Para comemorar o Dia Mundial do Livro e dos Direitos de Autor, a Escola EB 2,3 Aristides de Sousa Mendes, na Póvoa de Santa Iria, organizou uma sessão de leitura que contou com a participação do poeta local Paulo Afonso e com a contadora de estórias Ilda Oliveira. Na presença de diversos alunos do horário nocturno, e com as portas abertas também aos pais e professores, durante cerca de 90 minutos, as várias gerações esqueceram as suas diferenças e deliciaram-se com diversos poemas e contos que cativaram desde cedo a audiência. Foram utilizados diversos meios para não tornar esta acção numa aula ou palestra, por isso, durante a leitura foi utilizada uma banda sonora apropriada e também a componente informática através da projecção de uma apresentação multimédia.
Depois de terminar, Ilda Oliveira, em declarações ao NM, salientou a importância destas iniciativas: “Tenho participado em numerosas iniciativas e é para mim um desafio quando encontro pessoas que pensam que a poesia ou a leitura são uma «seca». Enquanto falo vejo-os com atenção e no fim vêm dar-me os parabéns”, explicou.
Paulo Afonso, que está prestes a lançar o seu segundo livro, elogiou a ideia que os professores tiveram para assinalar aquele dia: “É muito importante aliciar as novas gerações para a leitura e eu tentei a aproximação quando lhes disse que também fui um «grande maluco»”, concluiu.
No final, entre organizadores e participantes, o balanço foi muito positivo e a sensação de dever cumprido ficava patente nas várias conversas entre os alunos e a contadora de estórias.
PS:Foi retirado do site: www.noticiasdamanha.net - (basta clicar no título)
Poeta e contadora de estórias encantam alunos por: António Murteira da Silva (texto e foto)
Esta é a minha casa virtual onde poderás encontrar muitas letras unidas na construção das palavras, de poesia ou prosa, erguidas pelos sentidos… / Escrevo… para libertar as personagens que não consigo Ser! / Esta casa-blogue nasceu em 28 de Junho de 2006 - Obrigado por visitarem! - Paulo Afonso Ramos
quarta-feira, abril 30, 2008
terça-feira, abril 29, 2008
I º Encontro Luso-Poemas
(Museu Do Vinho e da Vinha - Anadia)
26 de Abril de 2008
O Prefácio de um dia...
Agora que estou distante, uma lágrima tonta, foge do meu segredo e deixa-se diluir nas profundezas do espaço abstracto…
Tu que me lês… perguntas a ti mesmo, pela tristeza que embala este texto, numa aflição desconhecida e simultaneamente curiosa, e eu, adivinhando essa carência, aproximo-me do teu ouvido, sem que o teu olhar me toque e baixinho digo-te: - Não é tristeza! É alegria…
E assim, contemplo o dia que passou, que encheu a minha vida de gestos maravilhados e no abraço das palavras, todos, sem excepção embarcamos na viagem de união, que em silêncio selamos o nosso propósito, quando trocamos os olhares de cada universo…
António Paiva
Carolina
Cleo
Flávio Silver
Fly
Freudnãomorreu
João Vasco
José Torres
Laura Gil
Luís F.
Margarete
Pedra Filosofal
Rosa Maria
Tália
Trabis
ValdevinoXis
Resta-me o silêncio que as palavras não contemplam e em que as imagens não sentem, para que na meditação do meu momento, possa sentir-vos novamente, entre sorrisos…
Para os presentes uma pequena frase de emoção:
- O homem da palavra
- Trouxe no coração as crianças
- Um sorriso tímido mas constante
- Uma viola no saco e música no ar
- Aquele abraço prometido
- A voz surpresa
- Uma viola em acção
- O dom da comunicação
- A timidez da coragem
- A amizade na presença
- O olhar redentor
- O riso libertino
- A presença que faz a Dama
- Generosidade na grandeza de Ser
- O Pai silencioso
- O amigo de sempre
Que no próximo encontro, as presenças cresçam vertiginosamente, para que atinjam um número nunca imaginado.
Beijos e Abraços
segunda-feira, abril 28, 2008
Saudade

(Foto de: Bogdan Gavrus)
Tenho saudade do tempo ido, que o tempo levou, nessa viagem da vida.
Tenho algo, que chamo de saudade, e que guardo no meu íntimo mais paradisíaco.
Tenho como o momento, em que quero parar, o tempo para ficar eternamente junto dele…
Tenho saudade. Tenho tempo. E juntos tão separados existem dentro de mim…
Tenho saudade do que tive e já não posso ter, essa magistral, infância…
Tenho saudade… do meu tempo de menino.
Tenho e não tenho! É esse o sentimento que chamo… Saudade!
quinta-feira, abril 24, 2008
Transmutar

(Foto de: Andrey Vahrushew)
Abro o meu sorriso para anunciar que cheguei. Para que possam sentir a minha presença. Transmuto-me para partilhar convosco a minha emoção e a mensagem colhida nas paragens que fiz neste percurso de vida. Cheguei até aqui, junto de vós, para que juntos, pudéssemos viajar nesta magna sensação dos sentidos…
Vejam-me nascer, talvez como uma flor indefesa, e ainda assim, reparem que sorrio sem medo de ser feliz. Estou nos campos verdes da natureza, onde as cores pintam as alegrias, e a harmonia está visível entre o silêncio da noite e o calor dos dias…
Vejam-me crescer, talvez como uma ave observadora, que voa sobre vós em círculos e que está pronta para poisar suavemente no vosso ombro, para, em segredo e bem juntinho ao vosso ouvido, deixar poucas e simples palavras… Não tenham medo de tentar porque a felicidade depende apenas de cada um…
Essa é a minha nobre missão, emprestar-vos a imaginação que vos conduz ao mais ínfimo lugar dentro de vós e, nessa consciência sabática, deixar-vos a conclusão que cada pedaço do corpo e da alma é uno…
Vejam-me partir, entre as imagens e as vidas que consegui ser e em que imagino que me viram, quando me transmutei em várias formas, escolhidas por cada um de vós, em que, embora díspares, todas fizeram sentido, todas tinham o mesmo rumo, a mesma mensagem… viram como é possível que, embora todos diferentes, podemos ser iguais?
É hoje que vos digo, que, depois deste nosso encontro, já nada será igual. Partilhei o que tinha para partilhar e em cada coração aberto entrei e deixei por lá um pouco de amor, como uma semente que o tempo verá crescer, que, com o tempo, será parte desse corpo que vive neste mundo aceso… Agora sim, posso partir, porque semeei bem dentro de cada um de vós o melhor que nos faz viver a sorrir…
Regresso ao meu estado, numa última transmutação, para também poder aproveitar o que aprendi nesta viagem conjunta que convosco tive o prazer de realizar.
De sorriso expandido sigo o meu caminho porque sei que vocês estão aptos para seguir o vosso. Olho uma última vez para trás e num aceno separo-me de vós… pensarão que foi um adeus, mas não, o meu aceno incontido foi, e será sempre, de um profundo agradecimento. A todos os que comigo se encontraram nesta partilha de vida o meu eterno obrigado.
quarta-feira, abril 23, 2008
Escola EB 2, 3 Aristides de Sousa Mendes na Póvoa de Santa Iria
Hoje, 23/04/2008 a partir das 20 horas, estarei presente e tenho o prazer de contar com a participação da minha Colega Ilda Oliveira, num evento sobre a escrita (poesia em especial) na Escola (Agrupamento de Escolas) EB 2,3 Aristides de Sousa Mendes na Avenida Dom Vicente Afonso Valente – (em frente aos Bombeiros Voluntários) na Póvoa de Santa Iria.
Deixo aqui o convite. Quem puder e quiser que apareça.
Obrigado
Deixo aqui o convite. Quem puder e quiser que apareça.
Obrigado
segunda-feira, abril 21, 2008
Espero-te…

(Foto de: Elena Orlova)
Espero-te… ao pôr-do-sol para que juntos possamos ver a despedida do calor das nossas vidas, agora que o destino nos transformou em mais um dia, desses que aconteceram sem que ninguém reparasse nele…
Espero-te… na noite escura, para que possas surgir entre o medo e o receio, e assim estejas junto de mim, sem que ninguém olvide que me pertences, para que tu, mesmo que não queiras sabê-lo, para que sejas eternamente feliz…
Espero-te… nesse luar, feito na viagem, que ambos construímos nos nossos íntimos imaginários e nunca confessamos a ninguém…
Espero-te… porque é o nosso destino, porque é o elo que nos faz andar neste caminho feito de sonhos e ilusões, criados entre verdades ocultas e em segredos bem distribuídos…
Espero-te… porque esse foi o teu desejo um dia…
Espero-te… já!
domingo, abril 20, 2008
Poema

(Foto de: Wojciech Grzank)
Tu fazes-me sorrir
quando me pedes um poema
e sem que te peça um tema
imploras que escreva ao meu sabor.
E eu deixo-me apanhar
nessa teia embrenhada no ar
imagino
a lágrima enxuta ao vapor
e a razão dessa louca exortação
onde consigo até chegar a tua dor.
E é nesse corpo exposto
que procuro a alma da tua poesia
para encontrar a palavra do teu próprio caminho.
Fico, nesse instante, sozinho
deleitado com a alegria
das palavras que me trazem a fantasia
e é assim que escrevo o teu momento.
Nascem as palavras que em mim… onde hão-de fluir
desabrocham num teu beijo a ruir
para que o poema seja o nosso alimento.
sexta-feira, abril 18, 2008
Senhor das Almas

(Foto em: http://senhordasalmas.wordpress.com/)
Subia de novo a montanha. Olhei uma primeira vez, para cima, e pareceu-me ver um rosto com um sorriso espontâneo que me esperava. Continuei o meu caminho. Próximo do meu rebanho e do meu Dick numa sintonia ritmada. Mais perto do topo da montanha olhei de novo e o rosto expressava um sorriso ainda maior!
Como nem o rebanho nem o cão manifestaram qualquer sinal de diferença não dei importância. Mas a energia, a força e o ânimo estavam lá…
E lá cheguei ao topo…
E lá se deu o encontro entre mim e o tal rosto sorridente. Só depois percebi que era o sorriso da alma…
Desde então revemo-nos semanalmente e a experiência tem sido reconfortante, espero que, para ambos…
Obrigado Senhor das Almas!
quinta-feira, abril 17, 2008
Ao Meu Anjo

