos: "No princípio era o Sol, o primado do Sol" e, dando uma carga vital às palavras: "No princípio era o Sol e as palavras, / e o sonho e a utopia."

Palavras matriz: "luz", "novo dia", "sombra", "contraluz", "noite", etc…

2 - Há em Mel de Carvalho o ensejo de aproximar a sonoridade da sua Poesia (pulsão interior, registo intimista) do primado da rua (pulsão exterior, recolha e devolução do que se apreende). Por isso recorre amiúde à apóstrofe para, de uma forma gráfica, nos dar não a sugestão, mas a concretização da oralização da escrita.

Exemplos: "onde m'oculto em alusões" ou "cavalo ausente d'arreio


“no PRINCÍPIO era o SOL” transporta-nos pelas correntes de cada verso ao transposto momento das sensações e impulsiona-nos o desejo de ler, ávidos de novos e reconhecidos prazeres. Cada leitura enche-nos a alma.

Esta obra enriquece cada momento que conferimos e dá-nos a possibilidade de “navegar” nas letras, extraindo de cada palavra o suco nutritivo, que fortalece o desígnio para o qual se fez cada poema.

Cada um de nós pode, com a leitura desta obra, iniciar a viagem, sabendo por antecipação que nela viverá intensos sabores e que tonificará, ao virar de cada página, a sua alma e o seu sonho.

Boas viagens.
Sempre com as boas leituras que este livro nos brinda.

Obrigado.


Paulo Afonso Ramos
(08/11/2008)

quarta-feira, novembro 05, 2008

CONVITE - Lançamento do livro "No princípio era o Sol" Mel de Carvalho




Será apresentada a 8 de Novembro a mais recente obra da poetisa Mel de Carvalho, “No princípio era o sol”; o evento terá lugar no Salão Nobre do Paço do Sobralinho (concelho de Vila Franca de Xira) pelas 16.00 horas. Obra e autora serão apresentadas por a Prof. Dra. Maria de Lurdes Fonseca e pelo poeta Paulo Afonso Ramos. Mel de Carvalho nasceu em Lisboa no ano de 1961; é licenciada em Sociologia do Trabalho pela Univ. Técnica de Lisboa prosseguindo em doutoramento pela Universidade Nova de Lisboa. Publicou em 2007, “Sibilam pedras na encosta”; regista também diversas participações em publicações antológicas.


Se puder, não falte.

terça-feira, novembro 04, 2008

O que eu não quero revelar

Há coisas que não quero revelar e, no entanto, escrevo-as. Como há quem leia um título destes e se apresse a ler as palavras que se seguem…

Há um mistério difundido nesta frase que aparenta muito mais do que realmente é.
Antes que mais perguntas se soltem, que fiquem cientes que, nestas palavras, não encontrarão nenhuma revelação porque eu não quero. Estamos assim todos esclarecidos.
Quem não quiser continuar a ler, aproveite agora para sair deste texto, antes só meu, e que agora também é seu… mas ninguém abandona o que é seu, mesmo que nada já lhe diga. Não! Abandona. Porque se nada lhe diz, deixou de ser seu, deixou de fazer sentido (como estas palavras demonstram… em que nada faz sentido) por isso, por favor saia deste texto já!

Muito bem. Agora que estamos sós (só tu ficaste aqui, que coragem!), mesmo que não veja o teu rosto (imagina-lo é a sedução que se apresenta de imediato) tu podes ler estas frases pouco alinhavadas mas que preenchem a tua atenção. Podes pensar que nada disto é o que esperavas e que foge ao que costumas ler. Muito bem. Assumo a minha inquietação de escrever tudo, menos o que não quero revelar. Por favor, pede ao teu pensamento para não insistir, pede-lhe porque não vou escrever o que gostavas de ler, aqui e agora. Obrigado.

Agora que o teu pensamento está alinhado e os teus olhos percorrem as letras descompassadamente, talvez seja a melhor ocasião para te dizer que gostava tanto, mas tanto, de escrever coisas lindas, decoradas com poesias e flores de vento. Gostava de pintar o quadro que fosse imortalizado, gostava de esculpir a estátua que marcasse a reviravolta deste mundo e, se tanto tão chegasse, gostava que visses a alegria de um beijo ou a emoção das palavras, das minhas palavras escondidas no que e que não quero revelar…

Agora que estamos sós, em que apenas esta leitura nos separa, talvez fosse o momento oportuno para divulgar-te um segredo que nunca quis revelar, que não quero revelar mesmo que saibas as formas do seu corpo ou as tonalidades do seu olhar, mesmo que sintas o som do seu sorriso, eu fico, aqui perdido entre um lugar esquecido e outro já preenchido e nada digo… Penso e mando dizer ao meu pensamento que não me obrigue a pensar no que quer. Agora que termino este texto, sempre nos limites do não, peço que as palavras fujam da minha mão e que se concentrem num lugar qualquer mas perto é que não!

