domingo, março 09, 2008

Desejo Secreto


(Foto de reencarnacion cristalero)


De coração desfeito das intempéries do amor, o vulto erguia-se de mais uma aventura perdida. Acabara de receber mais um duro golpe, vicissitudes, de quem perdera o norte e se guiava pelo vendaval dos actos espontâneos…
Três letras assombravam o seu pensamento – fim – era o seu constante tormento, porque o tempo mostrava os insucessos repetidos. Outrora esteve perto da felicidade mas o medo de assumir esse real sentimento assustara a condição, e a oportunidade viajara para outras paragens da vida de alguém.
O vulto era a noite! Ansiava voltar a sentir-se o sol de alguém como um desejo secreto.
O seu desejo secreto, concretizado, daria um sorriso constante e aberto. Daria um brilho aos seus olhos pungentes e extrairia do seu pensamento a afronta das palavras residentes.
Todas as noites…regressava ao sonho para vive-lo intensamente. A realidade não conseguia dar-lhe esperança, vontade ou uma pequena alegria que fosse!
Morria lentamente…perdendo as forças ocultas para realizar o desejo de ser simplesmente feliz.
Todas manhãs, ao acordar, imaginava que um vulto especial entraria na sua vida e que, de sorriso em sorriso, viajariam no mundo do amor e acabariam os seus dias, juntos, à beira de um lago, numa casa feita de momentos felizes e de grande cumplicidade.
Em silêncio esperou e os seus dias passaram lentamente por si!
Os seus olhos gritavam:
-“ Eu morro pela tua presença!”
As suas lágrimas denunciavam:
Fiquei… inverso… de… mim!
Os seus passos corriam para o abismo!
Fiquei…
Incompatível… (de)
Mim…




(Nunca tenhas medo de amar. De assumir o desejo, o teu íntimo desejo, porque a vida não pára e amanhã pode ser tarde…)

5 comentários:

Pedra Filosofal disse...

Não podia concordar mais. Não há que ter medo, há que amar, que assumir o que se quer e o que se deseja. Porque amanhã pode ser tarde. Porque a vida são dois dias. E porque a felicidade pode ser alcançável. Muitas vezes basta querermos!

Beijo

Stone

Vera disse...

Amar loucamente,
Nas ausências dos beijos
E no silêncio da alma.
Amar por amar,
Sem nada exigir
Para além do sonho.
Entregar o coração
Envolto em papel de seda
E aguardar,
Junto do abismo
Que uma mão nos ampare
Ou empurre de vez,
Mergulhando no mar da morte
Para que se viva finalmente
A ansiada felicidade
Do secreto desejo.

O teu texto está belíssimo!

Beijo

Octávio disse...

Boa...
Gostei.
Por acaso não te inspiraste numa ida aos Olivais.
Continua.
Um abraço.
o.

Anónimo disse...

maravilhoso!é a única coisa q me ocorre dizer...obrig e bjs,turtle

Anónimo disse...

Aqui vim eu como prometi, e dei logo de caras com um poema que me tocou...mesmo.....realmente há coisas que não encontramos explicação!? :) Continua a escrever assim SEMPRE! beijinhos Marlene