(Foto de: Renata ?aska)
Hoje chego cansado. De tanto lutar com as palavras ditas. Ditas ao meu rebanho que nos montes andou impávido e sereno sem que o som das minhas palavras fizesse o mais pequeno ardor aos seus ouvidos.
Cansa-me. Esta mania na forma de desprezo cansa-me. Empurra-me para uma solidão que não quero. Só tu, minha santa amada, saberás compreender. Mesmo que a distância nos mantenha separados a compreensão estará sempre em nós.
É para ti que deixo o melhor do dia, uns beijos campestres!
Tu hoje mereceste! Em boa verdade mereces sempre…
in “Diário de um Pastor”
quarta-feira, abril 16, 2008
O Cão
(Foto de Scot Steele)
Volto mais alegre. O meu Dick orgulha-me. Ainda não vos tinha apresentado o meu guardador de rebanhos? Pois é… Chama-se Dick. E é um cão muito inteligente e de uma excelente postura atlética, com o calor o seu corpo brilha num destaque inequívoco do seu tom preto luzidio. Já me deu várias provas da sua coragem e da sua amizade. É verdadeiramente impressionante como sem falarmos nos entendemos na perfeição. Ele sabe quando estou melhor ou pior, e numa simples troca de olhares emprega a solidariedade que mais preciso. Sofre comigo. Expande a minha alegria como se fosse a sua e sem que nada peça ele está sempre responsável por todo o rebanho.
Hoje tomei consciência da sua verdadeira importância, por isso, regresso a casa mais alegre. A minha palavra de hoje é para ele. Obrigado Dick!
in “Diário de um Pastor”
terça-feira, abril 15, 2008
O Poema

(Foto de: Vladimir Lestrovoy)
Madruguei. E quando o sol nasceu, entre a sua luz e o meu sono, escrevi um poema.
Quase que o deitei fora, ora, o meu rebanho não o quis… e nesta solidão, da montanha inerte, quase que adormeci novamente. Não posso! É na noite que me deito…
Mas reafirmo:
“Tenho Sono…”
Tenho ausências de lucidez
entre desejos incontidos
entre uma sorte moribunda.
Tenho seriações flácidas…
que o meu estro esconde.
Tenho rotas de juvenis decorados
entre mares dum sabatismo ortodoxo…
Fujo das heresias
Apenas e só… tenho sono!
(Sigam o meu rasto…)
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Nota Informativa:
_________________
Sobre os versos:
“Tenho rotas de juvenis decorados
entre mares dum sabatismo ortodoxo…”
Na liberdade poética do autor a frase “ Tenho rotas de juvenis decorados” pretende aludir uma analogia simples, cujo objectivo único é o de emprestar a ideia dos caminhos dos adolescentes que na sua condição própria conseguem sempre ou quase sempre elevar o pouco (em especial da vida) que conhecem.
E, na frase “entre mares dum sabatismo ortodoxo…” é intenção referir que, ainda assim, o que se suporta (ao que atrás expliquei) é conseguido por conhecimento rígido, imposto, e na junção de ambas frases, é pretendido abonar um pouco de uma confusão subtil, quiçá, provocada pelo sono que é a base do poema.
Obviamente que o autor corre o risco de errar, como corre o risco de fugir ao seu traçado poético, mas é esse o desafio implícito que faz quando opta por criar. A criação é isso mesmo. Afinal, o autor não pretende castrar o seu sentimento quando o passa para o concreto.
segunda-feira, abril 14, 2008
Dia Seguinte

(Foto de: Elena Tanasescu)
Voltei para ler as palavras que ontem escrevi. Vejo que crescem em mim…
Hoje sinto a alma dessas letras expostas, como ontem senti quando as escrevi. Não sei, se ao lerem conseguem sentir essas formas entreabertas que se misturam na página preenchida. Volto sempre para que me alimente das letras deixadas no chão da minha folha da vida.
E na essência da mulher que procuro, que quero desfrutar, deixo-lhe um gesto da minha presença.
Com flores deixo o meu beijo presente!
in “Diário de um Pastor”
domingo, abril 13, 2008
Diário de um Pastor

(foto de: Leonid Padrul)
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No meu pensamento florescem bonitas rimas em versos destemidos para brindar.
Ergo-te nas mentes e nos alpendres em que passo para desejar noites de fantasia e emoção. E entre palavras, ditas e desditas, semeio o meu trigo e passeio o gado que me governa.
Amanhã passarei outra vez para colher o que antes semeara e assim viverei até que as forças me deixem…
Não sei se algum dia as minhas palavras chegarão a algum lugar, ainda assim, brindo-te com a minha intenção.
Deixo cair um desejo embrulhado num apertado abraço!
in “Diário de um Pastor”
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terça-feira, abril 08, 2008
Dois Irmãos

(Foto de HUNG TON)
Decorria o ano de 2000 e as pessoas recompunham-se do susto do proclamado bum da mudança de século em que muitas vozes gritavam horrores que terminavam quase sempre em que o Mundo iria acabar…
Entre quimeras, (eram 12/13 de seu propósito), vivia Letapatim, homem de vastos recursos mentais que compensavam a sua falta de destreza física, provocada por um problema que nascera consigo, que já se tinha habituado a combater, ultrapassando-o com alguma mestria.
As suas fantasias, outrora misturadas com algumas visões iluminadas, passavam por ser uma pessoa com uma vida normal, se possível, completamente dedicadas as letras, e em especial a literatura.
Sonhara escrever um livro que fosse um best-seller e criava, dentro da sua cabeça, um mundo próprio.
Arranjara uns heterónimos para fluir as suas necessidades da escrita. Ele era o Litaipe numa escrita mais em contos, o Luspub na poesia e o Lokoisopot nas crónicas da vida real…
Escrevia sempre. Entre mundos, onde o seu se movia, criava personagens nas quais mandava, e onde fazia as suas justiças, organizava planos bem estruturados para exercitar a sua mente e assim vivia escondido no “bunker” da sua casa. Tudo era feito através da Internet. Movia-se muito bem nesse mundo, compensando assim as outras faltas…
Envolvido que estava na sua condição, por vezes, e de forma dissimulada, extrapolava a sua função e sentia-se um polícia da net, onde passeava dia e noite.
Numa dessas viagens, numa cidade distante, encontrou a casa de Tapeli. Visitava-o sempre que podia, para ler o que, quase diariamente, escrevia. Havia algo que o atrai-a. Também por ser um leitor compulsivo, viaja entre as cidades da net, tornando-o num passageiro do tempo.
Certo dia, na casa de Tapeli, deixou um presente envenenado. Não tinha gostado da cor das ameixas que Tapeli tinha pintado o seu quadro vanguardista. Sem que se identificasse, deixou a sua marca de revolta, não contra o quadro ou a escrita, mas contra o autor…
Voltava sempre aquela cidade, e em especial, àquela casa de gente de bem para relembrar a sua argúcia, infundamentada, mas que lhe dava um prazer absoluto comparado ao jogo em que apenas ele jogava e ganhava…
Foram meses nesta mestria! Sem que, do outro lado, houvesse reacção, até que, um dia, Tapeli reagiu, sem saber de quem se tratava. A paciência tinha-se acercado da fronteira dos limites…
Tapeli procurou a sensatez para que os seus passos não fossem em falso. Mais que tudo, queria entender o que levava alguém a agir daquela forma, aberrante e ilustrada… Queria pensar de igual forma…
Começara o verdadeiro jogo! Agora já não era um só jogador a fazer jogadas ao seu belo prazer. Havia ataques e contra-ataques estratégicos, cravadas por plenas manobras de diversão.
Jogava-se com total liberdade, excepto na demonstração da peça inicial, que, por alguma vez assumira a sua verdadeira identidade…
E o jogo foi longe demais! Foram usados todos os recursos para que o jogo finalizasse. Tapeli apostava tudo. Já era uma questão pessoal muito para além do jogo inicial.
Até que um dia a falha aconteceu.
Luspub, Litaipe e Lokoisopot foram descobertos num corpo só e muito exposto. Estava a caminho de outro país quando foi interceptado pela CIA (Camaradas Investigadores e Amigos) que, numa operação conjunta de longo tempo, vinham seguindo pistas.
Afinal, Litoskyps, seu verdadeiro nome de baptismo fora descoberto. Tinha em seu poder uma colecção de passaportes de vários países e várias identidades. Multifacetado. Era apanhado por causa de um jogo simples que insistia em prosseguir.
A sua detenção foi manchete internacional. Era a mesma pessoa que liderava uma enorme seita através da Internet. O Guru mais procurado de sempre!
Tinha, sobre sua alçada, imensos crentes espalhados pelo mundo. Estavam a premeditar um genocídio através da Internet para breve… seria dentro de dois dias…
A CIA foi premiada com a medalha de mérito pelos bons serviços prestados em prol da sociedade.
Krupslap, o mentor das investigações e amigo pessoal de Tapeli, foi também condecorado pelo estado.
Já decorria o julgamento quando outra bomba estoirou…
A verdadeira história de Litoskups, era difundida por toda a comunicação social internacional. Ainda recém-nascido tinha sido entregue a uma família de adopção com quem vivia actualmente. Nessas mesmas investigações, descobriram que os verdadeiros pais já haviam falecido, mas que, ainda vivo existia um irmão…
Litoskyps e Krupslap eram irmãos de sangue. Uma fuga de informação originara outra bomba…
Ouvido pela comunicação social, as únicas palavras de Krupslap, sobre essa mais recente bomba foram: “Se pudesse voltar atrás, teria trilhado o mesmo caminho!”
Krupslap reformou-se dois anos depois. E Litoskups, condenado a prisão perpétua, é hoje um colaborador especial da Polícia Federal para o crime organizado, em especial através da Internet.
segunda-feira, abril 07, 2008
Um Recado