Já débil de tanto esforço, de tanto proteger a mensagem que não quero que leias, vou, passo após passo, afastando-me deste texto. Já não meu, talvez nunca tenha sido, e também já não seja teu, (será que alguma vez foi?) porque afinal o que não quero revelar é tão-somente algo que eu não podia revelar pela simples condição factual de não estarmos sós, deste texto não ser só nosso, e de poder ter o prazer de conseguir escrever sem ter dito tudo… o que não quero revelar!

Ficou-nos o prazer de imaginar os outros rostos que respiravam sobre os nossos, devolutos, fogem agora insaciáveis na procura de outros textos e de outros segredos por revelar… O que eu não quero revelar, não revelo, nem é preciso, porque tu entendes…

Os outros. Perdoem-me… só porque escrevi…

domingo, novembro 02, 2008

Perfeito

Nasce mais um dia de sol. Os sorrisos são luzes da ribalta que, num marasmo de gente, rolam pelas ruas do olhar. Uma voz grita pelo teu nome… estremece um coração que se perde no meio da multidão.
O teu corpo é acariciado pelos olhares que passam e o meu rosto veste o vermelho dos encantos e tenta passar despercebido. Os teus olhos cruzam-se com os meus, e num silêncio cúmplice conversam entre si, substituindo as palavras que não conseguimos dizer… olhos nos olhos ignoramos o que se passa em redor e transmitimos a dor que temos por vermos este mundo que lentamente perdemos, por sentirmos que cada dia que passa aumenta o desperdício de tempo que também nós esbanjamos…
Olhos tristeza, olhos esperança, umas vezes são os meus e noutras os teus…
Cruzados num espanto que o destino quis e nunca o aceitamos entre os dias que afastamos do nosso saber.
Perfeito é o que sentimos. Perfeito é um sopro do peito um dia voará neste céu azul que no calor do sol desperta e anseia a liberdade.
Um dia tudo acontecerá… seja o que for será!
Perfeito…

quinta-feira, outubro 30, 2008

Chuva das Palavras…

Trago nos olhos as chuvas deste dia. Hoje que chovem lamentações de ninguém, serei eu o guardião dessas preciosidades densas…
Trago nos olhos o reflexo da alma. Uma alma pantanosa de tantos rostos e de tantas emoções que invadem o mesmo corpo que a abriga.
Sou um todo. Um todo feito dos nadas que sobram das intempéries das forças vagabundas que proliferam por caminhos cruzados do meu ego.
É este o meu mundo. O mesmo mundo que é nosso, de todos e de ninguém…
Trago densidades minhas misturadas que me confundem e inebriam o olhar.
Hoje chove e molham as palavras que solto. As próprias palavras ganham vida e formam-se em chuva. Há um mistério que nos faz pensar. Que nos empurra cada dia.
Resta-me um silêncio aprisionado dentro de mim, na espera dos dias por acontecer. É hoje que a chuva lava o meu rosto. Rosto feito das palavras, da chuva que cai…
Amanhã outro olhar, outro rosto e outra alma sentirá o mesmo, tudo o que senti depois de alguém já o ter sentido também. Acontece. Como a chuva que se repete…

terça-feira, outubro 28, 2008

Escolhe o teu destino

Dá força ao teu pensamento e viaja nele até confins da tua imaginação. Deixa o teu corpo sentir o teu desejo. Deixa que o peça. Que queira, que acredite!
(És a pessoa mais importante para ti, só depois os outros se seguirão.)
Acredita na sede da tua boca e sacia-a. Mostra aos teus olhos a luz da ribalta dos sonhos. Vive em cada passo que dás, e constrói nele o teu presente assegurando-te que o caminho do futuro é o teu destino prometido. Escolhe o teu destino.
E as mágoas desaguarão nas águas que correm debaixo das pontes para um lugar distante. Entre pedaços de serenidade misturados com a ambição da felicidade estará um sorriso que se fixa em ti, um olhar, sereno, que chama por ti.
Saberás então que nada acontece por acaso e que antes foste tu quem decidiu o que querias que acontecesse.
A escolha é tua, como a vida o é, e na consciência desse facto reside a diferença de poder ou querer ser…
Poderás ir pelo caminho mais fácil, desistir, ou esperar que alguém faça a tua parte mas não esperes que o futuro sorria ou que a razão se deite ao teu lado, nem iludas a ambição na esperança que aconteçam momentos de felicidade, pois serão sempre laivos de uma casualidade paralela.
A escolha é tua. O destino é teu.
Se olhares para trás verás que o presente é a sequência dos passos que deste, verás que é o resultado das escolhas que fizeste, e mesmo que o resultado não seja o desejado ou não seja o que pretendes, saberás que a consciência cresceu e que o caminho para os teus objectivos tem um novo rosto, uma nova forma e assim poderás traçar novos horizontes.
Não desistas! Nada se perdeu. Hoje sobra-te a experiência que ontem não tinhas, sobressai a força que ontem não precisavas…
Hoje és um corpo dorido, mas fortalecido pelas vicissitudes da vida. Acredita e vive que a escolha é tua e o destino será o que hoje decidires. Acredita em ti!

