terça-feira, julho 29, 2008

A Desconfiança no Amor


(Foto de: Mathew Cook)


O nosso fim chegou! Amamos como ninguém mergulhados nas aventuras do nosso querer, sem que sentíssemos as horas passar. Nunca nos preocupamos com ninguém, éramos apenas nós no nosso mundo construído de vontades, em que o nosso amor era o corolário de cada momento.
Em conjunto inventávamos o nosso próprio romance e nele criávamos cada capítulo com magia, interesse e surpresas que iludiam o quotidiano. Tudo era um sonho que ambos transportávamos, com arte, para a tela da vida real.
Um dia chegaste sisudo, com perguntas perturbadoras, com que inventavas uma realidade ignóbil e desnecessária. Não acreditei no que ouvia, nem dei muita importância. Nem parecias ser tu, o tal personagem principal do nosso romance.
Os dias seguintes pioraram, quando tu, afectado por esse vírus mental, criaste um mundo paralelo e nele foste vivendo.
Acabaram as aventuras em conjunto. Começaste a viver preocupado com alguém, do teu imaginário, e assim deixaste, assim, de pensar em nós. Cada capítulo do nosso romance passara a ser de suspeição, intriga e de uma monotonia voraz. Poucos dias bastaram para chegarmos a um previsível fim. O nosso fim chegou!
Sabes que nunca tive medo desse fim? Porque em mim nada tinha mudado, nada estava errado, nem sei se em ti estaria… Talvez o nosso caminho não tivesse margem de progressão.
Uma mágoa enorme instalou-se em mim, de injustiça e de incompreensão, mas decidi continuar o meu caminho, mesmo só.
O tempo, companheiro inseparável, avaliará o sucedido e, a seu belo prazer, indicará cada destino. Talvez não saibas, mas senti que fechavas uma janela do meu coração porque alguém, talvez esse de que tanto desconfiavas, alguém que eu desconhecia, estava à porta do meu caminho e precisava de entrar…
Hoje és passado, apenas uma recordação que guardo no baú dos momentos da minha vida. Se a tua desconfiança não tivesse existido no nosso amor talvez estivéssemos juntos ainda e o nosso amor não tivesse fim.
Um destes dias a porta do meu coração ficará aberta e, por ela, entrará algum ser maravilhoso e juntos construiremos rituais novos. Foi assim que quiseste, e é assim que aceitarei com naturalidade, pois só assim a vida acontece.
Aceitarei tudo, só que nunca perceberei como a desconfiança pode existir no amor, no que foi nosso ou em outro qualquer!

Riddhi – A Princesa

4 comentários:

Paula disse...

A desconfiança seja em que tipo de relação for é sempre um campo de minas pronto a estilhaçar vidas!

Portanto... nada como estar de coração aberto e enfrentar a verdade com coragem e determinação, não esquecendo o bom senso!

Pedra Filosofal disse...

muitos, ou talvez demasiados, amores morrem assim. Sem razão aparente. Apenas porque alguêm desconfiou de algo que nunca aconteceu. e quem sofre depois é que não fez nada.

Vício disse...

será que houve alguém armado em poeta que insistia em perguntar se já tinha dito que gostava muito dela?

Vera disse...

No Amor não há lugar para desconfianças... Apenas certezas, que poderão até ser cegas, mas absolutas.
Adorei o texto!

Beijo