(Foto de Chung Chan)
Só as estrelas me tocam
(escusas de tentar...)
Nas vagas do tempo que está para vir,
(ainda assim é preciso esperar...)
E na preciosidade das palavras secretas
(vejo o teu olhar escondido...)
Escondo-me e apago-me
(e também me escondo... fujo)
Sem mais gestos clandestinos
(nem desejos insurgidos)
E sem a avidez dos sentidos.
(desisto… de querer!)
O sal queima-me a pele
(de uma forma subtil)
E as letras a boca quente.
(alimentam-me o Ser.)
E lanço-me ao vazio vago da escuridão,
(na ânsia e na procura,)
Num sonho e num desejo,
(sem limitações do acessos)
Envoltos em liliáceas
(visto os pecados)
Com que me cubro
(e danço em fantasias)
E espero...
(melodias do acto)
Espero-te...
(achego…)
(Dueto com Vera Silva - numa brincadeira - "arranjada" pela Stone)
domingo, abril 06, 2008
por Xavier Zarco
Hoje venho divulgar as palavras de Xavier Zarco que em http://euxz.blogspot.com/ escreveu sobre a minha escrita.
Obrigado Camarada,
Um Abraço
“Escrevo-vos sobre Paulo Afonso. Conheci-o pessoalmente há escassos dias no Alvito como referi neste mesmo diário.
No entanto, já conhecia a sua escrita. Tal ocorreu quando me veio parar às mãos um original seu para que sobre este desse uma opinião.
Ler Paulo Afonso foi um desafio curioso, sobretudo porque nos confere a sensação de entrar num universo quase diria íntimo, próximo que está, para quem assim o ler nas entrelinhas, de um registro epistolográfico.
Textos curtos e serenos, verdadeiras missivas. Prosa poética bem urdida, com leveza de linguagem que nos transporta para os mais díspares cenários.
Assim, recolhi cada poema, como se estes repousassem no bojo de uma garrafa sobre o areal. Por eles, decifro a distância como se aí, em cada um desses quadros, de facto estivesse.
Em suma: a concisão aliada à capacidade de sugestão, farão deste escritor uma boa descoberta a quem dele desejar se acercar.”
Obrigado Camarada,
Um Abraço
“Escrevo-vos sobre Paulo Afonso. Conheci-o pessoalmente há escassos dias no Alvito como referi neste mesmo diário.
No entanto, já conhecia a sua escrita. Tal ocorreu quando me veio parar às mãos um original seu para que sobre este desse uma opinião.
Ler Paulo Afonso foi um desafio curioso, sobretudo porque nos confere a sensação de entrar num universo quase diria íntimo, próximo que está, para quem assim o ler nas entrelinhas, de um registro epistolográfico.
Textos curtos e serenos, verdadeiras missivas. Prosa poética bem urdida, com leveza de linguagem que nos transporta para os mais díspares cenários.
Assim, recolhi cada poema, como se estes repousassem no bojo de uma garrafa sobre o areal. Por eles, decifro a distância como se aí, em cada um desses quadros, de facto estivesse.
Em suma: a concisão aliada à capacidade de sugestão, farão deste escritor uma boa descoberta a quem dele desejar se acercar.”
sexta-feira, abril 04, 2008
sou palhaço assumido…
quarta-feira, abril 02, 2008
perdido no espaço

(Foto de Vladimir Lestrovoy)
Hoje nada tenho para partilhar - sobra-me um silêncio - dos olhares e das luzes solitárias das noites frias…
Hoje não quero alegrias nem tristezas… nem me quero a mim!
Se me virem por aqui - ou por aí - mandem-me para casa.
Mais tarde quando estiver em mim saberei agradecer-vos…
segunda-feira, março 31, 2008
Janelas do Coração

(Foto de: Miguel Angel de Arriba Cuadrado)
Da casa em ruínas, abandonada pelas correntes de um presente em que fugimos do campo, talvez pela fuga ao trabalho na terra, ainda recordo os espaços que cresceram em mim e que assim me ajudaram a crescer…
Os soalhos de madeira que rangia quando nos escondíamos nas brincadeiras de crianças e as janelas que, na inocência, saltava à procura das aventuras destemidas do amor. Sim! As maiores loucuras eram pedidas pelo coração…
Recordo esses momentos com uma angústia destemida, ao olhar para aquela casa à espera dos seus últimos dias. A velhice que o tempo não escondeu também trouxe esta realidade tão dura como a que me distanciou da minha infância.
Também me sinto um velhote que alimenta a alma com recordações fortes e coloridas, cheias de momentos alegres e mágicos… Hoje, em cada recordação, abro uma janela do meu coração.
A nossa casa era feita de pedra e cimento por fora, mas por dentro, era forrada a madeira que dava um calor e um ar campestre, num ambiente leve e de constante ternura.
O carinho das assoalhadas, cada uma com a sua responsabilidade, era patente de uma forma natural. Recordo-me que gostava em particular da sala da biblioteca. Talvez por ver o meu pai sempre por lá depois do jantar, sentado no seu cadeirão de leitura, de perna cruzada, com o seu cachimbo na boca e um livro ao colo. Fascinava-me. Fascinava-me vê-lo, e desejava secretamente, que, em adulto, tivesse a minha própria casa com um escritório assim, secretária de madeira trabalhada e um candeeiro de sentinela junto da poltrona. Sempre acompanhado pelas lombadas dos inúmeros livros que pareciam olhar-me e chamar por mim…
Recordo o pátio em terra batida onde jogávamos á bola e assim justificávamos o ralhar da nossa mãe porque, no fim de cada dia, a roupa estava pejada de poeira.
Da cozinha tenho guardado o esconderijo dos bolos que, secretamente, abastecia o meu desejo para preencher o bocadinho que a gulosice arranjava, pois os lanches eram fartos em outros comeres, mas o meu instinto de predador queria doces…
E no meu quarto, lugar das minhas descobertas, carpia os amores não correspondidos e alimentava os sonhos que aqueciam a minha alma. Escrevia bilhetes de esperança que não conseguia entregar. Fazia o meu teatro da vida para que estivesse preparado para num encontro do destino pudesse declamar poemas de conquista à menina dos meus desejos e assim, numa jura de amor, firmássemos um contrato vitalício de união.
Tenho saudades das árvores de frutos, colhidos sem critério, apenas ao sabor de um gosto de quem queria comer uma fruta vistosa e apetecida. Lembro-me que a manga era a minha eleita. Por acaso também era a maior árvore do quintal.
Agora tudo é efémero. Dura apenas o tempo em que abro cada janela do meu coração.
Saber-me feliz nesse passado bem preenchido é a maior força que recebo para entrar pela porta do meu destino.
Hoje já não tenho esse casarão, nem as forças da juventude rebelde! Mas as janelas do meu coração estão abertas… e por elas, deixo-me fugir… em novas loucuras do meu querer!
O que me falta em tempo e em força, é-me compensado pelo conhecimento… do Amor!
Continuo a ver-me sorrir, envolto, na felicidade da vida…
domingo, março 30, 2008
Vagabundo das Palavras
(Foto De: José Pereira-Zito)
Vagabundo! Como que fosse feito de um mundo de aventuras, parti em busca da vida boémia das palavras, não que fosse uma vida descuidada, mas no sentido de poder dar algum alimento à minha alma, numa viagem desejada ao nosso querido Alentejo.
Na rota de dois eventos literários, a oportunidade de desfrutar de duas terras prometidas de um vasto paraíso interior, ou escondido, designado Alentejo.
O corpo, fatigado do trabalho árduo de transportar essa mesma alma, foi nutrido à chegada pelas carnes da região que foram superiormente acompanhadas por umas migas de espargos. Já a alma, essa exigente rebelde, pedia muito mais, para se saciar… qual pedido interpelado? Se nem tão pouco foi necessário qualquer tempo para que os sorrisos aquecessem a minha paz interior. E assim as palavras estiveram sempre presentes! Palavras elevadas de pura magia…
Perpetuadas nos livros, acompanhantes inseparáveis, ou nas bocas dos declamadores, elas foram uma fonte inesgotável de uma pureza incontida que sabiamente alimentava as almas. A minha, e quiçá a de todos os presentes.
Aventureiro! Dessa nobreza de ricos episódios de sapiência em que fui brindado, e em que a paisagem serena nos brindava, eis que o tempo nos fugia e a alegria incontida se deixava seduzir. Vi amigos da palavra, encontrei camaradas de estrada e fortes mentores que o meu estado vadio desejava numa procura inconsciente.
Vi palestras conseguidas e preciosas obras que trouxe comigo. Senti-me! Senti-me feliz de o meu crer, na junção do meu outro querer, estarem alinhados no mesmo sentido.
Senti o valor de quem tanto dá. Senti a sua paixão, e, entre tanto sentir, senti esse desígnio dos fidalgos que, humildemente, percorrem os espaços por preencher numa missão consciente e necessária.
Entre o que vi, e o que senti, fui moldando o vagabundo em mim, transformando-o num menino de olhos brilhantes a porta do seu paraíso. De uma alegria imensa que gerava sorrisos alargados e cândidos.
E no tanto que recebi, com essa inaudita riqueza do acto, de dar sem pedir, essa clarividência do ser, com que fui brindado, fui consciencializando-me que essa magnitude é, e será, o meu alimento e a minha roupa com que me apronto nesta longa caminhada.
E só lamento que não consiga transmitir esse meu longo sentir, que no recanto da minha intimidade uma lágrima de alegria simboliza!
Que um dia, nem seja só por uma vez, num momento singular que seja, possa retribuir!
Um vagabundo perpetuamente grato…
sábado, março 29, 2008
Eventos Literários
quarta-feira, março 26, 2008
Carta a P.G.