segunda-feira, outubro 27, 2008

O Último Sonho

São lágrimas que escondo.
Escondendo assim o meu sentir.
Se o sol pudesse secar o meu rosto
se um outro sorriso pudesse soltar o meu…
Não esconderia o sentimento desse contentamento. Arado.
E na palavra estendida ao vento lançava o tormento.
Deixando-o fugir de mim…
Não. Nunca seria mais um abandonado
antes um louco, um decrépito, ou outro apaixonado
e no tropel
escreveria as confissões
de lustro, num mágico papel
escreveria as ambições, perdidas, no teu olhar
faria dessas folhas, as vontades, das alucinações
num quase tempo de amar
desse terno cinzel
com o qual esculpi
o meu desejo desenhado em ti…

Faria de ti
o meu último sonho…

domingo, outubro 26, 2008

Relato do Silêncio

Oiço os passos do tempo que caminham no sossego das ausências. Vejo-te como uma imagem que percorre a minha mente até que pára. Que se fixa e que assim perdura.
Sinto a nudez da distância que nos separa. E nos teus olhos, expressivos, leio-te os pensamentos sem que pronuncies uma única palavra.
Oh! Sábia tormenta que estrepita as linhas da imaginação num surdo estremecer.
Quanta hábil doutrina eclode em cada gesto, mesmo que enigmático, que rompe do teu corpo e se instala no meu, quanta?
Sem murmúrios. Que engendram pensamentos surrealistas e se escapam ao nosso desejo. Com murmúrios. Que afoitam a fuga e trazem-te taciturna.
Este é o meu relato da tortura dos meus dias. Dos dias do teu silêncio.
Oiço passos do tempo… que a minha imaginação construiu. E na ressalva do caminho, perco-me, na escuridão dos sonhos e ao acordar imagino-te perto, em silêncio, com esse olhar doce que me ampara e enaltece o anelo libidinoso.
E os dias são noites. As noites são dias. Nesse marasmo dos sons em que só os pensamentos vagueiam…
Faço-te um sinal, uma epopeia de desespero, sem que queiras saber…
Silencio a minha voz ausente e guardo-a no peito.
Todo o tempo em silêncio, não fugiu, perdi-o nas palavras que guardei na timidez. A mesma timidez que feriu o amor dos tempos….
Agora só mesmo o tempo ditará o que será do amor, morte ou vida!
Eclipso o meu desejo sobreposto pelo mesmo silêncio…

sábado, outubro 25, 2008

Um poema diluído

Tenho os sons de uma boa música. Tenho o ardor de a sentir como minha mesmo sabendo que não é… Envolvo-me nessa onda de frescura e aprecio a sua loucura que me encanta e me eleva aos píncaros dos desejos.
Tenho um poema que dança no meu coração. Sinto-o e sei que não é só meu.
Tenho as palavras que percorrem o meu corpo e se alongam no imaginário do meu mundo por acontecer.
Eis o meu poema diluído!
Poema que amo em segredo e onde me perco nas profundezas do anseio dos sentidos. Destemidos. Ébrios pela fragrância de um amor quase prometido.
Poema grito de liberdade ou voz húmida de lágrimas roucas, quase surdas que o silêncio prende em rituais escondidos.
Tenho as amarras dentro de mim, assim bem juntas aos versos, que flutuam neste poema de corpo e alma do que me resta…
Poema tatuado. Germinado. Jamais apagado.
Tenho os sons do grito dado no calor da emoção da loucura de estar num corpo diluído!
Tenho um texto perdido, na prosa que era para ser um poema, guardado, escondido, neste gesto assumido.
Resta-me pouco…
Resta-me este meu poema diluído. Decrépito. Culpado.
Eis o meu poema diluído!

