domingo, março 23, 2008

Escritor


(Foto de Mikel Arrizabalaga)

Alguém me perguntou se era Escritor. Surpreso, perguntei-me o que era isso de ser Escritor. Nunca antes tinha pensado nesse título nem tão pouco me sentia vestido na sua pele. Escrevo, de facto. Mas escrever é ser Escritor? Apenas escrevo o que os meus sentimentos ditam e gosto de partilhar essa emoção. E nas palavras faço as digressões ao meu imaginário e misturo as imagens que colhi pela vida fora. Algumas… guardo-as com amor, pela simplicidade, pela forma como surgiram. Outras aparecem-me do nada e permanecem até que as escreva, para depois fugirem de mim.
Quanta necessidade, ou quanto vício, que aperta o meu sóbrio desejo e me impulsiona ao acto.
São momentos de uma insanidade perfeita, em que consigo atingir a felicidade total, desenhada pelas palavras que chamo. Nesse estado sou o Rei dessa monarquia das letras. Ninguém mais existe nesse habitat natural das plenitudes…
Oh! Quanta loucura é explanada na frase exposta! Quanta magia é ali deixada à espera que alguém leia e colha essa essência, entre cheiros de maresias, entre sabores doces ou em imagens recônditas…
Faço um mundo de pormenores sentidos, e sinto cada momento como meu. E ainda assim, não sei ser Escritor porque, em cada frase triste, há uma lágrima derramada e em cada alegria um sorriso perdido no pensamento.
E o meu lamento acompanha o meu sonho, de, talvez um dia, poder ser Escritor.
Enquanto esse dia não chegar, e talvez nunca chegue, vou vivendo esta paixão de escrever o meu alento, enquanto aos poucos vou morrendo.
Tirem-me tudo de mim. Mas deixem-me a liberdade de escrever até ao fim!
Talvez, depois de partir, consiga ser um Escritor… por ora, alguém me perguntou se era Escritor e ainda não sei o que responder!



PS: Dedicado ao Poeta e Amigo Xavier Zarco
http://euxz.blogspot.com/

3 comentários:

Vera disse...

Sabes Paulo? Eu considero-te um Escritor, e um daqueles com letra maiúscula, onde a palavra faz todo o sentido. Mas por um lado, ainda bem que não te consideras escritor. Há a tendência geral dos que assim se cnsideram pensarem que já não precisam de melhorar nem de dar mais nada, por se considerarem muitas vezes superiores aos outros e eu sei que não és assim e tens ainda tanto para dar!
Uma bonita homenagem ao teu amigo :)

Um beijo grande

Xavier Zarco disse...

Obrigado, Paulo, por esta dedicatória e mais agradeço a divulgação que inseres sobre as sessões de lançamento do meu novo livro e do livro (um extraordinário livro) de José-Augusto de Carvalho.
Um abraço
Xavier Zarco

Pedra Filosofal disse...

Ainda bem que não te consideras escritor e que tentas alcançar esse sonho. Deixamos-te essa liberdade, a de continuares a escrever. Hoje e sempre