quinta-feira, janeiro 22, 2009

Vida estéril

Nas estéreis ruas do acaso
vivem nuvens de bandeja-d'água
em cristalinas opas
que o vento empurra.
São dádivas mono mentais
escorraçadas pelas intempéries sociais
monogamias
alegorias
roupagens devolutas
que matizam os dias.
Nos acasos das ruas
morrem brandos costumes
de singelas feitorias
que arredondadas do nada
imperam de dóceis sabores
bordados pelos nocturnos
fantasiados
de homens do leme
que guiam o destino
dos que ficam por terra…
Morre o desejo
que enterra o sonho
mata-se o sem-abrigo
que na lentidão da vida
já morrera então…
Sobe o pano
com o amanhecer
e a vida
qual peça de teatro
recomeça
sedenta de tudo
voluptuosa
liturgia dos condes
que vivem das eternas esperanças.
Com a noite
chega o cansaço
que traz o abrigo
de mais um dia perdido.
Estéreis ruas
dos homens rasgados
que se anicham
no preme
do amanhã.
Morrem aos poucos
os vagabundos eruditos
nas ruas
que continuam estéreis
e do acaso.

3 comentários:

Sonia Schmorantz disse...

Tempo que se perde é vida estéril que não merece sequer a honra de ser recordada.
(Pecotche)

Belo poema.
um abraço

Marta Vasil disse...

Ruas estéreis... consiente e inconscientemente por nós, pelos outros..

Profundas, sociais e humanas estas suas palavras num extraordinário poema de reflexão.

Um abraço

MV

UMA PAGINA PARA DOIS disse...

Existe um lugar onde
todos os sonhos se realizam
a Felicidade é constante
e o sentimento maior é o Amor
este lugar é o seu Coração...
Procure nele e você
encontrará as respostas pra tudo.
Bom final de semana