terça-feira, fevereiro 24, 2009

Fim

Já nada mexe
neste meu estar aqui
nada. Nem o desejo desse olhar
nem o amor desse poema
que busca o meu sentimento
escondido. Já nada mexe…
Perdi a inocência das palavras
que em segredo moldavam
o carinho do poeta, e emprestavam
delicias de emoções a quem as lia…
Já nada de nada me mexe
nada me agarra a este tempo
a este esconderijo de prosas encantadas
nem as fadas, que alegravam as noites
por dormir…nem as musas,
que coloriam as frases do meu pensamento.
Já nada mexe em mim
agora que os meus olhos
se fecharam para o teus passos
que nem lágrimas provocam,
já nada consegue iludir
a esperança que morreu nos meus braços
abandonada
apunhalada
pela penumbra da escrita volátil…
Já não moro aqui
nem em parte incerta
e com a mesma palavra com que nasci
parti,
na morte quase deserta…
Já nada mexe
nem os teus lábios
que murmuravam desejos
nem o meu anseio
que pedia os teus beijos.
Já te disse,
nada mexe aqui
porque a morte irrequieta
ficou longe
em silêncio
quieta.
E eu… já não moro aqui!

1 comentário:

Vera disse...

Um poema belíssimo e muito forte, a começar pelo título. O fim é muitas vezes também um início e não necessariamente mau ou doloroso.
Brilhante este poema!

Beijo