(Foto de Julie Groulx)
Bom dia!
Hoje dedico-te as minhas primeiras palavras! São singelas e fui angaria-las ao meu sentido emocional, para que as possa dar com a emoção que mereces.
São bordadas a ouro, um ouro lúcido e transparente. Estão também recheadas com a magia de uma amizade por solidificar. Quase de uma forma prematura, elas saem com fluência e trazem no rosto um ar casto e sensato. São como a tua imagem!
Deixo-te assim a minha prenda, esse sorriso que constróis, ainda que tímido mas sincero. Pois é! Esse teu sorriso é a minha humilde prenda. Fazer-te sorrir é uma prenda partilhada e que se oferece mutuamente.
Acrescento-lhe o desejo de poder dar-to todos dias, e que, com o passar dos anos possa, de uma forma presente, oferecer-to sempre.
Por ora, a palavra mágica e justificada, Parabéns!
Um beijo sol que denomina a estrela que há em ti!
FELIZ ANIVERSÁRIO
Paulo Afonso
26 - 03 - 2008
segunda-feira, março 24, 2008
Dia 29 Março 08 - Alvito E Viana Do Alentejo
A edium editores desloca-se este fim de semana ao Alentejo para apresentação de 2 livros de poesia em 2 sessões.
Os livros, da autoria dos n/comuns amigos, são: "O Livro do Regresso" de Xavier Zarco, Prémio de Poesia Raúl de Carvalho 2005 e "Da Humana Condição" do poeta alentejano José-Augusto de Carvalho.
As sessões, ambas no sábado, dia 29, serão em Alvito, 16.30 horas na Biblioteca Municipal Luís de Camões, autarquia que instituiu o Prémio Raúl de Carvalho e, pelas 21.00 do mesmo dia, em Viana do Alentejo (Salão da Junta de Freguesia) local onde nasceu e reside o poeta José-Augusto de Carvalho.
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Sobre “O Livro do Regresso” do poeta conimbricense, Xavier Zarco
Depois do lançamento em 2007 do premiado “Variações sobre tema de Vítor Matos e Sá – Invenção de Eros” a edium editores lança agora “O Livro do Regresso” de Xavier Zarco, obra também galardoada, desta feita com o Prémio de Poesia Raul de Carvalho, instituído pela Câmara Municipal de Alvito.
Aliás a colaboração deste poeta conimbricense com a edium editores tem sido intensa e frutuosa: participação na 1.ª Antologia Poética “Amante das Leituras” 2007, a referida edição de “Variações sobre tema de Vítor Matos e Sá – Invenção de Eros”, prefácios de obras dos poetas Andityas Soares de Moura, Ana Maria Costa e Paulo Themudo. No prelo, a edição de “Nove ciclos para um poema”, Prémio Lusofonia 2007, da Câmara Municipal de Bragança.
O fulgurante trajecto literário de Xavier Zarco conta com uma vasta lista de obras publicadas: O livro dos murmúrios (1998), No rumor das águas (2001), Acordes de azul (2002), Palavras no vento (2003), In memoriam de John Lee Hooker (2003), Ordálio (2004), Hino de Santa Clara (2005), O guardador das águas (2005), O ciclo do viandante (2005), O fogo A cinza (2005), Stanley Williams (2006), À beira do silêncio (2006), Monte maior sobre o Mondego (2006), Afluentes do poema (2006), Trinta mais uma odes (2007), Divertimento poético (2007), Variações sobre tema de Vítor Matos e Sá: Invenção de Eros (2007) e Poemas com rosto (2007).
A Xavier Zarco foram ainda atribuídas as seguintes distinções: Prémio de Poesia Vítor Matos e Sá - 2004, organizado pelo Conselho Científico da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, ao título O guardador das águas; Menção honrosa (poesia) no Prémio Literário Afonso Duarte – 2004, realizado pela Câmara Municipal de Montemor-o-Velho, a Monte maior sobre o Mondego; Vencedor do Concurso para a letra do Hino da Freguesia de Santa Clara, efectuado pela Junta de Freguesia de Santa Clara, em 2004, com Hino de Santa Clara; Prémio de Poesia do Concurso Literário Manuel Maria Barbosa du Bocage - 2005, promovido pela LASA - Liga dos Amigos de Setúbal e Azeitão, a O fogo A cinza; Prémio de Poesia Raúl de Carvalho - 2005, levado a efeito pela Câmara Municipal do Alvito, a O livro do regresso (agora editado); Prémio de Poesia Vítor Matos e Sá - 2007, do Conselho Científico da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, a Variações sobre tema de Vítor Matos e Sá: Invenção de Eros; Prémio Literário da Lusofonia - 2007, da Câmara Municipal de Bragança, a Nove ciclos para um poema (no prelo da edium editores para edição em Junho 2008); Menção Honrosa (Poesia) no 1.º Concurso de Conto e Poesia da CGTP-IN – 2007, a 25 Cravos de Abril (título ainda inédito).
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Sobre o “Da Humana Condição” do poeta alentejano José-Augusto de Carvalho.
José Augusto de Carvalho nasceu em Viana do Alentejo a 20 de Julho de 1937, onde reside.
O autor, com seis obras já publicadas apresenta-nos este título revertido e inspirado da obra de André Malraux “A Condição Humana”; José Augusto de Carvalho recupera os paradigmas da evolução humana, e discorre sobre a moralidade, a política o conflito num registo quase sempre na 1.ª pessoa, um incarnado resistente, desagrilhoadas as correntes que se soltam em palavras que se ordenam em destinos.
Xavier Zarco na nota breve de abertura sublinha a propósito:
“José-Augusto de Carvalho apresenta-nos, em todo o seu esplendor, a humana condição, que quantas vezes fazemos de conta não ver, mas que existe e invade, enquanto jantamos e lançamos comentários que, amanhã, poucos deles restarão na nossa memória, porque a vida é feita no desespero de cumprir a hora, exagerando, ou talvez não, de cumprir o segundo.
Este tomo não deve, não pode passar indiferente. É Poesia no seu esplendor porque habita ao nosso lado e não devemos, não podemos manter o olhar cerrado. Isto, claro, se desejarmos, de facto, um mundo melhor. Se não for para nós, que seja para aqueles que nós gerámos”.
Obras de José-Augusto de Carvalho já publicadas:
“arestas vivas”, 1980
“sortilégio”, 1986
“tempos do verbo”, 1990
“vivo e desnudo”, 1996
“Nós Poesioa…”, com Lizete Abrahão, 2002
“A instante nudez”, 2005
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Se puder, não falte.
Os livros, da autoria dos n/comuns amigos, são: "O Livro do Regresso" de Xavier Zarco, Prémio de Poesia Raúl de Carvalho 2005 e "Da Humana Condição" do poeta alentejano José-Augusto de Carvalho.
As sessões, ambas no sábado, dia 29, serão em Alvito, 16.30 horas na Biblioteca Municipal Luís de Camões, autarquia que instituiu o Prémio Raúl de Carvalho e, pelas 21.00 do mesmo dia, em Viana do Alentejo (Salão da Junta de Freguesia) local onde nasceu e reside o poeta José-Augusto de Carvalho.
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Sobre “O Livro do Regresso” do poeta conimbricense, Xavier Zarco
Depois do lançamento em 2007 do premiado “Variações sobre tema de Vítor Matos e Sá – Invenção de Eros” a edium editores lança agora “O Livro do Regresso” de Xavier Zarco, obra também galardoada, desta feita com o Prémio de Poesia Raul de Carvalho, instituído pela Câmara Municipal de Alvito.
Aliás a colaboração deste poeta conimbricense com a edium editores tem sido intensa e frutuosa: participação na 1.ª Antologia Poética “Amante das Leituras” 2007, a referida edição de “Variações sobre tema de Vítor Matos e Sá – Invenção de Eros”, prefácios de obras dos poetas Andityas Soares de Moura, Ana Maria Costa e Paulo Themudo. No prelo, a edição de “Nove ciclos para um poema”, Prémio Lusofonia 2007, da Câmara Municipal de Bragança.
O fulgurante trajecto literário de Xavier Zarco conta com uma vasta lista de obras publicadas: O livro dos murmúrios (1998), No rumor das águas (2001), Acordes de azul (2002), Palavras no vento (2003), In memoriam de John Lee Hooker (2003), Ordálio (2004), Hino de Santa Clara (2005), O guardador das águas (2005), O ciclo do viandante (2005), O fogo A cinza (2005), Stanley Williams (2006), À beira do silêncio (2006), Monte maior sobre o Mondego (2006), Afluentes do poema (2006), Trinta mais uma odes (2007), Divertimento poético (2007), Variações sobre tema de Vítor Matos e Sá: Invenção de Eros (2007) e Poemas com rosto (2007).
A Xavier Zarco foram ainda atribuídas as seguintes distinções: Prémio de Poesia Vítor Matos e Sá - 2004, organizado pelo Conselho Científico da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, ao título O guardador das águas; Menção honrosa (poesia) no Prémio Literário Afonso Duarte – 2004, realizado pela Câmara Municipal de Montemor-o-Velho, a Monte maior sobre o Mondego; Vencedor do Concurso para a letra do Hino da Freguesia de Santa Clara, efectuado pela Junta de Freguesia de Santa Clara, em 2004, com Hino de Santa Clara; Prémio de Poesia do Concurso Literário Manuel Maria Barbosa du Bocage - 2005, promovido pela LASA - Liga dos Amigos de Setúbal e Azeitão, a O fogo A cinza; Prémio de Poesia Raúl de Carvalho - 2005, levado a efeito pela Câmara Municipal do Alvito, a O livro do regresso (agora editado); Prémio de Poesia Vítor Matos e Sá - 2007, do Conselho Científico da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, a Variações sobre tema de Vítor Matos e Sá: Invenção de Eros; Prémio Literário da Lusofonia - 2007, da Câmara Municipal de Bragança, a Nove ciclos para um poema (no prelo da edium editores para edição em Junho 2008); Menção Honrosa (Poesia) no 1.º Concurso de Conto e Poesia da CGTP-IN – 2007, a 25 Cravos de Abril (título ainda inédito).
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Sobre o “Da Humana Condição” do poeta alentejano José-Augusto de Carvalho.
José Augusto de Carvalho nasceu em Viana do Alentejo a 20 de Julho de 1937, onde reside.
O autor, com seis obras já publicadas apresenta-nos este título revertido e inspirado da obra de André Malraux “A Condição Humana”; José Augusto de Carvalho recupera os paradigmas da evolução humana, e discorre sobre a moralidade, a política o conflito num registo quase sempre na 1.ª pessoa, um incarnado resistente, desagrilhoadas as correntes que se soltam em palavras que se ordenam em destinos.
Xavier Zarco na nota breve de abertura sublinha a propósito:
“José-Augusto de Carvalho apresenta-nos, em todo o seu esplendor, a humana condição, que quantas vezes fazemos de conta não ver, mas que existe e invade, enquanto jantamos e lançamos comentários que, amanhã, poucos deles restarão na nossa memória, porque a vida é feita no desespero de cumprir a hora, exagerando, ou talvez não, de cumprir o segundo.
Este tomo não deve, não pode passar indiferente. É Poesia no seu esplendor porque habita ao nosso lado e não devemos, não podemos manter o olhar cerrado. Isto, claro, se desejarmos, de facto, um mundo melhor. Se não for para nós, que seja para aqueles que nós gerámos”.
Obras de José-Augusto de Carvalho já publicadas:
“arestas vivas”, 1980
“sortilégio”, 1986
“tempos do verbo”, 1990
“vivo e desnudo”, 1996
“Nós Poesioa…”, com Lizete Abrahão, 2002
“A instante nudez”, 2005
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Se puder, não falte.
domingo, março 23, 2008
Escritor