sexta-feira, outubro 24, 2008

Leiria, Orfeão Velho, Recreio dos Artistas, sábado, 25 Outubro, 15.30 horas



Sábado, 25 de Outubro de 2008

15.30 horas

Espaço Recreio dos Artistas

Rua Latino Coelho, 12 (Orfeão Velho)

Leiria

quinta-feira, outubro 23, 2008

Será sempre uma vitória (Prosa)

Hoje cubro-me de verde esperança. Tacitamente, acredito em mim e construo os meus próprios sonhos, os meus lampejos ou as minhas ansiedades. Hoje sou feito do amanhã desejado. Abrigo-me das intempéries e afasto os temporais de uma vida anunciada. Da vida que querem que eu tenha. Eu não! Não aceito os desperdícios dos que se afastam. Não aceito nada! Hoje sou eu que mando. Em mim e no meu destino.
Busco no espaço que me rodeia a mesma sensação que me norteia, retoco assim o meu trilho e faço o meu destino.
Aconteça o que acontecer, será sempre uma vitória, porque cada acontecimento é a luz do meu amor que acontece, é a sequência de cada passo dado e o rosto do que almejo.
Nasce em mim essa consciência, esse poder, de querer ser um sol abrasador dos dias por viver e nas noites que se seguem, de conseguir ter a capacidade de ser Lua cheia para iluminar as faluas do amor que neste nosso rio Tejo brindam o nosso olhar (o meu e o teu por acontecer…) entre muitas noites serenas, que o sono não nos faz companhia e nos fazem desejar, adornar, os épicos momentos de sensuais gestos que, em conjunto, trocaremos no céu dos intentos. Sóbrios fulgores de genialidade.
Hoje sou assim, e espero receber-te, sorte dos meus avatares que, na lucidez do meu tom, procuras o meu corpo. Hoje estou aqui! Aqui onde sabes que poderás encontrar-me. Aqui onde sempre me procuras, mesmo que não queiras saber de mim…
Aconteça o que tiver que acontecer, hoje amanhã e sempre, para mim, será sempre uma vitória porque me libertei do que restava de mim e renovei-me para receber a felicidade.
Hoje espero-te. Veste o traje de gala e aceita a dança deste dia que desagua no nosso lindo rio. Aceita. Lembra-te que hoje sou eu que mando e, aconteça o que acontecer, será sempre uma vitória…

(Brinda-me… E depois guarda-me para memória futura…)

quarta-feira, outubro 22, 2008

"Será sempre uma vitória"

Um olhar teu
aconchegado no meu regaço
será sempre um pedaço
tão belo e só meu…
Um sorriso oferecido
desse rosto eloquente
no meu olhar ferido
fomenta a minha loucura ardente
do teu perfume…
da tua vontade…
de cada passo…
será sempre
um gesto cadente
que afaga a minha alma
num corpo que se acalma.
Um abraço por acontecer
guardado em memória
faz nascer
uma admirável história
em que nada mais importa
em que nos basta
um cúmplice desejo
eleito...
Esta vida,
será sempre uma vitória.

(A nossa vitória!)

segunda-feira, outubro 20, 2008

Uma Luz ao Fundo do Túnel


Voava. Era assim que sentia a minha solidão num voo de uma gaivota. Voava dias sem parar, momentos que a eternidade não há-de apagar… e que no meu silêncio, cúmplice, bem guardados, irão continuar. Diziam que estava triste mas a solidão também sorri e eu não sabia. Diziam que uma gaivota é solidão, e eu aceitava, mas afinal, descobri que também pode sorrir e ser feliz.
E de ave, vesti a pele de felino, e disfarcei-me de tigre siberiano, acutilante e dominador para passear pela selva de betão armado e por outras naturezas…
O meu novo tamanho, respeitável, induziu os audazes a sentirem a minha presença. Sentia-me um animal lindo, muito lindo, e, sem que fizesse mal, tinha que sobreviver, caçava, por isso, para comer e, se não fosse ameaçado, não atacava ninguém, mas também não era atacado. Senti-me mais respeitado. E na mesma solidão, urdia outros momentos de tristeza e de silêncio cúmplice…
Cresci. Em pouco tempo, ou em tempo nenhum, cresci. Percorri os caminhos das sensações e apaguei as mais belas ilusões. E na pele de guerreiro matei o meu querer. Esvaziei os sentidos do que nada me fazia sentido e comecei a nova mutação num novo corpo, agora de mulher. Quis sentir os prazeres de poder ser alguém. Nasci ou renasci num campo de rosas vermelhas, champanhe e outras cores alegres. Vi-me num sorriso aberto, sincero e promissor.
Corri e saltei, em pinchos de alegria, só porque imaginei uma luz ao fundo do túnel…
E, no meu mais recente corpo, acreditei que caçaria a liberdade em busca da minha felicidade. Confiei nas minhas capacidades de caçadora dos ápices anseios. Lutei!
E o tempo passou sem que sentisse necessidades de novas mutações, sem que quisesse voar novamente num céu azul imaginado ou sem que quisesse correr para mais um ataque veloz para devorar a minha mais recente presa. Deixei de sobreviver para começar a viver graças aquela luz, inusitada, ao fundo do túnel…
Agora aguardo serenamente para descodificar essa mesma luz, embala-la no meu colo e, num carinho saudoso, dizer-lhe bem baixinho… Obrigada…

