segunda-feira, novembro 24, 2008

Folha de Papel


É em ti que me deito
e descarrego as minhas emoções
guardadas num peito
repleto de desejos, sonhos e imaginações.
Depois leio-te
e rasgo-te
com uma raiva de angústia
deitando-te fora,
a ti folha de papel
e ao que resta de mim
num acto sem verdade.
Ainda assim, mais tarde
ludibriado pelas vicissitudes da vida
volto a reconhecer o gesto
o sentimento
e o amanhecer…
A vida acontece repetidas vezes
sem que o queira
nesta ausência de brilho
que só o Sol consegue colmatar.
Um dia folha de papel
vou abrir a minha alma para ti
e desse gesto, nascerá, o meu poema
favorito. E o branco
onde as palavras serão embrulhadas
terá as cores do arco-íris
e em cada cor crescerá
um sorriso
que enfeitará os dias
uma mão
que segurará a vida
um abraço
que abraçará
o mundo…
Um dia a minha alma
será a alegria
de uma folha cheia
de palavras
lidas
relidas
pelo encantador olhar
desse teu amor
e o poema
já não será meu
já não será o favorito
porque será a nossa vida
nobre, e, verdadeiramente vivida…

3 comentários:

Vera disse...

Adorei o poema, do início ao fim.
Mas o final, tem um toque mágico:

"Um dia a minha alma
será a alegria
de uma folha cheia
de palavras
lidas
relidas
pelo encantador olhar
desse teu amor
e o poema
já não será meu
já não será o favorito
porque será a nossa vida
nobre, e, verdadeiramente vivida…"

Beijo POETA

Marta Vasil disse...

Lindíssimo poema Paulo,onde sentimentos de alguma raiva e angústia se vão diluindo para dar espaço a sentimentos doces de esperança e de alegria. Adorei lê-lo.

Abraço

MV

Paula disse...

Palavras que expressam de forma excelente os sentimentos de uma alma.

Abraço e parabéns pela sua escrita!