(Foto de Mikel Arrizabalaga)
Alguém me perguntou se era Escritor. Surpreso, perguntei-me o que era isso de ser Escritor. Nunca antes tinha pensado nesse título nem tão pouco me sentia vestido na sua pele. Escrevo, de facto. Mas escrever é ser Escritor? Apenas escrevo o que os meus sentimentos ditam e gosto de partilhar essa emoção. E nas palavras faço as digressões ao meu imaginário e misturo as imagens que colhi pela vida fora. Algumas… guardo-as com amor, pela simplicidade, pela forma como surgiram. Outras aparecem-me do nada e permanecem até que as escreva, para depois fugirem de mim.
Quanta necessidade, ou quanto vício, que aperta o meu sóbrio desejo e me impulsiona ao acto.
São momentos de uma insanidade perfeita, em que consigo atingir a felicidade total, desenhada pelas palavras que chamo. Nesse estado sou o Rei dessa monarquia das letras. Ninguém mais existe nesse habitat natural das plenitudes…
Oh! Quanta loucura é explanada na frase exposta! Quanta magia é ali deixada à espera que alguém leia e colha essa essência, entre cheiros de maresias, entre sabores doces ou em imagens recônditas…
Faço um mundo de pormenores sentidos, e sinto cada momento como meu. E ainda assim, não sei ser Escritor porque, em cada frase triste, há uma lágrima derramada e em cada alegria um sorriso perdido no pensamento.
E o meu lamento acompanha o meu sonho, de, talvez um dia, poder ser Escritor.
Enquanto esse dia não chegar, e talvez nunca chegue, vou vivendo esta paixão de escrever o meu alento, enquanto aos poucos vou morrendo.
Tirem-me tudo de mim. Mas deixem-me a liberdade de escrever até ao fim!
Talvez, depois de partir, consiga ser um Escritor… por ora, alguém me perguntou se era Escritor e ainda não sei o que responder!
PS: Dedicado ao Poeta e Amigo Xavier Zarco
http://euxz.blogspot.com/
sábado, março 22, 2008
A Escola da Margarida

(Foto de Ian Cameron)
Na escola da Margarida há espaços lindos para os meninos e as meninas brincarem, e as salas de aulas são grandes.
Os professores são os amigos crescidos que se preocupam e que ensinam coisas importantes para a vida futura.
Todos os dias as amizades florescem na Escola da Margarida.
Todos os dias as crianças estão felizes e assim aprendem a conhecer o mundo.
A Escola da Margarida é tão bonita porque tem crianças lindas e espertas que ajudam a simplicidade das coisas boas da vida.
E os outros meninos, das outras escolas, querem conhecer a Margarida, a menina que tem uma escola tão boa e especial.
Talvez um dia a Margarida vos mostre a sua escolinha ou vos escreva a contar o que lá acontece…
PS: Este texto foi dedicado e oferecido a Margarida que tem 6 anos
sexta-feira, março 21, 2008
Boa Páscoa!
Que todos estejam em harmonia. Que cada um seja um símbolo de Amor na ternura dos seus actos e na elevação dos seus próprios pensamentos.
Que todos desejem um mundo melhor, sem que o egoísmo aceda e mesmo que a tentação abunde, que não consiga erguer-se em prol dos infundados.
Um gesto de amizade e bom senso para todos os que visitam esta casa que é vossa. Sois Vós a origem da minha alegria. Para todos o meu desejo de uma Santa Páscoa.
Obrigado por serem presentes
Que todos desejem um mundo melhor, sem que o egoísmo aceda e mesmo que a tentação abunde, que não consiga erguer-se em prol dos infundados.
Um gesto de amizade e bom senso para todos os que visitam esta casa que é vossa. Sois Vós a origem da minha alegria. Para todos o meu desejo de uma Santa Páscoa.
Obrigado por serem presentes
segunda-feira, março 17, 2008
Um segundo para pensar…