Nem as lágrimas, de emoção, volátil, me farão mudar… Agora já não há nada para mudar e fico-me por aqui encostada na felicidade…

Percorri alguns caminhos, outros ficaram nesses mesmos caminhos, e na escolha do meu sentimento, na escolha do meu desejo, encontrei o meu presente. Guardo o meu passado, ciente, crente, que tinha que fazê-lo, passa-lo. Vivo este dia, cada dia, com uma intensidade insaciável em que me sobra o desejo de mais um dia, um dia de cada vez. Amanhã só quero acordar e sorrir. Que o amanhã seja o prolongamento do dia que hoje findou e que o meu rosto seja lucidez num corpo de flor, de mulher, que sempre sonhou até ao dia que a luz ao fundo do túnel lhe trouxe a realidade mais desejada.
Esse dia, afinal, aconteceu…

Deitei-me na felicidade e adormeci. A minha alma recolheu-se com a noção da missão cumprida e partiu sorridente…
Até sempre!

domingo, outubro 19, 2008

Carta de Um Personagem

Escrevo para ti, Paulo!
Porque hoje é domingo, o dia do teu descanso e não escreves, Eu, personagem do teu espírito, venho a terreiro gritar o meu desalento. Sem que tu saibas, ou mesmo que te importes, escrevo para descrever a minha revolta e expô-la ao mundo.
Reclamo. Não entendo porque não me dás vida! Não aceito que me ignores e que, assim, não canalizes para a tua mão os ecos do meu desejo. Dá-me vida!
Dá-me vida de igual forma a que dás às outras personagens que coabitam comigo, bem dentro de ti. Só porque sou rebelde, prestidigitador, por vezes um concreto indefinido, tu não me ligas? Hoje não me calo. Não me controlas. Grito a minha revolta! Quero existir…
Caro Paulo, meu autor e meu amo, perdoa-me esta denúncia, desta personagem esquecida, aos teus nobres leitores, mas não consigo sobreviver no teu corpo sem a voz, que fluí da minha alma e deveria deslizar para a tua escrita. Essa mesma voz que é a minha condição de vida, mesmo que seja um personagem louco ou transmita palavras agrestes e fecundadas nas malícias guerreiras, mesmo que sejam oriundas de um ego tácito, que necessita de rir ou chorar, em movimentos nocturnos, despojado, de vida própria. Tenho ainda assim, apetites sequenciados, que quero sentir. Eu existo! Eu grito! Eu te denuncio!
Vivo enclausurado neste teu corpo e partilho-o com tantos outros personagens que sobressaem, que vagueiam livremente na tua mente. Fogem para a tua mão para poderem ter vida exterior e todos eles me ignoram. Merda! Eu estou aqui no mesmo sítio de onde nunca saí… Merda vezes sem conta!
Hoje é domingo. Agora penitencio-me, regresso ao meu claustro, por outros tantos anos como os que aqui vivi até hoje. Serei castigado pelo meu acto desesperado mas que me importa se esse castigo era o meu dia-a-dia? Serei ignorado! Morto! Porque ignorares-me é morrer lentamente…
Mas consola-me um dia, este dia, este domingo, que fugi de ti e me mostrei ao mundo.
Hoje existi fora de ti!
Se depois perguntarem por mim, mesmo que ninguém responda, saibam que estou aqui em sofrimento, na calada de noite. Estou aqui…
Peço clemência. Pelo domingo, dia do teu descanso, mas como hoje que tu não escreves, escrevi eu! Escrevi e morri!
Paulo, hoje é domingo e amanhã tudo será normal e ninguém se lembrará deste domingo que existi… Perdoa-me, Paulo!

Cérebro, 19 de Outubro de 2008

sexta-feira, outubro 17, 2008

Onde anda a felicidade?

