terça-feira, maio 06, 2008

Sentimentos


(Foto de: Sue Anne Joe)

De ciclo em ciclo
Viajo anónimo
Acorrentado e livre
Preso á emoção
Não sei quem sou,
Não sei aonde estou,
Nem sei se fico ou vou,
Á procura da razão.

Busco... e fujo
Para encontrar a causa da decadência
Num firme (com) passo
Ergo cada evidência
Lutando contra o meu próprio cansaço.

Tenho restos da minha angústia
E então sei quem sou...

Não que o meu rosto, sorria
Nem que seja ilusão
São poucos os momentos
Que exprimo os sentimentos
Espalhados aos ventos
No caminho da minha noção.

Vim da adolescência
Passei por sentimentos peculiares
De tão tradicional família pertencer
Dizem-me “vais vencer”.
Não venço nem sou vencido
Porque não estou a competir
Nesta vida, imperceptível
Onde se é lembrado e esquecido
Numa nostalgia profunda
Que constantemente está a chegar e a ir
Coberto de um aroma pomposo.

Não tenho arte
Mas tenho instinto
Não tenho medo
Mas tenho amor
Não tenho fama
Nem tenho drama
Mas tenho dor.

Preciso de um abraço
Porque ele é o laço
Que nos une
E que nos resume.

Não tenho estratégia
Nem sou a porta de qualquer tragédia
Quero ser a noção...
Que separa da mentira,
A verdade
Numa perspectiva da realidade
Na construção da felicidade
Quero ser desta sociedade
Ser... Em qualquer ocasião.


In “Vinte e Cinco Minutos de Fantasia”

2 comentários:

Anónimo disse...

O seu "Vinte e cinco minutos de fanatasia" está a chamar-me para o ir comprar. Tenho que o fazer.

Lindo poema! Todos temos um bocadinho dele, num momento ou noutro da nossa existência real ou de ficção.

Rita

Vera disse...

Um belo poema, muito pessoal, muito tu!

Um abraço bem apertado e um beijo grande, grande Paulo