(Foto de Kadir Barcin)
Saí de casa para poder usufruir da natureza. Dirigi-me, solitariamente, para a praia deserta, naquele dia de Outono. Precisava de um segundo para pensar. Um segundo em plena harmonia, sem ser incomodado, só eu e o mar… o meu melhor conselheiro!
Sentia que a minha vida estava prestes a mudar. Cabia-me escolher se para melhor ou para pior, embora só o tempo pudesse confirmar o positivo ou negativo…
Em cada onda, colocava de uma forma imaginária, um desejo, e quando a onda rebentava na praia imaginava esse desfecho e isso ajudava-me a decidir. E o tempo alongou-se. Já sabia que assim seria, afinal um segundo tinha sido para tomar a decisão de ali estar.
De segundo em segundo, de minuto em minuto, compreendi que a vida era feita de decisões, algumas encobertas pelo nosso inconsciente, mas sempre eram meras decisões. Outras apertavam o nosso pensamento e faziam notar a sua presença ambígua e por vezes mordaz.
Mas ali estava seguro. O mar deixava-me confiante e pronto para decidir a minha vida.
E, nesse momento, tomei a decisão mais importante da minha vida…
Decidi ser feliz e para isso acontecer passaria a dar sem pedir, e sem esperar algo em troca. E a primeira coisa que dei… foi o meu sorriso!
De sorriso em sorriso a vida foi acontecendo. Dava sem nada esperar e logo recebia outros sorrisos em resposta, e gostei dessa boa nova. E o resto foi fácil…depois transportei o exemplo do sorriso para tudo o que compunha a minha forma de ser e de estar… e sabes qual foi o resultado?
É fácil de imaginar se olhares bem para mim! Um sorriso espera sempre por ti!
sábado, março 15, 2008
Festa de Aniversário
Fevereiro estava a terminar. E na última semana constava o dia de anos de Pjar um amigo virtual das noites mágicas da escrita nesse espaço de ninguém ou de todos, designado por Internet.
Estella, mulher de impulsos e desejos fortes, depressa gerou entre a comunidade uma estratégia definida para atacar esse dia já próximo, seria ao bater da meia-noite, uma festa surpresa para Pjar.
Seus cúmplices, participantes na festa, estava de acordo com a estratégia e dispostos a ser uma parte activa nesse evento.
Todos os pormenores foram avaliados, ou quase todos, medidos mais pela emoção do acto do que pela importância da festa.
Surpresa seria sempre a palavra-chave. Obviamente que todos sabiam da importância desse momento para Pjar, pois todos, sem excepção, já tinham plena experiência de viver esse dia especial, pois que aniversariante era e seria uma condição anual de cada um.
Assim, o empenho e a presença, seriam uma realidade entre todos!
Depressa o momento chegou! Nessa noite, nas suas casas, todos estavam na Internet presos ao módulo de comunicação.
Entusiasmados pela festa surpresa, vestidos na pele do mais astuto caçador, esperavam o momento para “caçar” a presa fácil e indefesa…
A meia-noite apareceu! Todos saíram das suas tocas e mostram-se num campo aberto dispostos a disparar palavras em forma de parabéns.
No entanto, os olhares cruzaram-se entre todos e o espanto, naturalmente, sobressaiu …
Imaginaram tudo menos aquele cenário. Afinal faltava a “vítima” que iria ser caçada…
Verificaram os processos e reviram a estratégia. A esperança num atraso instalou-se forçadamente.
E não desistiram, antes acreditaram que a presa em poucos minutos iria passear nesse bosque imaginário e seria surpreendida.
Repararam nos minutos que fugiam sem parar, e, por esta vez, sentiram que o tempo corria mais depressa. Nítida sensação descontrole do momento…Sabiam o risco que corriam, mas ainda não acreditavam que algo pudesse ter corrido fora do planeado.
Sem que o tempo se alongasse mais, a festa iniciou-se sem o aniversariante.
Afinal todos estavam à espera, todos estavam e nada tinha acontecido, como o dia apenas tinha começado foram deixando mensagens de parabéns expostas na casa virtual da cultura, passagem diária quase obrigatória de todos, inclusive por Pjar.
Recorriam assim à parte dois da estratégia antecipadamente delineada.
Impressionados pela inesperada ausência, depressa se recompuseram e avançaram como se nada de anormal ou fora do contexto estudado, se tivesse passado…
O dito dia decorreu em plena festa virtual, juntando imensos amigos e sem que o aniversariante conseguisse escapar. Todos em dedicação ao Pjar e nos mais próximos ficou o segredo guardado a sete chaves daquela meia-noite mistério em que nada falhou…
Estella, mulher de impulsos e desejos fortes, depressa gerou entre a comunidade uma estratégia definida para atacar esse dia já próximo, seria ao bater da meia-noite, uma festa surpresa para Pjar.
Seus cúmplices, participantes na festa, estava de acordo com a estratégia e dispostos a ser uma parte activa nesse evento.
Todos os pormenores foram avaliados, ou quase todos, medidos mais pela emoção do acto do que pela importância da festa.
Surpresa seria sempre a palavra-chave. Obviamente que todos sabiam da importância desse momento para Pjar, pois todos, sem excepção, já tinham plena experiência de viver esse dia especial, pois que aniversariante era e seria uma condição anual de cada um.
Assim, o empenho e a presença, seriam uma realidade entre todos!
Depressa o momento chegou! Nessa noite, nas suas casas, todos estavam na Internet presos ao módulo de comunicação.
Entusiasmados pela festa surpresa, vestidos na pele do mais astuto caçador, esperavam o momento para “caçar” a presa fácil e indefesa…
A meia-noite apareceu! Todos saíram das suas tocas e mostram-se num campo aberto dispostos a disparar palavras em forma de parabéns.
No entanto, os olhares cruzaram-se entre todos e o espanto, naturalmente, sobressaiu …
Imaginaram tudo menos aquele cenário. Afinal faltava a “vítima” que iria ser caçada…
Verificaram os processos e reviram a estratégia. A esperança num atraso instalou-se forçadamente.
E não desistiram, antes acreditaram que a presa em poucos minutos iria passear nesse bosque imaginário e seria surpreendida.
Repararam nos minutos que fugiam sem parar, e, por esta vez, sentiram que o tempo corria mais depressa. Nítida sensação descontrole do momento…Sabiam o risco que corriam, mas ainda não acreditavam que algo pudesse ter corrido fora do planeado.
Sem que o tempo se alongasse mais, a festa iniciou-se sem o aniversariante.
Afinal todos estavam à espera, todos estavam e nada tinha acontecido, como o dia apenas tinha começado foram deixando mensagens de parabéns expostas na casa virtual da cultura, passagem diária quase obrigatória de todos, inclusive por Pjar.
Recorriam assim à parte dois da estratégia antecipadamente delineada.
Impressionados pela inesperada ausência, depressa se recompuseram e avançaram como se nada de anormal ou fora do contexto estudado, se tivesse passado…
O dito dia decorreu em plena festa virtual, juntando imensos amigos e sem que o aniversariante conseguisse escapar. Todos em dedicação ao Pjar e nos mais próximos ficou o segredo guardado a sete chaves daquela meia-noite mistério em que nada falhou…
segunda-feira, março 10, 2008
Entrevista de Paulo Afonso no Luso - Poemas
O destaque de Luso-Poemas para o mês de Março é o Paulo Afonso. Não por ser administrador do Luso (de facto, por sê-lo esteve para não ser o escolhido), não por ser amigo de ninguém em particular mas por ser amigo de todos de forma desinteressada e fácil.
Sem querermos cair no elogio fácil, devemos dizer que o Paulo Afonso é, indiscutivelmente, uma figura incontornável deste sítio, tanto pela sua escrita como pela sua postura correcta e conciliadora. Se tivéssemos que sublinhar as suas maiores qualidades, essas seriam, garantidamente, o voluntarismo, a correcção e a grande capacidade para ouvir/ler. Estas qualidades humanas aparecem fortemente imprimidas na sua escrita.
Quem lê o Paulo Afonso, atesta facilmente esta verdade.
Nesta entrevista introduz-se uma nova nuance. A partir de agora, para além dos elementos usuais em cada entrevista, passará a haver um entrevistador Luso ou Lusa convidado. O primeiro nessa qualidade é uma primeira. A Rosa Maria.
Ficamos, então, com uma pequena biografia do Paulo e com a conversa que tivemos com ele.
Auto-biografia
Paulo Jorge Afonso Ramos nasceu na Maternidade Alfredo da Costa em Lisboa, ao vigésimo quinto dia de Fevereiro decorria ano de 1966. Viveu em Alcântara até aos 3 anos, altura em que foi viver para África. A sua infância foi passada em Moçambique. Voltou para Portugal e viveu nos Olivais Sul onde começou a sua viagem pela escrita aos 10 anos de idade.
Só no ano de 2001 (Maio) começou a publicar poesia através da Editora Minerva, onde participou na Antologia de Poesia e Prosa Poética Portuguesa Contemporânea – “Poiesis” Volume V.
Participou ainda neste projecto “Poiesis” nos Volumes VII – (Maio 2002) e no Volume VIII – (Dezembro 2002).
Mas foi no ano de 2006 que concretizou o seu grande sonho, ao ver o nascimento do seu primeiro livro de poesia, editado pela Edições Ecopy com o nome de “Vinte e Cinco Minutos de Fantasia”. Este livro reflecte o seu olhar pelo amor, pelos sentimentos e pelas pessoas em forma de poesia.
Escreve com assiduidade no seu blog http://poesiadepauloafonso.blogspot.com/
Entrevista
Rosa Maria - Olá Paulo. Não queria começar a falar do poeta. Queria saber do Paulo enquanto Homem romântico, sensível e sonhador que parece transparecer na tua poesia.Paulo Afonso - Bem, não sendo Poeta, acho-me um pouco romântico e muito sensível. Sonhador sou demais, talvez por ser do signo peixes. Mas gosto do que sou. Pois sinto-me de bem com a vida.
Vanda - Ainda te lembras da 1ª vez que escreveste? Como foi?
Paulo - Tinha pouco mais de 10 anos. Tímido e inseguro e com necessidade de desabafar encontrei no papel a forma ideal de o fazer, depois escondia o que escrevia como se de um tesouro se tratasse. Mas por pura timidez …
Vera Silva - Nasceste para a poesia muito criança ainda e, descobriste, pelo que vemos nas tuas publicações no Luso-Poemas, a prosa muito mais tarde. Como aconteceu essa descoberta e em qual delas te sentes mais à vontade?
Paulo - De facto sempre escrevi poesia. Tinha um medo enorme de escrever de outra forma. Só no ano passado e no Luso–poemas comecei a arriscar a prosa em pequenos textos. Os incentivos foram chegando e comecei a escrever mais vezes. Hoje, por incrível que pareça, sinto-me mais à vontade na prosa e, esse facto, devo-o ao Luso e aos Lusos que amavelmente comentam os meus textos…
TrabisDeMentia - Olá Paulo, o Luso tem um efeito relaxante mesmo. Mas também é verdade que ele te tem dado algumas dores de cabeça. Como te sentes no papel de administrador. É tão relaxante como ler poesia?
Paulo - Ufa! Uma verdadeira surpresa. Imenso trabalho de bastidores e muita preocupação misturadas com muita vontade de fazer coisas boas em prol de todos. Agora também tenho imensas saudades dos tempos em que apenas lia e debitava textos sem qualquer noção da vida de administrador e sem preocupações. Hoje dou muito valor a esses tempos pois já conheço os dois lados…
Trabis - Por falar em lados, foste o primeiro Luso-poeta que eu tive o prazer de apertar a mão! Também noto que apareces em todas as fotos de encontros literários. A vida é um prazer, não é?Paulo - Todos os momentos são feitos de grande prazer. E alguns com grande orgulho. Conhecer as pessoas pessoalmente, reforça a união. No teu caso foi um grande prazer também. Poder estar com a pessoa que vive atrás do ecrã é magnífico.
Valdevinoxis - Tu és por natureza uma pessoa conciliadora, uma pessoa que tende a querer mediar situações. Já por várias vezes o vimos aqui no Luso. O que te parece que gera os desentendimentos ou melhor, o que achas que impulsiona algumas pessoas a terem relações difíceis com a harmonia? Como é que se gere isto?
Paulo - Uma pergunta difícil. Mas vou tentar ser objectivo. O problema é, de facto, sermos muitos e todos diferentes. Uns mais que outros, precisam de apoio, incentivo ou uma palavra de amizade. São as relações sociais do ser humano. Gerir é complicado e não sei se conseguirei, mas já aprendi muito com os Lusos e creio que a maior virtude é tentarmos entrar na pele do outro para perceber as razões, convicções etc. Nunca é fácil…
Rosa - Diz-me Paulo, o que significa verdadeiramente o Luso-Poemas para ti? Quais são no teu ponto de vista as suas virtudes e defeitos, de uma forma concreta.
Paulo - O Luso–poemas é uma segunda casa para mim e sinto os Lusos como uma família. As virtudes são muitas, pela variedade de estilos ou por ser um site diferente de todos outros desta área. Defeitos? Alguns. O facto de não termos alguma capacidade de gerir as diversas formas de opinião (critica geral) e de não conseguirmos expandir mais para outras culturas, nomeadamente a africana onde existem grandes poetas. Mas iremos conseguir com o tempo e a ajuda de todos Lusos.
Vera - A poesia é muito mal tratada e pouco divulgada. Se tivesses o poder de alterar isso, como o farias?Paulo - Atacaria as bases. Mudaria a política da educação. Mudaria o apoio à cultura e criava outras opções de publicação, que permitissem termos mais acessos à leitura com, obviamente, baixos custos. Se pudesse, a poesia seria posta em outras condições, mais de acordo com os poetas da nossa história…
Trabis - E que dizes tu, Paulo, da história que os nossos poetas escrevem a cada dia? Achas comparável à dos nossos antepassados?
Paulo - De certa forma sim. Se pudermos modificar os métodos e actualizarmos os efeitos. Claro que sim. Mas o tempo o dirá quando um de nós merecer o justo destaque social e na literatura, pois no Luso-poemas há de facto grandes valores. Aposto fortemente em alguns nomes…
Vera - Que relação existe entre Paulo Afonso e as personagens que estão dentro dele?
Paulo - De cumplicidade. Tenho uma frase minha em que digo: “Escrevo…para libertar as personagens que não consigo Ser”. Em cada frase, em cada texto sai um pouco de cada personagem que habita dentro de mim. Por vezes confundo-me entre as personagens e o homem real do dia a dia que também existe e com muitos defeitos…
Val - Paulo, o que dizes é que tu és mais uma personagem, que te recrias na escrita? Se assim é, não tens medo de uma exposição demasiada, de neste processo de "mixagem", perderes a identidade? O facto de seres o autor não te deveria obrigar a um distanciamento em vez da colagem de que falas?
Paulo - Há uma liberdade criativa, por vezes inconsciente mas em que tenho necessidade que assim seja. Sem qualquer medo, assumo que por vezes não me reconheço no que faço através da escrita, mesmo que corra o risco de perder a identidade, faço-o na mesma. Quando escrevo, perco o medo, a vergonha e a conduta social. Criar é poder voar sem asas é ir e voltar sem preocupações com o ego ou com outra envolvente subsequente. Nessa altura o Eu pouco me importa. Simplesmente escrevo!
Rosa - Agora questiono o Poeta. Tens um texto (em prosa poética) com o título "Viagem". Que "Viagens" ainda queres realizar?
Paulo - Quero descobrir a viagem ao paraíso e por lá ficar os últimos tempos da minha vida. Estamos uma vida inteira a aprender. Como digo nesse texto: “A verdadeira viagem foi a vida… pelos anjos que encontrei” Esse tesouro é a minha maior riqueza, a fonte do meu sorriso diário e a esperança em conseguir viajar sempre. Viajar? Sempre, quer seja pessoalmente (adoro) ou através da escrita. O que importa é mesmo viajar...
Vera - O que mais te inspira quando escreves? Como chegas a um tema, como vives o processo criativo?Paulo - Confesso que tenho uma forma pouco comum. Primeiro porque tenho o hábito, muito antigo, de pedir um título e só depois escrevo. É assim que chego ao tema. Vivo o processo criativo com grande emoção e prazer. Inspiro-me no momento ou na música e as coisas acontecem naturalmente. Fluem de dentro de mim em liberdade que por vezes nem tenho a consciência do resultado final.
Trabis - Tenho um título bom para ti: "Paulo". Conseguirás escrever esse poema? Agora? Em breves linhas? Deixa o tema fluir!
Paulo -
Um mistério recôndito
que o tempo vê passar
ele é o dito
que quer falar.
Espevito
sabe amar
quer viver em sociedade
em alegria constante
em liberdade
em cada instante.
Ele é um menino
que cresce em cada hino!
Val - No decorrer desta entrevista mantiveste uma postura que, podemos dizer, é politicamente correcta. Também nos apercebemos que não é uma máscara mas sim uma filosofia de vida. Quero que descoles um pouco dessa linha e que nos digas o que mais te desagrada no Luso. Qual o tipo de intervenção que não gostas mesmo? Quais são os pontos sobre os quais tomavas medidas drásticas? Que medidas?
Paulo - Não é fácil desviarmo-nos da nossa linha mas, nunca recuso um bom desafio. O que mais desagrada no Luso é a postura de alguns Lusos, que a criticam sem noção das realidades e só para aparecerem. As manobras de imposição, maioritariamente dissimuladas. Não pactuo com posturas provocatórias ou de “politica do umbigo”, ou seja, manifestamente egoístas.
Não gosto mesmo do tipo de intervenções “BOMBA” no fórum. Sem critério ou sem bases, só porque estão na corrente e deixam-se levar. E digo-o com o devido respeito por todos, obviamente. Nessas alturas tomaria medidas drásticas. Que medidas? Colocava-os como a outra parte, a parte de quem tem que resolver e em simultâneo agradar a todos para ver se conseguiam entender o quão é difícil gerir e fácil criticar. Só assim alguém poderia ter consciência poética para agir
Depois trocava opiniões com os visados e certamente melhorávamos todos. O Luso–poemas incluído.
Rosa - Para terminar não poderia deixar de te pedir uma mensagem para todos os Luso-Poetas. Que palavras nos ofereces Paulo?
Paulo - Uma mensagem de gratidão sincera. Porque todos Lusos (mesmo que não saibam) têm uma grande influência na minha vida e em especial no que escrevo. Porque desde que estou no Luso cresci como homem e na escrita. Criei um canal de amizades verdadeiras. Sinto que todos podemos crescer em conjunto, sem limites e com respeito pela personalidade de cada um. Que todos sejamos capazes de fazer um esforço em prol da poesia. Do Luso–Poemas. E que em Abril façam mais um esforço para estarem no 1º Encontro da Luso. Mostrem-se. Sorriam e a vida melhorará. Por favor, ACREDITEM!
domingo, março 09, 2008
Desejo Secreto