Conto os passos que dou. Não paro. Tenho na ausência a necessidade de te saber e, na procura da resposta, perco-me por aí… Oiço vozes dentro de mim, oiço gemidos de lamentação e gritos de raiva. Oiço-me nos que se cruzam comigo mas não paro. E dos passos que já dei onde me entreguei de corpo e alma sobra-me um tempo perdido e umas solas gastas. Deixaste-me! Deixei-me nos passos que dei e distante dos passos que queria dar quando me entreguei à causa que abracei. Felicidade. E desse abraço guardo a lembrança da ternura com que me abracei e ainda sinto a vontade, a esperança e a crença que tinha quando julgava estar tão perto do meu querer…
Hoje sei que me iludi. Sei que o caminho que tracei não me levava a ti. E por mais duro que possa saber, sinto que não sei se um dia conseguirei entrar no espaço certo para que possa esbanjar conscientemente os passos que outrora dei…
Quando já nada me resta, tenho a pergunta, aresta, que me persegue e assalta a mente. Tenho-a bem dentro de mim, a brincar com as vozes que me percorrem o meu espírito entre gritos de desespero, de raiva na encruzilhada do ser e que se agitam com os gemidos, perdidos, de mim ou de um demente que não pára, que já não conta os passos e que sobrevive na procura da resposta que se arrasta e foge como um demónio feito sombra, tão perto e tão longe, tão ausente e tão presente…
Sou o que resta de mim! Que fique bem assente, que não é este o meu fim…
Sento-me, a observar o rio, que segue o seu percurso bem tranquilo, em paz, e, quase de surpresa, bem por cima de mim, sinto a lua cheia, de sorriso escorreito e é nessa hora que tenho a certeza que não é este o meu caminho, que não é este o meu preceito. Eu me deleito. Cresço. Grito. Questiono aos ventos, onde anda a felicidade?
É nesse instante, mínimo, que outra voz assume a sua presença. Traz-me a serenidade em cada palavra e a esperança no canto com que se pronuncia. E na leveza do brilho dos meus olhos procuro o teu rosto tão premente…
Descubro-me! Percebo que a felicidade anda dentro de mim, tímida, escondida, carente de se libertar, necessitada de se expandir…
Encontro o caminho. Sentado. Sem dar passos, sem me perder. Sempre estive tão perto e dependente de mim. Levanto-me e corro de braços abertos em direcção ao profundo desejo. Abraço-te felicidade. Abro o meu peito e chamo o teu nome ao vento.


(apenas precisei de um passo para chegar à felicidade)

quinta-feira, outubro 16, 2008

"Desilusão no Amor"

Perdi-me nas ondas
de uma praia celeste
entre a areia macia
e o céu quente
perdi-me de mim
abandonei-me…
Entreguei-me ao mar
devotado
para esquecer o passado
senti-me ferida
e na cadência
da minha essência
de mulher,
voltei a sentir-me perdida!
Trago comigo
uma imensidão
(que loucura sensação)
que chamam dor
outros… desilusão
e Eu,
do nada… chamo-lhe Amor!

Mas a minha verdade
(companheira da noite)
segreda-me
“Desilusão no Amor”
insiste e persiste
penetra-me
na sua intrínseca vontade,
mesmo que a sinta
e no meu sentir
só veja a dor…
Chamam-lhe desilusão
e eu sinto-a
como amor…

quarta-feira, outubro 15, 2008

A Marcha do Amor

Subidos no pensamento
erguemos o nosso ego
e começamos a marcha
que chamamos de amor.
Uma dança principia
em gestos imaculados
dois corpos que se perdem
no tempo de um tempo
sem barreiras e sem fronteiras…
São dois corpos isolados
do mundo,
que constroem bulícios
e se movem devagar
no silêncio do próprio olhar
cúmplice…
Perde-se a roupa
peça a peça
perde-se a noção
e mesmo que o relógio
não se esqueça,
perde-se o tempo ingénuo
em beijos selados …
Oh! Pura sedução
que movimenta os fluidos
dispersos
e acorrenta-nos o corpo
ao desejo incontrolável
num caminho sem retorno…
No calor húmido
o desejo cresce em nós
e nasce a melhor massagem
que o nosso ego pede
e nada nos pára!
Um gemido solto
solta-nos o grito
e faz-nos delirar
na palavra que se veste
e sai anunciada
entre mãos que arranham,
agarram,
e prendem o amor
que agora é nosso
e se passeia na marcha
que começamos
a qual chamamos de amor…
Dois corpos extasiados
elevam o sentido
subido no pensamento
do acto consumado.
Amor,
amor escrevo-te
descrevo-te na palavra
e cansado de tanto prazer
peço-te mais,
mais amor…
Acaricio o teu rosto
no aconchego da alma
as minhas mãos, de veludo
percorrem o teu corpo, sedento
repete-se o grito mudo
repete-se cada movimento
e o calor que nos vai dentro
suspira de desejo
selado com outro beijo…
Longa vai a inércia do tempo
que se perde do mundo
longa vai a nossa marcha
feita de gemidos e suores
de prazer, onde ambos
sabemos viver…
Adormecemos devagar
na paz do momento
e briosos
calamos o tempo!

terça-feira, outubro 14, 2008

Amizade

Nem os vendavais
afrontam os canaviais
nem as pragas
derrubam as vontades
nem todas contrariedades
(deste insano mundo)
destroem o nosso caminho.

