sexta-feira, maio 02, 2008

Caminho


(Foto de: Don Paulson)

Caminho! É a palavra solta que vagueia pela minha mente, num acto de liberdade. Entre árvores, espectadoras, que, nas bermas da vida, aplaudem em silêncio na passagem para o imaginário… que chamo de caminho…
Confundo-me entre o espaço fixo que os teus olhos protegem e o libertar, imóvel, do sentido da estrada que reproduz essa mesma imagem, que já vagueia nas nossas mentes, quando, num nada, saltitou entre os nossos pensamentos.
Já não estou só! Já não sou um! Estamos ligados pelo mesmo elo que, omisso aos olhos dos próximos, se enobrece na pálida noção do passeio… transportando-se num ritual.
E, num raio de maresia vinda do céu, vem a tentação atroz, que traz quimeras vestidas de sonhos e, é nesse momento que um de nós acorda, rejeitando assim o futuro que outrem quer impor. Assim, a lucidez dá forma à liberdade que encontro no caminho… que iniciei!
Agora liberto, exorcizado, encontro e aceito o significado dessa palavra – caminho – ao vento libertino…
Volto a ser eu e a sorrir!

3 comentários:

Xavier Zarco disse...

Camarada Paulo Afonso,

Como escreveu Antonio Machado: "Caminante, no hay camino,/ se hace camino al andar"

Um abraço

Xavier Zarco

rita disse...

Gosto muito deste poema. Atrevo-me a continuar a mensagem de Xavier Zarco, a quem peço desculpa por o fazer

Caminante, son tus huellas
el camino y nada más;
Caminante, no hay camino,
se hace camino al andar.
Al andar se hace el camino,
y al volver la vista atrás
se ve la senda que nunca
se ha de volver a pisar.
Caminante no hay camino
sino estelas en la mar.

Pedra Filosofal disse...

E o teu sorriso ajuda quem te vê a caminhar também, ao teu lado, para que não te sintas só