terça-feira, setembro 02, 2008

Capa de Mim... (Prosa)


Escrevi um poema de mim. Nele descrevi a capa onde me escondo, e que todos pensaram que seria preta, só que eu pintei-a de outras cores. Pintei-a das cores dos olhos que a observaram e desenhei um arco-íris ondulante…
Escrevi um poema do que pensava de mim, ou do que pensavam de mim. Não sei, nem quis descobrir. Escrevi e, depois, sentei-me na margem do rio á espera dos peixes. Queria que olhassem para mim, porque, mesmo que chorassem, nunca viria as suas lágrimas. Mesmo que sorrissem, nunca encontraria o seu sorriso. O que queria mesmo, era falar de mim, da forma como queria que me vissem e nem percebi que essa razão não existia, não tinha fundamento, não tinha qualquer sentimento. Ou o que queria mesmo era olhar, olhos nos olhos, dos peixes que mostrassem curiosidade em se aproximar.
Talvez tudo não passasse de um pretexto para ir para o rio e estar na natureza. Talvez quisesse mergulhar nas águas geladas e acordar do meu momento, denso, de nevoeiro incisivo, que me isolava de mim e do meu mundo…
Tenho-a comigo, essa mesma capa da cor dos teus olhos, que o nevoeiro teima em esconder. Só tu a podes ver, sempre que queiras, mesmo que o silêncio, como o dos peixes, permaneça. Será a capa, a que um dia vestiste, e num sorriso lindo, gritaste ao mundo:
- És o que resta de mim…
Visto a capa quando a saudade entra dentro de mim e ninguém compreende que a vida é mesmo assim…

3 comentários:

Vera disse...

A vida é mesmo assim...

Beijo

Vera disse...

A vida é mesmo assim...

Beijo

Laura Gil disse...

Está muito boa mesmo. Sou fã incondicional das tuas prosas.

Parabéns!!!

Beijo
Laura