E assim juntos conseguimos
ver a alegria das luas
sentir a força do sol
como salutares inocentes…

E na simplicidade do estar
em que nada queremos pedir
basta-nos dar,
um gesto sincero
num sorriso oportuno
sem pensar
na malícia de um outro olhar…

Como crianças
desfrutámos esta harmonia
da nossa vida exposta
sem rodeios
ou artifícios…

Sabes porquê?
porque sabemos o verdadeiro sentido
extraído, da palavra, com que brincamos
porque sentimos quem somos
e sem qualquer mácula
brindamos em alegoria
ao nosso estado fortificado…
Sabes?
Afinal tudo é tão simples
basta-nos, apenas, sermos amigos…


domingo, outubro 12, 2008

Vim dizer-te Adeus!

Adeus…
Não há mais amor
nem vontades
não há mais dor
nem verdades…

O tempo mutilou-me
o desejo
na ausência do teu beijo
estropiou-me…

Vim dizer-te adeus!

Levei-te nos braços
como uma princesa doce
só minha, sempre só minha
levei-te.
Vim dizer-te adeus
só a ti
ao teu ouvido.

Sucumbi…

Mas antes,
vim dizer-te adeus!

sábado, outubro 11, 2008

TVAmadora



TVAmadora a televisão na Net

http://www.tvamadora.com/

sexta-feira, outubro 10, 2008

Até Sempre!

Houve alguém que tentou o suicídio algumas vezes e foi sempre salvo... um belo dia foi ao terraço de um prédio (arranha-céus) e mandou-se... arrependeu-se do seu acto nesse mesmo instante e em queda livre, antes de cair, percebeu a sua realidade mas, era tarde demais porque o corpo estava morto nesse instante...

Restou-lhe a consolação do cumprir do seu grande desejo… nesse dia foi notícia!

A vida continuou e alguém, mais alguém, acabou. O mundo não pára e não se move em nosso redor… Somos nós que nos movemos em seu redor até ao nosso último dia…

Paz à sua alma!

quinta-feira, outubro 09, 2008

Remorso…

Gritei
e ninguém ouviu
perdi-me em mim
no labirinto que criei…

Gritei
e assustei-me com o eco
anunciava o meu fim!

(e nunca percebi…)

quarta-feira, outubro 08, 2008

Apresentação do livro "Mínimos instantes" pelo poeta Xavier Zarco



2008-09-27 – Auditório C. M. Amadora - Apr. de “Mínimos instantes”, de Paulo Afonso Ramos (Edium Editores, 2008)


Agradeço a vossa presença, como é, aliás, obrigação de todos quantos estão ligados à Literatura. Sem leitores não há, de facto, livros, mas objectos criados com intuito decorativo.

Um livro, quando nasce, é para ser lido. É um acto de partilha de sensações e ideias, de uma forma específica de olhar e interpretar o mundo. Daí, o meu sincero obrigado.

Agradeço também à Câmara Municipal da Amadora o facto de permitir esta apresentação neste seu espaço.

Naturalmente que também agradeço à Edium Editores por mais esta sua aposta, mas, sobretudo, por existir. Sei que não quer ser grande, mas, pelo trabalho que tem desenvolvido, queira ou não queira, já o é.

Bom, mas é ao Paulo Afonso Ramos que devo um agradecimento especial. Não por me ter convidado para escrever o prefácio deste seu livro ou pelo desafio de o apresentar, mas pelo favor que me faz em ser, de facto, um camarada.

Conheci-o no Alvito, uma das mais belas vilas deste nosso país, aquando da apresentação do meu “O livro do regresso” e do título “Da humana condição” desse grande poeta de Língua Portuguesa que é José-Augusto de Carvalho.

Não satisfeito com os ares diurnos alentejanos, acompanhou-nos pela noite dentro até outra sessão em Viana do Alentejo. Diria a má-língua que a dúvida reside em saber se era a Poesia ou a Gastronomia – melhor: o jantar e a necessária digestão de tão aprimorado repasto; o que o fizera percorrer aqueles caminhos de além-tejo.

