sexta-feira, novembro 21, 2008

Delírio

Trago no rosto
os desejos mais incontidos
os mais inalcançáveis
onde só os meus olhos chegam…

Trago nos braços
o amparo de meu querer
mesmo sem poder…
trago-o bem guardado.

Trago nas pernas
o caminho das vontades
ilimitadas…
que construo com as minhas realidades

Sobra-me o coração que não trago
outrora abandonado…
cheio de luz e amor
num lugar ainda não encontrado.

Trago esse olhar
que renasce no rosto pungente
entre braços e pernas cadentes
trago um coração que chora
grita
em forma de gente…

Sou a cabeça perdida
cambaleante mas erguida
um resto de corpo
que desaparece no meu próprio sopro

Já fui noite
luar
já dia me fiz
e num vagabundo açoite
também morri…

3 comentários:

Marta Vasil disse...

Palavras em delírio neste DELÍRIO. Foi muito bom vir aqui lê-lo.


"Sou a cabeça perdida
cambaleante mas erguida" - Assim tem que ser, sempre de cabeça erguida, embora ela a isso se recuse muitas vezes.

Há muito tempo que não passa pelo meu canto.

Um abraço e um fim de semana de bons delírios.

MV

Tentativas Poemáticas disse...

Olá amigo Paulo
Quem sou eu para comentar o mestre, o POETA? Fico sempre fascinado com aquilo que escreve. Parabéns.
Verifiquei hoje que publicou na Editorial Minerva. Então temos um amigo comum: Dr.Angelo Rodrigues. Publiquei em 1997: Da Poesia-Antologia de Poesia Portuguesa Contemporânea (Volume VIII).
Bom fim-de-semana.
Um grande abraço.
António

Vanda Paz disse...

Só para te dizer que gostei deste delirio

beijo