(Foto de reencarnacion cristalero)
De coração desfeito das intempéries do amor, o vulto erguia-se de mais uma aventura perdida. Acabara de receber mais um duro golpe, vicissitudes, de quem perdera o norte e se guiava pelo vendaval dos actos espontâneos…
Três letras assombravam o seu pensamento – fim – era o seu constante tormento, porque o tempo mostrava os insucessos repetidos. Outrora esteve perto da felicidade mas o medo de assumir esse real sentimento assustara a condição, e a oportunidade viajara para outras paragens da vida de alguém.
O vulto era a noite! Ansiava voltar a sentir-se o sol de alguém como um desejo secreto.
O seu desejo secreto, concretizado, daria um sorriso constante e aberto. Daria um brilho aos seus olhos pungentes e extrairia do seu pensamento a afronta das palavras residentes.
Todas as noites…regressava ao sonho para vive-lo intensamente. A realidade não conseguia dar-lhe esperança, vontade ou uma pequena alegria que fosse!
Morria lentamente…perdendo as forças ocultas para realizar o desejo de ser simplesmente feliz.
Todas manhãs, ao acordar, imaginava que um vulto especial entraria na sua vida e que, de sorriso em sorriso, viajariam no mundo do amor e acabariam os seus dias, juntos, à beira de um lago, numa casa feita de momentos felizes e de grande cumplicidade.
Em silêncio esperou e os seus dias passaram lentamente por si!
Os seus olhos gritavam:
-“ Eu morro pela tua presença!”
As suas lágrimas denunciavam:
Fiquei… inverso… de… mim!
Os seus passos corriam para o abismo!
Fiquei…
Incompatível… (de)
Mim…
(Nunca tenhas medo de amar. De assumir o desejo, o teu íntimo desejo, porque a vida não pára e amanhã pode ser tarde…)
quinta-feira, março 06, 2008
Beijo Ausente

(Foto de: Tanni Thai)
Levito na ânsia do teu beijo!
Percorri as ausências dos espaços
ultrapassei as barreiras da inépcia
e formulei o meu desejo
bordado na acácia
dos meus pensamentos escassos.
Imaginei o momento
que tanto almejo
construído de muito sofrimento
e algum lampejo.
Sonho que se repete constantemente
que domina a minha mente
e acalentado me vejo.
Oh! Híbrido estar…
Oh! Imagem que se confunde
e me dá asas e me faz voar.
Levito na ânsia do teu beijo!
Espreito o caminho
que percorro sozinho.
sábado, março 01, 2008
Intuição

(Foto de: Saul Santos Diaz)
Como um sopro de vento senti na minha cara esse momento por acontecer, ou já acontecido, e no calor desse gesto de ninguém as palavras acordaram na minha mente…
E as frases descreveram-me a tua imagem e a minha imaginação moldou o teu corpo… Corpo fugaz de uma pessoa sem destino e que percorria um caminho de pedras e poeiras de outros passados em busca da sua identidade.
Criei no momento imaginado o meu desejo e vesti esse corpo de princesa, troquei o caminho por outro feito de terra batida por entre uma floresta densa e em que se via um lindo castelo lá bem ao fundo… Vês também?
Ouvi o chilrear dos pássaros felizes e deixei-me ficar a ver-te em direcção ao castelo.
Consegues… consegues ouvir os pássaros?
E, de repente, senti este cenário fugir-me da mente e o espaço cercado de uma nobre presença. Como se alguém estivesse dentro de mim a ler-me ou como se alguém estivesse a ler as frases que derramei no caminho da minha imaginação…
Algo me diz… se tu lês e sentes estas palavras… se vês o castelo e ouves os pássaros… Então menina mulher és tu a princesa! Será só na minha imaginação? Será só mera intuição?
Se o segredo morrer… só tu poderás dizer a verdade!
Mas, aconteça o que acontecer, as histórias nascerão sempre em busca desse momento.
sexta-feira, fevereiro 29, 2008
Palavras Ocas
quinta-feira, fevereiro 28, 2008
Amor Impossível

(Foto de: Julio Segura Carmona)
São lágrimas que solto por saber deste meu amor impossível. Lágrimas de alegria por saber que o amor é meu e que, apesar de impossível, estará sempre ao alcance do sonho e do desejo por cumprir…
E o mar com o seu sorriso de prata é meu aliado, meu amigo, para harmonizar os meus momentos de fim de tarde em que me encontro na areia da praia deserta e desejo nadar até ti. É através das ondas sorridentes que o mar me acalma, e me deixa inerte ao pensamento fugaz da loucura do acto por realizar… Volto sempre!
Sei que outro dia virá feito de ilusões e de argumentos, para que o mundo nos afaste, sei que o meu caminho é feito das peripécias loucas e dos trechos perdidos do meu recanto chamado realidade, e ainda assim penso em ti.
Tão longe que estás, e tão perto que te sinto, nessa magia do amor que construo como castelos de areia à beira-mar, num desafio, para que mandes uma onda maior e os destruas, chamando-me assim à minha dura realidade…
E a teimosia provoca-me, faz-me voltar em cada final de tarde para construir de novo os castelinhos de areia húmida. Essa mesma teimosia que vai de mão dada com a esperança, que assim aproveita para imaginar a tua chegada por entre as alegres ondas e, num pensamento secreto, chega a imaginar que vens naquela onda maior.
E se os castelos são de areia, os desejos são de vento, e o meu amor é bordado pelo sol que, ao longe, se despede e vai dormir. O mesmo sol que aquece esta relação inexequível.
Anos passaram e a fonte das minhas lágrimas nunca secou… A minha pele queimada do sal e do vento anunciou o meu desespero de uma vida solitária. Os cabelos brancos escondidos debaixo do boné de marujo são como sementes da minha preocupação por não saber de ti…
Nem por uma única vez apareceste!
E tanto que sonhei com esse momento. Estudei as palavras, e fiz frases para te oferecer…
Fiz planos… uma casa nessa praia deserta ou na ilha solitária do mediterrâneo.
E tu, sereia do meu imaginário, nunca vieste…
segunda-feira, fevereiro 25, 2008
Obrigado a todos

Quero agradecer-vos o carinho manifestado! Hoje fui “atacado” e que bem que soube, por palavras de carinho, mensagens, telefonemas, poemas, beijos e abraços. Espero que possa retribuir-vos diariamente com amizade e muita alegria.
Muito obrigado a todos.
Beijos & Abraços para vocês
O Aniversariante,
Paulo Afonso
25/02/2008
domingo, fevereiro 24, 2008
Corpos

(Foto de: Mg Lizi)
Ainda que o teu corpo esteja distante, do querer, sinto-lhe a fragrância que estimula e seduz em silêncio e assim provoca a ebulição do meu corpo em estado embrionário…
É o pensamento que se entrega ao desejo. E o desejo atroz deixa fugir os fluidos dessa forma demente.
Os corpos incandescentes já estão na mesma linha dessa vontade própria do momento.
Mágico é o momento que acontece e, num ritmo insaciável, o movimento assume a forma inexequível do tormento cercado da incerteza do cenário e de quem, por perto, possa assistir.
Já nada os trava. Esses corpos submissos aos desejos e nesse mar de prazer por acontecer e na geometria do acto sente-se o emparelhar das cadências seculares da vida.
Cai o pano. E os corpos suados de tanto trabalho conjunto regressam, para agradecerem essa pérola de prazer inusitado. As palmas prolongam-se, por longínquos minutos.
Curvados descansam num agradecimento sentido. Cumpriram a sua dança!
Outro dia e outra dança voltarão a acontecer…
sábado, fevereiro 23, 2008
Esqueço-me

(Foto de Floriana Barbu)
Mesmo sem sair de casa sinto o vento que percorre as ruas à minha procura. E aconchego-me um pouco mais nesta minha cama de sonhos nunca partilhados… Oiço a voz da chuva a chamar por mim num desafio de coragem e ainda assim o calor dos lençóis e das mantas da minha cama prendem-me propositadamente.
Estou entre o querer ir e o querer ficar!
Pergunto-me de que vale ir ao encontro dessas questões da natureza e, na mesma pergunta, embargo o meu desejo de ficar num espaço em que já não tenho tempo para sonhar…
Sinto-me em falta noutro local. Nesse momento de alguém que queira o apoio que posso oferecer ou que, simplesmente, só queira um dos meus sorrisos que esbanjo pela vida fora.
Mas teimoso, fecho os olhos, e numa reviravolta estratégica adormeço devagar…
Esqueci-me de tudo e de todos! Até de mim…
sexta-feira, fevereiro 22, 2008
Parabéns Cláudia

(Foto de Tamara Loncar-Agoli)
Hoje escrevo para ti! Para dar a palavra que mereces e que não mandei, que não a disse.
Hoje é o teu dia, em que esperas as tuas prendinhas que desejaste nos últimos meses em projectos de silêncio ou em que fugiu em algum murmúrio tímido, e que já esta semana sonhaste algumas vezes com essas prendas.
É hoje que buscas o mundo só para ti, envolvida nessas amenas primaveras.
Hoje! Tanta emoção aconteceu e o tempo correu tão depressa que quase não tiveste tempo para pensar nos que se esqueceram de ti!
Sabes, apesar de estares longe, em Évora, não me esqueci de ti, sabes que, apesar de não poder concretizar o teu simples pedido de hoje estar perto de ti, eu viajei no espaço aberto e apenas, por um segundo, estive contigo… Foi tão rápido que nem te apercebeste!
E quando a noite for para sonhar, antes de entrares nesse mundo fantástico vais pensar… Ele não veio…
Mas eu sei que não vais ficar triste porque embora tenhas dificuldades em entender, consegues aceitar e saberás que estás junto das pessoas que mais amas.
O mundo é mesmo assim… meio chato!
Muitas primaveras passarão e talvez um dia aceites a chatice deste mundo acelerado e distante. Por ora não importa. Nada importa, apenas o teu desejo de seres feliz.
Parabéns amiguinha pelos teus oito aninhos…
O teu gordo!
Beijinhos
domingo, fevereiro 17, 2008
Na fronteira...