O certo é que tem sido uma presença constante via telefone, o que me leva a supor – e que se confirma em diversas ocasiões - que partilhamos algo de importante: a militância; a vontade de fazer chegar o mais longe possível o que vamos e que os outros vão escrevendo.

Mas uma coisa é certa. Neste pormenor não há quaisquer dúvidas: só a indústria farmacêutica não o deve ter em grande conta. No fundo, desviou um mais do que potencial cliente dos célebres medicamentos para dormir. Esse mais do que certo cliente era eu. O que esperava para carregar no botão para actualizar o seu blogue. Pois bem, o Paulo Afonso Ramos, ensinou-me a programá-lo pelo que ganhei uns bons minutos extra de sono diário.

Por fim, a boa disposição e a capacidade de comunicação fazem do Paulo Afonso Ramos alguém com quem vale a pena conversar. É alguém que confere à sua escrita estas preciosas características.

Por tudo isto, e muito mais que poderia aqui dizer, é, para mim, com bastante agrado que vim apresentar este seu novo livro: “Mínimos instantes”. Até vos confesso que se outra pessoa aqui estivesse a fazê-lo sentir-me-ia com um pouco de inveja. O Paulo bem merece a nossa presença.

Ora bem, “Mínimos instantes”. Como epígrafe a esta leitura, permitam-me que utilize um dístico do poeta Albino Santos retirado do seu livro, que em breve a Edium Editores apresentará, intitulado: “Madrugada sem fronteiras”. Albino Santos escreve o seguinte:

É no sonho
que o instante se faz eterno

Pois bem, poderia acabar aqui e agora a apresentação do livro “Mínimos instantes”, de Paulo Afonso Ramos. De facto, estes versos de Albino Santos sintetizam quase na perfeição o muito que se pode descobrir ao ler este volume.

Temos a dimensão onírica, o instante e o ensejo de esse instante se prolongar no tempo.

Mas temos sobretudo aquilo que torna possível uma possível descrição do instante: a palavra. Palavra que Paulo Afonso Ramos recria constantemente porque a respeita como organismo vivo, possuidor de respiração própria, capaz de interagir com as outras palavras.

Mas essa percepção de interacção só se torna possível porque existe quem as decifre, quem as leia.

Como escreve Paulo Afonso Ramos, e passo a citar:

Deixo-me nas palavras...
Entrego-me ao sabor de quem as lê

E é curioso este excerto que vos li. Uma frase hexassilábica seguida de um decassílabo, como se nos anunciasse, tal como nas odes – as alcaicas assumem estas características dado serem compostas por hexassílabos e decassílabos; da profundidade temática.

Refiro esta circunstância dado a mesma ocorrer por diversas vezes neste volume como, por exemplo, esta outra, e passo a citar:

A noite sedutora teve-me nos seus braços de capim

Ou seja: há por parte do autor o cuidado ou a necessidade de atribuir, em determinadas circunstâncias, um certo ritmo, ritmo esse capaz de acordar uma certa ligação entre a componente emotiva e a componente racional do leitor ou, mais concretamente, do decifrador do texto.

É a palavra a assumir o papel primordial neste “Mínimos instantes”.

Como há pouco referi, um livro necessita de leitores, tal qual aquela célebre expressão popular, como pão para a boca. Entre as diversas opções de registro possível, a escolha de Paulo Afonso Ramos é, na minha óptica, esta: um remetente, um destinatário.

Ou seja, na visão do leitor, que eu sou, o autor ponderou sobre a palavra, mas por mais ardiloso que seja o seu uso, isolada esta de pouco ou nada vale. Havia que encontrar o meio, o veículo mais adequado para a reactivar, para a retirar do seu estado, digamos assim, letárgico.

Assim, Paulo Afonso Ramos opta pela tal máxima que há pouco aludi: um remetente, um destinatário; recorrendo neste seu “Mínimos instantes” a um registro que qualifico próximo do epistolográfico.

E esta é, na minha leitura, a forma mais apropriada de comunicar. Embora hoje estejamos habituados a esta coisa do e-mail, o certo é que há uma certa magia em torno de uma carta.

E esse é o prazer que o Paulo Afonso Ramos oferece ao leitor, o seu imaginário destinatário, mesmo que concreto ao autor este seja.

É nesta encruzilhada que situo este seu livro. Cada um de nós pode, portanto, optar pelo caminho que desejar porque diversas são as hipóteses que se abrem ao virar de cada página.

Obrigado.



Xavier Zarco
Amadora, 27 de Setembro de 2008