terça-feira, março 02, 2010

Texto de Apresentação - "Entre as margens da memória" - por Mário Nóbrega



«Boa tarde, já sendo noite. Obrigado pela vossa presença.

Confesso-vos que fiquei surpreendido, mas também honrado, com este convite do Paulo para fazer a apresentação do seu livro Entre as margens da memória. E, também vos confesso, é a primeira vez que me encontro numa situação destas. E porque assim é, e porque pretendo, em autodefesa, ser breve para não ser grande a margem de erro, em vez do improviso, o escrito, ou não estivéssemos, aqui e agora, a falar de literatura. E também por estarmos a falar de literatura julgo ser importante dizer que o Paulo, que se considera um activista da Literatura, apresenta-nos já um currículo com vasta e diversificada intervenção nesta área cultural.

Mas vamos, então, ao seu quarto livro, o Entre as margens da memória, conjunto de textos que, para citar o autor, «enquanto objecto, será apenas um livro. Um livro de emoções do autor, das personagens que assumiu e, de preferência, dos que o quiserem ler». Li-o. Não temos nas mãos, quanto a mim, um livro de estrutura sintáctica fácil, e também se reveste duma elevada dose de complexidade, porque se trata, fundamentalmente, duma corajosa viagem ao eu. De alguém. De todos. É, por conseguinte, um livro de prosa poética marcadamente intimista. E, porque o é, não pode ser lido, para o sentirmos na sua plenitude, como um romance de entretenimento, no autocarro ou no comboio, numa caminhada em caminho marcado, ou no centro comercial, ou ainda de olho nele e no televisor, exige estar-se só, o que não quer dizer em estado de solidão, para que possa haver reflexão, ou seja, naqueles momentos em que, silêncio desenhado no espaço, conseguimos ouvir as nossas palavras mesmo estando a boca fechada.

Obrigado, Paulo, por esta oportunidade. A palavra, agora, é sua».

Lisboa, 20 de Fevereiro de 2010

1 comentário:

Manuela Fonseca disse...

Gostei muito da apresentação deste teu "Entre as margens da memória". E gostei, ainda mais, de o ler. Desde então, está sempre na gaveta daquele meu criado mudo, onde guardo as coisas de valor e as necessárias à memória...

Beijinhos*
Bom fim de semana***
Manuela