Foto de Ben Goossens
A chuva não pára lá fora. Faz de mim um prisioneiro aqui dentro desta casa de pedra, perdida, entre os campos cultivados. E é da janela que espreito a vontade de fugir desta prisão do sentimento em que a tristeza se apodera das minhas fragilidades para abarcar os meus pensamentos e seduzir a minha vontade própria ainda por se definir!
Nasci para este dia abandonado aos meus propósitos e, de tão só estar, fiquei estático a olhar para esse acontecimento que nem sei o que aconteceu mais…
Estou entre a ilusão e a vida, separado apenas por esta janela que chora por fora e sofre por dentro, porque assim sou e na casa fria há um silêncio cúmplice da tristeza que não parte.
Passam minutos, talvez horas e nada acontece. Nada se mexe. Ninguém se ouve. Apenas o bater da chuva, compassado, faz a melodia deste meu novo dia. A mesma melodia que ritma os meus pensamentos de tortura crescidos de tamanha tristeza…
E é o relógio de sala que me traz a realidade, quando as suas fortes badaladas do meio-dia soam ao despertar para a minha mente abstraída, adormecida.
Corro para a lareira na ânsia de que me ceda o calor que tanto preciso. Arde a ténue esperança da tristeza e as paredes parecem quer sorrir. A janela embaciada parece corar e já não chora.
Começo a acreditar que posso mudar. Que o meu dia e a minha vida podem melhorar. Revisito a janela de perto para poder espreitar o outro meu mundo e descubro um raio solar tímido quase a pedir licença para se aproximar. Crescem as minhas recônditas esperanças em ser um sorridente deste mundo maravilha que ombreia com a outra parte maléfica cheia de oprimidos da desgraça e de corpos que esperam o seu tempo…
Cresço no espaço de um sorriso mais que no tempo da minha incerteza e o desejo pede-me uma melodia… criteriosamente escolho-a: Lara Fabian – Je T´Aime.
Sigo a letra para poder sentir-me como um tolo que estava a ser, e como um soldado que fui, ao combater este meu estado de alma.
E no refrão canto também…Eu te amo! Eu te amo!
A casa grita, é a campainha que toca… Não espero ninguém e o tempo não traz mais que um sol que ilumina a minha aldeia.
Vou à porta, abro-a em par com a esperança redobrada e vejo-te sorrir… A ti, mulher!
Vieste ao meu mundo real da minha aldeia, saindo da minha ilusão, para me abraçares para seres a minha eterna mulher. Renasci neste dia, acompanhado pelos meus desejos mais profundos e pelos secretos devaneios que fiquei extasiado e desejei que a vida nunca acabasse…
sábado, fevereiro 16, 2008
A Menina do Bosque

Foto de Guillermo Morgana
Certo dia alguém quis passear à procura de uma aventura destemida. Resultado. Havia uma menina perdida num bosque. E a noite apareceu de surpresa e a menina arrefeceu, sentiu-se só e abandonada à sua sorte. Pensou em culpar alguém, olhou em redor e não viu ninguém. Irritada. Culpou ninguém. E o tempo foi passando e assim ajudando-a pensar até que chegou perto de si… própria.
- Quem és tu menina perdida?
Foi a voz da sua natureza a suplicar-lhe uma resposta coerente e ela depressa respondeu:
- Sou a menina valor que desconhecia e perdida encontrei a minha noção. E agora só quero regressar ao meu lar…
Adormeceu triste e cheia de frio.
O sol acordou-a, olhou pela janela e reviu essa majestosa brisa… olhou em redor estava no seu quarto.
E ela gritou:
Bom dia!
(…A continuação está em aberto! Seja você mesmo a finalizar…)
quinta-feira, fevereiro 14, 2008
São Valentim

Foto de James Oley
Hoje o dia é a minha cara. Está estampado um sorriso atrevido de quem quer surpreender… Os olhos estão atentos e vestem aquele brilhante que só os amantes conseguem vestir.
O rosto rodeia-se de um terno corado inocente que procura passar quase despercebido aos olhos dos transeuntes das avenidas da nossa aldeia.
Mas é o corpo que guarda a ambição de quer ser assim todo ano e num esforço dos meros mortais entrega-se de uma forma invisível em cada dia que passa. Só hoje o rosto brilha… E ainda assim consegue esconder a parte que resta do corpo!
Se assim quiserem… esta cara será dos namorados sem idade, sem tempo e no perpétuo acontecimento exibirão os seus coloridos sentimentos na magia do espaço em que diariamente voam… hoje o dia é teu, meu e de todos!
terça-feira, fevereiro 12, 2008
Ilha do Amor

Foto de Scott Hoffman
(Este texto é um dueto com Vera Silva a pedido de STONE)
Escrevo-te! Para que saibas o que nunca tive a coragem de dizer, olhos nos olhos, pela simplicidade de não aceitar o teu olhar, fosse ele qual fosse…
Sim! É o medo que me norteia! Estou amparada na pessoa que não age para não ferir ou que se deixa ir ao sabor do vento mesmo que, por isso, me obrigue qualquer consequência.
Não sei se alguma vez irás ler estas linhas em que me deleito como que numa cena de amor, e é no teu peito que imagino a frase erudita que busco na minha cabeça, estremecida, mas que ainda consegue fabricar alguns tímidos desejos… Quero-te!
Nem imaginas o que penso escrever enquanto percorro o teu árduo corpo, sim árduo, porque o imagino entre a resistência e a loucura… a um passo, apenas, de ser só meu.
Oh! Loucura. É como me chamo, é como me sinto, quando quero gritar-te… Eu Amo-te! Oh, mágica imaginação que transforma essa sensação em lágrimas constantes… Já te disse aqui que é o medo que me norteia. Mas não há medo que chegue que me impeça de sonhar!
E na coragem emprestada vou imaginar que estas frases chegaram ao seu destino e que quis o tempo trazer-me a resposta. Quero ler-te assim:
“Meu amor... trouxe-me o vento os suspiros do teu desejo e as palavras que sempre ambicionei ouvir e agora posso tê-las. Soube desde o primeiro instante que tu eras o meu destino e descobri, na carícia do teu olhar, que minha alma te pertence há muito.
Sonho com um gesto teu desde o primeiro momento e aguardei, na ânsia, por uma palavra tua, que tardou em chegar. Por mais incrédulo o meu sentir, nunca consegui matar a esperança que julguei vã, e hoje, meu amor... Hoje!... Hoje tornaste o meu mundo mais feliz, porque sinto agora que estás no meu universo.
Aguardo-te na nossa praia, onde já misturei com o mar as lágrimas de saudade ao pôr-do-sol.”
Oh! Ternura. Doce brisa que afaga a minha imaginação… Oh! Loucura dos dias que passo entre o mar e a areia a olhar o teu rosto imaginado, o teu corpo esculpido no querer da minha imensidão feita de um rochedo perdido…
Tu nunca chegaste! E a tua resposta foi criada pela minha loucura, isenta de qualquer realidade. Morri na nossa praia. E o corpo perdeu-se nas areias da imprecisão.
Tu nunca chegaste… mas as ondas visitaram-me sempre, e foram elas que alimentaram a minha esperança, o meu desejo e a minha vida, perdida… nesta ilha do amor…
domingo, fevereiro 10, 2008
Campo de girassóis

Foto: Sunflowers - Ocean
De: Andreas Babik
Vejo ao longe o sorriso dos girassóis que parecem que esperar que os visite. Seus olhos cor de amêndoa doce e alegre transmitem a doçura dos iluminados inquietos, suspensos do mundo inerte e falível…
E o vento sopra palavras de incentivo e de loucura. Eles abanam numa dança de uma coreografia ensaiada e cintilam criando um quadro de perfeita harmonia. Vistos do céu fazem ondas de reciprocidade quase sem noção… de quem as vê, de quem as sente.
E o sonho nasce. Depois de adormecermos num recanto de relva verde, fixados no azul do céu e na espera do desejo paixão de marasmo conquistado nos vultos de pedra e cinza diluída no espaço emergido.
Este é o nosso segredo. Esta é a nossa forma de conseguirmos sobreviver aos dias perdidos na vida que dizem ser a nossa e em que nunca a conseguimos encontrar, para que a possamos projectar nas planícies dos génios e das flores.
O tempo passa. E a noite visita-nos. Já renovados percorremos o caminho inverso e regressamos à normalidade. Aparente. Trazemos o sorriso, emprestado, do girassol amigo no pensamento, trazemos o amarelo brilhante, contagiante, na alma que fomenta o nascer de mais um dia. O Sol irmão desse girassol simbólico também sorri e pisca-nos o olho guardando o segredo partilhado na véspera.
Podes chamar-me maluco. Podes pensar que sou incauto. Mas o meu desejo é encontrar esse caminho que me leve, de novo e em segredo, ao majestoso campo de girassóis para que em silêncio ame as cores da natureza e assim encontre a terapia para purificar os sentidos, perdidos, do meu acreditar…
Já sabes. De mãos dadas poderemos partilhar o nosso segredo. Podemos sorrir. E, no momento oportuno podemos fugir, embora que temporariamente, nunca deixaremos as nossas viagens, cúmplices, aos terrenos da noção e as terras da emoção.
Basta que tu o queiras!
Espero por ti!
Quero seguir o nosso caminho na busca da nossa identidade…
sábado, fevereiro 09, 2008
Não Sei...

Foto - Lost in reflection
De: Josephine Chervinska
Não Sei…
Sabes que não sei
porque desabrocham estas lágrimas de solidão,
sabes que nem nunca pensei sequer
porque amo esta infinidade
feita de desejo e prenhe d’emoção?
Isolo-me das mágoas, do silêncio inédito,
que esconde o mistério dito
e abraça a lenda do meu sofrer,
neste receio maior de te perder.
Não sei sequer do destino frutuoso
nem o meu estado
- talvez de carente amistoso -,
não sei…
da minha alma,
não sei…
do meu passado a sentir…
e não sabendo …
me sinta assim amado!
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